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A amor proibido

Teoremas de Sedução e Outras Variáveis

O ar na biblioteca central da faculdade era pesado, saturado com o cheiro de papel antigo, café barato e a ansiedade coletiva de centenas de alunos em semana de provas. Alice, no entanto, não conseguia se concentrar em uma única linha do seu livro de Cálculo Avançado. Seus olhos castanhos teimavam em desviar do papel para a figura sentada na mesa à frente, três metros à sua direita.

Jayna.

Se Alice era a personificação da organização — com seus marca-textos coloridos, post-its perfeitamente alinhados e óculos que insistiam em escorregar pela ponte do nariz —, Jayna era o caos magnético. Estudante de Artes Visuais, ela parecia deslocada naquela ala de exatas, mas ali estava ela, com um caderno de desenho aberto, os dedos sujos de grafite e um fone de ouvido que deixava escapar batidas de um lo-fi relaxante.

Alice observou o modo como Jayna mordia o lábio inferior enquanto sombreava um desenho. O piercing de argola no lábio brilhava sob a luz fluorescente, e Alice sentiu um aperto familiar no estômago. Elas se conheciam há dois anos, desde o trote da faculdade, mas a relação sempre orbitava em um campo gravitacional de flertes não ditos e provocações acadêmicas.

— Se você continuar olhando para o meu caderno desse jeito, vou começar a cobrar ingresso, Alice — disse Jayna, sem tirar os olhos do papel.

Alice sentiu o rosto esquentar instantaneamente. Ela pigarreou, tentando recuperar a dignidade enquanto ajeitava os óculos.

— Eu não estava olhando para o seu caderno. Estava... tentando resolver uma derivada complexa e sua presença ruidosa está me distraindo.

Jayna finalmente levantou a cabeça. Um sorriso lento e perigoso surgiu em seu rosto. Ela tirou os fones, deixando-os pendurados no pescoço, e se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa de madeira escura.

— Ruidosa? Eu não disse uma palavra nos últimos quarenta minutos. O único barulho aqui é o do seu cérebro fritando com esses números. Por que você não faz uma pausa?

— Eu tenho prova amanhã, Jayna. Nem todo mundo pode viver de desenhar rostos bonitos e ignorar as leis da física.

Jayna fechou o caderno com um estalo seco e se levantou. Ela caminhou até a mesa de Alice com uma confiança que sempre deixava a outra garota sem fôlego. Jayna usava uma regata preta que revelava as tatuagens delicadas de flores e formas geométricas em seus braços, e uma calça cargo que parecia larga demais, mas que nela ficava perfeita.

— Venha comigo — disse Jayna, a voz baixinha, quase um sussurro que apenas Alice poderia ouvir.

— O quê? Agora? Eu preciso estudar, Jayna.

— Alice, seus olhos estão vermelhos e você está na mesma página há meia hora. O laboratório de revelação fotográfica está vazio. O ar condicionado lá é melhor e eu prometo te ajudar a "relaxar" para a prova.

Alice sabia que deveria dizer não. Mas o modo como Jayna disse a palavra "relaxar", com uma rouquidão sugestiva, fez com que seu bom senso evaporasse. Ela fechou o livro de cálculo com mãos trêmulas e começou a guardar o material.

— Dez minutos — murmurou Alice. — Só dez minutos.

— O tempo que você quiser, CDF — Jayna piscou, já se afastando em direção à saída lateral da biblioteca.

O trajeto até o prédio de Artes foi feito em um silêncio carregado. O campus estava escuro, iluminado apenas pelos postes amarelados e pela lua crescente. Quando entraram no laboratório de fotografia, o cheiro de produtos químicos e papel úmido as recebeu. Jayna trancou a porta por dentro e não acendeu a luz principal, optando apenas pela luz vermelha de segurança, que banhou o ambiente em um tom escarlate, íntimo e pecaminoso.

— Aqui é melhor, não acha? — perguntou Jayna, aproximando-se de Alice.

Alice estava encostada em uma das bancadas de metal frio. A luz vermelha fazia Jayna parecer uma miragem, os contornos de seu corpo realçados pelas sombras.

— É... é diferente — respondeu Alice, a respiração ficando curta à medida que Jayna invadia seu espaço pessoal.

— Você está sempre tão tensa, Alice. Sempre tentando controlar todas as variáveis.

Jayna colocou as mãos na bancada, uma de cada lado do corpo de Alice, prendendo-a ali. O calor que emanava dela era quase palpável. Alice podia sentir o perfume de Jayna — uma mistura de sândalo, baunilha e o aroma metálico do grafite.

— Algumas coisas precisam de controle para funcionarem — Alice rebateu, embora sua voz estivesse falhando.

— E outras — Jayna se inclinou, o nariz roçando o pescoço de Alice — funcionam muito melhor quando você simplesmente se entrega ao caos.

O toque aconteceu primeiro nos lábios. Jayna não esperou por permissão; ela simplesmente reivindicou a boca de Alice em um beijo que começou lento, testando as águas, mas que rapidamente se transformou em um incêndio. Alice soltou um gemido baixo, suas mãos subindo para os ombros de Jayna, agarrando o tecido da regata antes de se perderem nos cabelos curtos e desgrenhados da artista.

A língua de Jayna explorou a de Alice com uma fome que indicava que ela estava esperando por aquele momento há meses. Alice, por sua vez, sentiu como se todas as fórmulas matemáticas em sua cabeça tivessem sido substituídas por uma única sensação: o corpo de Jayna pressionado contra o seu.

— Jayna... — sussurrou Alice entre os beijos, sentindo as mãos de Jayna descerem para sua cintura, puxando-a para mais perto, eliminando qualquer espaço que ainda restasse.

— Shh... nada de fórmulas agora — murmurou Jayna contra a pele do pescoço de Alice, deixando uma trilha de beijos quentes que subiam até a orelha. — Só sente.

Jayna ergueu Alice com uma facilidade surpreendente, sentando-a na bancada de metal. As pernas de Alice se envolveram instintivamente ao redor dos quadris de Jayna, puxando-a para o centro de seu calor. A frieza do metal contra suas coxas contrastava violentamente com o calor das mãos de Jayna, que agora deslizavam por baixo da blusa de Alice.

Quando os dedos de Jayna encontraram a pele macia da barriga de Alice e subiram até encontrar a renda do sutiã, Alice arqueou as costas, soltando um suspiro longo.

— Você é tão linda sob essa luz — disse Jayna, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos de Alice. — Eu queria te desenhar assim. Desse jeito.

— Menos conversa, Jayna — provocou Alice, a audácia crescendo à medida que o desejo tomava conta. — Achei que você ia me mostrar como relaxar.

Jayna sorriu, um brilho predatório nos olhos. Ela puxou a blusa de Alice por cima da cabeça, jogando-a em algum lugar no escuro do laboratório. Em seguida, suas mãos habilidosas — mãos de quem criava arte com detalhes minuciosos — ocuparam-se em desabotoar o sutiã. Quando os seios de Alice foram libertados, Jayna soltou um suspiro de apreciação.

Ela começou a beijar o colo de Alice, descendo lentamente. Cada toque era calculado para levar Alice ao limite. Quando a boca de Jayna envolveu um dos mamilos, Alice jogou a cabeça para trás, as unhas cravando-se nos ombros de Jayna. O prazer era agudo, uma corrente elétrica que descia direto para o seu ventre.

— Jayna, por favor... — Alice implorou, o corpo tremendo sob o toque da outra.

Jayna desceu da bancada, ajoelhando-se entre as pernas abertas de Alice. Seus olhos nunca deixaram os de Alice enquanto ela abria o botão da calça jeans da estudante de exatas. O som do zíper descendo pareceu ecoar pelo laboratório silencioso.

— Eu disse que ia cuidar de você — sussurrou Jayna.

Com movimentos lentos e deliberados, Jayna removeu a calça e a calcinha de Alice. O ar frio do laboratório atingiu a pele úmida de Alice, fazendo-a estremecer, mas logo o calor da respiração de Jayna substituiu o frio.

Jayna usou os dedos para acariciar a parte interna das coxas de Alice, subindo lentamente até o cerne de sua feminilidade. Ela encontrou Alice já pronta para ela, úmida e pulsante. Quando o primeiro dedo de Jayna penetrou, Alice soltou um grito abafado, escondendo o rosto no ombro de Jayna, que agora se levantara parcialmente para alcançá-la.

— Você é perfeita, Alice — Jayna murmurou, aumentando o ritmo, os dedos movendo-se com uma destreza que fazia Alice ver estrelas. — Tão apertada... tão quente.

Alice sentia que estava perdendo o controle de todas as suas funções motoras. Sua mente, sempre tão lógica, era agora um borrão de sensações puras. Ela buscou a boca de Jayna novamente, um beijo desesperado, enquanto seus quadris se moviam em um ritmo frenético contra a mão de Jayna.

A pressão aumentava. Alice sentia o clímax se aproximando como uma tempestade no horizonte. Jayna parecia saber exatamente onde e como tocar, alternando a pressão do polegar com o movimento rítmico de seus dedos dentro de Alice.

— Agora, Alice... se solta para mim — ordenou Jayna com a voz rouca.

E Alice obedeceu. O ápice veio em ondas avassaladoras, um terremoto que sacudiu cada fibra de seu ser. Ela apertou Jayna com força, as pernas tremendo violentamente enquanto o prazer a consumia. Ela gemeu o nome de Jayna repetidamente, o som abafado pelo pescoço da artista, até que a última onda de êxtase finalmente se dissipou, deixando-a exausta e flutuando.

Jayna não se afastou. Ela continuou segurando Alice, beijando suas têmporas e acariciando seus cabelos enquanto a respiração de ambas voltava ao normal.

— Dez minutos? — perguntou Jayna com um tom brincalhão, embora ainda estivesse ofegante.

Alice soltou uma risada fraca, a cabeça descansando no peito de Jayna, ouvindo o coração da outra bater tão rápido quanto o seu.

— Acho que perdi a noção do tempo.

— Isso é bom — disse Jayna, ajudando Alice a descer da bancada. — Às vezes, a melhor solução não está em um livro.

Elas se vestiram lentamente, o clima entre elas agora transformado em algo mais profundo, uma intimidade que as palavras não poderiam descrever. Alice ajeitou os óculos e olhou para Jayna, que estava encostada na porta, observando-a com um carinho renovado.

— Você ainda vai fazer a prova amanhã? — perguntou Jayna.

— Vou. Mas acho que vou dormir muito melhor esta noite.

— Quer que eu te acompanhe até o dormitório? — Jayna estendeu a mão.

Alice aceitou, entrelaçando seus dedos nos de Jayna. O toque era firme e seguro.

— Eu adoraria. Mas sob uma condição.

— Qual?

— Você tem que me mostrar o resto daquele desenho amanhã. O desenho que você estava fazendo na biblioteca.

Jayna sorriu e puxou Alice para um selinho rápido antes de abrir a porta.

— O desenho era de você, Alice. Eu o terminei enquanto você fingia que estudava. Mas amanhã eu te mostro. E quem sabe... podemos começar um novo esboço.

Elas saíram do prédio de Artes sob o céu estrelado do campus. Para Alice, os números e teoremas ainda estavam lá, mas agora eles pareciam muito menos importantes do que o calor da mão de Jayna na sua e a promessa de que o caos, afinal, era a variável mais interessante de sua vida.