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A câmera

A Tentação Digital

O aroma sutil do chá ainda pairava na cozinha, um eco da minha pequena encenação. Niki havia partido, ou melhor, havia sido "largado" no estúdio, com a promessa de uma reunião importante e a mente, eu esperava, completamente dominada pela imagem que eu havia plantado. Os setenta minutos haviam se transformado em uma doce tortura para ele, e um prazer quase sádico para mim. Mas o jogo ainda não tinha acabado. Longe disso.

Ainda com a camisa dele, que agora parecia impregnada de seu cheiro e da nossa paixão recém-despertada, voltei ao quarto. A câmera, aquele pequeno olho eletrônico, ainda estava lá, silenciosa e onipresente. Eu sabia que ele me veria, mesmo que não estivesse ativamente assistindo. A gravação, a possibilidade de rever, de se deleitar com cada movimento, era parte da diversão.

Meu celular vibrou. Era uma mensagem de Niki.

_Mó, você me deixou louco. Sério. Que tipo de namorada faz isso com o namorado?_

Sorri, um sorriso largo e satisfeito.

_A melhor, ué. E a que você ama._

A resposta veio quase instantaneamente, acompanhada de um emoji com olhos de coração.

_Amo mesmo. Demais. Mas você vai ter que me recompensar por isso. E muito._

_Ah, é? E como você sugere que eu comece?_

Pensei por um momento, um plano malicioso se formando em minha mente. Eu queria incendiar ainda mais o desejo dele, fazer com que cada segundo longe de mim fosse insuportável. E eu sabia exatamente como fazer isso.

Fui até a cômoda, onde meu celular estava carregando. Acionei a câmera frontal, observando meu reflexo na tela. A luz do quarto era suave, realçando a pele e as curvas que a camisa de Niki mal cobria. Inspirei fundo, sentindo a adrenalina percorrer minhas veias.

Com um movimento lento e deliberado, comecei a desabotoar a camisa de Niki. Um botão de cada vez, cada um como um pequeno suspense. A pele aparecia, suave e pálida, em contraste com o tecido escuro. Meus cabelos caíam sobre os ombros, e eu joguei a cabeça para trás, sentindo o ar fresco.

Quando o último botão foi desfeito, a camisa escorregou dos meus ombros, revelando completamente meu corpo. Fiquei ali, em frente ao espelho, nua, observando cada detalhe. A luz do sol da tarde entrava pela janela, banhando meu corpo em um brilho dourado. Posicionei o celular, encontrando o ângulo perfeito.

Eu não queria uma foto qualquer. Queria uma imagem que o assombrasse, que o fizesse perder a concentração em qualquer coisa que ele estivesse fazendo. Levantei um dos braços, os dedos roçando suavemente meus lábios, um olhar provocador nos olhos. Minha outra mão repousava suavemente em minha coxa. Era uma pose que dizia: "Estou aqui. E estou esperando por você."

Clique.

A imagem estava perfeita. A luz, o ângulo, a expressão. Era eu, Ana, em toda a minha ousadia e desejo. Não havia vergonha, apenas uma confiança inabalável na nossa conexão, no nosso jogo.

Enviei a foto para Niki.

E então, esperei.

Os segundos se arrastaram como horas. Eu podia imaginar a cena do outro lado: Niki, talvez em meio a alguma discussão sobre coreografia ou arranjo musical, seu celular vibrando silenciosamente no bolso. A curiosidade, a tentação de olhar. E então, o choque, o desejo avassalador ao ver a imagem.

Meu celular vibrou, quase saltando da minha mão. Não era uma mensagem. Era uma ligação. Dele.

O nome de Niki piscava na tela, e eu sorri. Ele não conseguiu resistir.

– Oi, mó. – Atendi, minha voz um pouco rouca de antecipação.

– Ana! – A voz dele estava carregada de uma mistura de fúria e desejo, um tom que eu adorava provocar. – O que você… O que você acabou de me mandar?!

– Uma foto. – Respondi, com um tom de inocência fingida. – Você não gostou?

– Gostei?! Ana, você está me matando! Eu estou no estúdio, no meio de uma reunião super importante, e você me manda… isso!

– Ah, é? E o que você está fazendo com ela? – Perguntei, sabendo que ele provavelmente estava escondendo o celular de todos.

Houve um suspiro pesado do outro lado.

– Estou tentando não infartar, para começar. E tentando não largar tudo e correr para casa agora mesmo.

– Mas você não vai fazer isso, não é? – Provoquei.

– Não. – Ele disse, a voz cheia de frustração. – Eu não posso. Mas juro por tudo que é mais sagrado, Ana, quando eu chegar em casa…

– O quê? – Sussurrei, meu coração batendo mais forte.

– Você vai ver. Você vai desejar nunca ter me mandado essa foto.

Eu ri, um som suave e sedutor.

– Duvido. Eu acho que você vai me agradecer.

– Ah, eu vou te agradecer, sim. Com certeza. Mas antes… – Ele fez uma pausa, e eu pude sentir a intensidade de seu olhar, mesmo através do telefone. – Você está linda, vida. Absolutamente perfeita.

– Eu sei. – Eu disse, com um sorriso. – E você está perdendo tudo isso.

– Não me lembre. – Ele gemeu. – Ana, eu preciso desligar. Eu preciso me concentrar.

– Tudo bem. Mas não se esqueça de mim.

– Como eu poderia? Você está gravada na minha mente agora. E no meu celular.

– Bom. É exatamente onde eu quero estar.

A ligação terminou, e eu sabia que meu objetivo havia sido alcançado. A semente da tentação havia sido plantada, e agora estava germinando em sua mente, crescendo a cada segundo que ele passava longe de mim.

O plano havia sido um sucesso. Mas o dia ainda não havia acabado.

Decidi que era hora de me vestir. Não para Niki, não para a câmera, mas para mim. Peguei um conjunto de lingerie de seda preta, escolhendo o mais sensual que eu tinha. Eu queria me sentir poderosa, desejável, mesmo sozinha. Depois, um vestido leve de verão, que abraçava minhas curvas de forma sutil, mas provocadora.

Olhei para a câmera mais uma vez, um sorriso misterioso nos lábios. Era hora de mudar de cenário.

Fui para o escritório. Era um pequeno cômodo na casa, que Niki e eu usávamos para organizar nossas coisas, pagar contas, e às vezes, para Niki trabalhar em projetos pessoais quando não estava no estúdio. Era um lugar onde a ordem e a organização reinavam, um contraste com a paixão e o caos que eu acabara de criar.

Liguei o computador, a tela acendendo com o brilho familiar. Havia alguns papéis que precisavam ser organizados, envelopes a serem preenchidos, e algumas contas a serem pagas. Tarefas mundanas, eu sabia, mas eu gostava da sensação de ter tudo sob controle.

Sentei-me na cadeira giratória, sentindo o tecido macio contra minhas pernas. O escritório era iluminado por uma janela que dava para o jardim, e a luz do sol da tarde entrava suavemente, criando um ambiente tranquilo.

Comecei a organizar os papéis. Contratos, extratos bancários, correspondências diversas. Cada um em sua pilha, esperando ser arquivado ou processado. Peguei um envelope vazio e comecei a preenchê-lo com um dos documentos, minha caligrafia elegante fluindo suavemente sobre o papel.

Eu sabia que a câmera do quarto não alcançava o escritório. Mas eu tinha certeza de que a imagem da minha nudez ainda estava fresca na mente de Niki. E eu queria que ele soubesse que, mesmo em meio às tarefas mais banais, eu ainda era a Ana que ele desejava.

Abri uma das gavetas da escrivaninha, procurando por selos. O cheiro de papel e tinta preenchia o ar. Encontrei o que procurava e colei o selo no envelope, um pequeno gesto de finalização.

Havia alguns papéis que precisavam ser assinados. Peguei a caneta, sentindo o peso frio do metal em minha mão. Minha assinatura, um floreio familiar, apareceu em cada documento, confirmando minha presença e minha autoridade.

Enquanto trabalhava, minha mente divagava. Pensei em Niki, no estúdio, tentando se concentrar enquanto a imagem da minha nudez o assombrava. Imaginei seu rosto, a testa enrugada em frustração, os lábios mordidos em desejo. Eu podia quase sentir o calor de seu corpo, a força de seus braços me envolvendo.

Eu me perguntava se ele estava me imaginando ali, no escritório, sozinha, fazendo tarefas banais, mas ainda assim, com a imagem da minha nudez fresca em sua mente. Eu queria que ele soubesse que eu era mais do que apenas um corpo. Eu era a Ana, a mulher que ele amava, a mulher que o desafiava, a mulher que o fazia perder a cabeça.

O tempo passou. Os envelopes foram preenchidos, os papéis foram assinados, as gavetas foram fechadas. O escritório estava em ordem, um pequeno oásis de calma em meio à tempestade de desejo que eu havia criado.

Levantei-me da cadeira, esticando os braços acima da cabeça. O vestido de seda se moveu suavemente com meus movimentos, roçando minha pele. Fui até a janela e olhei para o jardim. As flores balançavam suavemente com a brisa, e os pássaros cantavam suas melodias.

Eu me senti poderosa. Não apenas pela capacidade de provocar desejo em Niki, mas pela minha própria sensualidade, pela minha própria confiança. Eu sabia quem eu era, e eu amava a mulher que eu havia me tornado.

Meu celular tocou novamente.

Era Niki.

– Oi, amor. – Atendi, um sorriso nos lábios.

– Ana, eu não aguento mais. – A voz dele estava rouca, e havia um tom de urgência que me fez sorrir ainda mais. – Eu larguei a reunião. Estou a caminho de casa.

Meu coração deu um salto. Ele havia cedido. Ele havia largado tudo por mim.

– Sério? – Perguntei, fingindo surpresa.

– Sim. Eu não consigo me concentrar. Sua imagem está na minha cabeça, Ana. Em todos os lugares. Eu não consigo pensar em mais nada.

– Eu te avisei. – Disse, com um tom de satisfação.

– Eu sei que avisou. E eu te odeio por isso. E te amo ainda mais.

Eu ri.

– Eu te amo também, Niki.

– Estou a dez minutos de casa. – Ele disse, e eu pude ouvir o som do carro acelerando. – Você está pronta?

– Sempre. – Respondi, sentindo o desejo crescer dentro de mim.

– A porta está destrancada. – Ele disse, e eu sabia o que isso significava.

– Estarei esperando.

A ligação terminou.

Fui até o quarto, a camisa de Niki ainda sobre a cama. Peguei-a, sentindo o cheiro dele. Era um lembrete do nosso jogo, da nossa paixão, do nosso amor.

Olhei para a câmera. Um pequeno ponto preto, mas um elo poderoso entre nós. Eu sabia que ele estava vindo. E eu estava pronta para ele.

O som do carro parando na garagem. O barulho da porta abrindo. Seus passos apressados pela casa.

Meu coração batia forte. O jogo da tentação havia chegado ao seu clímax. E eu sabia que a recompensa seria ainda mais doce do que a provocação.

A porta do quarto se abriu.

Niki estava parado ali, ofegante, o cabelo um pouco bagunçado, os olhos fixos nos meus. Ele estava com a camisa do estúdio, mas os botões estavam abertos, revelando seu peito forte. Seu olhar percorreu meu corpo, e eu pude ver o desejo ardente em seus olhos.

– Ana. – Ele disse, a voz baixa e rouca. – Você vai me pagar por isso.

Eu sorri, um sorriso cheio de promessa.

– Eu estou pronta para pagar.

Ele deu um passo à frente, e eu senti o calor de seu corpo irradiando para o meu. Ele estendeu a mão e tocou meu rosto, seus dedos macios e quentes.

– Você é inacreditável, mó. – Ele murmurou, seus olhos fixos nos meus.

– Eu sei. – Eu disse, com um tom de brincadeira. – E você me quer.

– Eu te quero. – Ele disse, e sua voz era um sussurro. – Mais do que tudo.

Ele me pegou no colo, e eu envolvi minhas pernas em sua cintura, sentindo a força de seus músculos. Ele me levou até a cama, deitando-me suavemente nos lençóis macios.

– Eu queria ter você aqui de novo. Agora. – Ele disse, seus olhos brilhando com paixão.

– Eu também, vida. Eu também.

Ele se inclinou e me beijou, um beijo profundo e apaixonado que me fez esquecer de tudo. Os setenta minutos haviam terminado, a foto havia sido enviada, os papéis haviam sido assinados. Mas o jogo da tentação estava apenas começando. E eu sabia que, com Niki, cada capítulo seria ainda mais emocionante do que o anterior.