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A camisinha estourou

O Café da Manhã da Redenção

O sol da manhã espreitava timidamente pelas frestas das cortinas, pintando o quarto de Riki com tons dourados e mornos. Era um contraste bem-vindo à escuridão e ao pânico da noite anterior. Eu me espreguicei, sentindo o corpo relaxado pela primeira vez em horas. Riki ainda dormia profundamente ao meu lado, um braço protetor em volta da minha cintura, o rosto sereno e livre das rugas de preocupação que o haviam marcado.

Observei-o por um momento, a gratidão enchendo meu peito. Aquele susto, por mais terrível que tivesse sido, nos mostrou a força do nosso relacionamento, a profundidade do nosso compromisso um com o outro. Não era apenas paixão, era algo mais profundo, algo que resistiu ao teste do medo e da incerteza.

Com cuidado para não acordá-lo, me desvencilhei de seu abraço e me levantei. O apartamento estava silencioso, exceto pelo canto distante de alguns pássaros. Fui até a cozinha, a mente ainda um pouco nebulosa, mas com uma leveza que não sentia há muito tempo. Decidi preparar o café da manhã. Era o mínimo que eu podia fazer depois de tudo.

Abri a geladeira, avaliando as opções. Ovos, bacon, algumas frutas frescas. Perfeito. Comecei a organizar os ingredientes, o som suave das panelas e pratos preenchendo o silêncio. Enquanto fritava o bacon, o cheiro delicioso começou a se espalhar pela casa, e não demorou muito para que eu ouvisse um bocejo e o arrastar de pés vindo do quarto.

– Hummm, que cheiro bom… – a voz rouca de Riki me fez sorrir.

Ele apareceu na porta da cozinha, os cabelos despenteados e os olhos ainda um pouco inchados de sono, mas um sorriso preguiçoso já se formava em seus lábios. Ele estava vestindo apenas uma calça de moletom, revelando seu torso bem definido.

– Bom dia, dorminhoco – eu disse, virando-me para ele.

– Bom dia, minha chef particular – ele veio até mim, me abraçando por trás e beijando meu ombro. – Que surpresa deliciosa.

– Pensei que merecíamos um café da manhã especial depois de tudo – eu respondi, sentindo o calor de seu corpo contra o meu.

Ele suspirou, o abraço apertando um pouco.

– Você não sabe o alívio que eu senti ontem. Acho que nunca estive tão assustado na minha vida.

– Eu também não – admiti. – Mas olha, estamos aqui. E estamos bem.

Ele se afastou um pouco para me olhar nos olhos.

– E isso é tudo o que importa.

Nos sentamos à mesa, e eu servi os pratos. Riki pegou um pedaço de bacon, saboreando-o com os olhos fechados.

– Isso está incrível. Você devia cozinhar mais vezes para mim.

– Quem sabe, se você se comportar – eu brinquei, e nós dois rimos.

Era um riso leve, sem a tensão de antes. Era o som de duas pessoas que haviam passado por uma tempestade e emergido do outro lado, mais fortes e mais conectadas.

Enquanto comíamos, a conversa fluiu naturalmente. Falamos sobre o susto, sobre o que teríamos feito se o resultado fosse diferente.

– Eu realmente estava pronto para anunciar que seria pai – Riki disse, um brilho nos olhos. – A agência ia ter um ataque, mas eu não me importaria.

– Eu sei – eu disse, pegando a mão dele sobre a mesa. – E essa foi a parte mais linda de tudo. Saber que você estava disposto a enfrentar o mundo por nós.

– Sempre – ele garantiu, apertando minha mão. – Você e nosso… nosso futuro bebê são a minha prioridade.

A palavra "bebê" não causava mais pânico. Agora, ela carregava um tom de ternura, de um futuro possível, mas não imediato.

– Sabe, Riki – eu disse, pensativa –, este susto nos mostrou o quanto somos importantes um para o outro. E também me fez pensar sobre o nosso futuro.

Ele me olhou com atenção, incentivando-me a continuar.

– Nós vivemos em segredo, sempre com medo de sermos descobertos. E eu entendo o porquê, sua carreira é tudo para você. Mas é exaustivo.

– Eu sei – ele disse, a voz suave. – E eu sinto muito por isso.

– Não é culpa sua – eu o tranquilizei. – É a realidade do seu mundo. Mas eu não quero que a gente viva assim para sempre. Ontem, eu percebi que não importa o que aconteça, eu quero estar ao seu lado. E quero que seja de uma forma que possamos ser nós mesmos, sem medo.

Riki soltou minha mão e se inclinou sobre a mesa, seus olhos fixos nos meus.

– O que você está sugerindo?

– Não sei ainda – admiti. – Mas talvez seja hora de começarmos a pensar em como podemos ter um relacionamento mais… aberto. Não para o mundo todo, talvez, mas para as pessoas que importam. Para a sua família, para a minha. Para os seus colegas de grupo.

Ele franziu a testa, pensativo.

– Isso é um passo grande. A agência…

– Eu sei que será difícil – eu o interrompi. – Mas se não começarmos a dar pequenos passos agora, quando vamos? Vamos passar a vida inteira nos escondendo? Eu não quero isso para nós, Riki. Não depois de tudo o que passamos.

Ele se recostou na cadeira, os olhos focados em um ponto distante. Eu podia ver as engrenagens girando em sua mente, os prós e contras sendo pesados. Era uma decisão que afetaria não apenas a nós, mas toda a sua carreira.

– Você está certa – ele disse finalmente, um suspiro escapando de seus lábios. – Eu também não quero viver assim para sempre. Eu quero poder te levar para sair, te abraçar em público, sem ter que me preocupar com cada olhar, cada câmera.

Um sorriso se formou em meus lábios.

– Então, o que vamos fazer?

– Primeiro, vamos conversar com a agência – ele disse, a voz cheia de uma nova determinação. – Não vamos anunciar para o mundo, não ainda. Mas vamos deixá-los cientes de que estamos juntos e que levamos isso a sério. E que não vamos mais viver como se estivéssemos cometendo um crime.

Meu coração deu um salto. Era mais do que eu esperava, mais do que eu ousava pedir.

– Riki, isso é… isso é enorme. Você tem certeza?

– Eu tenho certeza de você – ele respondeu, seus olhos brilhando com sinceridade. – E tenho certeza de que não quero mais viver com medo. Esse susto de ontem… me fez ver o que realmente importa. E o que realmente importa é você.

Eu me levantei e fui até ele, me sentando em seu colo e envolvendo meus braços em seu pescoço.

– Eu te amo tanto – eu sussurrei, meus olhos marejados.

– Eu te amo mais – ele respondeu, me abraçando com força.

Ficamos ali por um tempo, apenas nos abraçando, desfrutando do momento e da nova promessa que havia sido feita. O café da manhã da redenção, como eu o chamei mentalmente, havia se transformado em um momento de clareza e de um novo começo.

A conversa com a agência não seria fácil. Eu sabia disso. As empresas de K-pop eram notórias por controlar a vida pessoal de seus idols, e um relacionamento sério era muitas vezes visto como um obstáculo, um risco para a imagem e a popularidade. Mas Riki estava determinado, e isso me dava força.

Nos dias seguintes, Riki começou a bolar um plano. Ele era meticuloso em tudo o que fazia, e esta não seria diferente. Ele conversou com seu manager, que, como esperado, reagiu com uma mistura de choque e preocupação. Mas a determinação de Riki, sua calma e sua clareza ao explicar seus sentimentos e suas intenções, começaram a abrir algumas portas.

– Eles estão dispostos a ouvir – Riki me informou uma semana depois, depois de uma reunião tensa. – Não é um "sim" ainda, mas não é um "não" definitivo. Eles querem nos conhecer, conversar sobre como podemos gerenciar isso de forma a minimizar os riscos para a sua carreira.

Eu senti um frio na barriga. Conhecer a agência. Era um passo enorme, um passo que poderia mudar tudo.

– E você está pronto para isso? – eu perguntei.

– Estou pronto para qualquer coisa que nos permita viver a nossa vida juntos, sem medo – ele respondeu, apertando minha mão.

A reunião foi marcada para a semana seguinte. Passei os dias que antecederam o encontro em um misto de nervosismo e excitação. Riki me tranquilizou, me dizendo para ser eu mesma, para ser honesta e para mostrar a eles que nosso relacionamento era sério e estável.

No dia da reunião, vesti uma roupa elegante, mas discreta. Riki me pegou em casa, e o caminho até o prédio da agência foi preenchido por um silêncio tenso. Ele segurou minha mão o tempo todo, transmitindo-me força.

A sala de reuniões era grande e fria, com uma longa mesa de conferência e cadeiras confortáveis. Sentados do outro lado da mesa estavam o CEO da agência, o manager de Riki e mais algumas pessoas que eu assumi serem advogados ou assessores de imagem.

Riki começou a falar, explicando a eles a profundidade de nossos sentimentos, a seriedade de nosso relacionamento e como o susto recente os havia levado a tomar a decisão de não mais se esconderem. Ele falou com uma paixão e uma sinceridade que me encheram de orgulho.

Eu, por minha vez, falei sobre como eu o apoiava em sua carreira, sobre como eu entendia os desafios e as responsabilidades de ser um idol. Eu enfatizei que não queria ser um fardo, mas sim uma parceira, alguém que o ajudaria a navegar pelas complexidades de sua vida.

A reunião durou horas. Houve perguntas difíceis, discussões sobre contratos, cláusulas de confidencialidade e estratégias de imagem. Mas, para minha surpresa, a agência não foi tão intransigente quanto eu esperava. Eles viram a determinação nos olhos de Riki, a seriedade em nossas palavras.

Ao final, o CEO, um homem de meia-idade com uma expressão séria, mas que parecia ter amolecido um pouco durante a conversa, nos olhou.

– Entendemos a sua posição, Riki – ele disse. – E entendemos a sua determinação. Não podemos permitir um anúncio público agora, isso seria um risco muito grande para a sua carreira e para a imagem do grupo. Mas estamos dispostos a trabalhar com vocês.

Meu coração disparou.

– O que isso significa? – Riki perguntou, sua voz cautelosa.

– Significa que, dentro de certos limites, vocês podem continuar o relacionamento – o CEO explicou. – Manteremos a discrição, claro. Mas não vamos mais exigir que vocês se escondam de forma tão extrema. Haverá algumas regras, alguns protocolos a seguir, mas vocês terão mais liberdade.

Era um compromisso, um passo à frente. Não era a liberdade total que eu sonhava, mas era um começo. Era a promessa de que não precisaríamos mais viver com o medo constante de sermos descobertos.

Saímos da reunião exaustos, mas com uma sensação de vitória. Riki me abraçou no corredor, um sorriso radiante em seu rosto.

– Conseguimos – ele sussurrou. – Conseguimos um pouco de paz.

– Sim – eu disse, as lágrimas de alívio escorrendo pelo meu rosto. – Conseguimos.

O caminho para casa foi bem diferente da ida. O silêncio ainda estava lá, mas agora era um silêncio de alívio, de planos, de um futuro que, embora ainda cheio de desafios, parecia mais brilhante do que nunca.

Naquela noite, deitados na cama, Riki me abraçou com força.

– Sabe, aquele susto... – ele começou. – Foi a pior e a melhor coisa que nos aconteceu.

– Por quê? – eu perguntei, aconchegando-me em seu peito.

– Porque nos fez parar e olhar para o que realmente importa – ele respondeu. – Nos fez perceber que não queremos viver uma vida de segredos, de medo. Nos fez lutar por nós.

Eu sorri, beijando seu peito.

– Eu concordo. Foi a pior e a melhor coisa.

Aquele "acidente inesperado" havia nos forçado a confrontar nossos medos, a reavaliar nossas prioridades e a lutar pelo nosso relacionamento. E, no final, nos levou a um lugar de maior honestidade, de maior liberdade e de um amor que havia sido testado e provado. O café da manhã da redenção havia se tornado o prenúncio de um novo capítulo, um capítulo onde, apesar dos desafios, teríamos a chance de construir uma vida mais autêntica e feliz, juntos. E, quem sabe, um dia, os nomes de bebê que Riki havia pensado não seriam apenas uma piada, mas uma doce realidade. Mas por enquanto, a paz e a promessa de um futuro mais aberto eram mais do que suficientes.