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A madrasta

O Batismo do Desejo e o Pacto do Silêncio

O som da madeira rangendo sob o peso das duas era o único metrônomo naquele escritório onde o tempo parecia ter congelado. Morgan sentia cada centímetro daquela invasão, uma pressão que transformava a dor aguda do rompimento em uma pulsação elétrica, quente e avassaladora. Verônica não era apenas uma mulher; naquele momento, ela era uma força da natureza, um redemoinho de pele sedosa e músculos tensos que reivindicava o que o destino havia negligenciado.

— Respire, Morgan... olhe para mim — a voz de Verônica era um comando rouco, carregado de uma ternura que ela raramente se permitia demonstrar.

Morgan abriu os olhos, as pupilas dilatadas ocupando quase toda a íris azul. O rosto de Verônica estava a milímetros do seu, as maçãs do rosto coradas, o suor brilhando na testa como pequenas joias sob a luz do lustre de cristal. Morgan obedeceu, puxando o ar com dificuldade enquanto sentia o preenchimento total. Era uma sensação de expansão, como se sua alma estivesse sendo moldada para finalmente caber naquele corpo de mulher.

— Eu... eu estou aqui — sussurrou Morgan, as unhas cravando-se nos ombros de Verônica, deixando marcas vermelhas que eram troféus de sua entrega.

Verônica começou a se mover com uma lentidão torturante. Cada retirada quase completa era seguida por uma estocada profunda, firme, que fazia Morgan arquear o corpo e soltar sons que ela nem sabia ser capaz de produzir. A mesa de carvalho, outrora o altar da frieza corporativa do pai de Morgan, agora era o cenário de uma profanação sagrada. Papéis de contratos milionários foram empurrados para o chão, flutuando como folhas mortas enquanto as duas se tornavam o centro do universo.

— Você é tão apertada... tão perfeita — Verônica gemeu, fechando os olhos por um instante, perdendo a compostura que tanto prezava. — Morgan, você não tem ideia do que está despertando em mim. Anos de silêncio... anos de fome.

— Então coma — Morgan respondeu com uma audácia que nasceu do prazer. — Me use para esquecer dele. Me use para se sentir viva.

Aquelas palavras foram o combustível que faltava. O ritmo de Verônica mudou, tornando-se mais rápido, mais urgente. Ela segurou as coxas de Morgan, abrindo-as ainda mais, expondo a vulnerabilidade da jovem à sua força total. O impacto dos corpos criava um som rítmico, úmido e carnal. Morgan sentia que estava se desfazendo, cada estocada de Verônica alcançando um lugar profundo em seu ventre, um ponto que ela nunca soube que existia e que agora clamava por mais.

— Ah, Verônica! Mais... por favor, mais! — Morgan jogou a cabeça para trás, o cabelo espalhando-se sobre a superfície escura da mesa.

Verônica inclinou-se para frente, capturando um dos mamilos de Morgan entre os dentes, mordiscando com uma agressividade controlada que fez a jovem soluçar. A mão de Verônica desceu, encontrando o pequeno botão de prazer de Morgan que já estava hipersensível. O contato dos dedos ágeis com o movimento rítmico do seu membro lá dentro criou uma sobrecarga sensorial.

— Isso... — Verônica murmurou contra a pele de Morgan — ... é o que acontece quando você brinca com o fogo, pequena. Você se queima, mas a luz é maravilhosa, não é?

Morgan não conseguia mais articular frases completas. Ela estava perdida em um mar de sensações. O cheiro de Verônica — uma mistura de Chanel nº 5, suor e o aroma metálico da excitação — era tudo o que ela queria respirar para o resto da vida. Ela sentia as paredes de seu corpo se contraindo ao redor de Verônica, tentando segurá-la, tentando fundir-se a ela de forma permanente.

O prazer começou a subir como uma maré alta, uma pressão insuportável na base de sua espinha. Morgan sentiu os músculos das pernas tremerem violentamente. Verônica percebeu a proximidade do ápice da enteada e intensificou os movimentos, a respiração agora resumida a rosnados baixos de satisfação.

— Vem para mim, Morgan. Agora! — ordenou Verônica, dando uma estocada final, tão profunda que pareceu tocar o coração da jovem.

Morgan gritou, um som puro de libertação, enquanto seu corpo era sacudido por espasmos intensos. O mundo desapareceu em um clarão branco. Segundos depois, Verônica soltou um gemido longo e profundo, seu próprio corpo retesando-se antes de descarregar todo o seu peso e desejo dentro daquela que agora era sua em todos os sentidos.

O silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelas respirações pesadas e pelo tique-taque de um relógio de parede que parecia julgar a cena. Verônica permaneceu ali, com o rosto escondido no pescoço de Morgan, sentindo as batidas frenéticas do coração da menina diminuírem gradualmente.

Lentamente, Verônica se afastou, saindo de dentro de Morgan com um som úmido que fez a jovem estremecer novamente. Verônica olhou para baixo, vendo o rastro de sangue e fluidez na mesa e nas coxas alvas de Morgan. O peso da realidade começou a se infiltrar pelas frestas da porta.

— Você está bem? — perguntou Verônica, sua voz recuperando um pouco daquela cadência suave, mas agora tingida de uma preocupação genuína.

Morgan assentiu, os olhos ainda um pouco nublados. Ela se sentia diferente. O peso da virgindade, que ela carregava como um fardo de expectativas, havia sumido. Em seu lugar, havia um empoderamento novo, uma consciência de seu próprio corpo e do poder que exercia sobre a mulher à sua frente.

— Eu nunca me senti tão viva — Morgan disse, estendendo a mão para acariciar o rosto de Verônica. — Você não precisa se sentir culpada. Eu escolhi isso. Eu procurei por isso.

Verônica soltou um suspiro pesado e sentou-se na cadeira de couro, observando Morgan se sentar na borda da mesa, tentando recompor suas roupas com mãos ainda trêmulas. A madrasta pegou um lenço de linho de uma gaveta e, com uma delicadeza surpreendente, começou a limpar as pernas de Morgan.

— Seu pai chega em dois dias — disse Verônica, sem olhar nos olhos dela. — Ele não pode nem sonhar com o que aconteceu aqui. Para ele, nada mudou.

Morgan sentiu uma pontada de ciúmes, mas também uma compreensão fria. O jogo em que estavam entrando era perigoso.

— Para ele, nada mudou porque ele nunca nos vê de verdade — Morgan rebateu, descendo da mesa e sentindo as pernas bambas. — Mas nós sabemos. E agora, toda vez que ele tocar em você, ou toda vez que ele me der um beijo na testa, nós vamos saber o que acontece nesta sala quando a porta está trancada.

Verônica levantou-se e caminhou até Morgan, segurando-a pelo queixo, forçando-a a encará-la. O olhar da mulher de trinta anos era uma mistura de advertência e promessa.

— Isso não foi uma coisa de uma única vez, Morgan. Você sabe disso, não sabe? — Verônica perguntou, o polegar acariciando o lábio inferior da enteada. — Você abriu uma porta que eu não vou permitir que você feche tão cedo.

— Eu não quero fechá-la — Morgan sorriu, um sorriso que já não pertencia mais à menina virgem de meia hora atrás. — Eu quero ver até onde isso vai.

Verônica deu um beijo casto na testa de Morgan, um gesto quase maternal que contrastava violentamente com a luxúria de momentos antes.

— Vá para o seu quarto. Tome um banho quente. Eu vou limpar este escritório e terminar de enviar aqueles e-mails. Amanhã... amanhã continuaremos suas lições.

Morgan caminhou até a porta, mas antes de sair, olhou para trás. Verônica já estava recompondo sua calça social, a máscara de empresária implacável voltando ao lugar, mas seus olhos ainda brilhavam com o fogo que Morgan havia acendido.

— Verônica? — chamou Morgan.

— Sim?

— O Sr. Almeida... ele conseguiu a cláusula de exclusividade?

Verônica deu um sorriso de lado, um brilho predatório nos olhos.

— Digamos que, depois do que você fez lá embaixo, eu estava de excelente humor para negociar. Ele conseguiu a cláusula, mas eu consegui muito mais.

Morgan saiu do escritório e fechou a porta silenciosamente. Enquanto caminhava pelo corredor da mansão, ela sentia a ardência entre as pernas, um lembrete físico de que sua vida havia mudado para sempre. Ela não era mais a filha negligenciada esperando por migalhas de atenção. Ela era a amante da mulher que seu pai não sabia como possuir. E aquele segredo, guardado entre as paredes de carvalho e o cheiro de perfume caro, era o tesouro mais valioso que ela já tivera.