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A pensar

Algoritmos do Desejo e a Teoria do Caos

A semana de "serviço comunitário" da Tropa do Lobo Mal estava transformando o colégio em um verdadeiro reality show. O que começou como uma punição pública para Jungkook e seus amigos havia se tornado o evento mais aguardado de cada intervalo. No entanto, nos bastidores das câmeras dos celulares, as dinâmicas estavam mudando de forma drástica.

No terceiro dia de serviço, o refeitório estava em polvorosa. Seokjin, com sua postura impecável de quem sabia que detinha o poder, observava Namjoon tentar, de forma desastrada, servir uma concha de sopa sem derramar no balcão. O alfa, apesar de ser o gênio da escola, parecia perder toda a coordenação motora quando sentia o olhar penetrante de Jin sobre si.

— Você está sendo ineficiente, Namjoon — disse Jin, aproximando-se do balcão. Ele ajeitou o avental de babados que Namjoon usava, as pontas dos dedos roçando propositalmente no peito do alfa. — Se continuar nesse ritmo, os alunos vão morrer de fome antes de você terminar a primeira fila.

Namjoon engoliu em seco, sentindo o perfume de rosas e sofisticação de Jin nublar sua mente.

— É difícil focar — murmurou Namjoon, a voz vibrando de forma grave — quando você está parado aí, me olhando como se eu fosse um experimento de laboratório que deu errado.

— Oh, querido — Jin deu um sorriso ladino, inclinando-se para que apenas Namjoon ouvisse —, você não é um experimento errado. Você é exatamente o tipo de projeto que eu adoraria... aperfeiçoar.

Namjoon quase deixou a concha cair dentro da panela. O flerte de Jin era como um ataque de precisão: elegante, certeiro e devastador para as defesas do alfa.

Enquanto isso, em uma mesa mais afastada, o caos era de outra natureza. Taehyung estava sentado entre Yoongi e Hoseok, assistindo a um vídeo que os três haviam gravado na tarde anterior. A química entre os três era tão evidente que os comentários no TikTok já haviam batido recordes de teorias de conspiração.

— Olha só essa transição — disse Taehyung, apontando para a tela onde ele e Hoseok apareciam dançando, enquanto Yoongi, ao fundo, fingia estar lendo um livro, mas lançava olhares intensos para os dois. — O público está surtando. Eles não sabem se querem ser eu, o Hobi ou se querem ser adotados pelo Yoongi.

Hoseok soltou uma risada vibrante, passando o braço pelos ombros de Taehyung.

— Eu acho que eles só querem o que nós temos, Tae — Hoseok disse, lançando um olhar cúmplice para Yoongi. — Essa energia de "quem manda aqui somos nós".

Yoongi, que geralmente era o mais contido, fechou o livro e olhou para os dois. O brilho de possessividade e carinho em seus olhos era algo que ele só mostrava quando as câmeras estavam desligadas — ou quase isso.

— O público gosta de mistério — comentou Yoongi, a voz rouca. — Mas eu estou começando a cansar de fingir que não quero levar vocês dois para longe de todos esses celulares agora mesmo.

Taehyung sentiu o rosto esquentar, um sorriso quadrado iluminando suas feições.

— Quem disse que precisamos fingir, Yoon? — Taehyung provocou, aproximando-se do ouvido de Yoongi. — O próximo vídeo pode ser bem mais... explícito.

Hoseok mordeu o lábio, a tensão entre os três atingindo um ponto de ebulição que prometia quebrar a internet — e os corações dos alunos — em breve.

Porém, o epicentro de toda a tempestade ainda era Jimin e Jungkook. Jimin estava sentado na ponta da mesa, observando a interação de seus amigos, mas sua mente estava em outro lugar. Mais especificamente, no alfa que agora caminhava em sua direção, carregando uma sobremesa que não estava no cardápio do dia.

Jungkook parou na frente de Jimin. Ele não usava mais a jaqueta do time, apenas uma camiseta preta justa que deixava suas tatuagens à mostra, e o inseparável avental rosa que, a essa altura, já parecia parte de sua marca registrada.

— Mousse de chocolate — disse Jungkook, colocando a taça na frente de Jimin. — Feito com 70% de cacau. Amargo, como você gosta de fingir que é.

Jimin levantou o olhar, as sobrancelhas arqueadas.

— Você está ficando muito bom em adivinhar meus gostos, Jeon. Isso é preocupante.

— Eu não adivinho, Jimin — Jungkook respondeu, sentando-se no banco à frente dele, ignorando as regras de que "servidores" não podiam sentar com os "clientes". — Eu observo. Eu sei que você morde o lábio quando está nervoso com uma edição. Sei que você prefere o café gelado, mesmo no inverno. E sei que esse seu deboche todo é apenas uma armadura.

Jimin sentiu o coração falhar uma batida. Ele odiava como Jungkook conseguia desarmá-lo com palavras simples, sem precisar de filtros ou efeitos especiais.

— E o que você ganha com essa sua "observação"? — perguntou Jimin, a voz um pouco mais baixa.

Jungkook inclinou-se sobre a mesa. A distância entre eles era mínima, o suficiente para que o aroma de sândalo de Jungkook colidisse com a baunilha de Jimin.

— Eu ganho a chance de ver quem é o Park Jimin de verdade — disse Jungkook. — Aquele que não precisa de likes para se sentir vivo.

O refeitório parecia ter desaparecido. As vozes, o tilintar dos talheres, as notificações de celular — tudo se tornou um ruído branco. Havia apenas o calor entre eles e a gravidade que os puxava para mais perto a cada segundo.

Jimin levantou-se lentamente, sem desviar o olhar.

— Se você quer tanto ver quem eu sou, Jeon... — Jimin disse, sua voz carregada de um desafio que não era mais para o TikTok — me encontre na sala de música em dez minutos. Sem câmeras. Sem amigos. Apenas você.

Jungkook sentiu a adrenalina percorrer suas veias. Ele apenas assentiu, observando Jimin se afastar com aquela elegância felina que o deixava louco.

Dez minutos depois, o silêncio da sala de música era quase ensurdecedor. O sol da tarde filtrava-se pelas janelas altas, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar. Jimin estava parado perto do piano, as mãos nos bolsos da calça jeans justa.

A porta se abriu e Jungkook entrou. Ele havia tirado o avental. Parecia mais imponente, mais real. Ele fechou a porta atrás de si e encostou-se nela, cruzando os braços.

— Aqui estamos — disse Jungkook. — Sem audiência. O que você tem a dizer, Park?

Jimin caminhou até ele, parando a poucos centímetros. A tensão era tão palpável que parecia poder ser cortada com uma faca.

— Eu cansei desse jogo, Jungkook — confessou Jimin, a voz tremendo levemente. — Eu cansei de postar vídeos e esperar o seu comentário. Cansei de fingir que eu não sinto o meu corpo queimar toda vez que você chega perto.

Jungkook descruzou os braços, as mãos caindo ao lado do corpo, os dedos fechando-se em punhos.

— Você acha que é o único? — Jungkook deu um passo à frente, encurralando Jimin contra a porta. — Eu passo as noites rolando o seu feed, Jimin. Não para ganhar a aposta, mas porque eu não consigo tirar a porcaria da sua imagem da minha cabeça. Eu odeio o quanto você tem poder sobre mim sem nem tentar.

— Então prove — desafiou Jimin, inclinando a cabeça para cima, os lábios entreabertos. — Prove que isso é mais do que apenas conteúdo para rede social.

Jungkook não precisou de mais nenhum convite. Ele avançou, suas mãos segurando o rosto de Jimin com uma urgência que vinha sendo reprimida há semanas. O beijo não foi calmo; foi uma colisão. Foi a explosão de toda a rivalidade, o sarcasmo e o desejo que eles vinham alimentando através de telas de vidro.

Jimin soltou um suspiro abafado contra os lábios de Jungkook, seus dedos enroscando-se no cabelo preto da nuca do alfa, puxando-o para mais perto. O beijo tinha gosto de mousse de chocolate e de uma vitória que nenhum dos dois esperava. Jungkook pressionou o corpo de Jimin contra a madeira da porta, os músculos de seus braços tensos enquanto ele explorava cada canto da boca do ômega com uma fome voraz.

Era intenso, cru e absolutamente real. Não havia ângulos de câmera, não havia iluminação de estúdio. Havia apenas o som da respiração ofegante de ambos e o batimento frenético de dois corações que haviam encontrado seu ritmo um no outro.

Jungkook desceu os beijos para o pescoço de Jimin, sua respiração quente causando arrepios por todo o corpo do loiro.

— Eu não vou deixar você ganhar essa guerra, Jimin — sussurrou Jungkook contra a pele dele, a voz carregada de desejo.

Jimin puxou Jungkook de volta para um beijo, seus lábios se encontrando com uma urgência renovada.

— Você já perdeu, Jeon — Jimin murmurou entre os beijos. — No momento em que você se apaixonou pelo seu maior rival.

Eles ficaram ali, perdidos um no outro, enquanto o mundo lá fora continuava a clicar, comentar e compartilhar. Mal sabiam eles que, do outro lado da porta, o colégio estava prestes a presenciar uma nova era.

Namjoon e Jin haviam sido vistos saindo juntos da biblioteca com sorrisos cúmplices. Taehyung, Yoongi e Hoseok haviam postado uma foto de mãos dadas que estava quebrando o servidor do TikTok.

A "Guerra de Likes" havia chegado ao fim, mas o que estava começando era algo que nenhum algoritmo poderia prever. O amor, ao contrário de um vídeo viral, não tinha tempo de expiração. E para Jimin e Jungkook, o melhor conteúdo ainda estava por vir — e este, eles fariam questão de manter longe de qualquer tela.