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Abbie

O Aroma do Medo e da Maçã

O silêncio nos corredores da Paper School era sempre cortante, mas dentro da sala de aula particular de Miss Circle, o ar parecia ter um peso diferente. Não era apenas o cheiro de giz e papel velho; havia um odor metálico, o cheiro do medo que emanava de Abbie. O garoto, cujos cabelos pretos ostentavam aquele icônico coque em formato de caule de maçã, estava parado no centro da sala, seus joelhos batendo um contra o outro de forma audível. Suas pupilas, minúsculas fendas pretas, dilatavam-se a cada passo que a professora dava ao redor dele.

Miss Circle não era uma educadora comum. Alta, imponente e com aquele compasso gigante e afiado no lugar de um dos braços, ela era o pesadelo de qualquer aluno que ousasse falhar em suas equações. No entanto, hoje, o "treinamento" que ela havia reservado para Abbie não envolvia trigonometria ou geometria plana. Pelo menos, não da forma convencional.

— Você parece tão nervoso, Abbie — a voz de Miss Circle era um ronronar perigoso, uma mistura de autoridade e algo muito mais sombrio. — Por que está tremendo tanto? Eu ainda nem usei o meu compasso em você.

— E-Eu... eu sinto muito, senhorita... — Abbie gaguejou, as mãos apertando a barra de seu colete preto. — Eu vou me esforçar mais na próxima prova, eu juro!

— Oh, eu sei que vai. Mas para garantir que você entenda a gravidade da sua situação, precisamos de um método pedagógico mais... direto.

Sem aviso prévio, Miss Circle moveu-se com uma agilidade predatória. Ela forçou Abbie a se sentar em um banco baixo e, antes que o garoto pudesse processar o que estava acontecendo, ela se posicionou à frente dele. Com um movimento deliberado e dominador, ela o puxou para perto, prendendo a cabeça do garoto entre suas coxas e pressionando suas nádegas firmemente contra o rosto dele.

O mundo de Abbie tornou-se subitamente escuro e abafado. O tecido da saia da professora e a pressão esmagadora de seu corpo contra sua face o deixaram sem ar. Ele tentou soltar um protesto, mas tudo o que saiu foram sons abafados e desesperados contra a pele dela.

— O que foi, Abbie? Não consegue respirar? — Miss Circle soltou uma risada baixa, sentindo a resistência inútil do garoto. — Isso é para você aprender a manter o foco. Sinta o peso da sua falha.

Abbie sentia o calor emanando dela, um contraste violento com o frio que sentia no peito. O rosto dele, já naturalmente propenso a corar, atingiu um tom de vermelho tão intenso que parecia que ia explodir. Seus gemidos abafados ecoavam no espaço confinado entre eles, e ele podia sentir a malícia no tom de voz da professora enquanto ela se movia levemente, esmagando-o ainda mais.

— Você gosta disso, não gosta? — ela provocou, inclinando o tronco para trás para aumentar a pressão. — Um garotinho tão tímido, sempre comendo suas maçãs... vamos ver se você tem apetite para outras coisas.

A humilhação era palpável. Miss Circle, em um gesto de puro domínio, mudou a posição. Ela forçou Abbie a se inclinar, expondo-se totalmente a ele. O garoto estava paralisado, as lágrimas começando a brotar nos cantos de seus olhos em forma de fenda. Ele estava em choque, mas o instinto de sobrevivência e a pressão psicológica exercida por aquela mulher o obrigavam a obedecer.

— Ande, Abbie. Mostre-me que você sabe usar essa boca para algo além de gaguejar desculpas — ordenou ela, a voz carregada de uma luxúria cruel.

Tremendo violentamente, Abbie fez o que lhe foi imposto. O contato era estranho, avassalador e carregado de uma tensão que ele não sabia como processar. Miss Circle observava tudo de cima, seus olhos brilhando com uma satisfação doentia enquanto via o aluno mais medroso da escola se perder naquela tarefa degradante. Ela passava a mão livre pelos cabelos dele, puxando levemente o caule de maçã no topo de sua cabeça.

— Isso... muito bem, pequeno aluno — ela murmurou, a respiração ficando mais pesada. — Talvez haja esperança para você, afinal. Ou talvez eu apenas goste de ver você se quebrar assim.

O tempo parecia ter parado naquela sala. O som dos lábios de Abbie e os gemidos contidos que ele soltava eram os únicos ruídos além do tique-tique do relógio na parede. A mente do garoto era um borrão de vergonha e pavor. Ele queria fugir, queria correr para longe daquela escola de papel, mas as pernas não respondiam. Ele estava preso no jogo de poder de Miss Circle.

Eventualmente, a professora decidiu que a lição havia chegado ao fim por agora. Com um empurrão brusco, ela o afastou. Abbie caiu de costas no chão frio da sala, desorientado e ofegante. Suas roupas estavam desalinhadas, e o coração batia tão forte que ele sentia a pulsação no pescoço.

Miss Circle olhou para ele com desprezo e diversão. Ela pegou algo que havia confiscado dele anteriormente: sua cueca reserva, que ele carregava na mochila, estampada com pequenos desenhos de maçãs vermelhas. Com um sorriso malicioso, ela se aproximou e jogou a peça de roupa sobre o rosto do garoto.

— Use isso para esconder essa cara lamentável — disse ela, chutando levemente o lado do corpo dele.

Abbie ficou ali, deitado no chão, com o tecido temático de maçã cobrindo seus olhos. As lágrimas agora corriam livremente, molhando o pano. Ele soluçava baixinho, o peito subindo e descendo em espasmos. A vergonha era uma ferida aberta.

Miss Circle se inclinou sobre ele, sua sombra cobrindo o corpo frágil do menino. Ela estendeu a mão e, com os dedos longos e frios, puxou o queixo de Abbie para cima, forçando-o a "olhar" na direção dela, mesmo através do tecido.

— Olhe para mim quando eu estiver falando, Abbie — ela exigiu, sua voz voltando ao tom gélido de autoridade.

— P-Por favor... — ele sussurrou, a voz quebrada.

— Por favor, o quê? — ela riu, apertando o queixo dele com mais força. — Você acha que isso acabou? Isso foi apenas o reforço escolar. Se as suas notas não melhorarem, a próxima lição envolverá o meu compasso... e eu garanto que ele não é tão macio quanto o que você acabou de provar.

Ela soltou o queixo dele com um solavanco, fazendo a cabeça de Abbie bater levemente no chão de novo.

— Agora, limpe-se e saia da minha sala. E Abbie... — ela fez uma pausa na porta, olhando-o por cima do ombro — ...não esqueça de comer sua maçã hoje. Você vai precisar de energia para a nossa próxima sessão.

Abbie permaneceu imóvel por longos minutos após o som dos passos dela desaparecerem no corredor. O silêncio da sala agora era opressor. Ele tateou o chão, removendo a cueca do rosto e sentando-se lentamente. Seus olhos estavam vermelhos e inchados. Ele olhou para suas mãos trêmulas e depois para a porta.

Ele era apenas um garoto que gostava de maçãs e tinha medo de falhar. Mas na Paper School, e sob a tutela de Miss Circle, falhar tinha um preço que ele nunca imaginou que teria que pagar com sua dignidade. Ele se levantou, limpando as lágrimas com a manga da camisa branca, e começou a juntar seus pertences, sabendo que, a partir daquele dia, o cheiro de giz e o sabor de uma maçã nunca mais seriam os mesmos.