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Abbie x Engel

Sombras no Escuro da Sala de Aula

O silêncio na Paper School era geralmente preenchido pelo som de lápis riscando papel ou pelo eco dos passos pesados dos professores nos corredores. No entanto, dentro daquela sala isolada, o som era muito mais sinistro. Abbie e Engel estavam em uma posição de total vulnerabilidade. Ajoelhados sobre a superfície macia de uma cama improvisada, seus corpos estavam unidos por cordas grossas que circulavam suas cinturas, mantendo-os colados um ao outro.

A humilhação era palpável. Sem suas roupas habituais, Abbie sentia o ar frio da sala arrepiar sua pele pálida, enquanto seus olhos, pequenas fendas pretas de puro terror, orbitavam freneticamente o ambiente. Engel, sempre o protetor, agora se via incapaz de cumprir seu papel. Sua cauda branca, normalmente escondida ou discreta, estava totalmente revelada e agitava-se nervosamente, denunciando seu estado de choque. Ambos estavam intensamente corados, o rubor subindo pelas bochechas até as orelhas.

O pior de tudo era o silêncio forçado. As mordaças de bola, presas firmemente por tiras de couro preto, forçavam suas mandíbulas a permanecerem abertas, ocupando todo o espaço em suas bocas.

— Mmmph! Mmm-mmph! — Abbie tentou gritar, mas o som saiu apenas como um lamento abafado e úmido.

Lágrimas começaram a escorrer pelos olhos de Abbie, molhando a mordaça e a cama. Engel tentava olhar para ele, tentando passar algum conforto através do contato visual, mas ele próprio estava tremendo. A voz de Engel ecoava em sua própria mente, um grito interno de socorro que ninguém mais podia ouvir.

De repente, o som metálico de uma risada familiar cortou o ar. Miss Circle caminhava ao redor deles, sua figura alta e preta dominando o espaço. Ela segurava um celular com uma das mãos, enquanto a outra, terminando em seu compasso afiado, batia ritmadamente contra a própria perna.

— Fiquem quietinhos, meninos — disse Miss Circle, com um sorriso predatório que mostrava seus dentes afiados. — Temos convidadas de honra querendo ver o progresso de vocês.

Ela desbloqueou o aparelho e iniciou uma chamada de vídeo. Em poucos segundos, as faces de Miss Bloomie e Miss Thavel apareceram na tela. Ambas exibiam expressões que variavam entre o sadismo e uma curiosidade maliciosa.

— Olha só o que eu capturei hoje — gabou-se Miss Circle, virando a câmera do celular para focar nos dois garotos amarrados e amordaçados. — O pequeno Abbie, que sempre tenta fugir das minhas aulas, e o valente Engel, que acha que pode proteger todo mundo.

— Eles parecem tão... comportados agora — comentou Miss Bloomie através do alto-falante, sua voz carregada de uma ameaça silenciosa. — Talvez assim eles finalmente aprendam a lição.

— O Abbie parece que vai desmaiar de vergonha — acrescentou Miss Thavel, soltando uma risada seca. — E Engel... quem diria que ele tinha uma cauda tão bonitinha sob aquele macacão?

Ao ouvirem as palavras das outras professoras, Engel e Abbie intensificaram seus esforços para se libertarem. Os sons abafados tornaram-se mais altos, uma cacofonia de desespero e protesto.

— Calem o bico! — esbravejou Miss Circle, aproximando o rosto da tela para as colegas. — Viu só? Eles ainda têm muita energia. Mas não por muito tempo.

— Divirta-se com eles, Circle — disse Miss Bloomie antes de desligar. — Guarde um pouco do desespero deles para amanhã.

A tela do celular escureceu, e o silêncio que se seguiu foi ainda mais aterrorizante. Miss Circle guardou o aparelho e começou a circular a cama novamente, como um tubarão rodeando sua presa. Ela estendeu a mão e tocou levemente o caule em forma de maçã no topo da cabeça de Abbie, fazendo o garoto encolher-se o máximo que as cordas permitiam.

— Vocês acham que isso é o fim? — ela sussurrou, a voz carregada de uma diversão cruel. — Isso é apenas o começo do reforço escolar de vocês.

Ela retirou duas vendas de tecido escuro do bolso de seu traje. O pânico nos olhos de Engel foi imediato. Ele sabia o que significava perder a visão naquele estado. Ele tentou balançar a cabeça negativamente, o suor frio escorrendo por sua testa.

— Mmmph! Mmm! — Engel protestou, seus olhos suplicando por misericórdia.

— Eu disse para calarem a boca — sibilou Miss Circle, a paciência se esgotando.

Com movimentos rápidos e precisos, ela prendeu as vendas nos olhos de Abbie e depois nos de Engel. A escuridão total caiu sobre os dois garotos. Sem a visão, todos os outros sentidos tornaram-se aguçados. Eles podiam ouvir a respiração pesada um do outro, o ranger das cordas e o som das garras de Miss Circle batendo no chão de madeira.

A sensação de desamparo era absoluta. Abbie sentiu o coração martelar contra as costelas, o som ecoando em seus ouvidos como um tambor de guerra. Ele sentiu algo frio e afiado tocar a planta de seus pés. Era o compasso de Miss Circle, deslizando levemente pela pele sensível.

— Mmmmmmph! — Abbie deu um solavanco, o corpo reagindo ao toque inesperado.

Miss Circle soltou uma risadinha e mudou seu alvo para Engel. Ela tocou os pés do garoto de cabelos brancos, sentindo a tensão em seus músculos. Engel tentou chutar, mas suas pernas estavam presas em uma posição que tornava qualquer movimento eficaz impossível.

— Tão sensíveis... — murmurou a professora. — Vou deixar vocês aqui um pouco. No escuro. Para que pensem em todas as regras que quebraram.

Ela caminhou em direção à saída. O som da porta pesada se fechando e a chave girando na fechadura selou o destino deles por aquela noite. A luz que passava por baixo da porta foi apagada, mergulhando o quarto em um breu total, mesmo por baixo das vendas.

Engel estava em pânico. O grito que ele soltou foi abafado pela mordaça de bola, saindo como um rugido surdo e desesperado. Ele começou a se debater contra Abbie, não para machucá-lo, mas em uma tentativa frenética de encontrar uma saída, de sentir onde as cordas terminavam.

— Mmmph, Abbie! Mmmph! — Engel tentou falar.

Em sua mente, ele estava gritando: "Abbie, eu estou aqui! Tente se mexer para o lado!". Mas a bola de couro e borracha em sua boca transformava tudo em sons incompreensíveis.

Abbie, por outro lado, havia paralisado. O medo do escuro e a presença constante da imagem de Miss Circle em sua mente o deixaram catatônico. Ele sentia Engel se movendo ao seu lado, o calor do corpo do amigo era a única coisa que o mantinha ancorado à realidade, mas o desconforto das mordaças e a pressão das cordas eram constantes lembretes de sua situação.

As vozes internas de Abbie eram um caos. "Ela vai voltar", ele pensava. "Ela vai nos devorar se não tirarmos nota dez. Por que as outras professoras riram? Por que estamos aqui?".

Engel, sentindo o terror de Abbie através dos tremores do corpo unido ao seu, forçou-se a se acalmar. Ele encostou a testa na de Abbie, um gesto cego e desajeitado, mas cheio de significado. Ele queria dizer que eles sairiam dali, que ele daria um jeito.

No entanto, cada vez que Engel tentava formular uma palavra, a tira de couro da mordaça puxava os cantos de sua boca, lembrando-o de que, naquela escola de papel, eles eram apenas figuras à mercê de tesouras e compassos.

O tempo parecia ter parado. No escuro absoluto, sem saber se eram minutos ou horas, os dois garotos permaneceram ajoelhados, amarrados e silenciados, esperando pelo próximo passo de suas captoras, enquanto o suor e as lágrimas se misturavam no tecido das vendas que ocultavam o medo em seus olhos.