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Abbie x Engel

O Despertar do Dispositivo de Papel

O silêncio nos corredores da Paper School era sempre pesado, mas dentro do dormitório, o ambiente parecia carregar uma tensão diferente. Abbie estava sentado na beira da cama, seus dedos magros apertando a borda do colchão de papel. Seus olhos, pequenas fendas pretas e nervosas, vasculhavam o quarto como se as paredes pudessem ganhar vida e atacá-lo a qualquer momento. Ele mastigava um pedaço de maçã de forma mecânica, o caule em seu cabelo balançando levemente com cada movimento ansioso.

Ao seu lado, Engel observava o amigo com uma expressão de preocupação genuína. Engel era o pilar de bondade da escola, sempre disposto a proteger os outros das garras impiedosas das professoras, mas ali, naquele momento, ele sentia que Abbie estava mais instável do que o normal. O rádio antigo, posicionado sobre o criado-mudo, emitia um chiado constante, intercalado por músicas distorcidas e anúncios estranhos que ecoavam pelas paredes brancas.

Engel estendeu a mão e, com delicadeza, cutucou o ombro de Abbie.

— Ei, Abbie? Você está me ouvindo? — perguntou Engel, sua voz suave tentando romper o transe do amigo.

Abbie deu um salto violento, quase deixando o resto de sua maçã cair. Seus ombros subiram até as orelhas e ele soltou um arquejo agudo, olhando para Engel com puro pavor antes de reconhecer o rosto amigável.

— Ah... Engel... é você — sussurrou Abbie, o peito subindo e descendo rapidamente sob o colete preto. — Eu... eu só estou um pouco alerta. Você sabe como as coisas são por aqui.

— Relaxe, estamos seguros agora — Engel sorriu, as penas em sua cabeça balançando suavemente.

De repente, a estática do rádio cessou. Uma melodia lenta, profunda e carregada de uma vibração estranhamente íntima começou a tocar. O som era hipnótico, preenchendo o quarto com uma frequência que parecia vibrar diretamente nos ossos. Abbie parou de tremer de medo, mas seu corpo reagiu de outra forma. Ele ficou imóvel, os olhos fixos no rádio, enquanto um calor súbito subia por seu pescoço.

— Que som... é esse? — Abbie murmurou, sua voz mudando de tom, perdendo a hesitação e ganhando uma nota de fascínio profundo.

Engel franziu a testa, desconfortável com a mudança repentina na atmosfera.

— Eu não sei, parece algum tipo de interferência... Vou desligar.

— Não! — Abbie segurou o pulso de Engel. Sua mão estava quente, quase queimando. — Deixe tocar. Engel... eu preciso que você veja uma coisa. Nas minhas costas.

Engel piscou, confuso.

— Suas costas? O que houve, Abbie? Você se machucou?

Abbie não respondeu com palavras. Ele se virou de costas para Engel, soltando os botões de seu colete e puxando a camisa branca para cima. Engel sentiu o coração acelerar, mas não de medo. Havia algo de magnético na forma como Abbie se movia agora — não era mais o garoto assustado, mas alguém que parecia estar sob o controle de um instinto novo.

Quando a pele das costas de Abbie foi revelada, Engel soltou um suspiro de choque. Acoplado diretamente à coluna do garoto, havia um dispositivo metálico e brilhante, perfeitamente integrado ao seu corpo de papel e tinta. No centro do dispositivo, um botão giratório pulsava com uma luz avermelhada.

— O que é isso, Abbie? — Engel perguntou, estendendo a mão trêmula, mas hesitando antes de tocar.

— É um regulador... — a voz de Abbie soou abafada, carregada de uma malícia que Engel nunca ouvira antes. — Gire-o, Engel. Coloque no máximo. Eu quero sentir tudo.

Engel sentiu uma onda de curiosidade misturada com perigo. Ele sabia que deveria parar, que aquilo era estranho demais, mas os olhos de Abbie, agora voltados para ele por cima do ombro, brilhavam com uma intensidade avassaladora. Engel tocou o botão. Era frio ao toque, contrastando com a pele quente de Abbie.

Com um movimento decidido, Engel girou o botão até o limite.

O efeito foi instantâneo. Abbie soltou um gemido alto que ecoou pelo quarto, seu corpo arqueando violentamente para trás. Uma onda de choque percorreu seus nervos. Quando ele se virou novamente para Engel, sua aparência havia mudado completamente. Suas pupilas em fenda haviam se transformado em corações vibrantes e rosados. Seu rosto estava profundamente corado, e um sorriso sedutor, quase predatório, curvava seus lábios.

— Abbie? — Engel tentou recuar, mas Abbie foi mais rápido.

Com uma força que Engel não sabia que o garoto possuía, Abbie o empurrou contra a cama. O impacto foi amortecido pelos lençóis, mas a presença de Abbie sobre ele era esmagadora. As roupas pareciam ter se tornado um fardo desnecessário naquela intensidade, e em poucos instantes, ambos estavam despidos, a pele branca de papel brilhando sob a luz fraca do dormitório.

Abbie desceu o corpo, seus olhos de coração fixos em Engel com uma fome insaciável. Ele se posicionou entre as pernas de Engel, focando sua atenção no abdômen do maior.

— Abbie, espera... a gente deveria... — Engel tentou falar, mas as palavras morreram em sua garganta quando sentiu a língua de Abbie.

A língua de Abbie não era comum; ela emitia um brilho neon suave, iluminando a escuridão entre seus corpos enquanto ele começava a lamber o umbigo de Engel com uma precisão febril. A sensação era elétrica, enviando ondas de prazer e confusão pela espinha de Engel.

— Abbie, para... — Engel gemeu, embora suas mãos estivessem enterradas nos cabelos pretos de Abbie, puxando-o para mais perto em vez de afastá-lo.

Abbie ignorou o protesto fraco. Ele estava perdido no transe do dispositivo, sua mente inundada por uma paixão artificial, mas sentida de forma absoluta. Ele mudou de lamber para morder levemente a pele ao redor do umbigo de Engel, seus dentes pequenos deixando marcas suaves na superfície de papel.

— Você é tão... doce, Engel — Abbie murmurou contra a pele dele, sua voz vibrando. — Eu sempre quis... que você me visse assim.

Engel sentia seu rosto arder. Ele nunca tinha visto Abbie tão dominante, tão entregue a um desejo puro. O rádio continuava a tocar aquela melodia íntima, agindo como uma trilha sonora para o caos de sensações que tomava conta do quarto.

Abbie subiu o corpo novamente, pressionando-se contra Engel. O calor que emanava do dispositivo nas costas de Abbie parecia irradiar para Engel, unindo-os em uma frequência única. Abbie estava prestes a atingir seu limite; a sobrecarga de paixão do dispositivo estava levando seu corpo ao ápice.

Um som abafado escapou da garganta de Abbie quando seu corpo travou em um espasmo final. Ele enterrou o rosto no pescoço de Engel, soltando um suspiro longo e trêmulo. Naquele momento de liberação, o sêmen de Abbie fluiu de sua anatomia única, manchando o lençol e a pele de ambos.

Engel ficou paralisado, seu peito subindo e descendo enquanto tentava processar o que acabara de acontecer. Ele olhou para Abbie, que agora descansava pesadamente sobre ele, os olhos de coração começando a desaparecer lentamente, voltando às fendas pretas habituais, mas ainda carregados de um brilho residual de afeto.

— Abbie? — Engel sussurrou, sua voz falhando.

Abbie levantou a cabeça, um fio de saliva brilhante ainda conectando seus lábios ao abdômen de Engel. Ele parecia exausto, mas feliz. Um tipo de felicidade que o medo constante da escola nunca o permitira sentir.

— Obrigado, Engel — Abbie disse, sua voz voltando ao tom tímido, mas com uma nova camada de confiança. — Por não me deixar sozinho com isso.

Engel corou intensamente, desviando o olhar por um segundo antes de envolver Abbie em um abraço protetor, mesmo ali, naquela vulnerabilidade total.

— Eu nunca vou te deixar sozinho, Abbie. Não importa o que aconteça nesta escola.

O rádio finalmente voltou à estática, mas o silêncio que se seguiu não era mais pesado. Era, pela primeira vez, um silêncio compartilhado por dois corações que haviam encontrado uma forma estranha, mas poderosa, de se conectar em meio ao papel e à tinta.