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amigas?

Entre o Suor e a Sintonia

A pizza jazia esquecida sobre a mesa de centro, apenas duas fatias consumidas, enquanto o filme de comédia romântica rodava sem volume na televisão, servindo apenas como uma fonte de luz bruxuleante que banhava a sala. O sofá, que antes parecia o lugar perfeito para descansar, tornara-se pequeno demais para a eletricidade que pulsava entre Sn e Lena.

Sn sentia o calor da pele de Lena emanar através do tecido fino do vestido da amiga. Cada vez que seus joelhos se esbarravam ou que o braço de Lena roçava o seu, uma descarga elétrica percorria sua espinha. O silêncio da sala era preenchido apenas pela respiração pesada de ambas, uma harmonia silenciosa de quem esperou tempo demais por aquele momento.

— Você está me olhando de um jeito... — Lena começou, a voz falhando levemente enquanto se virava para encarar Sn.

— De que jeito? — Sn perguntou, a voz saindo mais rouca do que pretendia. Ela deslizou o olhar pelos olhos amendoados de Lena, descendo para a franja perfeitamente alinhada e, finalmente, parando nos lábios entreabertos da amiga.

— Como se quisesse me devorar — sussurrou Lena, um sorriso tímido e audacioso surgindo nos cantos da boca. — E, para ser sincera, eu não me importaria nem um pouco.

Sn não precisou de mais nenhum incentivo. Ela avançou, segurando o rosto de Lena com as duas mãos, os polegares acariciando as maçãs do rosto da garota branca. O beijo que se seguiu não tinha nada da timidez do aeroporto. Era urgente, profundo, uma conversa de línguas que tentava recuperar três anos de silêncio físico.

Lena soltou um gemido baixo contra os lábios de Sn, as mãos subindo para os cabelos lisos e escuros da amiga, puxando-a para mais perto, se é que isso era possível. O corpo curvilíneo de Lena se pressionou contra o de Sn, e a sensação das curvas se encaixando fez o estômago de Sn dar voltas.

— O quarto... — Lena ofegou entre os beijos, a respiração quente batendo no pescoço de Sn. — Vamos para o quarto.

Sn apenas assentiu, incapaz de formular palavras. Elas se levantaram, mas não se soltaram. O trajeto até o quarto foi uma dança desajeitada de tropeços e mãos que não conseguiam parar de se tocar. Quando finalmente cruzaram a soleira, a luz da lua entrava pela janela, iluminando o lençol de cetim escuro que Lena havia escolhido para aquela noite.

Lena parou no centro do quarto e olhou para Sn. A confiança que ela exibia nas chamadas de vídeo parecia ter se transformado em algo mais cru, mais real.

— Eu sonhei com isso tantas vezes — confessou Lena, levando as mãos às alças do seu vestido. — Mas nada nos meus sonhos chegava perto de como você é de verdade, Sn.

— Então pare de sonhar — Sn deu um passo à frente, cobrindo as mãos de Lena com as suas. — Deixa que eu faço isso.

Com movimentos lentos e deliberados, Sn deslizou as alças do vestido de Lena pelos ombros brancos. O tecido caiu no chão com um sussurro quase inaudível. A visão de Lena, com suas curvas acentuadas e a pele alva contrastando com a luz prateada, tirou o fôlego de Sn. Lena, por sua vez, não ficou atrás. Ela ajudou Sn a se livrar da blusa favorita, revelando o corpo curvilíneo da morena que ela tanto admirara por fotos granuladas e ângulos limitados.

— Você é uma obra de arte — murmurou Lena, as pontas dos dedos traçando o contorno da cintura de Sn. — Minha morena favorita.

Sn sentiu um arrepio percorrer cada centímetro de sua pele. Ela puxou Lena para a cama, as duas caindo sobre os lençóis macios. O contato da pele com pele foi como um rastilho de pólvora. Sn se posicionou sobre Lena, admirando a forma como a franja dela caía sobre os olhos amendoados, agora escuros de desejo.

— Eu quero sentir tudo — disse Sn, baixando a cabeça para beijar o vale entre os seios de Lena. — Cada detalhe que a tela escondia.

As mãos de Sn exploraram o corpo de Lena com uma curiosidade reverente. Ela descobriu a maciez da parte interna das coxas de Lena, a firmeza de seus quadris e a forma como ela arqueava as costas sempre que Sn encontrava um ponto sensível. Lena não era passiva; ela buscava o corpo de Sn com a mesma fome, as unhas cravando-se levemente nas costas da morena, puxando-a para um contato ainda mais íntimo.

— Sn... por favor — Lena implorou, a voz subindo uma oitava quando a mão de Sn deslizou para baixo, encontrando a umidade que denunciava o quanto a amiga a desejava.

— Calma, meu amor — sussurrou Sn contra o ouvido de Lena, a voz carregada de uma promessa perigosa. — Temos a noite toda. E eu pretendo aproveitar cada segundo.

O ritmo entre elas era uma sinfonia de suspiros e movimentos sincronizados. Não havia o atraso da internet, não havia a frustração de não poder tocar. Havia apenas o som da pele deslizando sobre a pele, o cheiro de baunilha misturado ao suor e a conexão intensa de duas pessoas que já se amavam antes mesmo de se tocarem.

Quando Sn finalmente se entregou ao prazer, guiada pelas mãos habilidosas de Lena, ela sentiu como se estivesse flutuando. Lena a seguiu logo depois, o corpo tremendo sob o de Sn, os olhos amendoados revirando enquanto ela pronunciava o nome de Sn como se fosse uma oração.

Minutos depois, ou talvez horas — o tempo não tinha mais significado ali —, elas estavam deitadas lado a lado, os corpos ainda quentes e entrelaçados. O cabelo liso de Sn estava espalhado pelo travesseiro, e Lena descansava a cabeça em seu peito, ouvindo as batidas frenéticas do coração da amiga que começavam a desacelerar.

— Valeu a pena esperar três anos? — Lena perguntou baixinho, traçando círculos imaginários no abdômen de Sn.

Sn sorriu, virando-se de lado para olhar para Lena. Ela esticou a mão e arrumou a franja da amiga, beijando-lhe a testa.

— Eu esperaria dez anos se soubesse que seria assim — respondeu Sn com sinceridade. — Mas fico feliz por não ter precisado.

Lena riu, um som doce que aqueceu o peito de Sn. Ela se aconchegou mais nos braços da morena, fechando os olhos com um suspiro de satisfação.

— A melhor parte — Lena murmurou, já sonolenta — é que amanhã, quando eu acordar, você ainda vai estar aqui. Não vai ser uma aba fechada no navegador.

— Eu não vou a lugar nenhum, Lena — Sn prometeu, apertando o abraço. — A distância acabou. Agora, é só a gente.

O silêncio do quarto voltou a reinar, mas desta vez era um silêncio preenchido pela paz absoluta. Sn ficou acordada por mais alguns minutos, apenas observando Lena dormir. A realidade era muito melhor do que qualquer pixel, e o calor daquele encontro físico era a única conexão de que ela precisaria de agora em diante.

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