Amor
Holofotes, Caos e Conexões
O sol de Los Angeles filtrava-se pelas janelas do hotel de luxo, mas para Kuro e Tatsuyo, o dia já havia começado há horas entre pincéis de maquiagem e ajustes de figurino. O cronograma de divulgação da Marvel era uma máquina de guerra perfeitamente lubrificada: doze horas de entrevistas, jogos de auditório e sessões de fotos.
Kuro se olhou no espelho uma última vez, ajeitando a aba do boné para trás. Ele optou por um visual que gritava "protagonista jovem e descolado": uma calça baggie cinza-escura que caía perfeitamente sobre seus tênis de cano alto e um moletom oversized com uma estampa abstrata em tons de azul e roxo. Seus cabelos brancos, curtos e repicados, espiavam por baixo do boné, dando-lhe um ar rebelde que as fãs adoravam.
— Você está parecendo um skatista que acabou de ganhar na loteria — brincou Tatsuyo, saindo do closet.
Kuro parou de respirar por um segundo. Tatsuyo estava deslumbrante em sua simplicidade sofisticada. A camiseta marfim de tecido leve era presa no pescoço, deixando seus ombros e suas costas nuas à mostra, contrastando lindamente com o tom pardo de sua pele. O short de couro caramelo realçava suas pernas, e as botas de cano médio da mesma cor completavam o look. O cabelo preto e liso caía como uma cascata de seda até o meio das costas.
— E você — Kuro disse, aproximando-se e envolvendo a cintura dela com os braços —, está parecendo o motivo pelo qual eu vou esquecer todas as minhas falas hoje.
Tatsuyo riu, apoiando as mãos no peito musculoso dele, sentindo o volume do abdômen por baixo do moletom.
— Nada de distrações, Hatake. Temos uma junket de imprensa com o "Time dos Velhos" em dez minutos.
O "Time dos Velhos", como Kuro apelidara carinhosamente, já estava no lounge do hotel. Chris Evans e Scarlett Johansson dividiam um sofá, discutindo algo sobre rotinas de treino, enquanto Sebastian Stan e Anthony Mackie pareciam estar no meio de uma disputa acalorada sobre quem tinha o melhor café.
— Olha só se não é o casal prodígio! — exclamou Anthony, abrindo os braços. — Kuro, esse boné para trás te faz parecer dez anos mais novo. Daqui a pouco vão achar que você é o filho do Chris.
— Antes filho do Chris do que seu assistente, Mackie — rebateu Kuro, piscando, o que arrancou uma gargalhada de Sebastian.
— Garoto abusado — resmungou Anthony, embora estivesse sorrindo. — Tatsuyo, querida, como você aguenta ele vinte e quatro horas por dia?
— Eu uso a minha inteligência superior, Anthony — ela respondeu com um sorriso sereno, sentando-se ao lado de Scarlett. — No filme e na vida real, alguém precisa manter o cérebro funcionando.
— Ela me deu um xeque-mate — disse Scarlett, abraçando Tatsuyo de lado. — Aprendam com ela, rapazes.
A primeira parte do dia consistia em uma grande mesa redonda com os seis atores para um canal de entretenimento global. O clima era elétrico. A química entre os veteranos da Marvel e os novatos era palpável, criando uma dinâmica de "família encontrada" que os jornalistas adoravam explorar.
— Kuro, seu personagem é o primeiro protagonista adolescente a ter uma parceira que é, tecnicamente, o cérebro de toda a operação — disse a entrevistadora. — Como é essa dinâmica de poder?
— É incrível — respondeu Kuro, inclinando-se para frente com entusiasmo. — No cinema de ação, estamos acostumados com o herói que resolve tudo no soco. Mas o meu personagem... ele é impulsivo. Ele tem o poder, mas não sabe onde aplicá-lo. A personagem da Tatsuyo não é apenas "ajudante", ela é a estrategista. Sem ela, ele seria apenas um garoto forte sendo preso em cinco minutos. É uma parceria de igualdade.
— E fora das telas? — a jornalista sorriu maliciosamente. — Ouvimos dizer que a inteligência da Tatsuyo também comanda a casa.
Tatsuyo riu, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
— Digamos que, se dependesse do Kuro, nossa dieta seria baseada estritamente em pizza e cereal. Eu sou a pessoa que lembra que existem vegetais e que as contas precisam ser pagas.
— Eu confirmo! — gritou Chris Evans do outro lado da mesa. — Eu já vi o Kuro tentar montar um móvel no set e a Tatsuyo teve que intervir antes que ele perdesse um dedo.
Após a entrevista coletiva, o grupo foi dividido. Chris, Sebastian, Scarlett e Anthony seguiram para um ensaio fotográfico, enquanto Kuro e Tatsuyo foram levados para um estúdio menor para gravar uma série de "jogos de casal" para o YouTube.
O primeiro jogo era o clássico "Quem é mais provável?". Eles seguravam placas com os nomes um do outro.
— Quem é mais provável de esquecer onde estacionou o carro? — perguntou o produtor atrás das câmeras.
Instantaneamente, ambos levantaram a placa com o nome de "Kuro".
— Ei! — ele protestou, rindo. — Em minha defesa, os estacionamentos de Los Angeles são labirintos projetados por vilões.
— Kuro, você uma vez esqueceu o carro ligado na frente da farmácia — Tatsuyo lembrou, olhando para a câmera com uma expressão de "estão vendo?".
— Foi uma emergência de chocolate! — ele se defendeu, aproximando-se dela e deixando um beijo rápido em sua bochecha, o que certamente faria os fãs gritarem quando o vídeo fosse ao ar.
— Próxima pergunta — disse o produtor. — Quem é mais romântico?
Kuro levantou a placa de Tatsuyo. Tatsuyo levantou a de Kuro. Eles se olharam, surpresos.
— Eu? — Tatsuyo perguntou. — Eu sou toda lógica e ciência!
— Você se lembra de cada data, de cada pequena coisa que eu gosto — disse Kuro, a voz suavizando, esquecendo por um momento que havia câmeras ali. — Você demonstra amor cuidando de mim. Isso é o mais romântico que existe.
Tatsuyo sentiu o rosto esquentar.
— Bom, o Kuro faz serenatas de brincadeira na cozinha e escreve bilhetes nos roteiros... então acho que temos um empate técnico.
A tarde avançou para um evento de fãs em um auditório lotado. Desta vez, o trio era Kuro, Tatsuyo e Anthony Mackie. A energia era ensurdecedora. Quando Kuro entrou no palco, sua altura e físico musculoso, destacados pelo moletom, fizeram a plateia vibrar, mas foi a entrada de Tatsuyo, com seu visual elegante e confiante, que trouxe os aplausos mais longos.
— Temos uma pergunta de uma fã aqui na frente — anunciou Anthony, agindo como o mestre de cerimônias improvisado.
Uma jovem, tremendo de emoção, segurou o microfone:
— Tatsuyo, sua personagem é a mais inteligente da Marvel. Como é para você representar essa força feminina que não depende de poderes físicos?
Tatsuyo sorriu, uma expressão de genuína gratidão.
— É uma honra imensa. Eu acho que a inteligência é um superpoder por si só. Mostrar que uma jovem asiática pode estar no comando, criando tecnologia e salvando o dia com o que tem na mente, é algo que eu gostaria de ter visto mais quando era criança. E ter o Kuro ao meu lado no filme, como alguém que respeita e confia cegamente nessa inteligência, torna a mensagem ainda mais forte.
Kuro pegou o microfone, olhando para a plateia.
— Eu só quero dizer que, no set, às vezes eu esqueço que estamos atuando. Quando ela começa a explicar as teorias científicas do roteiro, ela fica com um brilho nos olhos que é real. Eu sou apenas o cara que pula de prédios, ela é o verdadeiro motor dessa história.
Anthony Mackie fingiu limpar uma lágrima.
— Por favor, parem. Meu coração de Falcão não aguenta tanta doçura. Vamos falar de explosões, por favor?
A plateia explodiu em risadas.
Após o evento, houve um breve intervalo antes do último compromisso da noite: uma transmissão ao vivo de jogos interativos com Sebastian Stan e Scarlett Johansson. No camarim, Kuro e Tatsuyo finalmente tiveram um momento de paz.
Kuro sentou-se no sofá de couro e puxou Tatsuyo para o seu colo. Ela suspirou, encostando a cabeça no ombro dele, sentindo o cheiro familiar do seu perfume misturado com o cansaço do dia.
— Suas costas estão geladas — sussurrou Kuro, passando as mãos grandes pelas costas nuas dela, tentando aquecê-la.
— O ar-condicionado daquele auditório estava no nível "Era do Gelo" — ela murmurou, fechando os olhos. — Mas valeu a pena. Você viu o rosto daquela menina?
— Eu vi. Você é uma inspiração, Tats. Às vezes eu esqueço o tamanho de tudo isso, mas quando vejo como você fala com eles... eu me sinto o cara mais sortudo do mundo por ser seu namorado.
Tatsuyo levantou a cabeça, encontrando os olhos castanhos intensos de Kuro.
— Nós somos um time, lembra? No filme e fora dele.
Eles se beijaram calmamente, um contraste necessário com a agitação frenética do mundo exterior. O silêncio foi interrompido por uma batida rítmica na porta.
— Crianças! — a voz de Sebastian Stan ecoou. — Hora de jogar Mario Kart contra o resto do mundo. Scarlett já está na terceira xícara de café e ela não aceita perder. Se vocês não vierem agora, ela vai começar a jogar cascas de banana em nós de verdade.
Kuro riu, ajudando Tatsuyo a se levantar.
— É melhor irmos. A Viúva Negra com um controle na mão é mais perigosa do que o Thanos com a manopla.
A transmissão ao vivo foi um caos maravilhoso. Kuro era surpreendentemente bom em jogos de corrida, gritando e gesticulando enquanto ultrapassava o personagem de Sebastian. Tatsuyo jogava de forma calculista, guardando seus itens para os momentos finais, o que a levou à vitória em duas rodadas seguidas, para a indignação de Scarlett.
— Como?! — Scarlett exclamou, rindo enquanto jogava as mãos para o ar. — Ela nem estava olhando para a tela direito!
— É o que eu digo — comentou Kuro, abraçando Tatsuyo pelos ombros enquanto falava para a câmera da live. — Nunca subestimem a pessoa mais inteligente da sala. Ela sabe a trajetória de cada casco verde antes mesmo de eu apertar o botão.
— É pura física, pessoal — Tatsuyo piscou para a câmera, fazendo os comentários da live dispararem em uma velocidade impossível de ler.
Quando o dia finalmente terminou, o grupo se reuniu no estacionamento subterrâneo para se despedir. Os carros pretos da produção esperavam para levá-los de volta.
— Bom trabalho hoje, pessoal — disse Chris Evans, apertando a mão de Kuro e dando um beijo na bochecha de Tatsuyo. — Vocês dois lidaram com a imprensa como veteranos.
— Obrigado, Chris — disse Kuro. — Significa muito vindo de você.
— Vemos vocês amanhã no set? — perguntou Sebastian, já entrando em seu carro. — Temos aquela cena da luta na ponte.
— Estaremos lá — confirmou Tatsuyo. — Com o plano de ataque pronto.
No carro de volta para o hotel, o silêncio era confortável. Kuro tirou o boné e passou a mão pelos cabelos brancos, exausto. Tatsuyo tirou as botas de couro e encolheu as pernas no banco, observando as luzes de Los Angeles passarem pela janela.
— Sabe o que eu mais quero agora? — perguntou Kuro.
— Pizza? — ela arriscou.
— Pizza e ficar abraçado com você sem ninguém nos perguntando sobre o futuro do Universo Cinematográfico Marvel — ele sorriu.
Tatsuyo esticou a mão e entrelaçou seus dedos nos dele.
— Eu acho que a "gênia" aqui pode providenciar isso.
Eles chegaram ao hotel e, ao cruzarem o lobby, ainda foram reconhecidos por alguns hóspedes, mas Kuro apenas acenou educadamente, mantendo Tatsuyo próxima. Quando a porta do quarto finalmente se fechou atrás deles, o peso da fama ficou do lado de fora.
Kuro ajudou Tatsuyo a desamarrar a blusa marfim, seus dedos roçando suavemente a pele das costas dela. Não havia câmeras, não havia roteiros, não havia heróis ou vilões. Havia apenas Kuro e Tatsuyo, dois jovens vivendo um sonho, mas sabendo que a realidade que construíram juntos era muito mais valiosa do que qualquer bilheteria bilionária.
— Eu te amo — sussurrou ele, enquanto ela se virava em seus braços.
— Eu também te amo, meu herói — ela respondeu, puxando-o para um último beijo antes que o sono os vencesse, prontos para fazer tudo de novo no dia seguinte.