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Amor na escola

O Elo de Sangue e Alma

O silêncio que se seguiu ao ápice do cio era denso, mas não mais carregado de agonia. O quarto, antes um campo de batalha entre o instinto animal e a resistência humana, agora era um santuário. O cheiro de Vinícius — aquele amadeirado intenso de carvalho — havia se fundido completamente ao aroma de baunilha de Stefany, criando uma fragrância nova, única, que marcava o território como pertencente a ambos.

Vinícius permanecia imóvel, com o corpo pesado e relaxado sobre o colchão, mas mantendo a maior parte de seu peso apoiada nos cotovelos para não esmagar a pequena ômega sob ele. Seus olhos dourados começavam a retomar o castanho profundo, embora a pupila ainda estivesse dilatada, refletindo o resquício da febre do lúpus. Ele observava Stefany com uma reverência quase religiosa. Ela parecia tão pequena em meio aos lençóis revirados, a pele negra realçada pelo suor e pelo contraste com os lençóis claros, os cabelos levemente bagunçados e os lábios inchados pelos beijos fervorosos.

— Você está chorando? — perguntou ele, a voz falhando, enquanto estendia a mão grande para limpar o rastro de uma lágrima no rosto dela.

Stefany soltou um suspiro trêmulo, fechando os olhos ao sentir o toque áspero e quente dos dedos dele.

— Não é de tristeza, Vini — sussurrou ela, buscando a mão dele para beijar a palma. — É que... eu nunca imaginei que pudesse me sentir assim. Tão cheia, tão... sua. Mas ainda dói um pouco.

O rosto de Vinícius se contorceu em uma careta de culpa. Ele se afastou com cuidado, sentindo o corpo dela protestar levemente com a separação física, e sentou-se na beira da cama. A luz da lua agora filtrava-se por uma fresta da cortina, iluminando as cicatrizes leves em suas costas e a musculatura poderosa que ainda vibrava.

— Eu fui um animal — disse ele, passando as mãos pelo cabelo curto. — Eu tentei me controlar, Stefany, eu juro. Mas quando o meu lobo sentiu que você me aceitou... a barreira simplesmente quebrou. Um alfa lúpus não deveria ser tão descuidado com uma ômega tão delicada.

Stefany se sentou, puxando o lençol para cobrir o peito, observando a diferença abismal entre os dois. Suas mãos eram metade das dele; suas pernas pareciam frágeis perto das coxas grossas e definidas do alfa. Ela se arrastou pelo colchão até encostar as costas no peito dele, forçando-o a envolvê-la com seus braços.

— Olhe para mim, Vinícius — pediu ela, virando o rosto para encontrá-lo. — Eu não sou de porcelana. Sim, você é enorme, e sim, foi difícil no começo. Mas eu escolhi estar aqui. Eu escolhi você. O seu lobo não me machucou, ele me reivindicou. Você sente isso, não sente?

Vinícius fechou os olhos e respirou fundo, encostando o nariz na nuca dela. O instinto de proteção rugiu em seu peito. O cio de um lúpus durava dias, e aquela era apenas a primeira onda. Ele sabia que, em poucas horas, o calor voltaria a subir por seu sangue, exigindo-a novamente com uma fome ainda mais voraz.

— Eu sinto — admitiu ele, a voz vibrando contra as costas dela. — O vínculo está se formando. Mas é exatamente por isso que estou com medo. O próximo ciclo do cio vai ser mais forte. Agora que eu provei de você, meu lobo não vai aceitar um "não" ou um "devagar". Stefany, talvez seja melhor você ir para o seu dormitório enquanto ainda consegue andar.

Stefany virou-se nos braços dele, ficando de frente para o gigante. Ela tocou o peito dele, sentindo o coração batendo como um tambor selvagem.

— Você está tentando me proteger de você mesmo? — Ela deu um sorriso pequeno e corajoso. — Eu não vou a lugar nenhum. Se eu sair por aquela porta, vou passar o resto da noite sentindo o vazio que você deixou. Eu sou uma ômega comum, Vinícius, mas o meu amor por você não é comum. Se o seu lobo me quer, ele vai me ter. Só... continue sendo meu Vinícius entre os momentos de fera.

Ele soltou um rosnado baixo, mas desta vez era um som de afeição, um ronronar profundo que apenas os lúpus conseguiam emitir. Ele a puxou para o seu colo, acomodando-a com facilidade, como se ela fosse feita sob medida para encaixar ali.

— Eu te amo tanto que chega a doer — confessou ele, escondendo o rosto no ombro dela. — Na escola, todos me olham como se eu fosse uma arma, um líder, alguém que eles devem temer ou seguir. Mas com você... eu me sinto apenas um homem. Um homem que quer te dar o mundo.

— Na escola, eles não conhecem o Vinícius que me traz flores de papel porque sabe que eu tenho alergia às de verdade — brincou ela, tentando aliviar a tensão.

Eles ficaram em silêncio por algum tempo, aproveitando a calmaria. No entanto, o corpo de um alfa lúpus no cio era uma máquina implacável. Stefany começou a sentir a temperatura da pele de Vinícius subir novamente. O suor voltou a brilhar nos ombros largos dele, e o cheiro de carvalho tornou-se mais denso, quase sufocante de uma forma inebriante.

Vinícius apertou a cintura dela com mais força, os dedos cravando-se levemente na pele macia. Seu olhar voltou a mudar, o castanho sendo devorado pelo dourado incandescente.

— Está voltando — avisou ele, a respiração tornando-se curta e ruidosa. — Stefany... por favor, se você quiser desistir, a hora é agora.

— Eu já disse que não vou a lugar nenhum — reafirmou ela, embora sentisse um frio na barriga ao ver a imponência dele se reerguer.

Desta vez, não houve hesitação. Vinícius a deitou de costas, mas não se posicionou imediatamente sobre ela. Ele começou a beijar cada centímetro do corpo dela, desde os tornozelos pequenos até as coxas internas, marcando-a com sua saliva e seu cheiro. Stefany arqueava o corpo, sentindo uma eletricidade percorrer seus nervos. Ela era tão pequena sob ele que as mãos de Vinícius conseguiam quase envolver sua cintura inteira.

— Você é minha — rosnou ele contra a barriga dela. — Cada fibra, cada suspiro. Diga, Stefany. Diga que é minha.

— Eu sou sua... toda sua, Vinícius — ela gemeu, enterrando as mãos nos cabelos dele, puxando-o para cima.

Quando ele se uniu a ela novamente, a resistência inicial já não existia mais. O corpo de Stefany, embora miúdo, parecia ter se expandido emocional e fisicamente para recebê-lo. A diferença de tamanho continuava a ser um desafio visual e físico, mas a lubrificação natural da ômega e a urgência do alfa criaram uma harmonia feroz.

Vinícius não conseguia mais ser apenas gentil. Ele era um lúpus protegendo e possuindo seu tesouro. Suas estocadas eram profundas e rítmicas, fazendo a cama de solteiro ranger contra a parede do dormitório. Stefany soltava gritos curtos, as mãos agarrando-se aos lençóis enquanto sentia o mundo girar. Era uma entrega total; ela se sentia pequena, sim, mas nunca se sentiu tão poderosa quanto naquele momento, vendo o alfa mais forte da escola perder o controle totalmente por causa dela.

— Olha para mim — ordenou Vinícius, a voz puramente animal.

Ela abriu os olhos, encontrando o ouro líquido.

— Eu vou te marcar — disse ele, aproximando os dentes da junção entre o pescoço e o ombro dela. — Eu vou colocar minha marca em você e ninguém, nenhum alfa neste mundo, vai ousar chegar perto do que é meu. Você quer isso?

A marca de um lúpus era permanente. Para uma ômega comum, ser marcada por um lúpus significava elevar seu status, mas também ligar sua alma à dele para sempre. Era um compromisso que muitos temiam, mas Stefany não sentia medo.

— Marque-me — pediu ela, a voz firme apesar do prazer que a consumia. — Deixe o mundo saber que eu pertenço ao meu lúpus.

Vinícius não esperou. No auge do movimento, ele cravou os dentes na pele dela. Stefany soltou um grito que foi abafado pelo beijo dele, uma dor aguda que se transformou instantaneamente em uma conexão transcendental. Ela sentiu os sentimentos dele — a possessividade, o amor avassalador, a fome e a necessidade de proteção — inundarem sua mente como uma represa que se rompe.

O quarto pareceu explodir em sensações. Vinícius descarregou toda a sua essência dentro dela, o corpo tremendo violentamente enquanto ele se prendia a ela, garantindo que o vínculo estivesse selado. O silêncio que caiu depois foi diferente do anterior; era o silêncio da conclusão.

Horas depois, quando a madrugada já começava a dar sinais de que o sol logo surgiria, Vinícius estava deitado com Stefany em seus braços. Ele a cobria quase inteiramente, como um escudo de carne e osso. A marca no pescoço dela brilhava levemente, um símbolo avermelhado que cicatrizaria em breve, mas que já emitia o cheiro dele para qualquer um que cruzasse seu caminho.

— Como você se sente? — perguntou ele, beijando-lhe a testa com uma ternura infinita.

Stefany bocejou, sentindo-se exausta, mas incrivelmente leve.

— Sinto que agora eu peso cem quilos — brincou ela, referindo-se à forma como ele a abraçava. — E sinto que, pela primeira vez na vida, eu sei exatamente onde é o meu lugar.

Vinícius sorriu, um sorriso de lado que o tornava o rapaz charmoso que ela conheceu nos corredores.

— Amanhã na escola... todos vão saber. O cheiro da marca não dá para esconder.

— Deixe que saibam — respondeu ela, fechando os olhos. — Deixe que vejam que a pequena ômega domou o lobo mau.

Vinícius riu baixo, uma vibração que acalentou o sono de Stefany. Ele sabia que o cio continuaria por mais dois dias, mas a parte mais difícil — a incerteza e o medo dela — havia passado. Ele era dela, e ela era dele. E no pequeno universo daquela escola, nada mais importava além daquele elo de sangue e alma que acabara de ser forjado na penumbra daquele quarto.