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Amor no quarto do lider

O Eclipse da Razão e a Aliança do Pecado

As luzes do quarto do líder pareciam pulsar no mesmo ritmo da respiração descompassada de Ana Paula. O silêncio que se seguiu à saída de Boneco era denso, quase sólido, preenchido apenas pelo estalar do gelo derretendo no balde de champanhe esquecido sobre a cômoda. Ana ainda sentia o corpo vibrar, uma mistura de exaustão física e um formigamento elétrico que percorria sua espinha. Ela se levantou do chão com uma lentidão felina, cada movimento denunciando a intensidade do que acabara de viver.

Jonas a observava da poltrona, a postura agora relaxada, mas o olhar ainda carregado de uma possessividade que não admitia réplicas. Ele era a imagem da perfeição corrompida: o cabelo loiro desalinhado, o suor brilhando nos ombros largos e aquele sorriso de quem sabia que tinha desvendado o segredo mais bem guardado da mulher mais difícil da casa.

— E então, Ana? — Jonas quebrou o silêncio, a voz suave, mas com um fio de aço. — O deboche voltou ou ele ficou lá no carpete junto com a sua resistência?

Ana Paula parou diante do grande espelho, ajeitando o roupão de seda que mal cobria as marcas avermelhadas em seus pulsos e coxas. Ela encarou seu próprio reflexo, os olhos cor de mel brilhando com uma chama que nem a exaustão conseguia apagar. Ela respirou fundo, recuperando a postura, o queixo erguido com a arrogância que era seu escudo e sua espada.

— Você joga sujo, Jonas — ela disse, virando-se para ele. A voz ainda estava rouca, mas o tom cortante estava de volta. — Usar o Boneco como plateia... Eu deveria te dar um tapa na cara ou te agradecer por me mostrar que você é muito mais perverso do que essa sua carinha de comercial de margarina sugere.

Jonas soltou uma risada curta e se levantou, caminhando até ela. Ele parou a centímetros de seu rosto, obrigando-a a olhar para cima.

— Você adorou, Ana. Não adianta mentir. Eu vi nos seus olhos, eu senti no modo como você se entregou. Você gosta do caos, mas gosta ainda mais de ser o centro dele, mesmo que seja para ser dominada.

Antes que Ana pudesse responder, a porta do quarto se abriu novamente. Alberto Cowboy entrou, trazendo consigo o cheiro de ar fresco e o peso de sua presença rústica. Ele olhou para os dois, notando o clima carregado e o estado de desalinho de Ana. Um sorriso lento e malicioso surgiu sob sua barba.

— Pelo visto, eu perdi a melhor parte da festa — disse Alberto, jogando o chapéu sobre a cama. — O Boneco passou por mim no corredor parecendo que tinha visto um fantasma... ou um anjo sendo levado pro mau caminho.

Ana Paula soltou uma risada debochada, cruzando os braços.

— O seu amigo loiro aqui resolveu inovar, Cowboy. Digamos que o "setor saúde" tem métodos de treinamento que você nem imagina.

Alberto caminhou até ela, envolvendo sua cintura com as mãos grandes e calejadas, puxando-a para perto de seu corpo robusto. O contraste entre a delicadeza de Ana e a bruteza de Alberto era, como sempre, magnético.

— É mesmo? — Alberto murmurou, a voz vibrando contra o pescoço dela. — Pois eu acho que tá na hora do "setor agro" mostrar que não fica atrás. O Jonas pode ter a técnica, mas eu tenho a resistência do campo, loira. E eu não aceito ficar de fora do encerramento dessa noite.

Jonas se aproximou, fechando o triângulo. A tensão entre os três não era de rivalidade, mas de uma sinergia perigosa. Eles eram o ápice do desejo naquela casa, três forças da natureza que tinham decidido colidir em vez de se evitarem.

— O que você propõe, Cowboy? — perguntou Jonas, os olhos fixos em Ana, mas o desafio direcionado a Alberto.

— Eu proponho que a gente pare de falar — Alberto sentenciou, sua mão subindo para a nuca de Ana, os dedos se enroscando nos fios loiros. — A Ana Paula Renault fala demais quando tá vestida. Eu quero ouvir o que ela tem a dizer quando a gente levar ela pro limite de verdade. Sem plateia dessa vez... só nós três, as câmeras e o que sobrar da sanidade dela.

Ana sentiu o coração disparar. A promessa na voz de Alberto era de uma intensidade que a fazia perder o fôlego. Ela olhou de um para o outro, o deboche dando lugar a uma urgência faminta.

— Vocês acham que dão conta? — ela provocou, embora sua voz entregasse sua ansiedade. — Eu sou muita areia pro caminhãozinho de vocês dois juntos.

— Então se prepara pra descarga, loira — rebateu Alberto, carregando-a nos braços e jogando-a sobre a cama de casal do líder.

O que se seguiu foi uma coreografia de desejo e poder. Jonas e Alberto não competiam por ela; eles a exploravam como se Ana fosse um território desconhecido e vasto. Enquanto Jonas se concentrava na parte superior, beijando-a com uma fome atlética e usando as mãos para mapear cada curva de seus seios, Alberto dominava a parte inferior, sua força bruta se manifestando no modo como ele abria as pernas dela, expondo-a completamente.

— Olha pra mim, Ana — Alberto comandou, sua voz sendo um rosnado baixo enquanto ele a penetrava com uma urgência que fazia a cama ranger. — Sente a diferença. Sente o peso de um homem que sabe o que quer.

Ana Paula arqueou as costas, as unhas cravadas nos lençóis de cetim. Ela estava no centro de um furacão. Jonas se inclinou sobre ela, capturando seus lábios em um beijo profundo, enquanto suas mãos trabalhavam em conjunto com os movimentos de Alberto. A sensação de ser preenchida e reivindicada por dois homens tão distintos, mas igualmente intensos, era avassaladora.

— Você é nossa, Ana — Jonas sussurrou entre os beijos, a voz vibrando de prazer. — Nesta noite, neste quarto, você não é a jogadora. Você é o prêmio.

— Eu não... sou de ninguém... — ela conseguiu articular, embora seu corpo estivesse traindo suas palavras, respondendo a cada estocada de Alberto e a cada toque de Jonas com uma voracidade que ela nunca soube que possuía.

— É o que a gente vai ver — Alberto disse, mudando o ritmo, tornando-o mais lento, mais profundo, mais torturante. — Você gosta de mandar, né? De dar ordens, de gritar "olha elaaaa". Pois agora eu quero ouvir você gritar o meu nome. E o dele. Quero ouvir você implorar pra gente não parar.

A madrugada avançou em um borrão de suor, gemidos e diálogos carregados de um tesão bruto. Eles não se poupavam. Jonas a virava, explorando ângulos que realçavam a beleza plástica de seu corpo, enquanto Alberto trazia a crueza, a fala suja que desarmava qualquer tentativa de Ana de manter sua máscara de ironia.

— Você tá muito calada, loira — provocou Alberto, apertando a cintura dela com força. — Onde foi parar aquele deboche todo?

— Tá... enterrado... embaixo de você, seu chucro! — ela gritou, sentindo o clímax se aproximar como uma onda gigante. — Continua, Alberto! Jonas, não solta minha mão!

No ápice da noite, os três atingiram o limite juntos. Foi uma explosão de sentidos que deixou o quarto em um silêncio absoluto por longos minutos, quebrado apenas pelas respirações pesadas que tentavam recuperar o oxigênio roubado pelo esforço.

Ana Paula estava deitada entre eles, o cabelo espalhado como uma auréola dourada, a pele brilhando de suor e os olhos fechados, saboreando a dormência deliciosa que se seguia ao prazer extremo.

— E agora? — Jonas perguntou, a voz carregada de uma satisfação preguiçosa, enquanto passava a mão pelo abdômen de Ana. — Como é que a gente desce praquela sala amanhã e finge que nada disso aconteceu?

Ana abriu um dos olhos, o brilho cor de mel retornando com uma pitada de sua malícia característica.

— Quem disse que eu vou fingir alguma coisa? — ela perguntou, sentando-se e procurando por uma taça de champanhe. — Eu vou descer aquelas escadas com o chapéu do Alberto e o sorriso do Jonas. Eu quero que eles olhem pra mim e morram de dúvida.

Alberto soltou uma gargalhada alta, sentando-se também e pegando seu chapéu da cabeceira.

— Você não existe, mulher. O mundo caindo, o povo querendo te votar, e você preocupada em causar.

— É por isso que eu sou a protagonista, Cowboy — ela disse, dando um gole no champanhe e olhando para os dois. — E vocês... vocês são os meus co-protagonistas favoritos. Pelo menos até a próxima festa do líder.

Jonas se inclinou e deu um beijo rápido no canto da boca dela.

— Você é perigosa, Ana Paula. Uma jogadora nata.

— Eu não jogo pra ganhar, Jonas — ela corrigiu, levantando-se e caminhando em direção ao banheiro com uma elegância natural, apesar de estar nua. — Eu jogo pra ser inesquecível. E eu tenho a leve impressão de que nenhum de vocês dois vai conseguir me esquecer tão cedo.

Ela fechou a porta do banheiro, deixando os dois homens na cama, trocando olhares que misturavam respeito, cansaço e a certeza de que tinham se tornado cúmplices de algo que ia muito além das regras do programa.

Lá fora, o céu começava a ganhar tons de cinza e rosa, anunciando o amanhecer. Dentro do quarto do líder, a atmosfera ainda estava carregada com o resíduo de uma noite que desafiou a moralidade e a estratégia. Ana Paula Renault, Alberto Cowboy e Jonas tinham criado uma bolha de realidade própria, onde o único voto que importava era o desejo, e a única eliminação temida era o fim daquele momento.

Ana saiu do banho minutos depois, enrolada em uma toalha branca, observando os dois homens que agora pareciam mais relaxados.

— Amanhã o circo pega fogo — ela comentou, sentando-se na beira da cama. — A gente vai ter que ser muito bom atores pra não deixar transparecer esse... "conluio" carnal.

— O meu medo não é o público, Ana — disse Jonas, olhando para ela. — O meu medo é você. Você é capaz de usar o que aconteceu aqui pra nos colocar no paredão só pelo prazer de ver a gente sofrer.

Ana Paula sorriu, um sorriso doce que não chegava aos olhos, mantendo o mistério que a tornava tão fascinante.

— Talvez eu use. Talvez eu proteja vocês. Comigo, meus queridos, a única certeza é a incerteza. Mas uma coisa eu garanto...

— O quê? — perguntou Alberto, curioso.

— A próxima vez vai ser ainda melhor — ela piscou, apagando a luz do abajur. — Agora durmam. A rainha precisa do seu sono de beleza antes de voltar a governar os súditos lá embaixo.

O silêncio finalmente reinou no quarto do líder, mas a casa do BBB 26 nunca mais seria a mesma. O triângulo de fogo tinha se selado, e as cinzas daquela noite ainda dariam muito o que falar nas edições seguintes. Ana Paula adormeceu com a cabeça no ombro de Alberto e a mão entrelaçada na de Jonas, ciente de que, no jogo da vida e do desejo, ela já era a grande vencedora.