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Amor Picante

O Eco dos Acordes e a Geometria do Desejo

O silêncio que se seguiu ao clímax na sala de música não era o mesmo silêncio opressor das mansões em que ambos cresceram. Era um silêncio preenchido pelo som de duas respirações que tentavam encontrar um ritmo comum, uma harmonia nova que nenhum dos dois havia estudado em seus livros ou partituras. Norman sentia o calor da pele de Lizzie contra a sua, um contraste vibrante com o ar condicionado gélido da sala. Ele, que sempre desprezara o toque por considerá-lo uma invasão de sua privacidade intelectual, agora se via incapaz de se afastar.

— Você está tremendo — murmurou Norman, sua voz barítona vibrando contra o ombro nu de Lizzie.

— É a adrenalina — ela respondeu, a voz ainda um pouco trêmula, mas carregada de uma satisfação que brilhava em seus olhos azuis. — Eu nunca imaginei que... que o mundo pudesse desaparecer desse jeito.

Norman se apoiou sobre os cotovelos, observando-a. O cabelo prateado dela estava espalhado pelo tapete de seda como fios de luz lunar, e a pele clara parecia quase translúcida sob o brilho do lustre de cristal. Ele estendeu a mão e, com uma delicadeza que contrastava com sua estatura intimidadora, traçou a linha da mandíbula dela com o polegar.

— Eu passei dezoito anos acreditando que a luxúria era uma fraqueza biológica — confessou ele, com a honestidade brutal que o caracterizava. — Uma distração para mentes que não tinham nada melhor para fazer. Mas agora... sinto que encontrei uma nova variável para a minha equação.

Lizzie soltou um riso suave, uma nota musical que pareceu flutuar pela sala.

— Você e suas equações, Norman. Às vezes, a vida não é sobre entender, é só sobre sentir. Meus pais sempre quiseram que eu fosse um investimento perfeito, e meus irmãos me tratam como um ruído de fundo. Mas aqui, com você... eu sinto que sou o centro de algo.

Norman sentiu uma pontada de algo que ele identificou como possessividade. Ele não gostava da ideia de Lizzie se sentindo insignificante. Para ele, ela era a única pessoa na Greastudy High School que não era um borrão de mediocridade.

— Você não é um ruído — disse ele, a voz ficando subitamente séria. — Você é a única coisa que me impediu de morrer de tédio naquele pátio hoje.

Ele se inclinou e a beijou novamente, mas desta vez não havia a urgência desesperada de antes. Era um beijo lento, exploratório, onde ele saboreava o gosto de chocolate e flores de laranjeira que parecia emanar dela. Norman sentiu o corpo de Lizzie reagir instantaneamente, os seios avantajados pressionando-se contra seu peito definido, e ele soltou um rosnado baixo de aprovação.

— Norman... — ela sussurrou, as mãos dele agora descendo para as curvas de seu quadril. — O que você está fazendo?

— Estou revisando o material — ele respondeu com um sorriso de canto, aquele que raramente mostrava a alguém. — Você disse que queria atenção, não disse? Eu pretendo lhe dar toda a atenção que seus pais foram estúpidos demais para negar.

Ele a puxou para mais perto, fazendo com que ela se sentasse em seu colo enquanto ele ainda estava sentado no tapete. A diferença de tamanho entre eles era gritante; Lizzie parecia uma boneca de porcelana em seus braços, mas havia uma força nela que o desafiava. Norman começou a distribuir beijos pelo pescoço dela, subindo até a orelha, onde mordiscou levemente o lóbulo.

— Norman... aqui não é seguro — ela ofegou, embora suas mãos estivessem ocupadas em explorar os músculos das costas dele. — Meus pais podem chegar... ou os empregados...

— Você disse que eles estariam fora — ele rebateu, a voz rouca. — E se alguém entrar, terá que lidar comigo. Eu não gosto que interrompam minha leitura, e certamente não vou gostar que interrompam isso.

Lizzie sentiu um arrepio de excitação com a frieza protetora dele. Ela se sentia segura e, ao mesmo tempo, perigosamente exposta. Ela se afastou um pouco para encará-lo, seus olhos azuis cintilando.

— Então me leve para algum lugar onde o mundo não exista — ela pediu.

Norman não precisou ser instigado duas vezes. Ele se levantou, levando-a nos braços como se ela não pesasse nada. Ele não se deu ao trabalho de se vestir completamente, apenas vestiu a calça escura e jogou a camisa por cima dos ombros, enquanto Lizzie se enrolava no blazer dele, que ficava enorme nela, cobrindo-a até as coxas.

Eles subiram as escadarias de mármore da mansão Stelle em silêncio, como dois fantasmas em um castelo de vidro. Lizzie o guiou até seu quarto, um santuário de tons pastéis, livros de música e pelúcias de gatos. Era o único lugar da casa que parecia ter vida.

Assim que a porta foi trancada, a atmosfera mudou. O quarto de Lizzie era impregnado com o perfume dela, e Norman sentiu seus sentidos aguçarem. Ele a colocou na cama de dossel e, antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele já estava sobre ela novamente.

— Eu quero ver você — ele murmurou, retirando o blazer que ela usava. — Quero ver cada reação sua. Quero entender por que meu coração, que sempre foi tão estável, está batendo a 110 batidas por minuto agora.

Lizzie se entregou ao escrutínio dele. Ela nunca fora tão notada, tão desejada. Norman não a via apenas como um corpo bonito, ele a via como um mistério que ele precisava resolver. Ele começou a beijar o abdômen dela, subindo lentamente até os seios, onde se demorou, usando a língua para provocar os mamilos que já estavam rígidos.

— Ah... Norman... — Lizzie arqueou as costas, enterrando os dedos nos cabelos pretos dele. — É demais... eu não sabia que podia sentir tanto.

— Você ainda não sentiu nada — ele disse, olhando para cima.

A intimidade entre eles crescia a cada segundo. Norman, o garoto que odiava ser tocado, agora buscava cada centímetro de contato. Ele explorava a umidade dela com os dedos, observando o rosto de Lizzie se transformar em uma máscara de puro prazer. Ele era metódico, mas havia uma paixão latente em cada movimento que ele não conseguia mais esconder.

— Por favor... eu quero você de novo — ela implorou, puxando-o para cima.

Desta vez, o ato foi mais profundo, mais consciente. Norman se moveu com uma cadência que parecia seguir o ritmo de uma música que só eles ouviam. Ele a olhava nos olhos o tempo todo, uma conexão azul sobre azul que parecia queimar as barreiras que ambos haviam construído ao longo dos anos. A pele pálida de Norman estava suada, seus músculos tensos a cada estocada, enquanto Lizzie recebia cada movimento dele com gemidos que eram música para os ouvidos do herdeiro Hazel.

— Você é minha, Lizzie — ele declarou, a voz carregada de uma possessividade sombria. — Não importa quem são seus pais ou quem são os meus. Neste quarto, você é minha única prioridade.

— E você é meu — ela respondeu, as pernas envolvendo a cintura dele, puxando-o para o fundo de sua alma. — Meu Norman.

O ápice veio como uma tempestade, avassalador e purificador. Eles se fundiram em um único ser por alguns instantes, o prazer sendo tão intenso que beirava a dor. Quando finalmente desabaram um nos braços do outro, o mundo parecia ter se reorganizado. As sombras no quarto de Lizzie pareciam menos assustadoras, e o futuro, antes um fardo de expectativas familiares, agora parecia uma página em branco que eles escreveriam juntos.

Norman ficou deitado ao lado dela, acariciando os longos cabelos prateados que agora estavam úmidos de suor. Ele se sentia estranhamente leve. O tédio que o acompanhara por toda a vida havia sido substituído por uma curiosidade insaciável sobre a garota ao seu lado.

— Você está bem? — ele perguntou, sua voz voltando à calma habitual, mas com uma suavidade inédita.

Lizzie se aninhou no peito dele, ouvindo as batidas do coração de Norman que finalmente começavam a desacelerar.

— Estou maravilhosa — ela sorriu contra a pele dele. — Sabe, Norman... meus pais sempre disseram que eu era uma decepção porque eu preferia a arte aos negócios. Mas agora eu percebo que eles são os que estão perdendo. Eles nunca sentiram nada parecido com isso.

Norman soltou um suspiro curto, quase uma risada.

— Meus pais acham que eu sou uma máquina de ganhar troféus. Eles não fazem ideia de que o maior prêmio que eu já ganhei foi ser forçado a fazer esse projeto com você.

Ele se levantou um pouco para pegar sua mochila, que ele havia trazido lá de baixo em algum momento. De dentro dela, tirou um pequeno pacote de balas de goma ácidas, suas favoritas.

— Quer? — ele ofereceu, abrindo o pacote.

Lizzie riu, pegando uma bala vermelha.

— Você é um contraste ambulante, Norman Enric Hazel. Um gênio frio, um amante intenso e um viciado em doces.

— E você é um anjo que esconde um incêndio por dentro — ele rebateu, colocando uma bala na boca. — Acho que somos uma dupla perigosa.

Eles ficaram ali, comendo doces e conversando sobre coisas que nunca haviam contado a ninguém. Norman falou sobre o irmão que partiu e como ele sentia que precisava carregar o peso do nome da família sozinho. Lizzie falou sobre como o piano era sua única forma de gritar em uma casa onde ninguém a ouvia.

— O projeto de literatura — Lizzie lembrou de repente, olhando para o relógio na parede. — "O Retrato de Dorian Gray". Ainda não escrevemos uma única linha.

Norman olhou para ela, seus olhos azul-índigo brilhando com uma nova ideia.

— Acho que já temos o material necessário. O livro fala sobre a busca pelo prazer e a alma escondida sob a aparência. Nós acabamos de vivenciar o tema central.

Lizzie corou, mas concordou com a cabeça.

— Você tem razão. Mas acho que o professor não vai gostar se entregarmos um ensaio baseado em... bom, no que fizemos hoje.

— Deixe a escrita comigo — Norman disse, puxando-a para mais um beijo. — Eu sei exatamente como transformar esse sentimento em palavras que ninguém mais vai entender, exceto nós dois.

A noite avançou, e a mansão Stelle continuou em seu silêncio majestoso, mas dentro daquele quarto, uma revolução silenciosa havia ocorrido. Dois jovens, moldados pela riqueza e pela negligência, haviam encontrado um porto seguro. Norman sabia que o amanhã traria os mesmos problemas: pais exigentes, a pressão da escola e o vazio social. Mas agora, ele tinha um segredo. Ele tinha Lizzie.

E Lizzie, olhando para o perfil sereno de Norman enquanto ele começava a rascunhar algumas ideias em seu caderno, soube que não era mais a ovelha negra. Ela era a musa de um prodígio, e o fogo que eles haviam acendido na sala de música continuaria queimando, muito depois de as luzes da Greastudy High School se apagarem.

— Norman? — ela chamou baixinho, quase pegando no sono.

— Sim?

— Não deixe que eles nos mudem.

Norman parou de escrever e olhou para ela, uma promessa silenciosa em seu olhar.

— Eles não podem mudar o que não conseguem alcançar, Lizzie. E nós estamos muito acima deles agora.

Com essa última palavra, ele fechou o caderno e se deitou novamente, protegendo-a do resto do mundo com seu corpo forte. O tédio havia sido derrotado, e o primeiro capítulo da vida real deles estava apenas começando.