Amor quente
Laços de Rendição e Risos
A manhã de sábado surgiu preguiçosa, com a luz do sol filtrando-se pelas cortinas de linho do quarto de Augusto. O clima da noite anterior ainda pairava no ar, uma mistura de carinho e aquela eletricidade que parecia nunca se esgotar entre os dois. Rafaella estava sentada na cama, vestindo apenas uma das camisas de treino dele, que ficava enorme nela, dando-lhe um ar ainda mais adorável e vulnerável.
Augusto, que já estava de pé, observava-a com um brilho travesso nos olhos. Ele era conhecido por seu romantismo, mas também por um espírito brincalhão que poucas pessoas tinham o privilégio de conhecer. E, naquela manhã, ele tinha um plano.
— Você sabe, Rafa — começou ele, caminhando até o armário —, que ontem você disse que eu era um estrategista. E um bom estrategista nunca deixa uma vantagem passar em branco.
Rafa arqueou uma sobrancelha, sorrindo com curiosidade.
— O que você está tramando, Augusto? — Ela ajeitou o cabelo, sentindo o olhar dele percorrer seu corpo com uma intensidade que a fazia corar.
— Você admitiu que as unhas faziam cócegas. E que o beijo na cintura era o seu fim — ele disse, retirando do fundo do armário duas faixas de Jiu-Jitsu pretas, grossas e resistentes. — Eu decidi que hoje vamos explorar um pouco mais os seus limites... de uma forma divertida.
Rafa arregalou os olhos, soltando uma risadinha nervosa quando viu as faixas.
— Augusto, nem pense nisso! Você não teria coragem.
— Ah, eu teria. — Ele se aproximou, a agilidade de atleta transparecendo em cada passo. — É para o seu próprio bem, para o nosso "estudo de reações biológicas".
Antes que ela pudesse protestar ou fugir, Augusto a envolveu em um abraço firme e a deitou suavemente na cama de casal. Com uma habilidade surpreendente, ele usou a primeira faixa para prender os pulsos de Rafa acima da cabeça, prendendo-os à cabeceira de madeira da cama. Ele foi cuidadoso para não apertar a ponto de machucar, mas firme o suficiente para que ela não conseguisse se soltar.
— Augusto! — ela exclamou, rindo e tentando se contorcer. — Isso é trapaça!
— Shhh... — ele sussurrou, passando a segunda faixa pelos tornozelos dela e prendendo-os nos pés da cama, deixando-a completamente esticada e exposta. — Agora você é minha prisioneira, Rafaella. E a sentença é severa.
Ele se ajoelhou sobre ela, observando como ela estava linda naquela posição: os braços para cima, as pernas para baixo, e aquele sorriso doce que ele tanto amava, agora misturado com uma pontinha de pânico lúdico.
— O que você vai fazer? — perguntou ela, a respiração já ficando curta.
Augusto não respondeu com palavras. Ele começou a caminhar com os dedos pelas costelas dela, como se fossem pequenas aranhas. Rafa imediatamente começou a se contorcer, soltando as primeiras gargalhadas.
— Não! Augusto, para! — ela gritou, a voz subindo de tom. — Aí não!
— Só estou começando — disse ele, aumentando a velocidade. Seus dedos eram precisos, atacando as axilas, os vãos das costelas e a cintura.
Rafaella berrava de rir. Suas bochechas estavam vermelhas, e ela tentava puxar os braços e as pernas, mas as faixas a mantinham exatamente onde ele queria. O som do quarto era preenchido por seus gritos e súplicas entrecortadas por risos histéricos.
— Por favor! Eu me rendo! — ela implorava, as lágrimas de tanto rir começando a brotar nos cantos dos olhos. — Vai com calma, Augusto!
— Eu disse que não ia ter calma hoje — ele brincou, descendo os beijos pelo pescoço dela enquanto as mãos continuavam a tortura nas costelas.
Augusto então se afastou por um segundo, fazendo Rafa pensar que tinha vencido pelo cansaço. Ela tentou recuperar o fôlego, o peito subindo e descendo rapidamente sob a camisa de treino.
— Acabou? — perguntou ela, ofegante, com um sorriso esperançoso.
— Longe disso. — Augusto pegou um objeto pequeno na mesa de cabeceira: um massageador elétrico de alta potência que ele usava para relaxar os músculos após os treinos pesados de futebol.
Ele ligou o aparelho, que emitiu um zumbido constante e vibrante. Rafa arregalou os olhos.
— Não... você não seria tão cruel — ela sussurrou, já começando a rir antes mesmo do toque.
— Prepare-se, Rafa.
Augusto deslizou para o pé da cama. Ele segurou com firmeza o pé direito dela, que estava preso pela faixa, e encostou a ponta vibrante do massageador bem no arco da planta do pé.
O efeito foi imediato. Rafa soltou um grito que provavelmente foi ouvido no quarteirão inteiro. Ela se sacudia inteira, os braços esticados para cima puxando a cabeceira da cama, as pernas tentando se fechar sem sucesso.
— PARA! AUGUSTO, PARA AGORA! — ela gritava, rindo tanto que mal conseguia articular as palavras. — EU NÃO AGUENTO! É MUITA CÓCEGA!
— O quê? Eu não ouvi direito! — ele provocou, passando o massageador para o outro pé e subindo para os dedos. — Parece que a menina mais bonita da escola tem pés muito sensíveis.
— EU TE ODEIO! — ela berrou, mas o tom era de pura diversão. — SOCORRO! ALGUÉM ME TIRA DAQUI!
Augusto ria junto com ela, achando a cena a coisa mais adorável do mundo. Ele alternava entre o massageador nos pés e ataques rápidos com os dedos na barriga dela. Rafa estava em um estado de êxtase e tortura cômica, seu corpo inteiro vibrando com a energia do momento.
— Por favor... eu... eu vou passar mal! — ela conseguiu dizer entre um espasmo e outro. — Augusto, meu amor, para!
Ao ouvir o "meu amor", Augusto suavizou o toque. Ele desligou o massageador e soltou os pés dela primeiro, deixando-a recolher as pernas. Depois, subiu e desamarrou os pulsos com rapidez. Assim que ficou livre, Rafa não fugiu. Ela apenas se encolheu em posição fetal, tentando controlar a respiração e os resquícios de riso que ainda a faziam tremer.
Augusto deitou-se ao lado dela, puxando-a para um abraço apertado.
— Você está bem? — perguntou ele, beijando a têmpora dela, o tom romântico voltando instantaneamente.
Rafa se virou para ele, o rosto brilhando de suor e alegria. Ela deu um tapa leve no peito dele.
— Você é um monstro, Pedro Augusto. Um monstro popular e muito bonito, mas um monstro.
— Mas eu sou o seu monstro — ele respondeu, selando os lábios nos dela em um beijo calmo, que aos poucos foi devolvendo a serenidade ao quarto.
— É — suspirou ela, aninhando-se em seu pescoço. — Você é. Mas se prepare, porque a vingança é um prato que se come com muitas cócegas também.
Augusto riu, sabendo que aquela manhã tinha selado algo muito mais forte do que as faixas de Jiu-Jitsu jamais conseguiriam prender: uma intimidade que ia muito além das palavras, construída entre fórmulas de biologia, beijos roubados e as mais doces gargalhadas.