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Archie e Sabrina

O Sangue e o Luar

O silêncio que se seguiu ao êxtase era denso, quase palpável, quebrado apenas pelo estalar do motor da caminhonete esfriando e pelo som rítmico da respiração de ambos. Archie Andrews sentia o calor da pele de Sabrina contra o seu peito, um contraste vibrante com o ar gelado que soprava das águas do Rio Sweetwater. Eles estavam ali, entrelaçados na caçamba do veículo forrada com mantas, sob um céu que parecia observar cada segredo compartilhado naquela noite.

Para Archie, o mundo havia mudado de eixo. O peso dos seus ombros, geralmente carregado pelas expectativas de seu pai, do treinador e de toda a cidade de Riverdale, parecia ter evaporado. Ali, nos braços da bruxa de Greendale, ele não era o herói, o músico ou o atleta. Ele era apenas um homem, sentindo a pulsação da vida em sua forma mais crua e honesta.

Sabrina descansava a cabeça no ombro dele, os cabelos loiros espalhados como fios de seda prateada. Ela traçava círculos invisíveis no abdômen definido de Archie, mas havia algo diferente em seu toque. Não era mais a provocação elétrica de minutos atrás; era uma quietude solene, uma hesitação que Archie, em sua sensibilidade aguçada, logo percebeu.

— Você está tão quieta — sussurrou Archie, virando o rosto para beijar o topo da cabeça dela. — No que está pensando?

Sabrina não respondeu de imediato. Ela se afastou ligeiramente, apenas o suficiente para olhar nos olhos castanhos dele. A luz da lua refletia em suas pupilas, mas Archie notou que o brilho habitual de travessura havia sido substituído por uma profundidade que beirava o temor. Ela pegou a mão dele e a colocou sobre o próprio ventre, pressionando-a contra a pele macia.

— Archie — a voz dela era um fio, mas carregava o peso de uma profecia —, as coisas na minha família, no meu mundo... elas não acontecem como no seu. A magia reage ao que sentimos, ao que fazemos.

Archie franziu a testa, sentindo um calafrio que nada tinha a ver com o vento.

— O que você quer dizer, Sabrina? Está me assustando.

— O que aconteceu aqui hoje... — Ela respirou fundo, tentando encontrar as palavras certas enquanto a mão de Archie ainda repousava sobre ela. — Não foi apenas um encontro. Houve uma convergência. Eu sinto isso. O meu sangue, a linhagem dos Spellman... ela reconheceu algo em você. Algo forte, puro.

— Sabrina, fale claramente, por favor — pediu ele, sentando-se e puxando-a para mais perto, envolvendo-a com o cobertor para protegê-la do frio.

Sabrina olhou para as próprias mãos, que tremiam levemente.

— Eu estou grávida, Archie.

O tempo pareceu parar. O som do vento nas árvores cessou, o coaxar dos sapos silenciou, e até o coração de Archie pareceu errar uma batida. Grávida? A palavra ecoava em sua mente como um sino de igreja em uma tarde de domingo, mas o contexto era impossível. Eles tinham acabado de... como ela poderia saber? Como poderia ser tão rápido?

— Mas... como? — gaguejou Archie, a mente de jogador tentando processar uma jogada para a qual não fora treinado. — Acabamos de... quer dizer, a biologia diz que...

— Eu não sou apenas biologia, Archie — interrompeu ela, com um sorriso triste. — Eu sou uma bruxa. No meu mundo, a concepção pode ser um relâmpago, um pacto involuntário entre duas almas. No momento em que nos unimos, eu senti a centelha. É uma vida, Archie. Uma vida que é metade luz de Riverdale e metade sombra de Greendale.

Archie ficou imóvel. O pânico inicial, aquela reação instintiva de um adolescente que vê o futuro desmoronar, começou a ser substituído por algo mais profundo e ancestral. Ele olhou para Sabrina — ela parecia tão pequena naquele momento, tão vulnerável apesar de todos os seus poderes. A ideia de que um pedaço dele, uma mistura de sua essência com a dela, estava começando a existir ali dentro, transformou o medo em uma onda avassaladora de proteção.

Ele não se afastou. Pelo contrário, Archie puxou Sabrina para um abraço apertado, enterrando o rosto na curva do pescoço dela. Ele a segurou com uma força que transmitia tudo o que as palavras ainda não conseguiam expressar: eu estou aqui, eu não vou a lugar nenhum.

— Archie? — ela murmurou, surpresa com a reação dele. — Você não está... você não quer fugir?

— Fugir? — Ele se afastou apenas o suficiente para segurar o rosto dela entre as mãos. — Sabrina, eu passei a vida inteira tentando fazer a coisa certa para os outros. Mas isso... isso parece a coisa mais real que já me aconteceu. É assustador? Sim, é aterrorizante. Mas é nosso.

— Você não entende o que isso significa — disse ela, uma lágrima solitária escorrendo por sua bochecha. — Minhas tias, o Conselho das Bruxas... eles vão ver isso como uma abominação ou como uma arma. Um filho de uma Spellman com um mortal de linhagem tão vibrante quanto a sua...

— Deixe que vejam como quiserem — declarou Archie, a mandíbula travada com a mesma determinação que mostrava antes de um *touchdown* decisivo. — Ninguém vai tocar em você. E ninguém vai tocar nesse bebê. Eu não sei nada sobre feitiços ou rituais, mas eu sei como proteger o que eu amo.

Sabrina soltou um soluço que era metade riso, metade choro. Ela se jogou nos braços dele novamente, escondendo o rosto em seu peito largo.

— Você é tão... Archie Andrews. Tão nobre que dói.

— Eu sou apenas um cara que se apaixonou pela garota errada da cidade vizinha — brincou ele, tentando aliviar o clima, embora seus olhos estivessem úmidos. — Ou talvez pela garota certa.

Eles ficaram ali por muito tempo, abraçados sob a proteção da noite. Archie sentia uma nova responsabilidade ancorando-o à terra. O garoto que se preocupava com o treino de segunda-feira havia morrido naquela margem do rio. O homem que surgia em seu lugar tinha um propósito muito maior.

— O que vamos fazer agora? — perguntou Sabrina, a voz abafada pela jaqueta dele.

— Primeiro, vamos sair desse frio — disse Archie, ajudando-a a se vestir com cuidado, como se ela fosse feita de vidro soprado. — Depois... bem, depois vamos descobrir como unir esses dois mundos sem que eles se destruam.

— Minha tia Zelda vai ter um colapso — comentou ela, já começando a recuperar um pouco de seu sarcasmo defensivo.

— E o meu pai provavelmente vai precisar de um uísque bem forte — retrucou Archie, dando um meio sorriso. — Mas nós vamos dar um jeito. Sempre damos.

Ele a ajudou a descer da caçamba e a entrar na cabine da caminhonete. Antes de dar a partida, Archie colocou a mão sobre a dela, que descansava no banco.

— Sabrina — chamou ele, esperando que ela olhasse para ele. — Eu não sei o que o futuro reserva. Eu não sei se isso é parte de algum destino místico ou apenas o acaso. Mas eu quero que você saiba que, a partir de hoje, meu coração bate por vocês dois.

Sabrina inclinou-se e o beijou, um beijo que desta vez não tinha o gosto de perigo, mas de promessa.

— Então é melhor se preparar, Andrews — disse ela, os olhos brilhando novamente com aquela centelha violeta. — Porque um filho nosso não vai apenas jogar futebol ou fazer feitiços. Ele vai abalar as estruturas deste mundo.

Archie sorriu, ligou o motor e manobrou a caminhonete para longe da margem do rio. Enquanto as luzes de Riverdale apareciam no horizonte, ele sabia que a fronteira entre o normal e o sobrenatural havia sido cruzada permanentemente. Ele não era mais apenas o capitão do time; ele era o guardião de um segredo que carregava o peso de dois mundos.

E, pela primeira vez, ele não teve medo do escuro. Pois sabia que, no centro daquela escuridão, havia uma luz nova começando a brilhar, alimentada pelo amor proibido entre um garoto de ouro e uma bruxa de prata. A estrada à frente era incerta e perigosa, mas enquanto Sabrina estivesse ao seu lado, Archie Andrews estava pronto para enfrentar qualquer demônio — literal ou figurado — que ousasse cruzar seu caminho.