as fãs
Marcas de Posse
O ar dentro do motorhome da McLaren era denso, carregado com a eletricidade estática que havia se acumulado entre Alicia e Lando desde o incidente na grade. A porta havia sido trancada com um clique definitivo, um som que ecoou como um sinal de partida para ambos. Eles não estavam mais no paddock, não eram mais a fotógrafa e o piloto prodígio; eram apenas dois corpos famintos por alívio e por uma afirmação de pertencimento que as palavras não conseguiam mais suprir.
Lando não esperou. Assim que a trava se firmou, ele prensou Alicia contra a parede laminada do corredor estreito. O impacto foi firme, mas Alicia não recuou; pelo contrário, ela cravou as unhas nos ombros dele, puxando-o para mais perto. O ciúme que a corroera minutos antes havia se transformado em uma luxúria sombria e possessiva.
— Eu ainda consigo sentir o cheiro daquele perfume barato dela em você — rosnou Alicia contra a mandíbula de Lando. — Eu quero tirar isso. Quero tirar cada vestígio de qualquer outra pessoa da sua pele.
Lando soltou um gemido baixo, a voz vibrando contra o pescoço dela. Os olhos azuis, geralmente tão gentis e brincalhões, estavam escurecidos, as pupilas dilatadas pela adrenalina e pelo desejo.
— Então tira, Alicia — ele desafiou, a respiração quente e errática. — É tudo seu. Eu sou todo seu.
Ele a pegou no colo com uma força bruta que a surpreendeu, as pernas dela se entrelaçando automaticamente na cintura dele. Alicia não perdeu tempo. Suas mãos, antes tão precisas ao ajustar o foco de uma lente, agora eram ávidas e impacientes, puxando a camisa polo da McLaren para cima, expondo o peito definido do piloto. Ela a jogou em algum lugar do chão acarpetado, pouco se importando com onde cairia.
Lando a carregou para o pequeno quarto nos fundos do motorhome, jogando-a sobre a cama estreita. Antes que ela pudesse se acomodar, ele estava sobre ela, as mãos grandes e calejadas pelo volante segurando os pulsos dela acima da cabeça.
— Você estava com ciúmes, Garcia? — ele perguntou, um sorriso perverso e ofegante brincando nos lábios. — Você odiou ver ela me tocando?
— Eu queria matá-la, Lando — admitiu ela, a voz rouca, os olhos verdes brilhando com uma intensidade predatória. — Eu queria gritar para todo mundo que você é o meu homem. Que ninguém encosta em você desse jeito a não ser eu.
— Então me mostra — murmurou ele, soltando os pulsos dela para descer as mãos pelo corpo dela, apertando sua cintura com força suficiente para deixar marcas. — Me mostra que eu sou seu. Seja suja, Alicia. Não seja a garota tímida agora.
Alicia soltou um arquejo quando ele atacou seu pescoço, não com beijos carinhosos, mas com mordidas e sucções que ela sabia que deixariam hematomas arroxeados. Ela queria aquelas marcas. Queria que, quando ele se olhasse no espelho antes de vestir o macacão no dia seguinte, ele visse a prova de que ela era a única que tinha acesso ao que estava por baixo do uniforme.
Ela se contorceu sob ele, as mãos descendo para o cinto da calça dele. O zíper desceu com um som metálico que pareceu ensurdecedor no silêncio do quarto. Alicia não foi delicada; ela queria sentir a urgência dele, a prova física de que ele a desejava tanto quanto ela a ele. Quando ela finalmente o libertou e o envolveu com a mão, Lando jogou a cabeça para trás, um palavrão escapando de seus lábios.
— Porra, Alicia... — ele arfou, os quadris impulsionando-se contra a palma dela.
— Ela queria saber se era grande, não foi? — Alicia sussurrou, a voz carregada de veneno e desejo, enquanto apertava o membro dele com força. — Pois eu sei exatamente o tamanho. Eu sei como ele preenche cada espaço meu. E ela nunca vai saber disso.
Lando rosnou, a paciência se esgotando. Ele se livrou do restante das roupas com movimentos frenéticos, enquanto Alicia se despia com a mesma urgência, jogando sua blusa e sutiã para o lado. Quando a pele deles finalmente se encontrou por completo, o calor foi avassalador. O suor começou a brilhar em seus corpos sob a luz fraca do motorhome.
Lando a virou de costas, pressionando o peito dela contra os lençóis. Ele se posicionou atrás dela, uma mão segurando firmemente o quadril de Alicia e a outra se enterrando nos cabelos loiros dela, puxando levemente para trás para expor a nuca.
— Olha para mim — ele ordenou, sua voz soando mais grave do que nunca.
Alicia virou o rosto o suficiente para encontrar o olhar dele pelo canto do olho. O que viu foi um homem possuído, longe da imagem de "garoto de ouro" da F1.
— Ninguém mais chega perto, Alicia — ele disse, a respiração pesada contra o ouvido dela. — Só você. Sempre foi só você.
Ele entrou nela com um impulso forte e profundo, arrancando um grito abafado de Alicia contra o travesseiro. Não havia a doçura das noites de hotel; era algo cru, uma necessidade física de se fundirem, de apagar a imagem daquela fã e de qualquer outra pessoa que ousasse atravessar a barreira que eles construíram.
Alicia empurrou o quadril para trás, encontrando o ritmo dele, um ritmo frenético e exigente. O som da pele se chocando e a respiração pesada preenchiam o pequeno espaço. Lando era carinhoso em público, mas ali, no segredo do motorhome, ele era dominante, marcando cada centímetro dela com as mãos e com o corpo.
— Mais forte, Lando — ela implorou, as unhas arranhando os lençóis. — Não para.
Ele obedeceu, cada estocada sendo um lembrete de quem ele era e a quem ele pertencia. A mão dele desceu entre as pernas dela, encontrando o ponto que a levaria ao limite, enquanto ele continuava a se mover dentro dela com uma intensidade quase violenta. Alicia sentiu o mundo girar, o ciúme que a consumia sendo transformado em puro prazer orgástico.
— Você é minha — ele rosnou no ouvido dela, as palavras saindo como um comando. — Diz. Diz que você é minha fotógrafa, Alicia.
— Eu sou sua — ela ofegou, a voz falhando enquanto o ápice começava a nublar sua visão. — Eu sou sua... e você é meu... porra, Lando, você é meu!
O clímax os atingiu como uma colisão em alta velocidade. Lando se enterrou nela uma última vez, o corpo tenso como uma corda de violão, soltando um grito gutural enquanto se derramava dentro dela. Alicia desabou contra a cama, os pulmões ardendo, o corpo tremendo em espasmos de puro êxtase.
Por vários minutos, o único som no quarto era o da respiração pesada de ambos tentando voltar ao normal. Lando se deixou cair ao lado dela, puxando-a para o seu peito, os braços envolvendo-a com uma possessividade que não diminuíra mesmo após o ato. O suor colava seus corpos, e o cheiro de sexo e adrenalina era inebriante.
Alicia apoiou o queixo no peito dele, olhando para as marcas vermelhas que suas unhas haviam deixado nos ombros de Lando. Ela sorriu, uma expressão de satisfação que raramente mostrava.
— Você vai ter que esconder isso amanhã — ela comentou, a voz ainda um pouco trêmula.
Lando passou a mão pelos cabelos bagunçados dela, beijando sua testa com a ternura que era sua marca registrada, embora seus olhos ainda guardassem o brilho da luxúria de momentos atrás.
— Valeu a pena — ele respondeu, um sorriso de lado surgindo. — Acho que o fisioterapeuta vai ter algumas perguntas, mas eu invento que foi um acidente com a bicicleta ou algo assim.
— Um acidente muito específico — Alicia brincou, sentindo a última ponta de ciúme desaparecer, substituída por uma paz absoluta.
Lando a apertou mais forte, o tom de voz ficando sério novamente.
— Alicia... sobre o que aquela mulher fez... eu realmente me senti mal. Não foi só o toque, foi a forma como ela falou, como se eu não fosse uma pessoa.
Alicia levantou a cabeça, encontrando os olhos azuis dele.
— Eu sei, meu amor. Eu vi. E é por isso que eu fiquei tão louca. Eu odeio que o mundo ache que tem partes de você.
— Eles não têm — Lando afirmou, segurando o rosto dela com as duas mãos. — Eles têm as entrevistas, os autógrafos e as voltas rápidas. Mas isso aqui? O que a gente faz, o que a gente sente? Isso é só nosso. Ninguém entra aqui.
Ele a beijou novamente, um beijo profundo e demorado, mas desta vez carregado com a promessa de proteção.
— Agora — disse ele, quebrando o beijo com um olhar travesso —, eu acho que a gente precisa de um banho. E, considerando o tamanho desse chuveiro, acho que vamos ter que nos ajudar.
Alicia riu, sentindo-se leve pela primeira vez desde que pisara no paddock naquela tarde.
— Você não se cansa nunca, Norris?
— Com você? Nunca.
Eles se levantaram, deixando para trás o caos das roupas espalhadas e a tensão do dia. No pequeno banheiro do motorhome, sob a água morna, eles continuaram sua própria celebração privada. Não havia câmeras, não havia fãs, não havia a pressão do campeonato mundial. Havia apenas Lando e Alicia, dois jovens vivendo um amor proibido e intenso, provando um ao outro, entre toques e sussurros sujos, que no fim das contas, o pódio mais importante era aquele que eles dividiam sozinhos.
Quando finalmente saíram, já vestidos e com a aparência minimamente composta, Alicia pegou sua câmera que estava sobre a mesa da área comum. Ela olhou para Lando, que estava terminando de calçar os tênis, parecendo revigorado.
— Sabe de uma coisa? — ela disse, ajustando a alça da Canon.
— O quê?
— Aquela foto que eu tirei de você na grade... eu vou deletar.
Lando franziu a testa, curioso.
— Por quê? Ficou ruim?
— Não — ela sorriu, caminhando até ele e lhe dando um selinho rápido. — Ficou ótima. Mas eu não quero nenhuma lembrança daquele momento. A única imagem que eu quero ter de hoje é a de você aqui dentro, sendo inteiramente meu.
Lando sorriu, o brilho nos olhos azuis confirmando que ele não poderia concordar mais. Eles saíram do motorhome separadamente, com um intervalo de cinco minutos, prontos para enfrentar o mundo exterior novamente. Mas, enquanto Alicia caminhava pelo paddock sob as luzes noturnas de Monza, ela sentia o leve ardor dos beijos de Lando em sua pele e o peso do segredo que compartilhavam.
Ela era a fotógrafa. Ele era o piloto. Mas, entre as sombras dos motorhomes, eles eram os donos de uma verdade que ninguém mais poderia tocar.