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Barto

O Reencontro das Cinzas e o Sabor da Traição

O Largo de Grimmauld, número 12, nunca fora um lugar de luz, mas naquela noite a atmosfera parecia saturada de uma eletricidade estática que fazia os pelos do braço de Stela se arrepiarem. O retorno não era apenas físico; era um mergulho em um passado que ela tentara enterrar sob as camadas de isolamento com Pandora. Anos haviam se passado desde que ela deixara Hogwarts, desde que salvara Bartô Crouch Jr. do beijo do Dementador em um ato de misericórdia distorcida, apenas para fugir logo em seguida.

Ela havia escolhido o lado de Sirius Black. Não por ideologia política, mas por uma lealdade visceral ao homem que a acolhera quando o mundo das trevas se tornou insuportável. Mas o sangue Malfoy e Lestrange não podia ser ignorado para sempre. Pandora, sua mãe, agora vinculada aos Nott, exigia que Stela assumisse o papel de observadora nas reuniões. E Sirius, teimoso e protetor, insistira em acompanhá-la, mesmo que isso significasse se infiltrar nas sombras que ele tanto odiava.

Quando as portas da mansão Nott se abriram, o cheiro de incenso e magia antiga a atingiu. Stela caminhava com a elegância de uma rainha exilada, o vestido de seda esmeralda roçando o chão de mármore. Sirius estava ao seu lado, a mão casualmente pousada no ombro dela, um gesto de conforto que, para olhos externos, parecia possessivo.

E foi então que ela o viu.

Bartô Crouch Jr. não era mais o homem desgrenhado e febril que ela resgatara. Ele estava impecável. O terno preto sob medida realçava sua palidez aristocrática, e o cabelo estava alinhado com uma precisão gélida. Ele conversava com Lucius, mas no momento em que Stela entrou no salão, ele parou. O copo de cristal em sua mão inclinou-se perigosamente.

O olhar dele a atravessou, ignorando completamente a presença dos outros. A obsessão, que Bartô acreditava ter domado durante os anos de ausência dela, rugiu de volta à vida. Ver Stela ali, mais madura, com o olhar ainda desafiador, mas agora temperado por uma vivência que ele não compartilhara, fez seu sangue ferver. E ver a mão de Sirius Black nela... aquilo era um insulto que exigia sangue.

— Stela. — A voz de Bartô foi um sussurro que pareceu cortar o ruído da sala.

Ela parou diante dele, sentindo a tensão de Sirius ao seu lado.

— Bartô — respondeu ela, a voz firme, embora seu coração martelasse contra as costelas. — Vejo que o tempo lhe fez bem. A vida de fugitivo parece ter terminado.

— Graças a você, minha cara — disse Bartô, dando um passo à frente, forçando Sirius a recuar levemente. — Embora você não tenha ficado para receber os agradecimentos. Preferiu a companhia de cães pulguentos.

— Cuidado com a língua, Crouch — rosnou Sirius, estreitando os olhos.

Bartô soltou uma risada seca, mas seus olhos nunca deixaram os de Stela. Havia uma promessa ali, uma escuridão que ela reconhecia bem.

— Não estamos aqui para brigar, Sirius — interrompeu Stela, colocando a mão sobre o peito de Black. — Viemos apenas representar a vontade de minha mãe.

O resto da reunião foi um borrão para Bartô. Ele não ouvia os planos de Voldemort, não se importava com as movimentações do Ministério. Seus olhos eram predadores seguindo a presa. Ele via a forma como ela sorria para Sirius, como eles sussurravam um com o outro. Cada interação era uma facada em seu orgulho e em seu desejo.

Quando a reunião terminou e os convidados começaram a se dispersar, Stela se afastou de Sirius por um momento para buscar um cálice de vinho em uma sala lateral, longe da multidão. O ambiente estava na penumbra, iluminado apenas pelas chamas verdes da lareira.

Ela mal teve tempo de levar o cálice aos lábios quando a porta se fechou com um estalo seco. Um feitiço de abafamento foi lançado instantaneamente.

— Você realmente achou que poderia fugir de mim para sempre, Stela? — A voz de Bartô veio das sombras.

Ela se virou, encontrando-o a poucos centímetros de distância. A intensidade dele era quase física, uma pressão esmagadora.

— Eu não fugi, Bartô. Eu escolhi um caminho diferente. Um caminho onde eu não sou apenas uma ferramenta para um senhor das trevas.

— E escolheu o Black? — Ele riu, uma nota de histeria em sua voz. — Você, que tem o fogo nas veias, se contenta com as migalhas de afeto daquele traidor do sangue?

— Sirius é meu amigo. Ele me deu um lar quando ninguém mais deu — retrucou ela, mas a proximidade de Bartô estava afetando seus sentidos. O cheiro dele — couro, pergaminho e algo metálico — trazia memórias daquela noite no escritório de Moody.

— Amigo? — Bartô a prensou contra a parede fria, as mãos segurando os pulsos dela acima da cabeça com uma força que a fez arfar. — Eu vi como ele toca você. Eu vi como você olha para ele. Mas ele nunca vai entender a sua escuridão como eu entendo. Ele nunca vai te possuir como eu possuí.

— Você não me possui, Bartô! — Stela tentou se soltar, mas a luta só pareceu instigá-lo mais.

Ele colou o corpo ao dela, sua respiração quente contra o ouvido dela.

— Dói, não dói? Ver que, depois de todos esses anos, o seu corpo ainda responde ao meu chamado. Você me salvou porque não suportava a ideia de me perder. Você me ama da mesma forma doentia que eu te amo.

Ele desceu o rosto, mordendo o lóbulo da orelha dela com força suficiente para tirar um gemido de dor e prazer. Bartô era um masoquista por natureza, mas ele extraía seu êxtase da resistência dela, da luta que sempre terminava em rendição.

— Me solta... — ela pediu, mas suas mãos, agora livres da pressão inicial, não o empurraram. Em vez disso, cravaram-se nas costas do terno dele, puxando-o para mais perto.

— Diga que você o odeia — ele exigiu, a voz rouca, enquanto sua mão descia pela curva do quadril dela, subindo o vestido de seda. — Diga que o toque dele não é nada comparado ao meu.

— O toque dele é gentil — sussurrou Stela, a cabeça caindo para trás enquanto os lábios de Bartô encontravam seu pescoço. — E o seu... o seu é um inferno.

— Então queime comigo — ele rosnou.

Bartô a virou brusca e rudemente, forçando-a a se apoiar contra um aparador de mogno. O barulho de cristais tilintando ecoou pela sala silenciosa. Ele não foi gentil. Nunca fora. Havia uma urgência desesperada em seus movimentos, uma necessidade de marcar seu território, de apagar qualquer vestígio de Sirius ou de qualquer outro homem da pele dela.

Stela sentiu a frieza do móvel contra sua barriga e o calor abrasador de Bartô atrás dela. Quando ele a penetrou, foi com uma possessividade que arrancou um grito sufocado de sua garganta. Ela enterrou os dedos na madeira, as unhas deixando sulcos no acabamento impecável.

— Você é minha — ele repetia, cada estocada sendo um selo de propriedade. — De ninguém mais. Nem do seu pai, nem do seu amigo... só minha.

O prazer era uma agonia deliciosa. Stela sentia a magia dele flutuar ao redor deles, instável e perigosa. Ela se sentia poderosa e, ao mesmo tempo, completamente vulnerável. Era essa contradição que a atraía nele desde os dezesseis anos. Bartô não a via como uma Malfoy ou uma Lestrange; ele a via como sua igual em loucura.

Ela virou o rosto para o lado, encontrando o olhar dele. Os olhos de Bartô estavam dilatados, focados apenas nela, brilhando com uma devoção que beirava o fanatismo.

— Mais... — ela pediu, a voz falhando.

Ele obedeceu com uma ferocidade renovada. O ritmo tornou-se frenético, um combate de corpos onde a dor e o prazer eram indistinguíveis. Bartô gemia o nome dela como se fosse uma oração profana, as mãos dele apertando a cintura dela até deixar marcas arroxeadas que ela carregaria por dias como troféus.

Quando o ápice chegou, foi como uma explosão de magia pura. Stela sentiu seus joelhos fraquejarem, sendo sustentada apenas pelo corpo dele. Bartô enterrou o rosto em seu cabelo, o peito arfante, o coração batendo contra as costas dela em um ritmo errático.

O silêncio que se seguiu foi denso. Bartô não se afastou imediatamente. Ele a manteve ali, protegida e prisioneira em seus braços.

— Se eu vir a mão dele em você novamente — ele murmurou, a voz agora fria e mortal —, eu vou cortá-la. Não me importa se ele é o seu "amigo".

Stela se recompôs, ajeitando o vestido com as mãos trêmulas. Ela se virou para encará-lo, limpando um traço de suor da testa.

— Você continua o mesmo louco de sempre, Bartô.

— E você continua vindo até mim — ele retrucou, um sorriso de triunfo surgindo em seus lábios. — Vá agora. Volte para o seu Black. Mas saiba que, cada vez que ele te olhar, você vai sentir o meu cheiro na sua pele. Você vai lembrar que, no escuro, é a mim que você pertence.

Stela caminhou até a porta, parando com a mão na maçaneta.

— A guerra está chegando, Bartô. E da próxima vez, eu posso não estar lá para te salvar.

— Eu não preciso de salvação, Stela — disse ele, voltando para as sombras da sala. — Eu só preciso de você.

Ela saiu da sala, encontrando Sirius no corredor. Ele a olhou com preocupação, notando o brilho febril em seus olhos e o leve desalinho de seu cabelo.

— Stela? Está tudo bem? Você demorou.

Ela forçou um sorriso, o sabor de Bartô ainda em seus lábios, a marca de suas mãos ainda queimando em sua cintura.

— Está tudo bem, Sirius. Apenas... lembranças do passado que precisavam ser resolvidas.

Enquanto caminhavam para fora da mansão, Stela sentiu o olhar de Bartô em suas costas, uma presença constante que ela sabia que nunca a deixaria. A obsessão dele era sua âncora e sua maldição, e enquanto o mundo bruxo se preparava para queimar, ela sabia que, no centro do incêndio, ele estaria esperando por ela.

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