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Entre a Coroa e o Berço

Cinco anos haviam se passado desde a noite em que o submundo do Rio de Janeiro presenciou a queda de Navarro e o nascimento de uma dinastia indestrutível. Hoje, o casamento de Erick Pulgar e Jorge Carrascal não era apenas a união de dois homens apaixonados; era o alicerce do maior império mafioso que a América Latina já havia testemunhado. Onde o chileno impunha o medo com sua calma gélida e precisão cirúrgica, o colombiano dominava com sua lábia afiada, malandragem e conexões implacáveis.

Para os cartéis rivais, cruzar o caminho da família Pulgar-Carrascal era assinar uma sentença de morte executada a sangue-frio.

Para Erick, no entanto, a verdadeira sentença de morte — ou de pura insanidade — atendia pelo nome de Jorge Carrascal no nono mês de gestação.

Sentado no sofá de linho cru da sala principal da mansão na Barra da Tijuca, Erick observava a cena diante de si com uma expressão que oscilava entre a exaustão absoluta e a adoração cega. O alfa lupus trajava sua habitual calça preta e uma regata escura que deixava à mostra os braços completamente cobertos por tinta, a cruz de prata reluzindo no peito e a palavra *perseverance* gravada sobre a sobrancelha direita. Naquele momento, ele precisava de cada gota dessa perseverança.

— Eu já disse que não vou comer essa porcaria de maçã, Erick! — Jorge esbravejou, jogando uma almofada de veludo na direção do marido.

O colombiano, com seus reflexos loiros no topete e o brinco de diamante brilhando na orelha, estava sentado na poltrona com as pernas abertas, o abdômen redondo e proeminente esticando uma camisa de seda preta entreaberta. Mesmo pesando alguns quilos a mais e com o corpo inchado pela reta final da gravidez, Jorge exalava uma beleza magnética, a pele bronzeada reluzindo com o calor carioca.

— Amor, você acabou de mandar o Paquetá rodar três bairros para achar arepas colombianas com goiabada e mostarda — respondeu Erick, com sua voz calma e rouca, pegando a almofada no ar com a agilidade de quem desviava de balas. — O médico disse que você precisa de fibras.

— O médico não está carregando uma melancia de quatro quilos que chuta as minhas costelas toda vez que você abre a boca! — rebateu Jorge, bufando com os lábios carnudos inflados. No segundo seguinte, seus olhos amendoados se encheram de lágrimas repentinas. — Você não me ama mais... olha pra mim, eu pareço um tanque de guerra blindado. Você tem nojo de mim, não tem?

Erick suspirou fundo, passando a mão pelos cabelos escuros que caíam na testa. Aquela era a primeira vez em sua vida que acompanhava uma gestação do início ao fim. Com Santino, ele havia sido privado de cada detalhe, cada enjoo, cada ultrassom. Agora, ele estava vivendo a experiência completa — e quase enlouquecendo no processo.

O alfa se levantou, caminhou com passos firmes até a poltrona e ajoelhou-se entre as pernas de Jorge. Suas mãos grandes e tatuadas repousaram suavemente sobre a barriga imensa, sentindo as ondulações suaves da pequena alfa ou ômega que estava prestes a nascer.

— Jorge — murmurou Erick, a voz baixa, autoritária e ao mesmo tempo transbordando um carinho quase venerável. Ele olhou nos olhos marejados do marido. — Você é o homem mais deslumbrante que já pisou nesta terra. E se você continuar dizendo essas merdas, eu vou ter que te lembrar na cama o quanto eu ainda sou completamente louco por você.

O humor de Jorge mudou em uma fração de segundo. A tristeza evaporou, dando lugar àquele sorriso travesso e malandro que tirava Erick do sério desde a juventude. O colombiano inclinou-se para a frente, segurando o queixo de Erick e passando a unha pela linha do cavanhaque ralo do chileno.

— Ah, é? — sussurrou Jorge, soltando um suspiro quente contra os lábios do alfa, liberando feromônios doces e pesados de um ômega necessitado. — Então por que a gente não sobe agora? Dá tempo antes dos rapazes chegarem pro almoço. Você sabe que a Luna fica quietinha quando você me fode daquele jeito...

Erick fechou os olhos por um segundo, rogando por paciência divina. O apetite sexual de Jorge no último trimestre havia atingido níveis beirando o perigoso. O ômega o atacava nos corredores, no closet, no escritório durante ligações com chefes de cartéis de Medellín, deixando o chileno à beira de um colapso entre o desejo selvagem e o pânico de machucar a bebê.

— Nem pensar — disse Erick, dando um selinho firme nos lábios atrevidos antes de se afastar com um sorriso contido de canto de boca. — Nós fizemos isso hoje de manhã. E ontem à noite. E de madrugada. O médico proibiu esforços excessivos essa semana.

— Você é um frouxo, Pulgar — resmungou Jorge, cruzando os braços e fazendo um bico indignado.

Antes que Erick pudesse retrucar, o barulho de passos pesados descendo as escadas ecoou pela mansão.

Santino surgiu no hall. Aos doze anos, o garoto já demonstrava a mistura explosiva de seus dois pais: o olhar afiado, marrento e observador de Erick, combinado com a ginga solta, o corte de cabelo moderno e a malandragem nata de Jorge. Ele vestia bermuda jeans larga, camiseta de basquete e trazia fones de ouvido no pescoço, batendo os pés ao ritmo de um trap pesado.

— Bom dia pra quem sobreviveu ao show matinal de hormônios do papai Jorge — soltou o garoto, com a maior cara de pau, indo direto para a geladeira.

— Olha como fala comigo, moleque abusado, que eu ainda te coloco de castigo sem videogame por um mês! — gritou Jorge, apontando o dedo na direção do filho.

— Você diz isso todo dia, mas esquece cinco minutos depois quando começa a chorar vendo comercial de sabão em pó — rebateu Santino, abrindo uma garrafa de suco e dando uma piscadela para Erick.

Erick cruzou os braços, assumindo sua postura de chefe da casa.

— Santino. Respeite seu pai — repreendeu o chileno, a voz grave fazendo o garoto empertigar a postura no mesmo instante, embora o brilho rebelde continuasse aceso nas íris escuras. — E guarde esse celular. Seus tios e padrinhos estão chegando. Quero você educado e longe de confusão hoje.

— Tá, tá... — resmungou o menino, revirando os olhos com aquele típico drama pré-adolescente, mas aproximou-se da poltrona de Jorge. De forma quase mecânica, como fazia todos os dias antes de qualquer implicância, Santino colocou a mão espalmada sobre a barriga do pai ômega. — Ei, tampinha. Não judia muito dele hoje não, tá legal? Senão o coroa ali vai ter um ataque cardíaco antes de você nascer.

A barriga de Jorge deu um salto visível sob a palma do garoto, como se respondesse ao irmão mais velho. Jorge sorriu, desarmado, puxando o filho pela nuca para deixar um beijo estalado em sua bochecha.

— Sai, pai! Eu já sou grande pra isso! — reclamou Santino, fingindo desgosto enquanto limpava o rosto, mas deixando escapar um sorriso idêntico ao do colombiano.

***

No início da tarde, a área externa da mansão parecia tudo, menos o quartel-general de dois dos maiores mafiosos do continente. O cheiro de churrasco de alta qualidade dominava o jardim, misturado à brisa que vinha do mar. A piscina de borda infinita refletia o sol radiante enquanto a música latina alta ditava o ritmo descontraído da reunião.

Ao redor da mesa de carvalho maciço perto da churrasqueira, o grupo de amigos de longa data colocava a conversa em dia com muitas risadas e provocações.

Varela e Arrascaeta estavam sentados lado a lado, rindo das histórias exageradas que Lucas Paquetá contava sobre uma de suas viagens. Pedro e Luiz Araújo discutiam animadamente sobre a última negociação de cargas no porto, enquanto Wallace Yan, Léo Pereira, Jorginho e Bruno Henrique apostavam alto em uma partida barulhenta de truco na ponta da mesa. Do outro lado da varanda, Samuel Lino, Léo Ortiz, Richard Ríos e Lucas Bergvall tentavam ensinar a Santino algumas técnicas de defesa pessoal com facas de treino, para o horror controlado de Jorge.

— Se você cortar um dedo desse menino antes dele terminar o colégio, Ortiz, eu juro que mando picar vocês quatro em pedaços e jogar pros tubarões na Baía de Guanabara! — gritou Jorge da espreguiçadeira onde estava deitado, rindo logo em seguida ao aceitar uma taça de suco natural que Varela lhe entregava.

— O homem não perde a marra nem carregando vinte quilos de criança na barriga — brincou Varela, dando um tapinha no ombro do amigo de infância. — Como você aguenta esse colombiano, Erick?

Erick, que estava encostado na mureta bebendo uma dose de uísque com gelo, apenas balançou a cabeça, o olhar preso com devoção no marido.

— Não aguento — admitiu o chileno, a expressão séria quebrando-se em um riso contido. — Eu apenas aceito que a minha vida pertence a ele. É mais seguro assim.

Uma gargalhada geral explodiu entre os homens. Ver o temido pitbull da máfia, o assassino cirúrgico que não hesitava em descarregar um pente de fuzil em inimigos, tão completamente rendido à vida doméstica era uma cena que os amigos nunca se cansavam de admirar.

— Mas falando sério, Carrascal — comentou Arrascaeta, ajeitando a postura —, essa menina não ia nascer só na semana que vem?

— A previsão era essa — respondeu Jorge, ajeitando as costas desconfortáveis na almofada. — Mas conhecendo a pressa que o pai dela tem pra tudo...

De repente, as palavras travaram na garganta de Jorge.

O colombiano estancou. O copo de suco escorregou de seus dedos, espatifando-se no piso de pedra são tomé com um estalo seco. Uma expressão de choque e pura dor cruzou seus traços esculpidos, e ele levou as duas mãos à base da barriga enquanto um líquido límpido começava a encharcar o tecido fino de sua calça de linho.

Um gemido agudo e arrastado escapou de seus lábios.

— Erick... — chamou Jorge, a voz saindo em um sussurro estrangulado.

O ambiente congelou. A música parecia ter sumido instantaneamente.

O copo de cristal de Erick bateu na mesa antes mesmo que qualquer um pudesse piscar. Em um milésimo de segundo, a postura calma e calculada do líder da máfia ruiu como um castelo de cartas. O sangue pareceu fugir do rosto do chileno, deixando em evidência as marcas tatuadas sob seus olhos e a palavra *perseverance* sobre a sobrancelha.

— A bolsa estourou — soltou Luiz Araújo, arregalando os olhos.

— Caralho! — explodiu Paquetá, pulando da cadeira e derrubando as cartas no chão.

— Erick! — gritou Jorge novamente, agora com a voz trêmula de pânico e dor, curvando-se para a frente quando a primeira contração violenta o atingiu. — Vai nascer, porra! A Luna tá vindo agora!

O caos se instalou no jardim da mansão.

Erick, o homem que mantinha a pulsação inalterada em meio a tiroteios sangrentos e interrogatórios brutais, entrou em pane total.

— Não, agora não! Faltam dez dias! — balbuciou o alfa chileno, atravessando o espaço até a espreguiçadeira em dois passos largos, os olhos arregalados em puro desespero. — Varela, cadê o rádio?! Chama a equipe médica! Paquetá, liga pro doutor Ramirez agora! Manda ele subir essa porra de morro escoltado com a polícia ou sem ela!

— Calma, caralho, respira! — gritou Arrascaeta, tentando conter o chileno que andava de um lado para o outro puxando os próprios cabelos.

— Não me manda ter calma, Arrascaeta! É a minha filha! O meu marido tá parindo no meio da porra do churrasco! — esbravejou Erick, a voz falhando em um tom agudo que nenhum dos presentes jamais imaginou que o chefão do cartel pudesse produzir.

— Pai! O papai Jorge tá com dor! Faz alguma coisa! — gritou Santino, correndo até o lado da espreguiçadeira, a fachada de pré-adolescente rebelde desmoronando completamente diante do choro do pai ômega.

— Eu vou levar ele pro quarto! Lino, prepara o quarto principal! Toalhas limpas, álcool, tudo! — ordenou Erick, recuperando à força um resquício de comando.

Com um cuidado infinito que contrastava com seu tamanho imponente, Erick passou os braços por baixo dos ombros e dos joelhos de Jorge, erguendo o corpo pesado do marido nos braços. Jorge agarrou a gola da camisa preta de Erick com força descomunal, as unhas cravando na pele tatuada de sua nuca.

— Respira, mi vida, respira comigo — sussurrava Erick em espanhol, subindo as escadas da mansão em disparada enquanto o colombiano gemia alto contra o seu peito, o cheiro de suor, medo e hormônios de parto preenchendo o ar. — Eu tô aqui. Eu não vou soltar você.

***

O quarto principal transformou-se em uma sala de parto improvisada nos minutos seguintes. Por estarem no topo da hierarquia, uma equipe médica particular e de total confiança mantinha-se de prontidão permanente a poucas quadras dali. Quando a obstetra e as enfermeiras invadiram o quarto, encontraram Erick ajoelhado ao lado da cama king size, despido da pose de chefe, segurando a mão de Jorge com um fervor quase religioso.

Do lado de fora, no corredor, uma dezena de homens armados até os dentes — os assassinos mais perigosos do Rio de Janeiro — andavam de um lado para o outro como garotos ansiosos, enquanto Santino permanecia sentado no chão, encostado na porta, rezando baixinho com os olhos marejados.

Dentro do quarto, a batalha era intensa.

— Força, Jorge! Mais uma vez! — instruiu a médica, posicionada na ponta da cama.

Jorge soltou um grito rasgado, a cabeça jogada para trás contra os travesseiros ensopados de suor. As veias de seu pescoço saltavam contra a tatuagem da palavra *familia*, e seus dentes cravaram-se no ombro de Erick, buscando um ponto de ancoragem contra a dor dilacerante da passagem da bebê.

Erick não se moveu. Deixou que o marido o machucasse, usando a própria força de alfa lupus para canalizar a agonia do ômega.

— Você consegue, amor. Você é o homem mais forte desse mundo — sussurrava Erick sem parar, as lágrimas escorrendo livremente pelo rosto severo do chileno, limpando a pele e misturando-se ao suor de ambos. — Olha pra mim, Jorge. Olha nos meus olhos. Falta pouco, nossa menininha tá chegando...

— Eu não... eu não consigo mais, Erick! Tá doendo pra caralho! — chorou Jorge, os lábios trêmulos, a exaustão tomando conta de seu corpo atlético.

— Você consegue sim! — rugiu Erick, a voz carregada de um comando ancestral, amoroso e desesperado. — Você sobreviveu a guerras, Carrascal! Você me deu o nosso filho e agora vai trazer a nossa princesa! Mais uma vez, mi amor! Comigo!

Jorge respirou fundo, puxando o ar com o restante de sua alma, e empurrou com toda a força que restava em seu ser.

Um choro agudo, alto e cristalino rasgou o ar do quarto.

O som ecoou pelas paredes de madeira nobre, reverberando pelo corredor e silenciando instantaneamente todos os homens que aguardavam do lado de fora.

— Nasceu! — anunciou a médica, com um sorriso exausto e triunfante. — É uma menina perfeita e saudável!

Jorge caiu para trás contra os travesseiros, o peito subindo e descendo em espasmos de puro esgotamento. Ele fechou os olhos, respirando o alívio mais puro que já havia experimentado em toda a sua vida.

Ao seu lado, Erick paralisou.

O tempo pareceu parar. As enfermeiras limparam a recém-nascida rapidamente e a enrolaram em uma manta macia antes de entregá-la nas mãos estendidas do alfa.

Quando Erick sentiu o peso minúsculo e quente de Luna em seus braços, todo o império, todo o poder, todas as armas e o dinheiro da América Latina deixaram de ter qualquer significado. O pitbull da máfia, o homem cuja simples menção ao nome fazia inimigos tremerem de pavor, desabou em um choro silencioso e comovente.

A menina tinha uma penugem de cabelos muito escuros, as bochechas coradas e o narizinho pequeno. Ela abriu a boquinha, soltando um pequeno bocejo, e suas mãozinhas minúsculas roçaram nos nós dos dedos tatuados de Erick. O coração do chileno expandiu-se com uma força tão violenta que ele mal conseguia respirar.

— Meu Deus... — sussurrou Erick, a voz embargada, anestesiado pelo milagre que segurava. — Ela é perfeita, Jorge... ela é a nossa menina.

Lentamente, Erick sentou-se na beira da cama e acomodou a pequena Luna contra o peito suado e arfante de Jorge.

Assim que a bebê tocou a pele do pai ômega, seu choro cessou imediatamente, aninhando-se na curva do pescoço tatuado de Jorge, inalando o cheiro inconfundível de casa. Jorge abriu os olhos devagar, e as lágrimas que verteram de seu rosto eram de pura e absoluta adoração.

— Olá, Luna... — murmurou Jorge, com a voz rouca, deixando um beijo suave no topo da cabeça da filha. — A mamãe tá aqui, minha vida.

A porta do quarto abriu-se devagar, com um rangido cauteloso.

Santino colocou a cabeça para dentro, o olhar hesitante e os olhos vermelhos de quem havia chorado escondido no corredor.

— Entra, moleque — chamou Erick, a voz doce, estendendo a mão livre para o filho mais velho.

Santino aproximou-se em passos lentos, quase com medo de quebrar a cena sagrada diante de si. Quando chegou à beira da cama e olhou para o pacotinho nos braços de Jorge, o rosto do garoto de doze anos desmanchou-se em um sorriso tão luminoso e puro que lembrava a criança que Erick salvara anos atrás.

— Ela é tão pequenininha... — sussurrou Santino, esticando um dedo tímido para tocar a mãozinha da irmã. No mesmo instante, os dedinhos de Luna fecharam-se ao redor do indicador do irmão mais velho, segurando com surpreendente firmeza.

Santino deu uma risada baixa, os olhos brilhando intensamente.

— Ela me segurou, pai! Olha lá! — disse o garoto, o orgulho de irmão protetor transbordando em cada sílaba. — Ninguém vai encostar um dedo nela. Eu vou ensinar ela a atirar antes dos dez anos.

Jorge soltou uma risada fraca e feliz, estapeando de leve o braço de Santino.

— Nada de armas pra minha princesinha, ouviu bem? Deixe a loucura da máfia pra nós três.

Erick passou o braço robusto pelas costas de Jorge, puxando o marido e a filha recém-nascida para mais perto de seu peito, enquanto com a outra mão envolvia a nuca de Santino, trazendo o primogênito para o centro do abraço.

O chileno encostou a testa na têmpora de Jorge, inalando o cheiro de lavanda e suor do ômega.

— Obrigado — murmurou Erick, a voz grave carregada de uma vulnerabilidade que apenas aqueles três tinham o privilégio de conhecer. — Obrigado pela nossa filha. Obrigado por ter me dado essa vida, Jorge. Por ter me dado o Santino, a Luna... por ter me dado uma família. Eu te amo mais do que a minha própria alma.

Jorge virou o rosto suavemente, encontrando os lábios de Erick em um beijo calmo, demorado e repleto de uma gratidão infinita, selando o amor que outrora quase fora destruído pela guerra e pelo orgulho.

— Eu que tenho que agradecer, meu amor — respondeu Jorge contra a boca do marido, com aquele brilho apaixonado e eterno nos olhos. — Você salvou a minha vida naquele galpão, e continua salvando todos os dias. Eu te amo, Erick. Pra sempre.

Santino olhou para os dois pais, balançou a cabeça com um sorriso que não conseguia mais conter e jogou-se por cima deles na cama espaçosa, abraçando os três com toda a força que seus braços de doze anos podiam reunir.

— Eu amo vocês pra caramba! Amo essa família doida demais! — exclamou o garoto, enterrando o rosto no peito de Erick e no ombro de Jorge, arrancando gargalhadas do casal enquanto Luna resmungava confortavelmente entre eles.

Do lado de fora, os tiros para o alto em comemoração dados pelos amigos anunciavam para todo o submundo que a herdeira do império havia nascido. Mas ali dentro daquele quarto, não existiam cartéis, guerras ou sangue. Havia apenas quatro corações batendo no mesmo compasso, em um amor eterno, indomável e finalmente completo.

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