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caos na praia

Sombras no Horizonte de Sangue

A Fortaleza Dimensional Infinita ecoava com o som melancólico do biwa de Nakime. O espaço distorcido, com suas salas invertidas e escadarias que levavam ao nada, parecia mais claustrofóbico do que o habitual para Raika. Ela ainda sentia o sal marinho em sua pele e o calor residual daquelas explosões de argila. Sentada em um tatame flutuante, ela limpava meticulosamente suas garras venenosas com um pedaço de seda roxa, enquanto Rui, sentado ao seu lado, tecia fios de aço distraidamente entre os dedos.

— Eles não eram caçadores — disse Rui, quebrando o silêncio. — A técnica deles... não vinha de respirações. Aquele homem de cabelos alaranjados, ele moveu o ar sem tocar nele.

— Eu sei, pequeno — respondeu Raika, a voz suave, mas com um tom de aço por baixo. — Aquilo foi algo que nunca vimos. Aquele homem mascarado, Tobi... meu chute passou por ele como se ele fosse feito de fumaça. Meu corpo ainda vibra com a frustração de não ter sentido o impacto da carne dele se partindo.

Raika apertou o tecido. Ela era a Lua Inferior Dois, uma posição que conquistara com chutes que podiam pulverizar crânios e um veneno que derretia órgãos internos em segundos. Ser ignorada, ou pior, ser tratada como uma "anomalia curiosa" por aqueles intrusos, acendera uma chama de fúria em seu peito que a doçura de sua fachada habitual não conseguia esconder.

De repente, a presença esmagadora de Muzan Kibutsuji manifestou-se no centro do salão. As Luas presentes curvaram-se instantaneamente, as testas tocando o chão de madeira fria.

— Aqueles humanos — começou Muzan, sua voz fria e cortante como uma lâmina de gelo — possuem uma energia que não pertence a este mundo. Eles chamam isso de "chakra". Akaza, Kokushibo... vocês permitiram que eles recuassem.

— Mestre — disse Kokushibo, seus seis olhos fixos no chão —, eles possuem habilidades de manipulação espacial e elemental que rivalizam com as Artes de Sangue. O sol estava surgindo. Priorizamos a nossa sobrevivência para continuar servindo-lhe.

Muzan permaneceu em silêncio por um momento, um silêncio que pesava toneladas.

— Raika.

A Lua Inferior Dois sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas manteve a voz firme.

— Sim, Mestre.

— Você enfrentou o homem mascarado e a mulher dos papéis. O que sentiu?

— Eles são arrogantes, Mestre — respondeu Raika, levantando levemente o olhar rosa escuro. — Mas não são invencíveis. O veneno das minhas garras afetou os papéis da mulher, e o homem mascarado, embora intangível, parecia precisar de tempo para se tornar sólido novamente. Se eu tivesse mais tempo antes do amanhecer, eu teria arrancado o coração dele.

Muzan deu um passo à frente, sua sombra cobrindo Raika.

— Encontre-os. Eles estão procurando por algo que chamam de "Jinchuuriki". Se essas criaturas possuem um poder que pode nos ameaçar, eu quero a cabeça de cada um deles adornando este salão. Raika, você e Rui irão para a costa oeste. Doma e Akaza seguirão para o norte. Não falhem.

Com um acorde seco do biwa, o mundo girou. Raika sentiu a sensação familiar de queda e, no segundo seguinte, ela e Rui estavam parados na orla de uma floresta densa, a poucos quilômetros de onde a batalha na praia ocorrera. O sol já havia se posto novamente, e a lua cheia começava sua ascensão.

— Eles ainda estão por perto — sussurrou Raika, farejando o ar. — O cheiro daquele metal e daquela argila estranha ainda está impregnado no vento.

— Raika, olhe — Rui apontou para uma clareira à frente.

Lá, sentados ao redor de uma pequena fogueira que parecia desnecessária dada a força deles, estavam dois membros da Akatsuki: o loiro explosivo, Deidara, e o mestre das marionetes, Sasori, agora fora de sua armadura Hiruko, revelando sua aparência de jovem eterno.

— Eu disse a você, Deidara — dizia Sasori, sua voz monótona e desprovida de emoção —, aquelas criaturas têm um valor estético interessante. A regeneração deles permitiria que eu criasse marionetes que nunca se desgastam. É a verdadeira arte eterna.

— Arte eterna? Não me faça rir, mestre Sasori! — exclamou Deidara, moldando algo em suas mãos. — A arte é o momento! É o brilho efêmero da explosão! Aquela garota de kimono preto... a forma como ela voou pelos ares depois do Shinra Tensei do Pain... aquilo foi quase artístico.

Raika sentiu o sangue ferver. Ela odiava ser o objeto de estudo de alguém.

— Rui, cuide do loiro — sussurrou ela, as garras crescendo e brilhando com um tom roxo fluorescente. — Eu vou mostrar para o "artista de madeira" o que acontece quando se tenta transformar uma Lua em brinquedo.

Sem esperar por uma resposta, Raika disparou. Ela não era apenas rápida; ela era um borrão de letalidade. Em um piscar de olhos, ela atravessou a distância entre a floresta e a fogueira.

— Estilo Venenoso: Impacto da Orquídea Negra! — gritou ela, desferindo um chute giratório com a perna direita.

Sasori reagiu com uma velocidade sobre-humana, invocando uma marionete que bloqueou o golpe. O impacto foi tão forte que a marionete de madeira estalou, e o veneno de Raika começou a corroer as juntas da boneca instantaneamente.

— Ora, ora — disse Sasori, saltando para trás com elegância. — A bonequinha de garras voltou para brincar.

— Eu não sou uma boneca — rosnou Raika, aterrissando e imediatamente partindo para uma sequência de ataques rápidos. — E você vai se arrepender de ter aberto essa boca de madeira.

Enquanto isso, Rui lançou seus fios de seda, prendendo Deidara antes que ele pudesse montar em seu pássaro de argila.

— De novo esses fios chatos? — reclamou Deidara, usando uma pequena explosão para romper as teias. — Você é persistente, garoto aranha!

Raika estava em transe de combate. Seus chutes eram precisos, visando os pontos de articulação de Sasori. Ela percebeu rapidamente que o corpo dele não era humano. O som do impacto era seco, oco.

— Você é como o Rui — disse Raika, desviando de uma lâmina envenenada que saiu do estômago de Sasori. — Mas sua alma é vazia. O Rui tem uma família. Você tem apenas serragem.

— Família? Que conceito medíocre — respondeu Sasori.

Ele invocou o pergaminho do Terceiro Kazekage. A areia de ferro começou a flutuar no ar, formando espinhos negros e letais.

— Veja a minha melhor obra — disse Sasori. — Satetsu Shigure!

Uma chuva de agulhas de ferro negro desceu sobre Raika. Ela girou seu corpo no ar, usando a força centrífuga de seus chutes para criar um vácuo que desviou a maioria das agulhas, mas algumas rasgaram seu kimono e cortaram sua pele. O veneno da areia de ferro começou a agir, mas a regeneração de oni de Raika era feroz.

— Meu veneno é mais rápido que o seu — provocou ela, limpando o sangue do braço. — E minhas pernas não cansam.

Ela saltou, usando as árvores como impulso, e desceu como um meteoro sobre Sasori.

— Arte de Sangue: Lótus Esmagadora!

O chute atingiu o solo, criando uma cratera e enviando uma onda de choque que desestabilizou a areia de ferro. Sasori foi forçado a se afastar, mas Raika não lhe deu trégua. Ela apareceu acima dele, suas garras prontas para rasgar o núcleo que ela notara no peito do marionetista.

— Agora! — gritou ela.

Rui, que estava ocupado mantendo Deidara à distância, lançou um fio reforçado que se enrolou no tornozelo de Sasori, puxando-o para baixo no momento exato em que Raika descia.

— O quê? — Sasori pareceu genuinamente surpreso.

As garras de Raika perfuraram o ombro de Sasori, e ela injetou uma dose maciça de seu veneno corrosivo. O veneno não mataria a marionete, mas a toxina era tão ácida que começou a derreter os mecanismos internos de chakra que Sasori usava para se mover.

— Mestre Sasori! — gritou Deidara, lançando uma bomba C3 na direção deles. — Saia daí!

Raika viu o perigo. Ela agarrou Rui pela cintura e saltou para trás, usando a explosão como cobertura para desaparecer nas sombras da floresta. O impacto da explosão de Deidara iluminou a noite, transformando a clareira em um inferno de luz branca.

Quando a poeira baixou, Sasori estava de pé, mas seu braço esquerdo estava pendurado, inutilizado pelo veneno de Raika. Deidara aterrissou ao lado dele, parecendo irritado.

— Aquela garota... ela é rápida demais, hm — disse Deidara. — E aquele veneno... ele está comendo sua marionete, mestre.

— Ela é interessante — disse Sasori, olhando para o braço derretido. — Ela não atacou apenas por força. Ela esperou o momento em que o garoto criasse a abertura. Eles têm coordenação.

Na escuridão da floresta, Raika ofegava levemente. Seu kimono estava em frangalhos, e ela tinha várias agulhas de ferro cravadas nas pernas, que ela arrancava uma a uma, sentindo a carne se fechar logo em seguida.

— Você está bem, Rui? — perguntou ela, a doçura retornando à sua voz enquanto examinava o garoto.

— Estou. Aquele loiro é barulhento, mas previsível — respondeu Rui, olhando para a clareira. — Por que não terminamos com eles?

— Porque eles não estão sozinhos — sussurrou Raika, olhando para cima.

No topo de uma árvore alta, Itachi Uchiha os observava. Seus olhos vermelhos brilhavam como brasas na escuridão. Ele não se moveu, não atacou. Apenas observou.

— Aquele homem... — disse Raika, sentindo um peso no peito. — Ele é o mais perigoso. Seus olhos... eles parecem ver através da minha alma.

— Devemos recuar? — perguntou Rui.

Raika olhou para suas garras, ainda sujas com o fluido de Sasori. Ela sentia a fúria de Muzan em sua mente, mas também sentia o instinto de proteção por Rui.

— Não — disse ela, seus olhos rosa escuro brilhando com determinação. — Vamos levá-los para um terreno onde a luz não chegue. Nakime!

O som do biwa ecoou novamente, mas desta vez não foi para fugir. O chão sob os pés de Deidara, Sasori e até da árvore onde Itachi estava, simplesmente desapareceu.

A Akatsuki foi sugada para dentro da Fortaleza Dimensional Infinita.

— Bem-vindos ao meu mundo — disse a voz de Raika, ecoando por todas as salas invertidas.

Ela apareceu em um pilar acima deles, seu kimono preto flutuando enquanto ela se preparava para a verdadeira batalha.

— Aqui, o sol nunca nasce — continuou ela, sua voz agora carregada de uma autoridade maligna. — E minhas flores roxas florescem no sangue dos intrusos.

Deidara sorriu, moldando uma enorme criatura de argila.

— Agora sim as coisas ficaram interessantes, hm!

Itachi, aterrissando suavemente em um tatame que flutuava no teto, ativou seu Mangekyou Sharingan.

— Este lugar desafia a gravidade e o espaço — murmurou Itachi. — Kisame, Pain... parece que fomos convidados para uma festa.

A Fortaleza Infinita tornou-se um labirinto de caos. Akaza e Kisame se encontraram em uma sala cheia de água, onde a força bruta do oni colidia com os jutsus de tubarão do renegado da Névoa. Doma e Konan transformaram um salão de chá em um campo de batalha de gelo e papel.

Raika, focada em Sasori e Deidara, movia-se pelas paredes com uma agilidade que desafiava a lógica. Ela usava os chutes para se impulsionar de superfície em superfície, tornando-se um projétil humano.

— Tente me acertar agora, artista! — gritou ela, desferindo um chute que quebrou o pilar onde Deidara estava.

A batalha estava longe de terminar. Naquele mundo de impossibilidades, as Luas Superiores e a Akatsuki estavam destinadas a descobrir quem eram os verdadeiros predadores da noite. Raika, protegendo Rui com cada fibra de seu ser, sabia que esta seria a noite em que o kimono preto com flores roxas ficaria manchado com o sangue de deuses e demônios.

— Rui, mantenha os fios nos pontos cegos deles! — comandou Raika, enquanto mergulhava em direção a Sasori. — Hoje, nós não somos apenas onis. Somos o pesadelo que até a Akatsuki vai temer!

O som do biwa de Nakime ressoou novamente, mudando a arquitetura da sala, isolando os combatentes e preparando o cenário para o clímax de uma guerra entre dois mundos que nunca deveriam ter se cruzado. E no centro de tudo, Raika brilhava, uma flor venenosa pronta para destruir tudo o que tocasse.

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