Voltar ao resumo

casais

Ecos de uma Noite Sem Fim

O silêncio que se seguiu no quarto de Eduardo não era de vazio, mas de uma plenitude que vibrava no ar carregado de eletricidade estática e do cheiro doce do desejo satisfeito. Lorenna, com a pele alva ainda quente e marcada pelo peso do corpo dele, sentia cada terminação nervosa pulsar. Eduardo não se afastou; ele a manteve por baixo de si, os braços fortes sustentando o peso enquanto ele a devorava com o olhar, como se tentasse decorar cada detalhe daquele rosto angelical sob a luz da lua.

— Eu não consigo parar de te olhar — Eduardo sussurrou, a voz rouca, enquanto passava o polegar pelo lábio inferior dela, que estava levemente inchado pelos beijos. — Você é muito mais do que eu imaginei em todos os meus sonhos.

— E você... — Lorenna começou, mas a voz falhou. Ela puxou o rosto dele para baixo, selando seus lábios em um beijo lento, profundo, que carregava o gosto da entrega. — Você me faz sentir coisas que eu nem sabia que existiam, Edu.

Eduardo sorriu, aquele sorriso que sempre a desarmava nos corredores da escola, mas que agora tinha um brilho de posse e adoração. Ele desceu os beijos para o pescoço dela, sentindo o pulso acelerado de Lorenna. Suas mãos, grandes e firmes, começaram a explorar novamente as curvas da garota, subindo pelas coxas macias até encontrar a umidade que ainda brilhava entre suas pernas.

— Você quer mais? — ele perguntou, a respiração quente contra o ouvido dela.

— Eu nunca vou querer parar — Lorenna respondeu, arqueando o corpo quando sentiu os dedos dele a provocarem com uma precisão torturante.

Ele a virou de lado, puxando-a para que ficassem em "conchinha", mas com uma urgência que não tinha nada de casto. Eduardo a penetrou novamente, agora de forma mais lenta, sentindo cada centímetro daquela conexão. Lorenna jogou a cabeça para trás, encontrando o ombro dele, enquanto seus gemidos baixos preenchiam o espaço entre as paredes do quarto. O ritmo era uma tortura deliciosa, um vaivém que prometia levar ambos ao delírio mais uma vez.

***

Do outro lado da conexão digital, a distância entre Emilly e Leticia parecia um detalhe insignificante diante da chama que consumia as duas. Emilly, com o suor brilhando em sua pele morena e os fios roxos do cabelo grudados na testa, olhava para a tela como se pudesse atravessá-la. Leticia, com o boné agora jogado na cama e os cabelos morenos bagunçados, respirava de forma pesada, o peito subindo e descendo sob a camiseta larga que agora estava levantada até a altura dos seios.

— Você me deixa louca, Leticia — Emilly disse, a voz vibrando de necessidade. — Eu daria tudo para sentir seus dedos em mim agora, para sentir o peso do seu corpo.

— Então fecha os olhos e me escuta — Leticia ordenou, a voz baixa e autoritária, o que sempre fazia Emilly estremecer. — Eu estou entrando no seu quarto agora. Eu estou tirando essa sua blusa e jogando ela no chão. Consigo sentir o calor que emana de você, Emilly.

Emilly fechou os olhos, as mãos descendo para o próprio corpo, guiada pelas palavras da namorada. Ela sentia como se a voz de Leticia fosse um toque físico, uma carícia que percorria seus seios e descia até o ventre.

— Eu estou beijando a sua barriga, descendo devagar... — continuou Leticia, o som de sua respiração acelerada vindo pelos alto-falantes. — E agora eu estou entre as suas pernas, sentindo como você está molhada por mim. Abre pra mim, Emilly.

A morena obedeceu ao comando invisível, separando as pernas e começando a se tocar com uma urgência renovada. A imagem mental de Leticia, com aquele sorriso lindo e o jeito despojado, era o combustível perfeito. Emilly gemia alto, o som ecoando no quarto solitário, enquanto Leticia, do outro lado, acompanhava o ritmo, seus próprios dedos trabalhando freneticamente.

— Leticia... eu estou quase... — Emilly arfou, o corpo tremendo sob o efeito da própria imaginação e da voz da mulher que amava.

— Vai, amor. Faz por mim. Goza olhando para mim — Leticia pediu, aproximando o rosto da câmera, os olhos brilhando de desejo puro.

O ápice veio como uma explosão, uma onda de prazer que fez Emilly arquear o corpo e soltar um grito abafado, enquanto Leticia desabava do outro lado, ambas unidas por um fio invisível de luxúria e saudade que nenhuma quilometragem poderia apagar.

***

No ginásio, a quadra de vôlei parecia um santuário de segredos. Leonardo, o moreno forte cujo sorriso com aparelho agora estava escondido pela sombra da paixão, mantinha Helena pressionada contra a parede de proteção acolchoada. O contraste entre a força bruta dele e a delicadeza dos olhos verdes dela criava uma tensão quase insuportável.

— Você não tem ideia do que faz comigo quando entra naquela quadra — Leonardo murmurou, as mãos grandes apertando as coxas de Helena, elevando-a para que ela envolvesse a cintura dele. — Eu passo o treino inteiro tentando não te beijar na frente de todo mundo.

— E por que não beijou? — Helena desafiou, a voz carregada de uma audácia que só o desejo proporciona. — Eu adoraria ver a cara da Emilly se você me pegasse assim no meio do set.

Leonardo riu, um som grave que vibrou no peito de Helena. Ele a beijou com uma fome renovada, as línguas se entrelaçando em uma batalha de prazer. Ele a colocou sobre a mesa do árbitro, afastando as garrafas de água com um movimento brusco. Helena abriu as pernas, convidando-o para mais, a saudade de meses explodindo em cada toque.

— Você é minha, Helena — ele disse, a voz possessiva, antes de entrar nela com um impulso único e potente.

Helena soltou um grito que ecoou pelas vigas do ginásio, as unhas cravando-se nos bíceps definidos de Leonardo. O ritmo deles era atlético, intenso, como se estivessem no quinto set de uma final de campeonato, mas o prêmio aqui era muito mais valioso. O suor escorria pelos corpos, o som da carne batendo contra a carne misturando-se aos gemidos de Helena, que pedia por mais, sempre mais.

— Mais forte, Leo! Não para! — ela implorava, os cabelos castanhos claros balançando conforme ele a possuía com uma energia inesgotável.

Leonardo sentia que cada estocada o aproximava de um abismo de prazer. Ele olhou nos olhos verdes dela, vendo ali o reflexo de sua própria entrega. Ele acelerou, os músculos das costas retesados, até que o mundo ao redor deles desaparecesse, restando apenas o calor da quadra e a explosão de sentidos que os deixou exaustos e trêmulos, agarrados um ao outro como se o chão pudesse sumir a qualquer momento.

***

Horas depois, quando a madrugada já começava a dar sinais de cansaço, os três casais viviam o rescaldo de suas tempestades particulares. Eduardo e Lorenna estavam abraçados sob os lençóis, o silêncio preenchido apenas pelo som de suas respirações sincronizadas.

— Edu — Lorenna chamou baixinho, virando-se para encará-lo. — O que vai acontecer agora?

Eduardo acariciou o rosto dela, afastando uma mecha de cabelo preto.

— Agora — ele começou, com um sorriso terno —, eu vou te levar para a escola todos os dias, vou te ver nos treinos e vou contar os minutos para estarmos assim de novo. Você não vai se livrar de mim tão cedo, Lorenna.

Ela sorriu, sentindo um calor no peito que não tinha nada a ver com o sexo, mas com a certeza de que aquele sentimento era real.

No quarto de Emilly, a chamada de vídeo ainda estava ativa, embora ambas estivessem em silêncio, apenas observando uma à outra através da tela, o cansaço e a satisfação estampados nos rostos.

— Eu vou te ver no próximo feriado, Leticia — Emilly prometeu, a voz suave. — Eu vou pegar aquele ônibus e não vou te soltar por um segundo.

— Eu vou estar te esperando na rodoviária, Em — Leticia respondeu, colocando o boné de volta, mas desta vez com um olhar de pura promessa. — E a gente vai recuperar cada segundo dessa distância.

No ginásio, Leonardo e Helena caminhavam lado a lado em direção à saída, as mãos entrelaçadas. O ar frio da noite era um choque bem-vindo contra a pele quente.

— Amanhã tem treino cedo — Leonardo lembrou, dando um beijo na têmpora dela. — Acha que consegue saltar depois de hoje?

Helena deu uma risadinha fofa, aquela que Leonardo tanto amava.

— Depois de hoje, Leo, eu sinto que posso voar. Mas se eu errar o saque, a culpa é toda sua por me deixar sem pernas.

Ele riu, puxando-a para um último beijo antes de seguirem seus caminhos. A noite de sexta-feira havia transformado tudo. Entre as salas de aula, as quadras de vôlei e as telas de computador, o desejo havia tecido uma rede que agora os prendia de forma irremediável. O ensino médio nunca mais seria o mesmo, e eles sabiam que, independentemente do que o futuro trouxesse, aquela noite seria o padrão pelo qual todas as outras seriam medidas. O suor secaria, as luzes se apagariam, mas o fogo que haviam aceso continuaria queimando, alimentado por olhares secretos e a promessa de que aquilo era apenas o começo.