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Castamar

Entre o Êxtase e a Redenção

O silêncio que se seguiu à primeira entrega não durou muito. O ar no quarto de Clara ainda estava carregado com o aroma de almíscar, suor doce e a fragrância de jasmim que emanava da pele dela. Enrique, o homem que sempre se orgulhou de seu autocontrole absoluto, sentia-se como um náufrago que, após encontrar terra firme, percebia que o solo sob seus pés era feito de ouro puro. Ele a observava, os olhos percorrendo cada centímetro daquela pele que agora exibia as marcas rosadas de sua possessão.

Clara respirava de forma rítmica, mas seus olhos estavam bem abertos, fixos nos dele. Não havia arrependimento em seu olhar, apenas uma vulnerabilidade que desarmava Enrique de todas as suas defesas. Ele deslizou a mão, áspera e calejada, pela curva do quadril dela, sentindo-a estremecer sob seu toque.

— Pensei que o fogo diminuiria uma vez que a chama encontrasse o combustível — murmurou Enrique, a voz vibrando de uma forma que Clara sentia lá no fundo de seu ventre. — Mas sinto que estou apenas começando a queimar.

— Então queime comigo — respondeu Clara, sua voz ganhando uma audácia que ela desconhecia possuir. — Se o que fizemos foi um pecado, Enrique, então não quero ser salva.

Enrique soltou um rosnado baixo, uma mistura de aprovação e fome. Ele a puxou para mais perto, fazendo com que os seios dela pressionassem contra o seu peito firme. O contato pele a pele reacendeu instantaneamente a eletricidade que os unia. Ele começou a beijá-la novamente, mas desta vez não havia a pressa desesperada de antes; havia uma exploração meticulosa, uma vontade de memorizar cada curva, cada reação, cada suspiro.

Ele desceu os lábios para o pescoço dela, mordiscando levemente o lóbulo de sua orelha enquanto sua mão livre subia para envolver um de seus seios, o polegar provocando o mamilo já ereto. Clara arqueou-se, soltando um gemido que ecoou pelas paredes de veludo do quarto.

— Enrique... — ela ofegou, as mãos perdidas nos cabelos escuros dele, puxando-o para mais perto.

— Diga meu nome de novo — ordenou ele, a voz carregada de uma autoridade que se derretia em desejo. — Quero que ele seja a única coisa que você conheça esta noite.

— Enrique — ela repetiu, a voz quebrando. — Meu Enrique.

Ele desceu o corpo, seus beijos traçando um caminho de fogo pelo esterno dela, descendo pelo ventre liso até chegar ao monte de Vênus. Clara sentiu o coração disparar. Ela era uma dama, criada sob as regras mais rígidas da aristocracia espanhola, mas sob o toque de Enrique, todas as convenções se desintegraram. Quando ele separou suas pernas com delicadeza, mas firmeza, ela sentiu um frio na barriga que logo se transformou em um calor insuportável.

— Você é tão perfeita — sussurrou ele, admirando a flor de sua feminilidade, ainda sensível e úmida por causa de sua união anterior.

Enrique não hesitou. Ele a provou com a língua, um gesto de adoração que fez Clara gritar baixinho, enterrando os dedos nos lençóis de seda. O prazer era tão agudo, tão intenso, que ela sentiu que o mundo estava se partindo ao meio. Ele era experiente, sabia exatamente onde e como tocá-la para levá-la ao limite da sanidade.

— Por favor... eu não aguento... — implorou ela, os quadris movendo-se involuntariamente, buscando mais daquele contato elétrico.

— Aguente, minha pequena luz — murmurou ele contra a pele dela. — Eu quero que você sinta tudo. Quero que saiba que ninguém mais poderá dar a você o que eu dou.

Ele continuou sua exploração até que Clara estivesse tremendo, as lágrimas de puro êxtase escorrendo pelos cantos de seus olhos. Quando ele sentiu que ela estava prestes a atingir o ápice, ele subiu novamente, posicionando-se entre suas pernas. Ele a olhou nos olhos, querendo ver o momento exato em que a alma dela se fundiria à dele.

— Olhe para mim, Clara — disse ele, a voz rouca. — Veja quem está possuindo você.

Ela abriu os olhos, as pupilas dilatadas, focando no rosto do Marquês. Ele entrou nela com um impulso lento e profundo, preenchendo-a completamente. Clara soltou um suspiro longo, envolvendo as pernas ao redor da cintura dele, puxando-o para que não houvesse nem um milímetro de espaço entre seus corpos.

O ritmo que se seguiu era uma dança de sombras e luz. Enrique movia-se com uma cadência poderosa, cada estocada arrancando um som gutural de sua garganta e um gemido agudo de Clara. Ele a beijava com ferocidade, suas línguas se entrelaçando enquanto seus corpos suados deslizavam um contra o outro. O quarto parecia ter ficado menor, o ar mais pesado, saturado pela paixão proibida que os consumia.

— Você é minha — ele rosnou, o rosto enterrado na curvatura do pescoço dela. — De corpo e alma, Clara de Castamar. Se o seu irmão quiser você de volta, ele terá que passar por cima do meu cadáver.

— Eu não pertenço mais a Castamar — ela respondeu entre dentes, o prazer subindo como uma maré incontrolável. — Eu pertenço a este momento. Eu pertenço a você.

A intensidade aumentou. Enrique sentia que estava perdendo o controle, algo que nunca acontecia com ele. O Marquês de Arcona, o mestre das intrigas, o homem que sempre tinha um plano reserva, estava agora completamente à mercê de uma jovem virgem que o olhava como se ele fosse seu deus e seu carrasco.

O clímax os atingiu como uma tempestade de verão, violenta e purificadora. Enrique descarregou-se dentro dela com um grito abafado, enquanto Clara se contraía ao redor dele, o corpo sacudido por ondas sucessivas de prazer que pareciam não ter fim. Eles ficaram unidos por longos minutos, as respirações pesadas sendo o único som no quarto, além do batimento acelerado de dois corações que agora batiam em uníssono.

Lentamente, Enrique desabou sobre ela, tomando cuidado para não esmagá-la com seu peso, mas sem querer se afastar. Ele beijou sua testa, seus olhos, a ponta de seu nariz. Havia uma ternura em seus gestos que teria chocado qualquer um que o conhecesse na corte.

— O que você fez comigo, Clara? — perguntou ele, a voz agora suave, quase um sussurro. — Eu vim aqui para roubar algo de você, e acabei entregando tudo o que sou.

Clara acariciou o rosto dele, traçando as linhas de expressão que o tempo e a amargura haviam gravado ali.

— Você não roubou nada que eu não estivesse disposta a dar — disse ela com uma sabedoria que ultrapassava seus anos. — E o que você entregou... eu guardarei como o maior tesouro de Castamar.

Enrique sorriu, um sorriso genuíno que raramente aparecia. Ele rolou para o lado, levando-a consigo, mantendo-a protegida sob seu braço forte. A luz da lua começava a mudar, indicando que as horas mais profundas da noite estavam passando, mas para eles, o tempo havia parado.

— Diego vai nos caçar — disse Enrique, pensando no Duque, seu amigo e agora, tecnicamente, o homem que ele mais havia traído. — Ele é um homem de honra, e eu manchei a honra da família dele da forma mais definitiva possível.

— Diego ama você, Enrique. E ele me ama — Clara disse, embora houvesse uma nota de incerteza em sua voz. — Ele verá que não foi um ato de maldade, mas algo que nenhum de nós pôde evitar.

Enrique soltou uma risada curta e sem humor.

— Você é muito inocente, meu amor. No nosso mundo, o amor é uma fraqueza que a honra deve esmagar. Mas — ele apertou o abraço — eu não sou mais o homem que segue as regras. Se eu tiver que ser o vilão da história de Castamar para manter você ao meu lado, que assim seja.

— Você não é um vilão para mim — murmurou Clara, fechando os olhos e descansando a cabeça no peito dele, ouvindo o coração de Enrique se acalmar.

— Eu sou o que você precisar que eu seja — ele respondeu, beijando seus cabelos. — Mas, por enquanto, deixe-me ser apenas o homem que ama você.

A palavra "amor" saiu de sua boca com uma estranheza quase mística. Ele nunca a havia usado de forma séria, nunca a havia sentido como algo real. Para Enrique, o amor era uma ferramenta de manipulação, uma moeda de troca nos salões de Madrid. Mas ali, naquela penumbra, cercado pelo perfume de Clara e pelo calor de seu corpo, a palavra tinha o peso de uma âncora.

Eles ficaram ali, envoltos no veludo da noite, dois seres que haviam rompido todas as barreiras sociais e morais em nome de um desejo que se transformara em algo muito mais profundo. Enrique sabia que o amanhecer traria perigos, confrontos e possivelmente o fim da amizade que definira sua vida adulta. Mas, ao olhar para Clara, que agora começava a cochilar em seus braços, ele soube que faria tudo de novo.

Ele a observou até que os primeiros raios de luz cinzenta começassem a lamber as bordas das cortinas pesadas. O Marquês de Arcona, o homem de gelo, sentia-se finalmente vivo. Ele se inclinou e sussurrou no ouvido dela, uma promessa que o vento de Castamar levaria para os séculos futuros.

— Eu sou seu, Clara. Hoje, amanhã e em cada vida que nos permitirem viver.

E enquanto o sol começava a nascer sobre o ducado, Enrique de Arcona não sentia medo. Ele sentia, pela primeira vez, que tinha algo pelo qual valia a pena lutar — e morrer. A paixão que começara como uma invasão nas sombras havia se tornado a luz que guiaria seus passos, não importava quão sombrio o caminho pudesse se tornar.