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Chalé

O Domínio da Rosa e do Espinho

A manhã no chalé nasceu envolta em uma névoa densa que abraçava as colinas, filtrando a luz do sol em tons de cinza prateado que invadiam a sala pelas grandes janelas de vidro. O fogo da lareira agora era apenas um amontoado de cinzas mornas, mas o calor entre os corpos de Alana e Jamilly ainda era palpável. Jamilly despertou primeiro, sentindo o peso reconfortante do braço de Alana sobre sua cintura. A lembrança da noite anterior, da sua súbita audácia e da forma como havia tomado as rédeas, fez seu rosto esquentar. No entanto, antes que pudesse se perder em pensamentos, sentiu um aperto possessivo em seu quadril.

Alana não estava dormindo. Ela estava observando, os olhos castanhos afiados como os de um falcão que acabara de decidir como recapturar sua presa.

— Bom dia, Milly — sussurrou Alana, a voz carregada de uma rouquidão matinal que fez os pelos do braço de Jamilly se arrepiarem. — Dormiu bem depois de ter sido tão… autoritária?

Jamilly tentou se virar para encará-la, mas Alana a manteve no lugar, colando o corpo ao dela.

— Eu só fiz o que você sugeriu — respondeu Jamilly, tentando manter a firmeza na voz, embora o coração já estivesse martelando contra as costelas. — Eu deixei o controle fluir.

Alana soltou uma risada baixa, um som vibrante que ecoou contra as costas de Jamilly. Ela se inclinou, mordiscando a orelha da garota antes de falar diretamente em seu ouvido.

— Foi um experimento fascinante, eu admito. Mas eu avisei que não facilitaria hoje. O laboratório prático acabou, Milly. Agora, as aulas são por minha conta.

Com um movimento ágil e inquestionável, Alana desvencilhou-se do cobertor e levantou-se, estendendo a mão para Jamilly. Havia uma aura de comando nela que parecia ter dobrado de intensidade. Jamilly, sentindo-se subitamente exposta sem a proteção do tecido, aceitou a mão, sendo puxada para cima com uma força que a deixou sem fôlego.

— Vá tomar um banho — ordenou Alana, os olhos percorrendo o corpo de Jamilly com uma intensidade que beirava a insolência. — Use aquele roupão de seda preta que deixei no banheiro. Eu vou preparar o café. E Jamilly?

A garota parou à porta do corredor, ajeitando os óculos que insistiam em escorregar pelo nariz.

— Sim?

— Não demore. Eu não gosto de esperar pelo que é meu.

O banho foi uma névoa de sensações para Jamilly. A água quente relaxava seus músculos, mas sua mente estava em alerta máximo. Ela vestiu o roupão de seda conforme instruído; o tecido era frio e deslizava provocantemente sobre sua pele ainda sensível. Quando voltou para a área comum, o cheiro de café fresco e pães aquecidos preenchia o ar, mas Alana não estava na cozinha. Ela estava sentada em uma das poltronas de couro, uma perna cruzada sobre a outra, segurando uma xícara de porcelana escura.

— Sente-se aqui — disse Alana, apontando para o tapete aos seus pés, ignorando as cadeiras da mesa de jantar.

Jamilly hesitou por um segundo, a timidez lutando para retomar seu posto.

— Alana, eu posso sentar na mesa…

— Eu não fiz um pedido, Milly — interrompeu Alana, com um sorriso calmo, mas que não chegava aos olhos. — Sente-se.

Jamilly obedeceu. A submissão voluntária trazia consigo um tipo diferente de frio na barriga, uma antecipação que a deixava tonta. Ela se acomodou no tapete, apoiando as costas contra as pernas de Alana. Imediatamente, sentiu os dedos longos de Alana se infiltrarem em seus cachos, desembaraçando-os com uma delicadeza que contrastava com o tom de sua voz.

— Você é tão dócil quando quer — comentou Alana, servindo um pouco de café em uma xícara e oferecendo-a a Jamilly, mas mantendo a mão firme na alça. — Beba.

Jamilly tomou um gole, sentindo o líquido quente descer, enquanto a outra mão de Alana descia pelo seu pescoço, traçando linhas invisíveis sobre a clavícula exposta pelo decote do roupão.

— O que vamos fazer hoje? — perguntou Jamilly, tentando quebrar o feitiço de silêncio que Alana impunha.

— O que eu decidir — respondeu Alana prontamente. — Hoje, você não precisa se preocupar com escolhas, Milly. Eu vou escolher o que você come, o que você veste e como você vai se sentir. Você queria saber como é não ter o controle? Eu vou te mostrar a versão absoluta disso.

Após o café, Alana guiou Jamilly até o quarto principal. O quarto era amplo, com paredes de vidro que davam para a floresta, dando a sensação de que estavam sendo observadas apenas pelas árvores. Alana abriu o closet e tirou um conjunto de lingerie de renda branca, delicado e quase transparente, junto com um vestido de tricô leve que abraçava todas as curvas.

— Vista isso — disse Alana, jogando as peças sobre a cama. — E deixe os óculos na mesa de cabeceira.

— Mas Alana, eu não enxergo direito sem eles — protestou Jamilly, a vulnerabilidade aflorando.

Alana aproximou-se, reduzindo a distância entre elas até que seus narizes se tocassem. Ela retirou os óculos do rosto de Jamilly com uma lentidão torturante e os colocou de lado.

— Você não precisa ver o mundo lá fora, Milly. Você só precisa sentir onde eu estou. Se você tropeçar, eu te seguro. Se você se perder, eu te guio. Entendeu?

— Entendi — sussurrou Jamilly, a visão embaçada tornando a presença de Alana ainda mais imponente, focada apenas no perfume e no calor que emanava dela.

O dia transcorreu sob o domínio silencioso de Alana. Elas caminharam pela propriedade, com Alana segurando firmemente a mão de Jamilly, guiando-a por caminhos que a garota não conseguia distinguir claramente. Alana parava ocasionalmente para mostrar-lhe uma flor ou o detalhe de uma folha, forçando Jamilly a se aproximar tanto que seus corpos se pressionavam.

Era um jogo psicológico e sensorial. Alana falava sobre seus desejos, sobre como via Jamilly na faculdade — a garota brilhante que se escondia atrás de livros — e como pretendia desvendar cada camada de sua personalidade durante aquela semana. Jamilly ouvia, cativada pela voz de Alana, sentindo-se como uma boneca de porcelana nas mãos de um colecionador apaixonado.

Ao entardecer, o clima esfriou consideravelmente. Alana levou Jamilly de volta para o chalé e a conduziu até a banheira de hidromassagem que ficava em um deck coberto.

— Tire o vestido — ordenou Alana, enquanto a água começava a encher a banheira, criando uma nuvem de vapor.

Jamilly obedeceu, os dedos trêmulos lutando com o tecido. Alana a observava sem pressa, apreciando o efeito que sua autoridade exercia sobre a outra. Quando Jamilly ficou apenas com a lingerie branca, Alana se aproximou e, com um movimento brusco, puxou-a para um beijo profundo. A língua de Alana explorava a boca de Jamilly com uma possessividade que não deixava dúvidas sobre quem detinha o poder naquele momento.

— Você é perfeita quando me obedece — murmurou Alana contra seus lábios. — Entre na água.

A água quente envolveu o corpo de Jamilly, mas o calor real vinha do olhar de Alana. Alana entrou logo em seguida, posicionando-se atrás de Jamilly, puxando as costas da garota contra seu peito. Suas mãos começaram a ensaboar os ombros de Jamilly, descendo para os seios cobertos pela renda agora molhada e transparente.

— Alana… — Jamilly arqueou as costas, sentindo a carícia firme.

— Eu disse que faria tudo com você, não disse? — Alana mordeu o ombro de Jamilly, deixando uma marca vermelha que se destacava na pele clara. — Eu quero que você sinta cada toque como se fosse o último. Quero que você esqueça seu nome, seus livros e sua vida lá fora. Aqui, você é apenas minha criação.

As mãos de Alana não paravam. Elas eram exploratórias e exigentes. Ela brincava com a sensibilidade de Jamilly, levando-a ao limite do prazer apenas para recuar no último segundo, sussurrando palavras de controle e desejo no seu ouvido. Jamilly estava em um estado de transe, entregue totalmente às vontades de Alana.

— Por favor, Alana… eu não aguento mais — implorou Jamilly, as mãos agarrando as bordas da banheira.

— Você aguenta o que eu decidir que você aguenta — retrucou Alana, a voz fria e sensual. — Diga: "Eu sou sua, Alana".

Jamilly hesitou por um milésimo de segundo, mas a necessidade que queimava em seu ventre era maior que qualquer orgulho.

— Eu sou sua, Alana. Por favor…

Alana sorriu, um sorriso de pura satisfação. Ela finalmente deu a Jamilly o que ela tanto desejava, mas da sua própria maneira, mantendo o ritmo, a intensidade e a duração. O prazer que se seguiu foi avassalador, uma onda que deixou Jamilly sem forças, flutuando nos braços de Alana enquanto a hidromassagem continuava a borbulhar ao redor delas.

Mais tarde, de volta ao quarto, Alana secou o cabelo de Jamilly com cuidado, penteando os cachos como se estivesse cuidando de um tesouro valioso. Ela não permitiu que Jamilly colocasse roupas; em vez disso, envolveu-a em um lençol de linho fino e a deitou na cama grande.

— Você está cansada? — perguntou Alana, deitando-se ao lado dela e apoiando a cabeça na mão.

— Um pouco — confessou Jamilly, a visão ainda um pouco turva sem os óculos, mas sentindo-se mais conectada a Alana do que jamais estivera com qualquer outra pessoa. — Você é… implacável.

— Eu sei o que eu quero, Milly. E eu quero você por inteiro. Não apenas a parte que tira dez nas provas, mas essa mulher que floresce quando é desafiada.

Alana inclinou-se e beijou a testa de Jamilly, um gesto surpreendentemente terno.

— Amanhã será diferente de novo. Eu tenho planos para nós.

Jamilly sorriu, fechando os olhos. Ela sabia que a dinâmica de poder entre elas era um pêndulo, e embora Alana estivesse no controle total agora, a eletricidade que corria entre as duas era o que realmente importava.

— Eu não esperava nada menos de você — disse Jamilly, antes de adormecer sob o olhar vigilante e protetor de Alana.

O chalé permanecia em silêncio, uma fortaleza de madeira e pedra protegendo o segredo de uma dominação que não era baseada em medo, mas em uma entrega absoluta e mútua. Alana observou Jamilly dormir por um longo tempo, sentindo uma satisfação que ia além do físico. Ela havia quebrado a barreira da timidez de Jamilly e, no processo, descobriu que o prazer de dominar era tão viciante quanto o próprio desejo. A semana estava apenas na metade, e o jogo de Alana estava longe de terminar.