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Chopper e Jinbe

Um Refúgio no Mar Calmo

O Thousand Sunny balançava suavemente ao sabor de uma brisa morna e preguiçosa. Era uma daquelas tardes douradas em que o oceano parecia ter esquecido como criar ondas violentas, transformando-se em um espelho infinito de água azul-turquesa. O navio estava atracado próximo a uma enseada tranquila de uma ilha exuberante, onde o restante do bando dos Chapéus de Palha havia desembarcado. Luffy arrastara Zoro, Sanji, Nami, Usopp, Robin, Franky e Brook para uma expedição que, segundo a navegadora, duraria exatos quatro dias. O objetivo oficial era reabastecer os suprimentos e explorar ruínas antigas, mas todos sabiam que se tratava, principalmente, de uma desculpa para o capitão correr atrás de monstros gigantes e besouros estranhos.

No navio, haviam ficado apenas dois tripulantes encarregados de manter a vigília e a ordem: Jinbe e Tony Tony Chopper.

O silêncio a bordo era quase irreal. Acostumado com explosões acidentais de Usopp, cantorias descompassadas de Brook e as costumeiras brigas barulhentas entre o cozinheiro e o espadachim, o pequeno médico da tripulação sentia como se o Sunny estivesse de férias de si mesmo. Chopper caminhava com passos saltitantes pelo gramado macio do convés, suas pequenas patas fazendo um som abafado contra a vegetação bem cuidada. Ele carregava seu habitual chapéu rosa e uma cesta vazia de ervas medicinais, mas suas obrigações do dia já haviam sido concluídas. O consultório estava impecável, os remédios organizados por ordem alfabética e todas as bandagens devidamente esterilizadas.

Ele estava livre. E, mais do que isso, estava terrivelmente entediado.

Ao levantar os olhos para a popa, na área superior do convés, Chopper avistou a figura imponente do timoneiro. Jinbe estava sentado de pernas cruzadas perto do timão, vestindo seu amplo quimono ornamentado com padrões de ondas. O grande homem-peixe segurava uma xícara de porcelana com as duas mãos robustas, soprando o vapor perfumado de um chá verde recém-preparado. Seus olhos fechados e a expressão plácida transmitiam a serenidade inabalável de uma montanha submarina. Para o mundo exterior, ele era o temível Cavaleiro do Mar, um ex-Corsário de força devastadora. Mas, para Chopper, ele era simplesmente o membro mais seguro, sábio e acolhedor de todo o bando.

Era, no fundo do coração ingênuo da pequena rena, uma figura paterna irresistível.

Um sorriso travesso, quase imperceptível a princípio, começou a se formar no focinho azul de Chopper. Seus olhinhos castanhos brilharam com uma fagulha de pura molecagem. Sem os outros por perto para chamarem a atenção ou criarem confusão, o pequeno médico decidiu que sua missão daquela tarde seria perturbar a lendária paciência do seu grande pai timoneiro.

Com passos sorrateiros, Chopper subiu as escadas de madeira, tentando não fazer qualquer ruído. Jinbe, claro, com seu formidável Haki de Observação, havia notado a aproximação no momento exato em que a rena colocara a primeira pata no degrau, mas fingiu ignorar, curioso para ver o que a criaturinha tramava.

Chopper parou bem ao lado do gigante azul. Inclinou a cabeça, observou Jinbe dar mais um gole calmo no chá e, sem aviso prévio, esticou as duas patinhas dianteiras.

*Bum, tum, tum!*

Chopper bateu as patas com vigor na volumosa e redonda barriga de Jinbe, usando-a exatamente como se fosse um tambor tradicional de festival.

O homem-peixe quase engasgou com o chá. Uma gota quente respingou na borda de sua presa inferior, e seus olhos se arregalaram em surpresa.

— Mas o que é isso...? — murmurou Jinbe, descendo a xícara lentamente para o chão de madeira.

— Tum-dum-dum! Que tambor incrível! — exclamou Chopper, com uma risadinha estridente, dando mais três batupadas firmes na grande barriga azul do guerreiro. — Uau, Jinbe! O seu abdômen tem uma acústica perfeita! É o melhor som que eu já ouvi! A camada de gordura subcutânea aqui deve ser maravilhosa para reter calor!

Uma tonalidade arroxeada de pura vergonha começou a subir pelas bochechas de Jinbe, tingindo suas escamas azuis. O temido senhor das marés piscou, desconcertado com a ousadia daquele pequeno ser que mal alcançava a altura de seus joelhos.

— C-Chopper... — começou Jinbe, tentando manter a voz solene e imponente, embora o tom falhasse ligeiramente. — O que pensa que está fazendo? Isso não é hora nem lugar para tocar percussão no seu timoneiro.

— Mas é irresistível! — rebateu Chopper, subindo na ponta dos cascos e apertando a bochecha gordinha do homem-peixe com uma das patas. — Olha só para você, Jinbe! Tão fofinho, tão grande e tão redondinho! Você parece uma almofada gigante que sabe lutar caratê!

— A-Almofada?! — Jinbe arqueou uma sobrancelha espessa, enquanto o rubor de vergonha só aumentava. — Eu sou um guerreiro do mar, rapazinho! Um timoneiro que navega pelas piores tempestades da Grand Line!

— Um guerreiro adorável! — Chopper provocou, pulando para a frente dele e apontando o dedo acusador em tom teatral. — O homem-peixe mais adorável do mundo! Olha esse sorriso tímido! Parece um tubarão-baleia bebê envergonhado! O grande e temível "Papai Peixe" não aguenta nem umas cócegas na pança gigante!

A paciência zen de Jinbe, construída ao longo de décadas de meditação e batalhas sangrentas, evaporou em questão de segundos diante daquela sequência impiedosa de insultos carinhosos. Seus olhos se semicerraram e ele colocou a xícara de chá totalmente de lado. Um sorriso ladino e ameaçadoramente divertido começou a se desenhar em seus lábios grossos.

— Ah, é mesmo? — perguntou Jinbe, o tom de voz descendo uma oitava, carregado de uma falsa severidade. — Então eu sou um bebê tubarão adorável? Uma almofada redondinha de percussão?

— É sim! É o meu pai homem-peixe gigante e fofucho! — gritou Chopper, caindo na gargalhada e dando mais dois tapinhas na barriga alheia, preparando-se para sair correndo como uma lebre travessa.

No entanto, Chopper havia esquecido um detalhe fundamental: Jinbe podia ser massivo, mas seus reflexos eram extraordinários.

Antes que a rena pudesse dar o primeiro passo em fuga, o enorme braço azul de Jinbe se moveu com a precisão de uma rede de pesca. Ele interceptou o pequeno pela cintura, ergueu-o no ar como se Chopper não pesasse mais do que uma folha seca e o colocou deitado de bruços sobre o deque de madeira.

— E-Ei! Espere aí! Jinbe! — guinchou Chopper, começando a espernear.

— Quem semeia vento, colhe tempestade, meu jovem médico — declarou Jinbe com fingida gravidade moral. — E quem provoca o timoneiro... precisa aprender a respeitar o peso da autoridade!

Sem pressa alguma, Jinbe simplesmente dobrou os joelhos e desceu seu enorme corpo sobre Chopper. Ele não despejou todo o seu peso colossal — jamais machucaria o pequeno —, mas assentou suas nádegas volumosas e firmes diretamente por cima das costas e do quadril da rena, prendendo-o perfeitamente contra o chão macio da ponte de comando.

— Aaaaah! Socorro! — gritou Chopper em meio a risos e protestos desesperados, agitando os bracinhos e as patinhas no ar. — Jinbe! Você é muito pesado! Parece que uma montanha caiu em cima de mim! Eu sou um médico de renome, você não pode sentar em mim!

— Ora, mas você não disse que eu parecia uma almofada? — respondeu Jinbe, ajeitando-se com todo o conforto imaginável em cima do garoto, pegando sua xícara de chá novamente com a mão livre e dando um gole tranquilo. — Pois bem. Agora eu decidi que você é o meu banco pessoal. Um banco felpudo, resmungão e que precisa urgentemente aprender a não debochar dos mais velhos.

— Jinbeee! — Chopper enterrou a cara no chão, fingindo sofrimento enquanto se contorcia todo embaixo do guerreiro. — Eu retiro o que disse! Você não é uma almofada, você é uma âncora! Uma âncora gigante de duzentos quilos! Deixe-me sair!

— Nem pensar — disse Jinbe, soltando uma risada gutural e profunda que vibrava direto no corpo de Chopper. — Ficaremos exatamente assim por um bom tempo. Talvez umas duas horas sejam suficientes para você refletir sobre suas ações, meu querido bebezinho travesso.

— Eu não sou um bebê! — protestou Chopper, com a voz abafada contra a madeira do convés.

— É sim. Um bebezinho de nariz azul que gosta de cutucar guerreiros veneráveis — rebateu Jinbe, dando um tapinha carinhoso no chapéu rosa de Chopper enquanto bebia seu chá com calma infinita. — E enquanto você estiver preso sob a minha "pança gigante", terá que ouvir os conselhos que eu tenho para lhe dar.

E assim, Jinbe cumpriu a promessa em tom de pura brincadeira. Durante longos minutos que pareciam horas de pura diversão, o timoneiro permaneceu sentado sobre o pequeno rebelde, bebericando seu chá e discorrendo sobre as mais diversas filosofias de navegação, enquanto Chopper oscilava entre tentar empurrar o gigante com suas forças minúsculas e rir até a barriga doer com os apelidos que Jinbe inventava.

— O primeiro conselho de um marinheiro, meu pequeno guaxinim teimoso — dizia Jinbe, com ar de professor severo —, é nunca subestimar a gravidade do seu oponente. O segundo é saber que a barriga de um homem-peixe serve não apenas para percussão, mas para esmagar médicos impertinentes com extremo carinho.

— Você é muito chato, Papai Jinbe! — resmungou a rena, exausta de tanto espernear, finalmente relaxando os músculos sob o peso aconchegante do mais velho. — Mas você continua sendo o peixão mais legal do mar.

Jinbe sorriu, sentindo um calor imenso no peito. Aquele pirralho tinha um jeito único de desarmar qualquer postura endurecida que os anos de sofrimento no mar haviam lhe imposto. Chopper não era apenas um companheiro de tripulação valioso; era o filho que a vida de pirata, por caminhos tortuosos e improváveis, havia lhe presenteado.

— Muito bem — disse Jinbe por fim, colocando a xícara agora vazia no parapeito. — Acho que sua pena já foi cumprida por hoje.

Com um movimento suave e deliberado, o homem-peixe se ergueu, libertando Chopper daquela "prisão" acolhedora.

A pequena rena rolou de costas no chão, suspirando de alívio e esticando os quatro membros como uma estrela-do-mar no convés. Seu pelo estava ligeiramente desgrenhado, e ele respirava fundo, ainda rindo baixinho da própria travessura.

— Ufa... pensei que você ia me transformar em uma panqueca de rena — brincou Chopper, cobrindo os olhos com as patinhas para se proteger do sol poente.

Jinbe não respondeu de imediato. Em vez disso, abaixou-se novamente com um olhar terno e infinito. Suas mãos gigantescas, com membranas entre os dedos e garras firmes que já haviam quebrado cascos de navios da Marinha, deslizaram com um cuidado inacreditável por baixo do corpinho de Chopper.

Com um único gesto firme e gracioso, Jinbe ergueu o pequeno médico do chão.

Chopper soltou um gritinho de surpresa, mas seus instintos logo o traíram. Em vez de resistir, ele automaticamente se aninhou na curva do braço imenso de Jinbe, que o acomodou contra o peito largo como se segurasse um recém-nascido frágil.

— Jinbe...? — murmurou Chopper, olhando para cima, para o queixo quadrado e a cicatriz marcante do timoneiro.

— Você gastou muita energia tentando derrubar este velho, meu pequeno — disse Jinbe com a voz mais suave que possuía, tão mansa quanto a maré calma daquela baía. — Agora é hora de descansar.

Antes que Chopper pudesse fazer qualquer piada ou protestar que já era um adulto de dezessete anos, Jinbe começou a balançá-lo.

O movimento era lento, constante e perfeitamente ritmado, reproduzindo o balanço hipnótico das ondas do mar. Os braços de Jinbe eram tão largos que criavam um berço impenetrável contra qualquer perigo do mundo exterior. O calor que irradiava do peito do homem-peixe atravessava o quimono tradicional e envolvia o corpinho peludo de Chopper como um cobertor aquecido.

— Mas Jinbe... eu não sou um filhote... — sussurrou Chopper, embora sua voz soasse fraquinha, traída por um bocejo longo que esticou sua mandíbula.

— Shh... — Jinbe sorriu, ajeitando o chapéu de Chopper para que a aba não incomodasse sua testa. — Para mim, você sempre será o meu garotinho. O meu bebezinho Chopper. O médico mais corajoso e o pequeno mais teimoso de todos os mares.

O gigante começou a sussurrar cantigas antigas da Ilha dos Homens-Peixe, melodias suaves que as mães cantavam nas profundezas do oceano para ninar seus filhos sob a luz do sol da Árvore Eva. A voz de Jinbe era profunda, um barítono rouco que vibrava diretamente na caixa torácica, transmitindo uma sensação de segurança tão avassaladora que Chopper sentiu suas pálpebras pesarem como chumbo.

O pequeno aconchegou o focinho azul na dobra do quimono de Jinbe, agarrando o tecido com suas minúsculas patas dianteiras. O aroma do timoneiro era reconfortante: uma mistura de brisa marinha fresca, folhas secas de chá e o calor natural de alguém que daria a própria vida para protegê-lo.

— Você me venceu... Papai Peixe... — murmurou Chopper, mal conseguindo manter os olhinhos entreabertos, enquanto o balanço suave o conduzia para longe da vigília.

— Eu não venci nada, meu pequeno raio de sol — respondeu Jinbe em um sussurro quase inaudível, continuando a embalá-lo com paciência infinita. — Nós dois vencemos esta tarde de paz. Durma, meu bebezinho. O Sunny está seguro, o mar está calmo e eu estou aqui cuidando de você.

Chopper soltou um suspiro longo e satisfeito. Suas patinhas relaxaram completamente sobre o peito de Jinbe, e uma pequena bolha de sono começou a se formar e sumir ao ritmo de sua respiração compassada. O garoto havia se entregado por completo ao sono mais doce e protegido que já tivera em semanas.

Jinbe permaneceu exatamente onde estava. Ele não se moveu em direção à enfermaria, nem tentou colocar Chopper em sua rede habitual. O timoneiro simplesmente continuou ali, de pé sob as cores alaranjadas e púrpuras do crepúsculo que descia sobre o mar calmo, balançando suavemente o filho adormecido em seus braços de gigante.

Havia batalhas terríveis aguardando por eles no horizonte daquele mundo caótico, e quatro dias depois o navio voltaria a ser o caos barulhento de sempre. Mas, naquele instante sagrado, Jinbe sabia que nada no mundo era mais importante do que proteger o sono do seu pequeno tesouro. E, com um sorriso orgulhoso e paternal nos lábios, o temido timoneiro dos Chapéus de Palha continuou a ninar seu pequeno bebezinho sob o manto estrelado que começava a despontar no céu.

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