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Ciúmes e tensão

Ecos na Calada da Noite

O silêncio da casa era quase absoluto, quebrado apenas pelo som rítmico da respiração de Léo, o pequeno recém-nascido que finalmente havia cedido ao cansaço. Julia Bergmann, com os fios ruivos levemente bagunçados, ajeitou a manta do filho com uma delicadeza que contrastava com sua personalidade forte e, muitas vezes, explosiva. No quarto ao lado, o irmão mais novo de Kate, de apenas dez anos, também já estava entregue ao sono.

Ao sair do quarto do bebê, Julia deu de cara com a figura imponente de Ekaterina Antropova. A loira, com seu olhar intenso e aquele ar de quem carregava o estresse do mundo nos ombros, não disse uma palavra. Apenas sorriu de canto, um gesto raro que desarmava Julia instantaneamente. Sem aviso, Kate envolveu a cintura da ruiva e a ergueu nos braços, como se Julia não fosse uma atleta de alto rendimento e quase da sua altura.

— Kate! — Julia sussurrou, rindo baixo enquanto passava os braços pelo pescoço da companheira. — O que você está fazendo?

— Levando minha mulher para onde ela deveria estar há horas — respondeu Kate com sua voz rouca, caminhando em direção ao quarto do casal.

Assim que a porta foi fechada e trancada, a atmosfera mudou. A tensão acumulada dos treinos e das noites mal dormidas com o bebê se transformou em um desejo urgente. Julia, sentindo o calor do corpo de Kate contra o seu, não quis rodeios. Ela sempre fora direta, ciumenta e possessiva, e naquele momento, queria sentir que Kate era inteiramente sua.

— Kate... — Julia murmurou contra o pescoço da loira, sentindo o perfume familiar. — Por favor, fode comigo agora. Eu preciso de você. Me chupa, faz eu esquecer tudo.

Antropova não precisou ouvir duas vezes. O que se seguiu foi uma noite de entrega absoluta. Julia, geralmente a pessoa mais brincalhona da relação, estava entregue ao prazer, e seus gemidos, graves e constantes, ecoaram pelas paredes finas da casa. Ela não se conteve, e a intensidade de Kate a fazia perder a noção do volume.

Na manhã seguinte, o clima na mesa do café era de um silêncio desconfortável, interrompido apenas pelo barulho das colheres batendo nas tigelas. O irmão de Kate, com a curiosidade típica dos dez anos, olhou para a irmã loira e soltou a bomba:

— Kate, por que a Julia estava gritando ontem à noite? Parecia que ela estava sentindo dor ou... sei lá, estava muito barulhento.

Julia, que vinha entrando na cozinha com Léo nos braços, estacou no lugar. O rosto, já naturalmente avermelhado pelos cabelos ruivos, atingiu um tom de escarlate profundo. Kate, por sua vez, apenas tomou um gole de café, mantendo a expressão gélida, embora seus olhos traíssem um leve divertimento.

— Ela... ela teve uma cãibra, pirralho. Coisa de atleta. Vá terminar seu café — respondeu Kate, curta e grossa.

A rotina seguiu, mas a paz durou pouco. Kate precisava viajar para um campeonato importante. Julia, fiel e sempre presente, fez questão de ir junto, levando o bebê e o cunhado. No ginásio, o clima era elétrico, mas o humor de Julia azedou no instante em que viu a novata do time se aproximar de Kate. A menina, visivelmente interessada, não escondia os toques no braço da oposta russa, rindo de piadas que Julia não conseguia ouvir da arquibancada.

O sangue de Julia ferveu. O ciúme, sua marca registrada, subiu à cabeça.

Ao chegarem em casa depois do jogo, a explosão foi inevitável.

— Você acha que eu sou palhaça, Ekaterina? — Julia gritou, batendo a porta da sala, ignorando que os meninos estavam por perto. — A menina praticamente se esfregando em você e você lá, com aquela cara de paisagem!

— Julia, não começa! — Kate rebateu, a voz subindo de tom, o estresse do jogo extravasando. — Eu estava trabalhando! Ela é uma colega de time, nada mais!

— Colega de time que quer o que é meu! — Julia retrucou, as lágrimas de raiva começando a surgir. — Você não impõe limites, Kate! Você gosta da atenção!

— Você é louca e ciumenta! — Kate disparou, o que foi a gota d'água.

Julia não aguentou. O peito doía de uma forma que ela não sabia explicar. Ela pegou Léo, que começava a choramingar com a gritaria, e se trancou no quarto do bebê. Sentou-se na poltrona de amamentação e chorou. Chorou pelo cansaço, pela insegurança e pela briga horrível na frente das crianças.

Algum tempo depois, a porta abriu silenciosamente. Kate entrou. O olhar estressado tinha sumido, substituído por um arrependimento profundo. Ela se aproximou de Julia, que ainda soluçava baixo.

— Me dá ele aqui — pediu Kate suavemente, pegando Léo, que já havia dormido novamente, dos braços da ruiva. Ela o ajeitou no berço com uma ternura que só Julia conhecia.

Em seguida, Kate segurou a mão de Julia e a puxou em direção ao quarto principal. Julia não resistiu, estava exausta demais para lutar. Assim que entraram, Kate a prensou contra a porta.

— Eu sou fiel a você, Julia. Sempre. Nunca mais duvide disso — sussurrou Kate, antes de beijá-la com uma fome desesperada.

O sexo que se seguiu foi uma reconciliação visceral. Kate deitou Julia na cama e, com uma lentidão torturante, começou a descer pelo corpo da ruiva.

— Eu vou te mostrar a quem eu pertenço — disse Kate, abrindo as pernas de Julia.

A língua de Kate trabalhou com precisão, entrando profundamente, explorando cada vinco, cada centímetro. Julia arqueava as costas, os dedos enterrados nos cabelos loiros da companheira.

— Kate... ah, meu Deus, sim... — Julia gemia, a voz falhando.

Não satisfeita, Julia puxou Kate para cima, querendo dominá-la também. Ela se sentou sobre o rosto da loira, movendo os quadris em círculos lentos e detalhados, sentindo a língua de Kate contra sua intimidade enquanto se pressionava com força. Os movimentos eram coreografados pelo desejo, um atrito quente que fazia Julia perder o fôlego. Ela sentava com força, buscando o ápice, enquanto Kate a segurava pelas coxas, garantindo que ela não fugisse daquele prazer.

Na manhã seguinte, o déjà vu. O pequeno irmão de Kate estava na cozinha quando a loira apareceu.

— De novo, Kate? A Julia teve cãibra a noite inteira outra vez? — perguntou o menino, genuinamente confuso.

Kate suspirou, sentindo a dor de cabeça começar. Ela deu uma bronca em Julia assim que a ruiva apareceu para tomar café.

— Você precisa aprender a morder o travesseiro, Bergmann. Ele ouviu tudo de novo.

Julia apenas deu de ombros, um sorriso atrevido surgindo nos lábios ruivos. Ela se sentia renovada, a briga do dia anterior esquecida no calor dos lençóis.

Mais tarde, enquanto Julia lavava a louça, ainda distraída com os pensamentos da noite anterior, Kate passou por ela. Sem aviso, a loira desferiu um tapa forte e sonoro na bunda de Julia.

— Ai! — Julia soltou um gemido alto, entre a dor e o prazer do susto.

O irmão mais novo de Kate, que passava pelo corredor com sua bola de vôlei, parou e olhou para as duas com uma expressão de pena.

— Cãibra logo cedo, Julia? Caramba, você precisa de mais potássio!

Kate e Julia se olharam por um segundo antes de caírem na gargalhada, enquanto o menino seguia seu caminho, sem entender absolutamente nada da "saúde muscular" da cunhada.

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