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Ciúmes no show

Amor, vamos ao Banheiro?

– Niki, você está me apertando! – eu ri, sentindo o abraço possessivo do meu namorado enquanto caminhávamos pelo corredor dos bastidores, em direção à saída.

Ele me soltou um pouco, mas ainda mantinha o braço firmemente ao redor da minha cintura, como se quisesse garantir que ninguém mais se aproximasse. Seus olhos escanearam o ambiente, ainda com um resquício da intensidade que eu havia visto mais cedo.

– Desculpe, amor. Só estou... garantindo que você não se perca na multidão – ele disse, com um sorriso travesso.

– E quem disse que eu iria me perder? – provoquei.

– Eu disse. E além do mais, é bom que todos saibam que você é minha – ele sussurrou em meu ouvido, fazendo meu corpo se arrepiar.

Os outros membros do ENHYPEN vinham logo atrás, conversando animadamente sobre o show. Era sempre uma energia vibrante depois de uma performance, uma mistura de adrenalina e exaustão.

– Niki, você está parecendo um guarda-costas – Jake comentou, com um sorriso.

– Sou um guarda-costas muito particular – Niki respondeu, sem tirar os olhos de mim.

Heeseung riu.

– E ciumento, não se esqueça.

– Ciúmes são para os fracos – Jay brincou, mas eu pude ver um brilho divertido em seus olhos.

– Não quando se trata dela – Niki retrucou, me puxando mais para perto.

Eu apenas sorri, sentindo-me a garota mais protegida do mundo. Era fofo ver Niki assim, mesmo que um pouco exagerado. Eu sabia que todo aquele ciúme vinha de um lugar de amor e cuidado, e isso me aquecia o coração.

Chegamos à van que nos levaria de volta ao dormitório (ou, no meu caso, ao apartamento que eu dividia com uma amiga, mas Niki sempre dava um jeito de me "sequestrar" para o dormitório depois dos shows). A equipe de segurança abriu a porta, e os meninos começaram a entrar.

Quando Niki fez menção de me seguir para dentro, um dos gerentes o parou.

– Niki, precisamos conversar sobre a agenda de amanhã. E você, – ele olhou para mim, com um sorriso educado, – pode esperar no lounge.

Meu coração afundou um pouco. Eu sabia que ele tinha compromissos, mas esperava que pudéssemos ir embora juntos. Niki me olhou, e eu pude ver a mesma frustração em seus olhos.

– Mas... – Niki começou.

– É rápido, Niki. Cinco minutos. E depois você pode ir – o gerente disse, com um tom que não admitia discussão.

Niki suspirou, mas assentiu.

– Tudo bem. Eu já volto, amor. Me espere lá no lounge, perto da porta. Não se afaste – ele disse, me dando um beijo rápido na testa.

– Tudo bem – eu respondi, tentando parecer compreensiva.

Ele foi com o gerente, e eu me dirigi ao lounge, um espaço confortável com sofás e mesas, geralmente usado por familiares e convidados VIP. Sentei-me em um dos sofás mais afastados, peguei meu celular e comecei a rolar o feed, tentando passar o tempo.

Ainda estava um pouco agitada com o incidente na plateia, e a descarga de adrenalina do show não ajudava a me acalmar. Percebi que precisava ir ao banheiro, mas hesitei em me levantar. Não queria me afastar muito da porta, caso Niki voltasse e não me encontrasse.

Mas a necessidade estava ficando urgente. Olhei em volta. O lounge estava quase vazio, apenas algumas pessoas da equipe conversando em um canto. Decidi que seria rápido.

Levantei-me e procurei por sinalização. Vi uma placa indicando "Banheiros" no final do corredor. Respirei fundo e fui.

O banheiro feminino estava vazio. Aliviada, fiz minhas necessidades e lavei as mãos. Enquanto me olhava no espelho, a imagem do homem na plateia me chamando de "gostosa" voltou à minha mente. Franzi a testa. Era tão ridículo. Por que alguns homens achavam que tinham o direito de falar assim com as mulheres?

De repente, a porta do banheiro se abriu. Assustei-me e virei-me rapidamente.

Não era Niki. Era o mesmo homem da plateia.

Meu coração disparou.

– Ora, ora – ele disse, com um sorriso malicioso. – Que coincidência. A gatinha do show.

Eu recuei um passo, sentindo um calafrio.

– O que você está fazendo aqui? Este é o banheiro feminino! – eu disse, tentando manter a voz firme, mas com um tremor perceptível.

Ele deu um passo à frente, bloqueando a porta.

– Eu sei. Mas eu te vi vindo para cá. E achei que seria uma boa oportunidade para conversarmos melhor. Sem o seu "namorado" do palco.

Meu estômago revirou. Ele estava me seguindo.

– Eu já disse que não tenho nada para conversar com você. E eu tenho namorado.

– Ah, é? Aquele idolzinho? Ele não estava te protegendo muito bem mais cedo, estava? E agora, onde ele está? – ele riu, um som desagradável que ecoou no banheiro.

Eu senti a raiva borbulhar dentro de mim. Mas o medo era maior. Eu estava sozinha, em um banheiro, com um homem que claramente não respeitava limites.

– Saia da minha frente. Eu vou chamar a segurança – eu disse, tentando passar por ele.

Ele bloqueou meu caminho novamente.

– Calma, gatinha. Não precisa ser assim. Eu só quero te conhecer melhor. Você é muito linda para ser tão arisca.

Ele estendeu a mão para tocar meu braço, e eu me encolhi.

– Não me toque! – eu gritei, minha voz falhando.

Nesse exato momento, a porta do banheiro se abriu com um estrondo.

– O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?!

A voz era de Niki. E estava carregada de uma fúria que eu nunca tinha ouvido antes.

O homem se virou, assustado. Seus olhos se arregalaram ao ver Niki parado na porta, os punhos cerrados, a respiração ofegante. Ele era alto e esguio, mas naquele momento, Niki parecia um gigante.

– Niki! – eu exclamei, sentindo um alívio imenso, misturado com um medo renovado.

Niki ignorou o homem por um segundo, seus olhos fixos em mim.

– Você está bem? Ele te machucou? – sua voz era baixa, mas carregada de preocupação.

– Não, eu estou bem – eu disse, mas minha voz ainda tremia.

Niki então voltou sua atenção para o homem, e o olhar em seus olhos era gelado.

– Eu perguntei o que você está fazendo aqui. Neste banheiro. Com a minha namorada – Niki disse, cada palavra carregada de ameaça.

O homem gaguejou.

– E-eu... eu só estava conversando com ela.

– Conversando? – Niki deu um passo à frente, e o homem recuou instintivamente. – Foi isso que você chamou de "conversar" mais cedo também? Assediar ela na minha frente?

– Eu não estava assediando ninguém! – o homem tentou se defender, mas sua voz era fraca.

– Não? Pois para mim, parece que você estava fazendo exatamente isso. Primeiro na plateia, e agora aqui. Você não tem vergonha?! – Niki estava visivelmente tremendo de raiva, e eu temia que ele perdesse o controle.

– Niki, calma – eu disse, colocando a mão em seu braço.

Ele me olhou, e a fúria em seus olhos diminuiu um pouco, substituída por preocupação.

– Não se preocupe, amor. Eu não vou deixar ele te machucar – ele prometeu, e eu acreditei nele.

Ele então voltou seu olhar para o homem, que estava visivelmente intimidado.

– Eu vou te dar uma chance. Saia daqui agora. E se eu te vir perto dela de novo, eu juro que você vai se arrepender – Niki disse, sua voz baixa e controlada, mas com uma intensidade que fez o homem empalidecer.

O homem não esperou uma segunda chance. Ele abriu a porta e saiu correndo do banheiro, sem olhar para trás.

Niki suspirou, e a tensão deixou seus ombros. Ele se virou para mim e me puxou para um abraço apertado.

– Você está bem mesmo? Ele te tocou? – ele perguntou, sua voz ainda embargada.

– Não, amor, estou bem. Você chegou na hora certa – eu disse, enterrando meu rosto em seu peito, sentindo o cheiro familiar de Niki, uma mistura de suor, perfume de palco e um toque de algo que era só dele.

– Eu te disse para não se afastar da porta – ele sussurrou, acariciando meu cabelo.

– Eu sei, eu sei. Eu só precisava ir ao banheiro. Eu não esperava que ele... – eu me encolhi.

– Eu deveria ter vindo com você. Eu não devia ter te deixado sozinha – Niki disse, sua voz cheia de culpa.

– Não é culpa sua, Niki. Você estava trabalhando. E eu não sou uma criança. Eu só... fui pega de surpresa – eu tentei acalmá-lo.

Ele se afastou um pouco para me olhar.

– Eu não aguento isso. Não aguento a ideia de alguém te assediando, te fazendo sentir medo. Ainda mais quando eu não estou lá para te proteger.

– Mas você estava lá – eu disse, tocando seu rosto. – Você sempre está lá, Niki. Você me protege de tantas formas.

Ele sorriu levemente, a tensão em seu rosto diminuindo ainda mais.

– Eu juro que se eu o vir de novo, eu...

– Não, Niki. Não vale a pena. Ele já foi. E a equipe de segurança vai cuidar dele, tenho certeza – eu disse, tentando desviar sua atenção da raiva.

– Eu já avisei o gerente. Ele vai tomar providências – Niki disse, e eu sabia que ele realmente havia feito isso. Niki era protetor, mas também era responsável.

Ele me pegou pela mão, entrelaçando nossos dedos.

– Vamos. Não quero ficar mais um segundo neste lugar.

Saímos do banheiro, e Niki me guiou de volta para o lounge. Ele não me soltou nem por um segundo. Quando chegamos perto da van, os outros membros nos esperavam, alguns com expressões preocupadas.

– Niki, onde você estava? E o que aconteceu? – Jungwon perguntou, notando a tensão em nossos rostos.

Niki suspirou.

– O mesmo cara da plateia... ele encontrou a (Seu Nome) no banheiro.

Um silêncio pesado caiu sobre o grupo. Os olhos dos meninos se arregalaram, e eu pude ver a raiva e a preocupação em seus rostos.

– No banheiro?! – Jake exclamou, indignado.

– Aquele idiota! – Jay rosnou.

– Você está bem, (Seu Nome)? – Sunghoon perguntou, com a voz suave.

– Estou sim. Niki chegou a tempo – eu disse, apertando a mão dele para mostrar que estava tudo bem.

Niki apertou minha mão de volta.

– Ele não tocou nela. Eu o expulsei. E o gerente já foi avisado.

Os meninos assentiram, visivelmente aliviados, mas ainda irritados.

– É inacreditável. Como alguém tem a coragem de fazer isso? – Heeseung murmurou.

– As pessoas são doidas – Sunoo disse, balançando a cabeça.

– Mas o importante é que você está bem, (Seu Nome) – Jungwon disse, com um sorriso tranquilizador.

Eu sorri de volta.

– Graças ao meu super-herói ciumento.

Niki me olhou, e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.

– Sempre.

Entramos na van, e Niki me puxou para sentar ao lado dele. Ele não soltou minha mão durante toda a viagem de volta. Seus dedos acariciavam os meus, um gesto constante de carinho e proteção.

No dormitório, enquanto os outros meninos se espalhavam para tomar banho e descansar, Niki me levou diretamente para o quarto dele.

– Você quer tomar um banho? Ou comer alguma coisa? – ele perguntou, sua voz suave.

– Eu só quero ficar um pouco com você – eu disse, me aconchegando em seus braços.

Ele me apertou mais forte.

– Eu também.

Ele se sentou na cama, me puxando para o seu colo, e eu deitei minha cabeça em seu ombro. Ele começou a acariciar meu cabelo, e o ritmo constante de seus toques começou a me acalmar.

– Eu fiquei tão bravo – ele sussurrou. – Quando eu fui ao lounge e não te encontrei, meu coração disparou. E quando eu ouvi sua voz no banheiro... eu jurei que ia arrebentar aquele cara.

– Eu sei, amor. Eu vi a raiva nos seus olhos. Mas você foi perfeito. Você o assustou e me protegeu.

– Eu só queria que você nunca tivesse que passar por algo assim – ele disse, sua voz cheia de ternura.

– Eu sei. Mas infelizmente, existem pessoas assim no mundo. O importante é que eu sei que tenho você. E isso me deixa segura – eu disse, levantando a cabeça para beijá-lo.

Ele correspondeu ao beijo com paixão, um beijo que transmitia todo o seu amor, sua preocupação e seu alívio.

– Eu te amo muito, (Seu Nome) – ele disse, separando nossos lábios.

– Eu também te amo, Niki. Mais do que tudo.

Ficamos ali por um tempo, apenas nos abraçando, o silêncio preenchido pela segurança da nossa conexão. Eu sabia que aquele incidente seria algo que nos marcaria, mas também nos uniria ainda mais. Com Niki, eu sabia que estaria sempre protegida, sempre amada. E mesmo que o ciúme dele pudesse ser um pouco intenso às vezes, era um ciúme que vinha do fundo de sua alma, um ciúme que me dizia o quanto eu significava para ele. E isso, para mim, valia mais do que qualquer coisa.

Niki se afastou um pouco, um pequeno sorriso brincando em seus lábios.

– Amor, vamos no banheiro?

Eu o olhei, confusa.

– No banheiro? Pra quê?

Ele riu, um som suave e melodioso.

– Para você não ir sozinha de novo. E para eu ter certeza de que ninguém mais vai te incomodar.

Eu sorri, sentindo meu coração se aquecer.

– Niki, você é inacreditável.

– Eu sei – ele disse, me dando um beijinho na ponta do nariz. – Mas sou o seu inacreditável. E agora, vamos. Eu prometo que vou te esperar na porta.

Eu ri, me levantando.

– Tudo bem, meu super-herói ciumento. Vamos. Mas você não precisa me seguir para dentro.

– Ah, não? – ele perguntou, com um brilho nos olhos. – Tem certeza? Porque depois do que aconteceu, eu estou pensando seriamente em fazer isso.

– Niki! – eu repreendi, mas não consegui conter o sorriso.

Ele me puxou para um abraço final antes de me soltar.

– Estou brincando. Mas vou ficar bem aqui, na porta. E se eu ouvir um pio, eu entro.

Eu balancei a cabeça, rindo.

– Combinado.

Enquanto eu caminhava em direção ao banheiro do quarto, Niki me observava, um olhar protetor em seus olhos. E eu sabia que, não importa onde estivéssemos, com Niki ao meu lado, eu estaria sempre segura. Meu idol ciumento, meu protetor, meu amor. Ele era tudo o que eu precisava.