Corrupção da Realeza
Sombras de Marfim e Ébano
O Reino Dourado, outrora um labirinto de horrores e monstros indescritíveis, havia se tornado o cenário de um tipo diferente de perdição para Pattadol. A luz das velas na sala de reuniões oficial dos Canários tremeluzia, projetando sombras longas e distorcidas nas paredes de pedra. Sobre a mesa, mapas do continente e diretrizes reais estavam espalhados, mas a mente da jovem capitã não conseguia processar uma única palavra escrita.
Seus olhos azuis, geralmente tão focados e severos, estavam fixos na porta. Ela ouviu o som de passos leves, quase imperceptíveis, e seu coração deu um solavanco que a fez perder o fôlego.
— Pattadol, você está com aquela cara de novo. — A voz de Citrus surgiu antes mesmo de seu corpo cruzar o batente. — Aquela cara de quem está prestes a ter um colapso nervoso ou um orgasmo. Qual dos dois será hoje?
Citrus entrou, fechando a porta atrás de si com um clique suave e definitivo. Ela não usava o uniforme dos Canários; em vez disso, trajava uma túnica de seda translúcida que mal escondia a curvatura de seus quadris e o brilho de sua pele negra sob a luz âmbar.
— Você está atrasada — disse Pattadol, tentando manter o tom de autoridade, embora sua voz tenha saído mais rouca do que pretendia.
— Atrasada? — Citrus riu, aproximando-se com aquela indolência felina que tanto irritava e fascinava Pattadol. — Eu não sabia que tínhamos um horário marcado para... o que quer que estejamos fazendo nestas últimas semanas. Achei que eu fosse apenas uma "distração inconveniente".
— Você é uma distração — Pattadol levantou-se, contornando a mesa com passos rápidos até parar diante da elfa mais alta. — Um vício. Uma falha no meu julgamento.
Citrus arqueou uma sobrancelha, os olhos dourados brilhando com uma malícia pura.
— Um vício, hein? — Ela estendeu a mão, tocando o rosto pálido de Pattadol com as pontas dos dedos frios. — Cuidado, capitã. Vícios costumam destruir carreiras promissoras. Especialmente quando o vício tem pernas longas e uma boca que sabe exatamente onde morder.
Pattadol não respondeu com palavras. Em vez disso, agarrou o pulso de Citrus e a puxou para mais perto, o contraste entre a pele alva de uma e a pele retinta da outra sendo a única coisa que importava naquele momento. Ela enterrou o rosto no pescoço de Citrus, aspirando o cheiro cítrico e quente que parecia ter se tornado seu único oxigênio.
— Eu não consigo parar — confessou Pattadol contra a pele de Citrus, as mãos descendo desesperadamente pelas costas da elfa negra, sentindo os músculos firmes sob a seda. — Eu tento ler os relatórios, tento ouvir o Rei Laios falar sobre a ecologia dos mortos-vivos, mas tudo o que eu vejo é você. Tudo o que eu sinto é o desejo de estar de volta a este quarto.
Citrus soltou uma risada baixa, sentindo as mãos pequenas e ávidas de Pattadol apertarem sua cintura.
— Você parece um cachorrinho faminto, Pattadol. É quase patético o quanto você se tornou dependente de mim. Onde foi parar aquela elfa da realeza, tão cheia de dignidade e protocolos?
— Ela morreu no momento em que você me tocou naquela primeira noite — Pattadol sibilou, levantando o olhar para encarar Citrus. Havia uma urgência febril em seus olhos azuis. — Agora cale a boca e me ajude a esquecer que o mundo existe lá fora.
Citrus não precisou de um segundo convite. Ela empurrou Pattadol contra a mesa de carvalho, derrubando tinteiros e pergaminhos valiosos sem a menor cerimônia. O som dos objetos caindo no chão foi abafado pelo gemido que escapou de Pattadol quando Citrus capturou seus lábios em um beijo que era puro fogo e possessividade.
As mãos de Citrus, experientes e provocadoras, deslizaram para baixo da túnica de Pattadol, encontrando a pele macia das coxas da capitã. O contraste térmico fez Pattadol estremecer, suas unhas cravando-se nos ombros de Citrus.
— Você é tão apertada, tão tensa... — sussurrou Citrus entre beijos, descendo a boca para o lóbulo da orelha de Pattadol, mordiscando-o com precisão. — Toda essa disciplina, toda essa rigidez... eu adoro ver como tudo isso quebra quando eu entro em você.
— Citrus... por favor — Pattadol implorou, sua respiração tornando-se curta e errática.
A elfa negra afastou-se apenas o suficiente para olhar o estado de sua capitã. Pattadol estava com as bochechas coradas, o cabelo loiro desgrenhado e os lábios inchados. A imagem da perfeição aristocrática desmoronando era o que Citrus mais apreciava. Com um movimento ágil, Citrus desfez o laço da própria túnica, deixando-a escorregar pelos ombros.
A visão de Citrus nua, sob a luz vacilante das velas, era algo que Pattadol nunca se cansava de admirar. A pele negra parecia polida, as marcas douradas em sua testa reluzindo como joias incrustadas. Ela era uma força da natureza, uma criatura de sombras e ouro que havia reivindicado o coração — e o corpo — da jovem capitã.
Citrus guiou a mão de Pattadol para seus próprios seios, observando a expressão de puro desejo e adoração no rosto da loira.
— Olhe para o que você está fazendo, Pattadol — disse Citrus, a voz carregada de uma ironia sensual. — Você, a grande esperança dos Canários, explorando o corpo de uma renegada como se fosse o tesouro mais valioso da masmorra.
— Você é o meu tesouro — Pattadol murmurou, os dedos movendo-se com uma reverência que beirava o religioso, antes de puxar Citrus para baixo, para o tapete grosso que cobria o chão de pedra.
O encontro de seus corpos foi uma explosão de sensações que Pattadol não conseguia mais ignorar. Ela se perdeu no calor de Citrus, na maneira como a elfa mais alta a dominava e, ao mesmo tempo, se entregava às suas carícias desajeitadas, mas intensas. Cada gemido de Citrus era como uma medalha de honra para Pattadol, um sinal de que, apesar de sua inexperiência, ela era capaz de levar aquela mulher arrogante ao limite.
No auge do ato, quando o prazer ameaçava consumi-las por completo, Pattadol agarrou-se a Citrus como se ela fosse a única coisa sólida em um mundo que desabava. Seus corpos se moviam em um ritmo frenético, uma dança de luz e sombra, de controle e rendição.
— Diga meu nome — exigiu Citrus, a voz falhando enquanto suas costas arqueavam sob o toque de Pattadol.
— Citrus... Citrus! — Pattadol gritou, o som ecoando pelas paredes frias do castelo, antes de ser silenciado pelo beijo final que as levou ao abismo do êxtase.
Minutos depois, ou talvez horas — o tempo não tinha significado ali dentro —, as duas jaziam entrelaçadas no chão. O suor fazia suas peles grudarem, o ébano e o marfim fundindo-se em uma única imagem de exaustão satisfeita.
Pattadol estava deitada sobre o peito de Citrus, ouvindo o coração da outra desacelerar gradualmente. Ela sentia-se completa, mas também aterrorizada pela profundidade de sua obsessão.
— Amanhã temos uma audiência com o Rei — murmurou Pattadol, embora não fizesse menção de se mover.
— E o que isso importa? — Citrus respondeu, passando os dedos pelos fios loiros de Pattadol. — Você vai sentar lá, fingir que está ouvindo sobre impostos e monstros, e vai passar o tempo todo pensando no gosto da minha pele.
Pattadol suspirou, fechando os olhos. Ela odiava o fato de que Citrus estava certa.
— Você é insuportável, Citrus.
— E você é minha, capitã. — Citrus deu um beijo no topo da cabeça de Pattadol, um gesto raramente afetuoso que fez o coração da loira apertar. — Agora tente dormir um pouco. Você tem muitos relatórios para ignorar amanhã.
Pattadol não respondeu. Ela apenas se aninhou mais profundamente no abraço de sua perdição, aceitando que, no Reino Dourado, as regras dos Canários não tinham poder contra o vício que corria em suas veias. Ela era uma prisioneira, sim, mas nunca se sentira tão livre.