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Entre o Sangue e a Obsessão
O silêncio no apartamento de luxo de Emanuel era cortante, interrompido apenas pelo som rítmico da chuva contra as imensas vidraças. Havia apenas três dias que ele havia decretado que Eduarda moraria ali, e a tensão já havia transbordado. Sara, com sua língua afiada e sua presença esmagadora, não tinha dado um segundo de paz à garota. Após uma discussão ácida na cozinha, onde Sara humilhou a timidez de Eduarda, a jovem simplesmente desapareceu.
Emanuel jogou o copo de cristal sobre o tapete persa, a raiva borbulhando em suas veias. Ele odiava perder o controle. Ele odiava que sua "ratinha" tivesse tido a audácia de fugir sem sua permissão.
— Ela foi embora, Emanuel! Aceite logo — Sara disse, encostada no batente da porta da suíte, vestindo apenas uma lingerie de renda preta que deixava pouco para a imaginação. — Aquela pombinha não aguenta o tranco. Ela é fraca, manhosa demais para o nosso mundo. Esquece essa garota e foca em quem realmente sustenta esse império com você.
Emanuel virou-se, os olhos injetados de uma fúria fria. Ele caminhou até Sara com passos predatórios. A loira não recuou; pelo contrário, estufou o peito siliconado, desafiando-o.
— Você a provocou até ela não aguentar mais — rosnou Emanuel, segurando-a pelo pescoço com força, mas sem sufocá-la. — Eu disse que queria as duas.
— E eu estou aqui, não estou? — Sara sorriu, uma expressão vulgar e vitoriosa. — Me fode, Emanuel. Tira essa raiva em mim. Esquece aquela sonsa por uma hora e lembra quem é a mulher que realmente aguenta a sua intensidade.
Emanuel não respondeu com palavras. O estresse acumulado, a preocupação com Eduarda e a irritação com a petulância de Sara explodiram em um desejo violento. Ele a empurrou contra a parede, arrancando a renda fina com as mãos calejadas de quem dominava máquinas de tatuagem e negócios globais.
O sexo com Sara era uma guerra. Não havia ternura, apenas posse e descarga de adrenalina. Ele a possuiu ali mesmo, com força, enquanto ela gritava obscenidades, arranhando suas costas e pedindo por mais. Era o que eles conheciam: o excesso, o barulho, a competência carnal. Mas, mesmo enquanto gozava dentro dela, a mente de Emanuel estava na flor que ele havia tatuado em outra pele. Na pele macia, pálida e silenciosa de Eduarda.
Assim que terminou, ele se afastou, deixando Sara arfante no chão. Sem dizer uma palavra, ele se vestiu, pegou as chaves da sua SUV blindada e saiu.
— Onde você vai? — Sara gritou, a voz rouca.
— Vou buscar o que é meu — ele respondeu, sem olhar para trás.
Emanuel dirigiu pelas ruas de São Paulo como um louco. Ele rastreou o celular de Eduarda; ela não tinha sido esperta o suficiente para desligá-lo. Ela estava em uma praça afastada, perto da casa de uma das amigas da aposta. Quando ele avistou a silhueta pequena, encolhida sob um ponto de ônibus, o coração dele deu um solavanco que a razão não conseguia explicar.
Ele parou o carro bruscamente e saltou. Eduarda levantou os olhos, assustada, as bochechas vermelhas de tanto chorar.
— Emanuel... — ela soluçou, tentando se levantar, mas ele já estava sobre ela.
— Você achou que podia fugir? — A voz dele era um trovão baixo. — Você achou que eu ia deixar você sair da minha vida depois de ter marcado o seu corpo com a minha arte?
— A Sara... ela me odeia... eu não consigo — ela choramingou, a voz manhosa e trêmula, agarrando-se à própria bolsa.
— Eu não dou a mínima para o que a Sara pensa agora — ele disse, agarrando-a pelo braço e arrastando-a para o carro. — Você é minha, Eduarda. Entenda isso de uma vez por todas. Se eu disse que você vai morar comigo, você vai.
Ele a jogou no banco de trás do carro e trancou as portas. O interior do veículo cheirava a couro novo e ao perfume caro de Emanuel. Ele entrou logo em seguida, mas não ligou o motor. A iluminação fraca dos postes de rua entrava pelas janelas, criando sombras dramáticas.
Eduarda estava tremendo, encolhida no canto do banco.
— Por favor, não fica bravo... — ela pediu, as lágrimas escorrendo. — Eu só fiquei com medo.
— Medo? — Emanuel se aproximou, o espaço ficando pequeno demais. — Eu vou te mostrar o que é ter motivo para ter medo, sua fujona do caralho.
Ele a puxou para o seu colo com um movimento brusco. Eduarda soltou um ganido baixo, aquela manha que o deixava completamente louco. Ele começou a levantar o vestido leve dela, as mãos subindo pelas coxas finas até encontrar a calcinha de algodão.
— Emanuel, aqui não... — ela sussurrou, mas suas mãos já se apertavam nos ombros dele, buscando o contato que ela tanto desejava.
— Aqui, agora, em qualquer lugar — ele sibilou, rasgando a peça íntima dela.
Lá estava ela. A orquídea. A tinta ainda estava fresca, a pele levemente sensível. Emanuel sentiu uma onda de possessividade tão vasta que quase o cegou. Ele abriu a própria calça, a ereção pulsando de urgência.
— Você quer que eu seja gentil, Eduarda? Como eu fui no estúdio? — Ele perguntou, a voz carregada de uma luxúria sombria. — Pois hoje não vai ter gentileza. Você vai aprender a nunca mais fugir de mim.
Ele a penetrou de uma vez, sem preliminares, preenchendo-a totalmente. Eduarda soltou um grito abafado, o rosto escondido no pescoço dele.
— Ai! Emanuel... devagar... — ela choramingou, mas suas pernas se envolveram na cintura dele, abrindo-se completamente, entregando-se como ela fizera na maca de tatuagem.
— Gemer para mim agora não vai adiantar, sua cadelinha manhosa — ele disse, começando a estocá-la com força, o carro balançando levemente sob o impacto. — Você é minha propriedade. Essa bucetinha tatuada é minha. Cada traço dessa flor me pertence. Entendeu?
— Sim... sim... — ela balbuciou, entre gemidos de prazer e dor. — Eu sou sua... por favor, continua...
Emanuel perdeu o resto da racionalidade. Ele a fodia com uma selvageria que nunca mostraria no mundo profissional. Ele queria marcar o interior dela da mesma forma que marcou o exterior.
— Olha para mim — ele ordenou, segurando o queixo dela com força. — Olha para o homem que manda em você.
Eduarda abriu os olhos, as pupilas dilatadas, transbordando uma adoração submissa que alimentava o ego de Emanuel.
— Você gosta disso, não gosta? — Ele provocou, aumentando o ritmo, os tapas na carne ecoando no silêncio do carro. — Gosta de ser tratada como a putinha que você esconde sob esse vestido de moça comportada.
— Eu gosto... eu gosto quando você me pega assim — ela confessou, a voz sumindo enquanto o orgasmo começava a tomar conta dela. — Emanuel... meu Deus... me fode mais forte!
— Vou te foder até você esquecer como se caminha para longe de mim — ele rosnou, chegando ao seu próprio limite.
Ele a apertou contra o banco, despejando-se dentro dela com um urro de satisfação bruta. Eduarda tremia inteira, os espasmos da sua pequena e apertada buceta massageando-o enquanto ele gozava. Por alguns minutos, o único som no carro era a respiração pesada de ambos e a chuva que continuava a cair lá fora.
Emanuel acariciou o cabelo castanho dela, o polegar limpando uma lágrima que ainda teimava em cair. O contraste era absoluto: ele acabara de ser um animal com ela, mas agora, o instinto de proteção voltava com força total.
— Nunca mais — ele disse, a voz agora baixa e possessiva. — Nunca mais saia daquela casa sem a minha permissão. Eu vou cuidar da Sara. Ela não vai encostar um dedo em você, mas você tem que aceitar que o meu mundo é assim. Eu não vou escolher entre vocês. Eu quero o seu mel e o veneno dela.
Eduarda encostou a cabeça no peito dele, sentindo os batimentos cardíacos ainda acelerados do homem que ela agora temia e amava na mesma proporção.
— Eu fico — ela sussurrou, manhosa, buscando o calor dele. — Se você me proteger... eu fico para sempre.
Emanuel sorriu, um sorriso sombrio de quem havia conquistado mais um território. Ele ligou o carro e começou o trajeto de volta para a cobertura. Ele sabia que o clima em casa seria um inferno. Sara estaria esperando, possivelmente com uma garrafa de champanhe em uma mão e um insulto na outra. Mas ele era Emanuel, o homem que transformava dor em arte e caos em império. Ele daria um jeito de domar as duas, de manter a competência de Sara e a pureza corrompida de Eduarda sob o seu comando.
Afinal, para um homem que tinha o mundo aos seus pés, duas mulheres não eram um problema, eram apenas o começo de uma nova e perversa obra-prima.