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O Rugido da Carne e o Peso da Herança
O sol de domingo castigava o gramado impecável do clube exclusivo, onde o cheiro de grama cortada se misturava ao aroma de churrasco e ao perfume caro dos frequentadores. Emanuel corria pelo campo com uma vitalidade que parecia inesgotável. Aos vinte e sete anos, ele estava no auge de sua forma física; os músculos das pernas, definidos e cobertos por tatuagens que serpenteavam até os tornozelos, flexionavam-se a cada arrancada atrás da bola. A camisa de treino, encharcada de suor, aderia ao seu peito largo, tornando-se quase transparente e revelando o contorno dos desenhos em tinta preta que marcavam sua pele como uma armadura.
Na lateral do campo, protegidas por uma tenda luxuosa, as duas mulheres observavam. Sara, impecável em um biquíni de grife sob uma saída de banho transparente, segurava Ágata no colo. A menina, agora com dois anos, era um furacão loiro de energia, gritando "Papai! Papai!" toda vez que Emanuel tocava na bola. Sara sorria, orgulhosa da cria e do homem que possuía, mas seu olhar era prático, calculista, observando a rede de contatos ao redor.
Ao lado dela, Eduarda era o oposto. Sentada em uma cadeira de praia, com Maya — também de dois anos — aninhada em seu colo, Duda parecia em transe. Ela usava um vestido leve de alças, mas sentia que o tecido a sufocava. Seus olhos castanhos não desviavam de Emanuel. Ela o via parar para recuperar o fôlego, levando a gola da camisa ao rosto para limpar o suor, expondo o abdômen trincado e o rastro de pelos que sumia dentro do calção de futebol.
Eduarda sentiu um aperto familiar e urgente no baixo ventre. A visão de Emanuel naquele estado bruto, exalando testosterona e esforço físico, despertava nela um desejo primitivo, uma fome que a deixava tonta. Ela sentia sua intimidade latejar, inchada e úmida sob a calcinha de renda, reagindo àquela exibição de virilidade. Não era apenas desejo; era uma necessidade de ser possuída, de ser marcada por ele ali mesmo, na frente de todos, se fosse preciso.
— Você está babando, Duda — provocou Sara, sem tirar os olhos de Ágata. — Cuidado para não desidratar antes dele sair de campo.
Eduarda despertou do transe, sentindo as bochechas queimarem.
— Ele joga bem, não é? — murmurou ela, tentando disfarçar a voz trêmula.
— Ele faz tudo bem — Sara deu um gole em seu drink, com um sorriso malicioso. — Mas hoje ele está especialmente inspirado. Deve ser a plateia.
Emanuel marcou um gol, uma finalização potente que estufou as redes. Ele não comemorou com os companheiros de time; em vez disso, virou-se para a tenda, ergueu as mãos e apontou diretamente para onde elas estavam. O suor brilhava em sua pele sob o sol, e o sorriso vitorioso que ele lançou fez o coração de Eduarda errar uma batida.
— Ele quer um herdeiro, você sabe — Sara disse de repente, o tom de voz mudando para algo mais sério, quase desafiador. — Ele ama as meninas, é louco pela Ágata e pela Maya, mas o Emanuel tem essa obsessão arcaica por um filho homem. Alguém para carregar o nome, para herdar os estúdios, para ser o "pequeno mestre".
Eduarda apertou Maya contra o peito, sentindo o cheirinho de bebê que a menina ainda conservava. A ideia de dar um filho a Emanuel, um menino que tivesse os traços dele, a força dele, era tudo o que ela conseguia pensar. Ela queria ser a mulher a dar a ele o que Sara ainda não dera. Queria que seu corpo fosse o receptáculo daquela herança de tinta e sangue.
— Eu daria um filho a ele amanhã, se ele pedisse — sussurrou Eduarda, mais para si mesma do que para Sara.
— Pois se prepare — Sara levantou-se, ajeitando os óculos escuros. — Porque do jeito que ele está te olhando hoje, duvido que você saia ilesa desta noite.
O jogo terminou e Emanuel caminhou em direção a elas. Ele estava ofegante, o peito subindo e descendo com força, o cheiro de suor e grama chegando antes dele. Ele pegou Ágata no colo, rindo enquanto a menina tentava puxar suas orelhas, e depois inclinou-se para beijar Maya, que esticava os bracinhos manhosos para ele.
— Oi, minhas princesas — disse ele, a voz rouca pelo esforço. — O papai jogou bem?
— Gol! Gol! — gritava Ágata.
Emanuel então olhou para Eduarda. O olhar dele era predatório, carregado de uma intenção que fez as pernas dela fraquejarem. Ele estendeu a mão e tocou o rosto de Duda com os dedos úmidos de suor.
— Você está muito quieta, pequena. Gostou do que viu?
Eduarda engoliu em seco, sentindo o calor da mão dele incendiar sua pele.
— Gostei... você estava incrível, Manu.
— Estou exausto — ele mentiu, o brilho nos olhos dizendo o contrário. — Preciso de um banho e de um descanso. Sara, você leva as meninas para o parquinho com a babá? Eu e a Duda vamos subir para a suíte do clube por uma hora.
Sara deu um sorriso de canto, entendendo perfeitamente o recado.
— Claro, Emanuel. Divirtam-se. Só não quebrem os móveis, o clube é rigoroso com a conservação.
Emanuel segurou a mão de Eduarda e a puxou. Ela o seguiu como se estivesse em transe, sentindo o roçar do corpo suado dele contra o seu enquanto caminhavam para o prédio principal do clube. Cada passo era uma tortura de antecipação. Ela conseguia sentir o volume no calção dele, a promessa de uma entrega total.
Assim que a porta da suíte se fechou e a chave girou na fechadura, Emanuel a prensou contra a madeira. Ele não esperou por preliminares gentis. Suas mãos grandes e calejadas subiram pelas coxas dela, levantando o vestido, enquanto sua boca encontrava o pescoço de Eduarda com uma voracidade que a fez soltar um gemido agudo.
— Você me olhou o jogo inteiro, Duda — ele sussurrou contra a pele dela, a respiração quente e úmida. — Eu conseguia sentir o seu desejo daqui. Você me quer, não quer?
— Quero... Manu, por favor... — ela implorou, enroscando as pernas na cintura dele. — Eu quero você agora.
Emanuel a carregou até a cama, jogando-a sobre os lençóis brancos. Ele se livrou da camisa encharcada e do calção em movimentos rápidos, revelando-se para ela em toda a sua glória bruta. Eduarda arqueou as costas, a mão descendo instintivamente para a própria intimidade, que clamava pelo toque dele.
— Eu quero um filho seu, Manu — ela disparou, as palavras saindo sem filtro, movidas pela urgência do momento. — Eu quero te dar o menino que você tanto deseja. Eu quero carregar o seu sangue.
Os olhos de Emanuel escureceram. Ele se posicionou entre as pernas dela, as mãos segurando os pulsos de Eduarda acima da cabeça, prendendo-a contra o colchão.
— Você tem certeza disso, pequena? — ele perguntou, a voz como um rosnado baixo. — Porque se eu entrar em você agora, não vai ser para brincar. Eu vou te marcar. Eu vou colocar um herdeiro aí dentro.
— Sim! — ela gritou, puxando-o para si. — Agora!
O encontro foi explosivo. Emanuel a possuía com uma força que beirava a agressividade, mas Eduarda respondia com uma entrega absoluta, cada estocada dele sendo recebida por um gemido de prazer e uma prece silenciosa de fertilidade. Ela sentia o suor dele pingar em seu peito, misturando-se às suas próprias lágrimas de êxtase. O cheiro de sexo e possessão preenchia o quarto.
Emanuel estava focado, quase obcecado. Ele via em Eduarda a suavidade que faltava em sua vida de negócios, mas naquele momento, ele via nela o solo fértil para sua semente. Ele queria perpetuar a si mesmo nela, queria que aquele corpo frágil e carinhoso carregasse o peso de seu futuro.
— Você é minha, Eduarda — ele declarou, a voz falhando enquanto ele atingia o ápice. — Só minha.
Ele se derramou dentro dela com uma intensidade que a deixou sem fôlego, mantendo-se unido a ela por longos minutos, o peso de seu corpo sendo o único conforto que ela desejava. Eduarda o abraçava com força, as mãos cravadas nas costas tatuadas dele, sentindo cada pulsação, cada gota de vida que ele depositava ali.
— Eu vou engravidar, Manu — ela sussurrou no ouvido dele, a voz carregada de uma certeza mística. — Eu sinto. Vai ser o seu menino.
Emanuel afastou-se apenas o suficiente para olhar o rosto dela. Eduarda estava radiante, a pele corada, os olhos brilhando com uma satisfação que ele nunca vira antes. Ele beijou a testa dela, um gesto de carinho que contrastava com a brutalidade de instantes atrás.
— Se for, ele vai ser o dono de tudo isso aqui, Duda. E você vai ser a rainha dele.
Eles ficaram ali, deitados no silêncio da suíte, enquanto o sol começava a baixar no horizonte. Lá fora, o clube continuava sua rotina de risos e jogos, mas dentro daquele quarto, o destino de um império acabara de ser selado. Eduarda sentia-se preenchida, não apenas fisicamente, mas por um propósito que a definia. Ela não era mais apenas a namorada tímida; ela era a mulher que carregaria o futuro de Emanuel.
— Vamos descer — disse Emanuel, levantando-se e oferecendo a mão para ela. — As meninas devem estar sentindo nossa falta. E a Sara... bem, a Sara vai saber só de olhar para você.
Eduarda sorriu, ajeitando o vestido. Ela sentia-se pesada, de uma forma boa, como se já carregasse o tesouro que tanto almejava.
— Deixe que ela saiba. Eu não tenho mais medo.
Ao voltarem para o parquinho, Sara os observou de longe. Ela viu o jeito que Emanuel segurava a cintura de Eduarda, a forma possessiva e protetora, e viu o brilho de triunfo no rosto da jovem morena. Sara deu um suspiro longo, ajustando Ágata no colo.
— Parece que a bonequinha finalmente aprendeu a jogar pesado — murmurou Sara para si mesma, com um respeito relutante.
Emanuel pegou Maya e Ágata, uma em cada braço, e caminhou em direção ao estacionamento. Eduarda ia ao seu lado, a mão repousando discretamente sobre o ventre. O império de Emanuel estava prestes a ganhar um novo capítulo, escrito não em papel ou pele, mas na promessa de um sangue novo que começava a ser gerado sob o sol de um domingo inesquecível.