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O Despertar do Ciúme e a Seda dos Laços

O sol da tarde filtrava-se pelas enormes janelas de vidro da cobertura, banhando a sala de estar em tons de dourado e âmbar. Emanuel estava no escritório, sua voz grave ressoando através das paredes enquanto discutia os detalhes da nova convenção de tatuagem em Miami. Sara, por sua vez, estava instalada na mesa de jantar com seu laptop, cercada por planilhas e relatórios financeiros, digitando com uma rapidez que beirava a fúria produtiva.

No meio desse cenário de eficiência e poder, Eduarda movia-se como uma brisa suave. Ela havia acabado de sair do banho, o cheiro de sabonete de baunilha e flores brancas emanando de sua pele macia. Para aquela tarde em casa, ela escolhera sua peça favorita: um shortinho de seda branca, extremamente curto, com babados delicados nas extremidades e pequenos laços de fita de cetim nas laterais. Era uma peça que ela considerava "manhosa", algo que a fazia se sentir bonita e confortável em sua própria feminilidade tímida. Para completar, uma regata de alcinhas finas que mal tocava seu corpo esguio.

Maya estava no tapete, balbuciando para um de seus brinquedos, enquanto Ágata, a "mini diva", observava a irmã com tédio do alto de seu balanço eletrônico. Eduarda sentou-se no chão ao lado de Maya, os babados do short subindo ainda mais pelas suas coxas claras.

— Oi, meu amor... — murmurou Eduarda, fazendo cócegas na barriga de Maya. — Você está tão calma hoje, não está?

A bebê soltou uma risadinha gostosa, agarrando o dedo de Eduarda. Sara levantou os olhos do computador por um segundo, ajustando os óculos de leitura de grife.

— Duda, esse seu figurino de "Lolita de apartamento" é um perigo — comentou Sara, o tom carregado de sua ironia habitual. — Se o Emanuel sair daquela sala e te vir assim, ele vai esquecer que tem uma reunião em dez minutos.

Eduarda sentiu o rosto esquentar, mas sorriu.

— É confortável, Sara. E estamos em casa, não tem ninguém aqui.

— Por enquanto — retrucou a loira, voltando a digitar. — Mas você sabe como o nosso "rei do estúdio" é possessivo. Ele gosta de ver, mas odeia a ideia de que o mundo imagine o que ele tem.

Poucos minutos depois, a porta do escritório se abriu. Emanuel saiu caminhando, ainda terminando de ajustar o relógio de pulso. Ele parecia tenso; o estresse de gerenciar múltiplos negócios simultâneos deixava seus traços mais rígidos.

— Sara, os caras de Londres já estão chegando? — perguntou ele, sem olhar para os lados. — O motorista confirmou que eles já saíram do hotel?

— Estão subindo, Emanuel — respondeu Sara, sem desviar os olhos da tela. — Devem estar no elevador agora. Prepare o café, porque esses ingleses são exigentes.

Emanuel finalmente parou no meio da sala e seus olhos caíram sobre Eduarda. Ela estava sentada de lado, uma perna dobrada, o que fazia com que o shortinho franzido subisse perigosamente, revelando a curva suave de seu quadril e a extensão de suas pernas bem cuidadas. Os laços de fita pareciam um convite visual que Emanuel conhecia bem demais.

O olhar dele escureceu instantaneamente. Não era o olhar de desejo que Eduarda costumava receber, mas algo mais denso, beirando a fúria.

— Eduarda, o que você está vestindo? — A voz dele saiu baixa, vibrando com uma autoridade que a fez estremecer.

Eduarda levantou-se rapidamente, tentando puxar a barra do short, o que só serviu para franzir ainda mais o tecido.

— É só meu short de babados, Emanuel... você disse que gostava.

— Eu gosto quando estamos sozinhos no quarto! — Ele deu dois passos rápidos em direção a ela, a presença física dominando o espaço. — Eu te disse que teria uma reunião presencial aqui hoje. Os sócios de Londres estão entrando no prédio agora.

— Mas eu estou em casa, Emanuel! — Eduarda defendeu-se, a voz falhando pela timidez. — Eu não ia sair da sala, ia ficar com as meninas no quarto.

— Não importa! — Ele apontou para as pernas dela. — Esse short é curto demais. É vulgar para quem não entende a sua doçura. Você parece... você parece um convite aberto, Eduarda!

Sara soltou uma risada curta e seca lá do fundo.

— Calma, "Big Boss". A menina só está confortável. Quem diria que o grande Emanuel, o homem das tatuagens e da mente aberta, seria um moralista de plantão quando o assunto são as pernas da Duda?

— Cale a boca, Sara! — Emanuel rosnou, sem tirar os olhos de Eduarda. — Duda, vá trocar de roupa. Agora. Coloque algo que te cubra.

— Você está sendo injusto — disse Eduarda, as lágrimas começando a embaçar sua visão. — Você nunca fala assim com a Sara quando ela usa aqueles vestidos que mostram tudo.

— A Sara sabe se portar como uma mulher de negócios — ele retrucou, a voz dura. — Ela usa a aparência como arma. Você não, Eduarda. Você é doce demais, é ingênua. Se esses caras te virem assim, eles não vão ver a estudante de arte brilhante que você é. Vão ver apenas pele. E eu não permito que ninguém te olhe desse jeito.

— Você quer me controlar até dentro de casa? — perguntou ela, sentindo uma pontada de rebeldia misturada à mágoa.

— Eu quero te proteger! — Emanuel exclamou, sua respiração pesada. — Agora, suba. Antes que eu perca a paciência de vez.

Eduarda não esperou mais. Ela pegou Maya no colo de qualquer jeito, sentindo o choro entalado na garganta, e correu em direção ao corredor dos quartos. O som dos seus passos rápidos foi abafado pelo tapete luxuoso, mas o silêncio que ela deixou para trás era carregado de eletricidade.

Emanuel passou a mão pelo rosto, tentando se acalmar. Ele sabia que tinha sido bruto, mas a ideia de outros homens — homens que ele conhecia e cujos caráteres ele questionava — colocando os olhos na fragilidade exposta de Eduarda o enlouquecia.

— Você foi um idiota — comentou Sara, levantando-se e caminhando até ele. Ela tocou o braço dele, sentindo os músculos tensos. — Ela não entende essa sua lógica de "proteção". Para ela, você só teve vergonha da aparência dela.

— Eu nunca teria vergonha dela, Sara. Você sabe disso.

— Então vá lá e concerte isso depois que a reunião acabar — disse ela, voltando à sua postura profissional ao ouvir o sinal do elevador. — Os ingleses chegaram. Coloque sua máscara de empresário e tente não rosnar para eles se eles perguntarem da "moça bonita" que viram nas fotos do seu perfil.

A reunião durou duas horas intermináveis. Emanuel estava presente fisicamente, mas sua mente estava no quarto ao fundo do corredor. Ele ouvia o silêncio vindo de lá e isso o incomodava mais do que qualquer grito. Quando os sócios finalmente foram embora, ele não esperou nem um segundo para se despedir formalmente de Sara.

Ele caminhou até o quarto de Eduarda. A porta estava encostada. Ele entrou sem bater e a encontrou sentada na beira da cama, vestindo um pijama de flanela longo, completamente fechado até o pescoço, apesar do calor da tarde. Ela estava lendo um livro, mas não virou a página quando ele entrou.

— Duda... — chamou ele, a voz agora suave, desprovida da agressividade de antes.

Ela não respondeu.

Emanuel sentou-se ao lado dela, sentindo o peso do seu próprio erro. Ele esticou a mão e tocou o tecido grosso do pijama.

— Você não precisa se esconder de mim.

— É o que você queria, não é? — perguntou ela, sem olhar para ele. — Que eu me cobrisse. Que eu desaparecesse para que seus amigos não me vissem.

— Não é que eu queira que você desapareça — explicou Emanuel, puxando o queixo dela delicadamente para que ela o encarasse. — É que o que temos aqui, o jeito que você é... é sagrado para mim. Aquele shortinho, o jeito que você fica manhosa quando o usa... isso é meu, Eduarda. É nosso. Eu não suporto a ideia de compartilhar essa sua imagem com homens que não te respeitam como eu.

— Mas você me desrespeitou na frente da Sara e das meninas — ela rebateu, uma lágrima solitária escorrendo. — Você gritou comigo por causa de um babado e um laço.

— Eu sei. Eu perdi o controle — admitiu ele, suspirando. — O estresse do trabalho, a pressão... eu descontei em você. Me perdoa?

Eduarda olhou para ele, vendo o cansaço nos olhos do homem que ela amava. Ela sabia que Emanuel era um homem de extremos, um protetor ferrenho que às vezes confundia cuidado com controle.

— Eu gosto daquele short, Emanuel. Ele me faz sentir leve.

— Eu também gosto — disse ele, um meio sorriso surgindo em seus lábios. — Eu amo como ele fica em você. Amo como os laços parecem pedir para serem desfeitos. Mas guarde-os para mim, está bem? Prometo que, da próxima vez, eu apenas fecho a porta da sala e aviso que a reunião foi cancelada.

Eduarda soltou um riso tímido, o clima pesado começando a se dissipar.

— Você é impossível.

— Eu sou louco por você — ele corrigiu, puxando-a para um abraço apertado. — Vá colocar aquele short de novo. A reunião acabou, a Sara está dando banho nas meninas e eu quero ver minha namorada manhosa de novo.

— Só se você prometer que não vai rosnar mais — brincou ela, levantando-se e indo em direção à gaveta.

— Prometo — disse ele, observando-a. — Mas não garanto que vou te deixar sair do quarto tão cedo.

Eduarda trocou de roupa sob o olhar atento e agora puramente desejoso de Emanuel. Quando ela amarrou o último laço de cetim na lateral da coxa, sentiu-se novamente em casa. Ela se aproximou dele, sentando-se em seu colo, os babados roçando a pele dele.

— Melhor agora? — perguntou ela, passando os braços pelo pescoço dele.

— Muito melhor — sussurrou Emanuel, mergulhando o rosto na curva do pescoço dela, onde o cheiro de baunilha ainda persistia. — Mas da próxima vez que os ingleses vierem, eu compro um cadeado para essa porta.

— Emanuel! — ela protestou, rindo.

— Brincadeira — disse ele, embora o brilho possessivo em seus olhos dissesse que, no fundo, ele não estava brincando tanto assim.

Na sala, Sara ouvia as risadas vindas do quarto e revirava os olhos enquanto secava Ágata com uma toalha felpuda.

— Viu só, Ágata? — comentou a loira para a bebê. — Seu pai é um ogro, mas a Duda tem o dom de transformar ele em um gatinho de estimação com apenas alguns laços de fita. Aprenda isso, pequena. Vai ser útil quando você crescer.

Ágata apenas soltou um balbucio esnobe, como se já soubesse de tudo aquilo, enquanto Maya, no berço ao lado, finalmente adormecia, embalada pela paz que voltava a reinar na cobertura luxuosa. O equilíbrio entre o controle e a doçura havia sido restaurado, pelo menos até a próxima crise de ciúmes de Emanuel ou a próxima provocação de Sara. Mas, para Eduarda, o calor dos braços de Emanuel e o toque suave da seda em sua pele eram o suficiente para esquecer qualquer briga.