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O Eclipse da Razão e o Trono de Sangue
O som da porta de carvalho maciço batendo contra o batente ecoou pelo triplex como um tiro de canhão. Emanuel entrou no hall de entrada exalando uma aura de violência contida que fez até o ar parecer mais denso e irrespirável. Ele não era apenas um homem irritado; ele era um predador ferido em seu orgulho. Um problema em um de seus estúdios na Europa — uma traição de um sócio minoritário que tentara desviar fundos e manchar o nome da marca — o fizera cruzar o oceano em um voo particular movido a ódio e cafeína.
Ele jogou a pasta de couro no chão e arrancou a gravata, os olhos escuros faiscando. A casa estava mergulhada na luz suave do entardecer, um contraste irritante com o caos que rugia dentro de seu peito. Emanuel precisava de algo para dominar, algo que silenciasse a fúria racional e desse lugar ao instinto mais primitivo.
Eduarda apareceu no topo da escada, usando um vestido de malha fina cor de pêssego que delineava suas curvas suaves. Ela parecia uma visão de paz, com os cabelos castanhos soltos e aquele olhar doce que sempre buscava a aprovação dele.
— Emanuel? Você chegou cedo... — ela começou, mas a voz falhou quando ela viu a expressão no rosto do primo. — Aconteceu alguma coisa? Você parece...
— Onde está a Sara? — a voz dele saiu rouca, um comando vibrante.
— Ela saiu com a Ágata para o shopping, elas foram comprar... — Eduarda desceu alguns degraus, sentindo a tensão emanar dele. — Emanuel, você está me assustando. O que houve?
Ele não respondeu com palavras. Emanuel subiu os degraus restantes em dois passos largos, agarrando o braço de Eduarda com uma firmeza que a fez soltar um arquejo. Ele a arrastou para o quarto principal, a porta sendo fechada e trancada com um clique definitivo que selou o destino daquela tarde.
— Emanuel, as crianças... a babá está na cozinha, a Maya e o Arthur estão... — ela tentou protestar, mas ele a prensou contra a madeira da porta, o peso do corpo dele esmagando a delicadeza dela.
— Esqueça as crianças. Esqueça o mundo lá fora — ele rosnou, o rosto a centímetros do dela. — Eu passei dez horas ouvindo mentiras e tentando não matar um homem. Agora, eu preciso que você seja exatamente o que você é: minha.
Ele a beijou com uma brutalidade que não pedia permissão. Não havia a ternura habitual, nem o cuidado com a "bailarina frágil". Era um ataque. Eduarda, em sua natureza manhosa e submissa, sentiu o medo se misturar a uma excitação proibida. Ela se encolheu contra ele, as mãos pequenas agarrando os ombros largos de Emanuel enquanto ele arrancava o vestido dela com um puxão impiedoso, ouvindo o som do tecido se rasgando.
— Emanuel, por favor... — ela gemeu, a voz trêmula.
— Chora, Eduarda. Chora no meu pau, sua puta — ele disse, a voz carregada de um baixo calão que ele raramente usava com ela, mas que agora servia como o combustível para sua libertação. — Você é a única coisa real que eu tenho agora. E eu vou te destruir.
Ele a jogou na cama e a possuiu sem preliminares, um estocada profunda e possessiva que arrancou um grito agudo da garganta dela. Eduarda arqueou as costas, as unhas cravando-se nos lençóis de seda, enquanto Emanuel a fodia com uma cadência violenta, cada movimento sendo um desabafo de sua frustração com o mundo.
— Você é minha, não é? — ele perguntou, as mãos grandes apertando as coxas dela com força suficiente para deixar marcas. — Diga!
— Sou... eu sou sua... — ela soluçava, o rosto enterrado no travesseiro, o corpo reagindo àquela invasão bruta com uma entrega total.
Do lado de fora, no corredor, o som do choro infantil começou a se fazer ouvir. Primeiro foi Maya, a sensível, que parecia captar a vibração de angústia da mãe através das paredes. Logo depois, o choro de Arthur se juntou ao dela, um protesto vigoroso e impaciente.
— Mamãe! — Maya chamava, batendo levemente na porta trancada. — Mamãe, abre!
Eduarda tentou se levantar, o instinto materno lutando contra a luxúria avassaladora.
— Emanuel... eles estão chamando... eu preciso ir...
Ele a segurou pelos quadris, impedindo qualquer movimento de fuga, e intensificou o ritmo, ignorando os apelos que vinham do corredor.
— Você não vai a lugar nenhum — ele sentenciou, o suor brilhando em suas costas tatuadas. — Deixe que chorem. Eles precisam aprender que, neste momento, você pertence ao seu homem, não a eles.
— Mas eles estão assustados! — ela implorou, as lágrimas escorrendo livremente enquanto ele a fodia com uma força que parecia querer fundir seus corpos.
— Deixe que sintam a autoridade desta casa — Emanuel disse, a voz fria contrastando com o calor do ato. — Eu sou o dono dessa porra toda, Eduarda. E você é o meu refúgio. Aguenta.
Ele continuou, implacável, destruindo qualquer resquício de resistência nela. Eduarda entregou-se ao delírio da dor e do prazer, o som dos filhos chorando tornando-se um ruído de fundo distante diante da tempestade que Emanuel descarregava dentro dela. Ele a usou como um instrumento, um receptáculo para sua fúria, até que ambos atingiram um ápice violento que os deixou trêmulos e exaustos.
O silêncio caiu sobre o quarto, quebrado apenas pela respiração pesada de Emanuel e pelos soluços baixos de Eduarda. Do lado de fora, o choro das crianças havia diminuído para um lamento cansado e confuso.
Emanuel levantou-se da cama com a calma de quem acabara de esvaziar um carregador. Ele não olhou para trás enquanto caminhava até o banheiro, lavando o rosto e vestindo uma calça limpa. A fúria desaparecera, substituída pela frieza calculista de sempre.
Eduarda continuou deitada, o corpo dolorido e a mente em frangalhos, tentando processar a transição brusca daquele homem. Ela se cobriu com o lençol, sentindo-se vulnerável e, paradoxalmente, protegida por aquela sombra de possessividade.
Emanuel abriu a porta do quarto. Maya e Arthur estavam sentados no tapete do corredor, com os rostos vermelhos e úmidos. No momento em que viram o pai, o medo desapareceu de seus olhos, substituído pela busca automática por segurança.
— Venham cá, meus pequenos — disse Emanuel, a voz agora suave, perfeitamente modulada, como se a cena de minutos atrás nunca tivesse existido.
Ele se abaixou e pegou os dois no colo simultaneamente, um em cada braço, com uma facilidade que demonstrava sua força física superior. Arthur agarrou-se à sua camisa, e Maya encostou a cabeça em seu ombro, suspirando de alívio.
— Onde estava a mamãe? — Maya perguntou, a voz trêmula.
— A mamãe estava descansando, querida — Emanuel respondeu, caminhando em direção à cozinha com os filhos. — Ela estava muito cansada. Vamos ver se a babá preparou aquele lanche que vocês gostam?
Eduarda, do quarto, ouviu a voz dele diminuir enquanto ele se afastava. Ela se levantou lentamente, as pernas bambas, e olhou-se no espelho. Havia marcas em seus braços e um brilho febril em seus olhos. Ela sabia que a dinâmica daquela casa era perigosa, que Emanuel era um homem que habitava as sombras tanto quanto a luz.
Mas, enquanto ouvia o som da risada de Arthur na cozinha, provocada por alguma brincadeira do pai, ela também sabia que aquele era o seu mundo. Um mundo onde o sangue, o desejo e a proteção estavam tão entrelaçados que era impossível dizer onde terminava um e começava o outro.
Ela vestiu um robe limpo e desceu, encontrando Emanuel sentado à mesa com as crianças, agindo como o patriarca perfeito, o provedor inabalável. Ele levantou os olhos quando ela entrou na cozinha e, por um breve segundo, a chama daquela tarde brilhou novamente em seu olhar, um segredo compartilhado entre o predador e sua presa.
— Sente-se, Duda — disse ele, puxando uma cadeira para ela. — As crianças sentiram sua falta.
— Eu também senti a deles — ela respondeu, a voz ainda um pouco rouca, aceitando o lugar que ele lhe oferecia naquele trono de contradições.
A paz voltara ao triplex, mas as marcas sob o robe de Eduarda eram o lembrete de que, naquela família, a calmaria era apenas o intervalo entre as tempestades de Emanuel. E ela, em sua eterna doçura manhosa, não queria estar em nenhum outro lugar.