Voltar ao resumo

De volta

Sussurros de Seda e Sombras de Rancor

— Não, estamos bem, obrigada — respondi de forma direta, sem qualquer traço de hesitação na voz. — Vou subir agora, preciso descansar um pouco. Tenha uma boa noite, Lorena.

O olhar de Lorena era uma mistura densa de expectativa e algo que beirava o desespero silencioso. Ela permaneceu estática no centro do salão, as mãos levemente inquietas ao lado do corpo, como se estivesse processando o fato de que eu a estava dispensando com tamanha frieza. Eu sabia que ela queria mais; queria uma brecha, um convite, ou talvez apenas um sinal de que sua presença ainda exercia algum tipo de influência sobre mim. Mas eu não dei nada a ela. Apenas fiz um pequeno aceno de cabeça, seco e protocolar, e girei nos calcanhares.

Enquanto subia os degraus de madeira da estalagem, sentia o peso do dia nos meus ombros. Magnostadt podia ser uma cidade de maravilhas mágicas, mas o cansaço que se acumulava após as missões era puramente humano e esmagador.

Ao abrir a porta do quarto, o ambiente mudou instantaneamente. O ar estava saturado com o perfume doce de baunilha e o calor úmido de um banho recém-tomado. Maya estava ali, de pé diante do espelho, terminando de amarrar o cordão de seu roupão branco felpudo, que ostentava um "M" elegante bordado em dourado no peito. Seus cabelos escuros estavam úmidos, caindo em ondas pesadas sobre os ombros, e sua pele tinha aquele brilho rosado e saudável que sempre me desarmava.

Sem dizer uma única palavra, eu me deixei cair sobre a cama, afundando o rosto nos travesseiros macios. O contraste entre a dureza do mundo lá fora e o conforto daquele quarto era quase inacreditável.

Maya soltou uma risada baixa, um som que vibrou suavemente no meu peito. Ela caminhou com elegância até a cama e sentou-se na beirada, subindo os pés sobre o lençol para começar a rotina de passar creme nas pernas. O movimento de suas mãos era lento, deliberado, e o som do creme sendo espalhado na pele macia começou a preencher o silêncio.

— Que foi? — perguntou ela, inclinando a cabeça para me olhar com um sorriso travesso.

— Tô exausta, Garcia... — murmurei, minha voz saindo abafada pelo travesseiro. Usei o sobrenome dela, o que sempre era um sinal de que eu estava ou muito cansada ou querendo atenção.

Maya parou o que estava fazendo por um segundo. Senti o peso do seu olhar percorrendo minhas costas, mapeando cada linha do meu corpo sob as roupas de viagem. O clima no quarto mudou. A exaustão que eu sentia começou a ser substituída por um formigamento familiar, uma eletricidade que Maya sempre sabia como despertar.

— Você está uma pilha de nervos — disse ela, a voz descendo uma oitava, tornando-se mais rouca. — Mas antes de qualquer coisa, Giovanna... vá tomar um banho. Tira essa poeira de Magnostadt de cima de você. Vai se sentir melhor.

Eu resmunguei, fingindo que queria apenas dormir, mas Maya se inclinou sobre mim. O cheiro dela era inebriante, e quando senti seus lábios roçarem de leve na minha orelha, soube que a batalha contra o sono estava perdida.

— Vai logo — sussurrou ela. — Eu estarei aqui esperando.

Levantei-me com um esforço fingido e caminhei até o banheiro. A água quente foi um alívio, mas minha mente não conseguia se desligar da imagem de Maya no quarto. Quando saí, minutos depois, eu usava apenas o meu próprio roupão, os cabelos úmidos e o corpo relaxado, mas os sentidos totalmente alertas.

Maya estava deitada de lado, apoiada no cotovelo, observando a porta. No momento em que meus olhos encontraram os dela, o ar pareceu ficar escasso. Ela não precisava dizer nada; a forma como ela mordeu o lábio inferior, deixando o roupão levemente entreaberto, revelando a curva da sua clavícula, foi o suficiente para que eu perdesse o juízo.

— Melhor agora? — perguntou ela, estendendo a mão.

Eu não respondi. Caminhei até a cama e segurei sua mão, puxando-a para cima até que ela estivesse de pé, colada a mim. O calor que emanava dela era como uma fogueira em uma noite de inverno. Minhas mãos encontraram sua cintura, apertando o tecido do roupão, e eu a puxei para mais perto, eliminando qualquer espaço que restasse.

— Você não tem noção do que está fazendo comigo — confessei, minha voz falhando.

— Ah, eu tenho uma ideia bem clara, Giovanna — ela respondeu, os olhos brilhando com um desejo perigoso. — E eu ainda nem comecei.

Ela me puxou para um beijo que começou urgente, quase faminto. Nossas línguas se encontraram em uma dança frenética, e o cansaço que eu sentia antes foi completamente incinerado pela luxúria. Eu a empurrei suavemente para trás, derrubando-a na cama, e me posicionei sobre ela, sentindo a maciez do roupão e a firmeza do seu corpo por baixo dele.

Enquanto isso, no corredor silencioso da estalagem, Lorena caminhava lentamente. Ela pretendia ir para o seu quarto, mas seus pés a levaram, quase involuntariamente, até a porta de Maya e Giovanna. Ela parou ali, a mão pairando sobre a madeira escura, a respiração presa na garganta.

No início, era apenas o silêncio. Mas então, os sons começaram a atravessar a fresta da porta.

— Maya... por favor — a voz de Giovanna ecoou, carregada de uma entrega que fez o sangue de Lorena gelar.

Lá dentro, o roupão de Maya já havia sido descartado. Minhas mãos exploravam cada centímetro de sua pele, descobrindo curvas e pontos sensíveis que a faziam arquear as costas e cravar as unhas nos meus ombros. Eu estava perdendo o controle, mergulhando de cabeça naquela intensidade.

— Eu disse que faria você esquecer o cansaço — Maya arquejou, puxando meu rosto para o dela, seus beijos descendo pelo meu pescoço, deixando um rastro de fogo. — Você é minha, Giovanna. Só minha.

— Sim... — eu gemi, perdendo o fôlego quando ela encontrou exatamente o ponto que me fazia delirar. — Mais, Maya... não para.

Do lado de fora, Lorena ouviu tudo. O som dos lençóis se agitando, os suspiros pesados, o ritmo inconfundível de dois corpos se tornando um só. Ela fechou os olhos com força, sentindo uma pontada de dor no peito que logo se transformou em uma raiva ardente. As unhas dela se cravaram nas palmas das mãos, quase rompendo a pele.

Como Giovanna podia ser tão fria com ela lá embaixo e tão... tão entregue a Maya ali dentro? A humilhação de ter sido dispensada queimava mais do que a inveja. Ela imaginava as mãos de Maya em Giovanna, o toque que ela mesma tanto desejava e que lhe fora negado com um simples "boa noite".

— Você vai se arrepender disso — sussurrou Lorena para a porta fechada, sua voz um veneno contido.

Dentro do quarto, o mundo exterior não existia. Eu estava completamente perdida no prazer que Maya me proporcionava. Cada movimento dela era calculado para me levar ao limite, para me fazer esquecer quem eu era, onde estávamos e qualquer preocupação com o amanhã. O suor brilhava em nossas peles sob a luz fraca das velas, e o som dos nossos gemidos preenchia o espaço, uma sinfonia de desejo puro.

— Olha para mim — Maya comandou, sua voz firme apesar da respiração acelerada.

Eu abri os olhos, encontrando os dela. O que vi ali não era apenas luxúria, era uma posse absoluta. Ela me beijou novamente, um beijo profundo que selou nossa conexão, enquanto o clímax nos atingia como uma onda avassaladora, deixando-nos sem fôlego e abraçadas, o coração de uma batendo contra o da outra.

— Eu te disse... — Maya sussurrou contra o meu peito, a voz carregada de satisfação.

— Você sempre tem razão — respondi, sorrindo entre beijos desajeitados, sentindo-me finalmente completa.

No corredor, Lorena deu um passo para trás, o silêncio que se seguiu lá dentro sendo quase mais doloroso do que os sons de antes. Ela girou nos calcanhares e caminhou para o seu quarto, cada passo imbuído de um rancor que prometia não ser esquecido. A noite de prazer de Giovanna e Maya teria um preço, e Lorena estava disposta a cobrar cada centavo.