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Descobertas

O Peso de uma Coroa e a Insolência de um Rei

A sala de descanso do Comitê Disciplinar estava incomumente barulhenta naquela tarde. O sol de outono filtrava-se pelas janelas altas da Academia Xyrus, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar, mas o foco de todos os presentes não era o clima, e sim a figura que cochilava tranquilamente em uma poltrona de couro: Arthur Leywin.

Sylvie estava enrolada em cima do peito dele, emitindo um ronronar rítmico que parecia vibrar por toda a sala. Ao redor deles, Elijah, Claire, Feyrith e Lilia estavam sentados em um círculo improvisado, enquanto os irmãos Glayder e Tessia Eralith pareciam estar em meio a uma competição de quem contava a história mais absurda sobre o rapaz adormecido.

— Vocês não estão entendendo — disse Curtis, rindo enquanto gesticulava com uma caneca de suco na mão. — No dia em que Arthur foi apresentado formalmente ao meu pai, o Rei de Sapin, eu esperava que ele, no mínimo, fizesse uma reverência adequada. Sabe o que ele fez?

— Ele provavelmente corrigiu a postura do seu pai — arriscou Claire, cruzando os braços com um sorriso divertido.

— Pior! — Curtis exclamou. — Ele olhou para a coroa do meu pai, depois para o meu pai, e disse que o design parecia "pesado demais para alguém que só precisava assinar papéis". O salão inteiro ficou em silêncio. Eu achei que os guardas reais iam ter um colapso ali mesmo.

— E o que o Rei disse? — perguntou Feyrith, com os olhos arregalados de choque elfo.

— Meu pai soltou uma gargalhada tão alta que ecoou pelas vigas — respondeu Kathyln, sua voz suave carregando um brilho de admiração. — Ele disse que era a primeira vez em décadas que alguém era honesto com ele sem tentar conseguir um favor político em troca. Mas o Arthur não parou por aí. Ele passou o resto do jantar discutindo táticas de defesa de fronteira com o general de brigada como se estivesse ensinando uma criança a somar dois mais dois.

Tessia, que estava sentada no braço da poltrona de Arthur, acariciando gentilmente as escamas de Sylvie, soltou uma risadinha melodiosa.

— Isso não é nada perto do que ele fazia em Elenoir. O vovô Virion, que é o ex-rei e o homem mais temido do nosso continente, uma vez tentou dar um sermão no Arthur sobre a importância da etiqueta élfica durante o chá.

— E como o Arthur reagiu? — Lilia perguntou, curiosa para saber como seu "irmão" agia longe de sua casa.

— Ele bocejou na cara do meu avô — contou Tessia, revirando os olhos, embora houvesse carinho em seu gesto. — E depois disse: "Vovô, se você gastasse metade desse tempo treinando seu núcleo de mana em vez de medir a distância entre a xícara e o meu pires, talvez não estivesse tão enferrujado". O vovô ficou tão vermelho que eu achei que ele ia explodir, mas depois de dez segundos, ele simplesmente desafiou o Arthur para um duelo no jardim.

Elijah limpou os óculos, balançando a cabeça.

— Eu morei com ele, pessoal. Eu vi esse cara tratar o Diretor Goodsky como se ela fosse uma tia que ele gosta de irritar. Mas saber que ele faz isso com Reis e Diretores de outros reinos... Arthur, você tem um desejo de morte ou algo assim?

Arthur, que todos pensavam estar dormindo profundamente, abriu um dos olhos. O azul profundo de suas íris brilhava com uma lucidez que indicava que ele estava ouvindo cada palavra.

— Eles merecem — resmungou Arthur, sua voz rouca pelo sono. — A maioria dessas pessoas passa o dia cercada de bajuladores que dizem "sim" para cada ideia estúpida que eles têm. Alguém precisa lembrá-los de que a gravidade afeta a realeza da mesma forma que afeta um camponês.

— Arthur! — Lilia o repreendeu, embora estivesse sorrindo. — Você está falando de chefes de estado!

— Eu estou falando de pessoas, Lilia — Arthur se espreguiçou, fazendo Sylvie soltar um pequeno ganido de protesto por ser movida. — Curtis é um bom sujeito, mas às vezes ele coloca essa "voz de príncipe" que me dá vontade de jogar um balde de água fria nele. E o Vovô Virion... bem, ele é um masoquista que gosta de ser desafiado. Se eu o tratasse com reverência, ele ficaria entediado em cinco minutos.

Curtis deu um tapa amigável nas costas de Arthur quando este se sentou.

— Você é impossível, Leywin. Mas é por isso que a gente aguenta você.

— Só peço uma coisa — disse Arthur, de repente ficando muito sério, o que fez todos na sala se inclinarem para frente, esperando uma revelação profunda. — Não contem nada disso para a minha mãe.

O silêncio reinou por um segundo antes de Elijah explodir em uma gargalhada.

— O Mago de Classe Especial, o prodígio da Xyrus, o homem que insulta Reis na cara deles... tem medo da Dona Alice?

— Você não conhece a mão dela quando ela está segurando uma colher de pau, Elijah — Arthur estremeceu visivelmente, uma reação humana que contrastava drasticamente com sua aura de guerreiro imbatível. — Reis podem me prender, mas minha mãe pode me fazer sentir como se eu tivesse cinco anos de idade e tivesse quebrado o vaso favorito dela apenas com um olhar. E ela é muito rígida com essa

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