Destinos entrelaçados
Guerra Silenciosa nos Corredores
O interior da Universidade Nacional de Artes e Negócios de Seul parecia mais um palácio de mármore e vidro do que uma instituição de ensino convencional. Pilares imponentes erguiam-se até o teto abobadado, sustentando lustres geométricos de cristal que banhavam o saguão com uma claridade fria. Contudo, nem todo aquele luxo arquitetônico conseguia dissipar a eletricidade pesada que se acumulava à medida que os catorze jovens avançavam lado a lado pelo corredor principal.
Os olhares dos outros estudantes queimavam sobre eles como holofotes. Os murmúrios eram incessantes: a chegada repentina das sete herdeiras americanas e a presença ostensiva dos sete herdeiros do império Bangtan transformavam um simples dia letivo em um campo minado de especulações e perigo velado.
— A acústica desse lugar é uma desgraça para quem tem ouvidos biônicos — murmurou Kayla, dando um toque sutil no pequeno dispositivo prateado atrás de sua orelha para filtrar os cochichos abafados. — Consigo ouvir três pessoas tramando vender fofocas para a imprensa e pelo menos duas comentando sobre a cor do batom da Milena.
— O que só prova que meu bom gosto é assunto de utilidade pública — rebateu Milena, ajeitando a alça de sua bolsa de couro italiano com um sorriso presunçoso nos lábios perfeitamente desenhados. — Se eles estão ocupados admirando o brilho das minhas joias, prestam menos atenção nas armas que você provavelmente escondeu na carcaça do seu laptop.
— Meninas, mantenham a postura — alertou Emma em tom baixo, sem perder a cadência suave e elegante de seus passos. Seus olhos azuis escuros varriam o segundo andar com discrição absoluta. — Não viemos para dar espetáculo.
— Já é tarde demais para isso, loira — disse Jin, que caminhava ao lado dela com uma compostura aristocrática impecável. Ele ajustou as abotoaduras de prata em seu punho antes de lançar a ela um olhar complacente. — No momento em que você colocou Hannah no lugar dela com aquela resposta afiada, seu anonimato virou fumaça. Ela é filha de um dos homens mais influentes do setor imobiliário da cidade.
Emma virou ligeiramente o rosto, sustentando os olhos escuros do mais velho dos mafiosos sem vacilar.
— Pessoas influentes deveriam ensinar boas maneiras aos seus filhos antes de soltá-los no mundo, Jin. E, sinceramente, se você considera aquilo uma afronta, prepare-se, porque a paciência da minha família com grosserias é historicamente curta.
Um canto da boca de Jin se curvou para cima em uma expressão que misturava divertimento e admiração cautelosa.
— Você é muito educada para alguém tão perigosa. Gosto disso. Mas tome cuidado; este lugar tem mais armadilhas do que parece.
— Eu sei cuidar de mim mesma — respondeu Emma docemente, embora a firmeza em sua voz não deixasse margem para dúvidas.
À frente deles, liderando a marcha, Niara e Namjoon mantinham um silêncio carregado de autoridade. A líder das irmãs caminhava com passadas firmes, as mãos nos bolsos do sobretudo verde-oliva, analisando mentalmente os pontos cegos das câmeras de vigilância. Ao seu lado, Namjoon exalava a presença densa de um comandante nato. Ele era alto, de ombros largos, e cada movimento seu transbordava uma precisão metódica.
— O horário das aulas foi manipulado — comentou Namjoon de repente, a voz grave cortando o murmúrio ambiente. — Fiz questão de colocar todas as matérias estratégicas na mesma grade. Economia Avançada e Relações Internacionais. Precisamos manter o grupo coeso se quisermos cercar os herdeiros do consórcio.
Niara arqueou uma sobrancelha castanha, os olhos verdes brilhando em desconfiança calculada.
— Não me lembro de ter autorizado você a organizar a nossa rotina acadêmica, Namjoon. Nós temos nossos próprios métodos e nossas próprias investigações sobre o Projeto Ares.
— Vocês estão no meu território, Niara — retrucou ele, parando no meio do corredor e encarando-a com seriedade inabalável. — A agência do seu pai tinha alcance global, mas as raízes dos assassinos dele estão cravadas no asfalto desta cidade. Se nos separarmos agora, Jay e os amigos dele vão tentar isolar uma de vocês. E eu não permito falhas operacionais sob o meu comando.
Niara deu meio passo à frente, diminuindo a distância entre os dois. A proximidade revelava o contraste fascinante entre a postura compassiva e ao mesmo tempo inquebrantável dela e a rigidez implacável dele.
— Não somos peças do seu xadrez particular, mafioso — disse ela, pausadamente, sustentando a intensidade do olhar dele. — Somos parceiros por necessidade. Se você quiser que isso funcione, comece a nos tratar como iguais. Nós duas queremos as cabeças dos mesmos homens, mas eu não recebo ordens suas. Ficou claro?
Namjoon fitou os olhos verdes da americana por alguns segundos intermináveis. Havia uma chama indomável naquela mulher, algo que desafiava sua liderança habitual de um modo que ele, surpreendentemente, não conseguia desprezar.
— Ficou — respondeu Namjoon, com uma leve inclinação de cabeça que soou quase como um armistício. — Mas se o plano der errado, não diga que eu não avisei.
Mais atrás, a atmosfera era consideravelmente mais volátil. Jungkook caminhava com os passos pesados e confiantes de um predador jovem, as mãos enfiadas nos bolsos da calça cargo escura que destacava seu físico musculoso. A jaqueta de couro deixava à mostra as tatuagens que subiam pelo pescoço, atraindo olhares vorazes das alunas que passavam. Ele, porém, mantinha a atenção cravada em Sena, que mascava chiclete com um desdém ostensivo, ignorando propositalmente a presença dele.
— Vai continuar fingindo que não está impressionada com a recepção? — provocou Jungkook, inclinando-se de forma invasiva na direção dela, com um meio sorriso presunçoso que fazia seu maxilar forte se contrair. — Quase ninguém sobrevive ao primeiro dia aqui sem implorar pela nossa ajuda. Você tem sorte de estar na minha órbita, gatinha.
Sena parou bruscamente, girando nos calcanhares com a agilidade de uma serpente. Seus olhos castanhos faiscaram com puro fogo e deboche enquanto ela media o rapaz de cima a baixo.
— Gatinha? — Sena soltou uma risada seca e sem humor, estalando o chiclete antes de apontar um dedo firme contra o peito tatuado dele, sentindo a rigidez do músculo sob o tecido. — Deixa eu te explicar uma coisa bem básica, armário ambulante: a única coisa que me impressiona em você até agora é a sua capacidade de inflar o próprio ego sem explodir. Eu não preciso da sua órbita, e muito menos da sua sorte. Se você der mais um apelido idiota desses para mim, eu vou testar se esses seus músculos aguentam uma chave de braço na frente de todo mundo.
Jungkook arregalou os olhos levemente, surpreso com o atrevimento cru da garota, mas a faísca de desafio em seu semblante só fez a adrenalina pulsar mais forte em suas veias. Ele deu mais um passo à frente, ignorando a ameaça física e invadindo o espaço pessoal dela sem o menor receio.
— Adoraria ver você tentar — sussurrou ele, com a voz rouca e desafiadora, os olhos negros fixos nos lábios dela por um breve segundo antes de voltarem a encarar a fúria em seu rosto. — Quem sabe você não me ensina alguns truques novos, americana?
— Vai sonhando, marrento — cuspiu ela, dando as costas com violência e acelerando o passo, embora uma descarga súbita de calor tivesse subido pela sua espinha, alimentada pela intensidade daquele confronto.
Logo ao lado, Taehyung observava a interação entre os dois com um sorriso divertido e curioso. Seus cabelos castanhos ondulados caíam graciosamente sobre a testa, dando-lhe um ar enigmático e encantador. Ao notar que Kayla digitava freneticamente em seu tablet sem tropeçar em nenhum dos degraus da escadaria interna, ele diminuiu o ritmo para emparelhar com ela.
— O firewall da universidade tem um protocolo de redundância na porta 8080 — disse ele suavemente, a voz aveludada e profunda fazendo Kayla quase saltar de susto. — Se você continuar forçando a entrada pelo canal principal, o alarme silencioso do servidor central vai disparar em três minutos.
Kayla franziu o cenho, seus olhos verdes analisando a tela antes de subirem rapidamente para o rosto sereno de Taehyung. Ela tocou no aparelho auditivo, ajustando o foco para a voz grave do rapaz.
— Você acha que eu sou amadora? — resmungou ela, embora houvesse um traço de estresse e cansaço em sua feição. — Eu já criei um túnel fantasma pela rede da biblioteca. Eles acham que estão recebendo uma atualização de sistema da própria reitoria.
Taehyung inclinou a cabeça, os lábios se abrindo em um sorriso genuinamente impressionado.
— Brilhante. Mas você esqueceu que o roteador da ala oeste foi configurado por mim há dois meses. E ele acabou de me enviar um relatório com o seu endereço de IP mascarado.
Kayla parou de digitar no mesmo instante. Suas bochechas coraram levemente de pura irritação competitiva, mas ela não pôde evitar que uma centelha de respeito surgisse em seus olhos.
— Você monitora a rede da faculdade? — perguntou ela, semicerrando os olhos.
— Eu monitoro a cidade inteira, se for necessário — respondeu Taehyung com simplicidade, piscando de forma calorosa e travessa. — Mas não se preocupe, não vou dedurar você. Pelo menos não se você me deixar dar uma olhada no algoritmo de criptografia que você usou. Foi o código mais elegante que eu vi este ano.
Kayla engoliu em seco, pega de surpresa pelo elogio sincero e pela doçura inesperada que contrastava com a aura letal que Taehyung supostamente carregava.
— Talvez... — murmurou ela, desviando o olhar para a tela, subitamente tímida. — Se você se comportar e não atrapalhar meu trabalho.
Enquanto isso, Alika caminhava isolada, a postura rígida como ferro forjado. Cada fibra de seu corpo estava em alerta máximo. Ela detestava aquele ambiente barulhento, detestava a falsa cordialidade da universidade e, acima de tudo, detestava a presença quase fantasmagórica de Yoongi, que caminhava meio metro atrás dela, com as mãos enterradas nos bolsos do casaco e os olhos sonolentos fixos no chão.
— Você faz barulho demais quando anda — murmurou ela entre dentes, sem olhar para trás.
— Eu nem estou pisando forte — retrucou Yoongi com sua habitual voz arrastada e rouca. — Você que parece um felino assustado pronto para pular no pescoço do primeiro que respirar errado.
Alika travou no lugar e virou-se bruscamente, o olhar cortante como vidro quebrado.
— Eu não me assusto com nada. Especialmente com preguiçosos armados que acham que podem ler a mente dos outros. Fique longe de mim. Homens como você me dão nos nervos.
Yoongi não recuou. Ele apenas ergueu a cabeça pálida, sustentando o olhar fuzilante dela com uma tranquilidade enervante. Seus olhos pequenos e escuros pareciam enxergar através de todas as camadas defensivas que Alika passara anos construindo. Ele já vira aquele tipo de armadura antes: não era apenas arrogância ou mau humor; era a dor crua de quem já havia sido quebrado e jurara nunca mais permitir que ninguém se aproximasse.
— Eu não ligo para o que você pensa de mim, garota — disse Yoongi, a voz calma e desprovida de qualquer zombaria. — Mas se eu estiver por perto, ninguém vai tentar acertar você pelas costas. O rifle é meu, mas a cobertura é sua. Querendo você ou não.
Alika sentiu um nó estranho se formar na garganta diante daquela resposta direta e inesperadamente justa. Ela esperava deboche, mas recebeu proteção sincera. Incapaz de processar aquela contradição sem baixar a guarda, ela apenas soltou um estalo com a língua e voltou a andar, mantendo os punhos cerrados dentro dos bolsos para esconder o tremor passageiro em seus dedos.
Um pouco mais adiante, Jimin aproveitava cada segundo do trajeto para desestabilizar Milena. Ele caminhava ao lado da loira com um charme natural, os cabelos louro-escuros caindo sobre os olhos amendoados enquanto lançava sorrisos sedutores que já haviam derretido metade das estudantes daquele corredor.
— Você sabe que o batom vermelho combina perfeitamente com a minha gravata, não sabe? — sussurrou Jimin, inclinando-se com uma lentidão calculada que cheirava a perigo e perfume importado.
Milena soltou um suspiro melodramático, sem sequer olhar diretamente para ele.
— O batom combina com a minha pele, querido. Sua gravata é apenas um acessório genérico de alfaiataria que qualquer um compra no centro financeiro. Não se dê tanta importância.
Jimin riu baixo, uma risada suave e aveludada que vibrou no ar.
— Tão cruel... — ele colocou a mão sobre o peito em um gesto de dor fingida. — E eu que pensei que poderíamos ser amigos. Ouvi dizer que as festas em Nova York são animadas, mas garanto que as noites de Seul têm muito mais a oferecer. Especialmente se você tiver a companhia certa.
— Se a sua definição de companhia certa for você mesmo, prefiro passar a noite trancada no quarto limpando meus rifles — retrucou Milena com uma piscadela venenosa e debochada. — Agora dê espaço, querido, porque o meu brilho não divide holofote com amadores.
Jimin mordeu o lábio inferior, absolutamente fascinado pela empáfia deliciosa daquela mulher. Quanto mais ela o rejeitava, mais irresistível a caçada se tornava.
Ao lado deles, Abi praticamente flutuava pelos corredores. Seus olhos verdes claros brilhavam enquanto ela observava através das paredes de vidro de uma das alas inferiores um amplo estúdio de ensaio com espelhos do chão ao teto. O piso de madeira de lei e as barras de alongamento pareceram sugar sua atenção por completo. Sem perceber, seu corpo respondeu com um movimento fluido dos braços, uma leve extensão de coluna que revelava anos de dedicação à dança e às artes acrobáticas.
— É a melhor sala do campus — disse uma voz vibrante e cheia de energia ao seu lado.
Abi virou-se, deparando-se com J-Hope. Ele tinha um sorriso aberto e radiante que parecia iluminar o ambiente, mas a postura de seus ombros largos trazia a firmeza inegável de quem dominava o próprio corpo com rigor militar.
— Você dança? — perguntou ela, surpresa pela abordagem amigável, sentindo sua reserva desmoronar um pouco sob o calor daquele sorriso.
— É o único momento em que eu sinto que tenho controle total sobre tudo — respondeu J-Hope com sinceridade, os olhos castanhos brilhando com intensidade. — O resto da nossa vida é caos e sangue. Mas ali dentro... o ritmo é quem manda. E pela forma como você se move, sei que você entende exatamente o que isso significa.
Abi sorriu pela primeira vez desde que pousara na Coreia, um sorriso genuíno que transformou suas feições delicadas.
— Eu entendo perfeitamente — disse ela com a voz suave. — Quando tudo ao redor desaba, o movimento é a única coisa que resta.
J-Hope assentiu em silêncio, uma cumplicidade silenciosa e instantânea se estabelecendo entre os dois no meio daquele turbilhão.
Contudo, a breve calmaria foi subitamente interrompida quando o grupo dobrou o corredor principal em direção ao grande auditório.
Parados exatamente em frente às portas duplas de mogno, bloqueando a passagem, estavam Jay, Jackson, Minho e Kai.
Os quatro herdeiros rivais vestiam ternos sob medida e exibiam expressões que misturavam superioridade arrogante e crueldade disfarçada. Jackson mantinha as mãos nos bolsos, com um sorriso de escárnio nos lábios, enquanto Minho dava um passo à frente, os olhos fixos em Niara e Alika como se inspecionassem mercadoria valiosa.
— Parece que o comitê de recepção não foi suficiente lá fora — disse Minho em tom arrastado, a voz carregada de veneno. — Que falta de educação a nossa não dar as boas-vindas formais às filhas do grande Adam. É uma pena o que aconteceu com o papai de vocês em Nova York... Uma grande tragédia.
O ar congelou instantaneamente. A menção descarada ao assassinato de seu pai atingiu as sete irmãs com a força de um soco no estômago.
Alika deu um passo violento à frente, com os punhos cerrados e o rosto tomado por uma fúria assassina, pronta para quebrar o maxilar de Minho ali mesmo. No entanto, antes que ela pudesse saltar, o braço firme de Yoongi se estendeu como uma barreira de aço, barrando a passagem da morena.
— Não aqui — sussurrou Yoongi no ouvido dela, a voz fria como gelo, os olhos fixos nos rivais com um perigo latente. — Deixe que eles falem. A cova deles fica mais profunda a cada palavra.
— Saiam da nossa frente — ordenou Namjoon, dando dois passos que fizeram sua presença imponente eclipsar a de Minho. O líder do BTS falava baixo, mas o peso de sua voz fez Jay engolir em seco involuntariamente. — Vocês estão testando a minha paciência em um território neutro. Não me obriguem a lembrar a vocês quem comanda as ruas desta cidade.
— Território neutro? — zombou Jackson, cruzando os braços e encarando Jungkook, que já cerrava os nós dos dedos, ansioso pelo combate. — Isso aqui é a universidade, Namjoon. O papai de vocês não está mais aqui para limpar a sujeira. E agora vocês trouxeram americanas para proteger vocês? Que decadência.
— Cuidado com a língua, Jackson — rosnou Jungkook, o sangue fervendo sob as tatuagens, dando um passo intimidador que fez o rival recuar meio centímetro. — Eu quebro a sua cara antes mesmo de o seu segurança particular conseguir tirar o revólver do coldre.
— Chega de teatro barato — cortou Niara, sua voz clara e autoritária dominando todo o espaço e silenciando a discussão.
A líder das irmãs caminhou até ficar a meio metro de Minho. Seus olhos verdes eram duas navalhas gélidas de ódio contido e inteligência afiada. Ela não tremia; não havia um pingo de hesitação em sua postura.
— Vocês acham que são perigosos porque herdaram dinheiro sujo e a influência podre dos seus pais — disse Niara com uma calma aterrorizante. — Mas vocês não sabem o que é perder tudo e sobreviver. Nós sabemos quem vocês são. Sabemos pelo que vocês estão procurando. E se você, ou qualquer um desses seus cães de guarda, ousar pronunciar o nome do meu pai novamente, eu garanto que nem todo o poder do consórcio coreano será capaz de salvar o que vai sobrar de vocês.
O silêncio que se abateu sobre o corredor foi absoluto. Até mesmo Namjoon e Jin olharam para Niara com um respeito renovado diante daquela autoridade letal.
Minho tentou sustentar o olhar, mas o terror genuíno brilhou no fundo de suas pupilas. Ele abriu a boca para falar algo, mas Kayla deu um passo à frente, segurando o tablet virado para Jay. Na tela, piscavam em vermelho os dados bancários confidenciais da holding da família dele, sendo drenados por um vírus em contagem regressiva.
— Mais uma palavra e eu zero a conta offshore do seu pai em Genebra — avisou Kayla com um sorriso doce e assustador. — Faltam vinte segundos.
Jay arregalou os olhos em puro pânico.
— Vamos embora — murmurou ele, puxando Jackson pela manga do paletó. — Agora!
Os quatro herdeiros recuaram rapidamente, virando as costas sob os olhares atônitos dos estudantes que assistiam à cena de longe.
Quando eles desapareceram no fim do corredor, uma tensão diferente tomou conta do grupo. O confronto fora vencido, mas a guerra mal havia começado.
Jungkook olhou para Sena, um sorriso genuinamente impressionado surgindo em seus lábios enquanto balançava a cabeça devagar.
— Vocês são loucas — murmurou ele, quase fascinado.
Sena ajeitou a jaqueta de couro e arqueou uma sobrancelha para ele, um brilho perigoso nos olhos castanhos.
— Você não viu nem a metade, marrento.
Namjoon virou-se para Niara. Por um breve instante, as barreiras de desconfiança entre os dois líderes pareciam ter cedido espaço para uma centelha inegável de cumplicidade.
— Belo discurso — admitiu Namjoon em voz baixa.
— Não foi um discurso — respondeu Niara, mantendo o queixo erguido enquanto as portas do auditório finalmente se abriam. — Foi uma promessa.
Com passos sincronizados e firmes, os catorze jovens entraram juntos no recinto. A tempestade de sangue e segredos havia acabado de começar, mas, naquele instante, nenhuma das duas metades daquela aliança forçada conseguia negar que o destino os havia colocado exatamente onde deveriam estar: lado a lado no centro do fogo cruzado.