Dia
O Pós-Banquete do Pecado
— Limpa esse canto da boca, Ana Paula — ordenou Milena, estendendo um guardanapo de pano com um sorriso de escárnio. — Você tá com cara de quem acabou de ser devorada, e não foi pelo frango assado do cardápio.
— E eu fui, não fui? — Ana Paula rebateu, a voz ainda um pouco trêmula, mas o brilho debochado voltando aos olhos azuis. Ela pegou o guardanapo e limpou o rosto, tentando ignorar a sensação de dormência nas coxas. — Boneco, você é um animal. Minha nossa senhora... eu achei que ia quebrar no meio.
— Você que aguentou bem o tranco, loira — Boneco respondeu, terminando de fechar o cinto e dando um tapinha no próprio estômago, tentando recuperar a postura de "homem da casa". — Mas a Milena... rapaz, essa baixinha sabe como comandar um esquema. Se ela não tivesse ali guiando, eu tinha te desmontado logo no primeiro minuto.
— Alguém tinha que colocar ordem na zona — Milena disse, cruzando os braços e admirando o estrago. — A Ana Paula estava tão desesperada que se eu deixasse, ela pulava em cima de você antes mesmo de você tirar a calça. Tive que tratar como putinha mesmo pra ela entender quem é que manda aqui. Gostou, não gostou, Ana?
— Você sabe que eu gostei, Milena. Não se faça de rogada — Ana Paula se levantou com dificuldade, sentindo o líquido quente escorrer por entre suas pernas, um lembrete vívido do que acabara de acontecer. — Aquela voz sua no meu ouvido... "Diz que é a putinha dele"... caralho, eu perdi o chão.
— E vai perder muito mais se continuar me olhando assim — Boneco provocou, aproximando-se de Ana Paula e segurando o queixo dela com firmeza. — O almoço tá acabando, mas o dia é longo. E as câmeras lá fora não mostram o que a gente faz debaixo do edredom se a gente souber esconder.
— O edredom? — Milena soltou uma gargalhada curta. — Boneco, depois do que aconteceu aqui, você acha que ela vai se contentar com um "esconde-esconde" no quarto? A bicha tá no cio. Olha pra ela, tá brilhando.
— Eu tô é preocupada com o vestido — Ana Paula comentou, tentando puxar o tecido para baixo, mas a costura lateral estava visivelmente esgarçada onde as mãos de Boneco haviam feito pressão. — Milena, me ajuda aqui. Se eu sair assim, o povo vai saber na hora.
— Vira de costas — Milena instruiu, aproximando-se e usando as mãos habilidosas para ajustar o pano. — Vou dar um nó discreto por dentro. Vai parecer detalhe do modelo. Mas ó, Boneco, você quase rasgou a menina. Sua mulher não mentiu quando disse que era pra pegar "gostoso". Ela conhece a peça que tem em casa.
— Minha mulher é visionária — Boneco riu, sentindo um orgulho imenso. — Ela sabe que eu não brinco em serviço. E ela sabe que a Ana Paula precisava de um corretivo pra baixar essa crista de deboche.
— Corretivo? — Ana Paula se virou, já com o vestido minimamente arrumado por Milena. — Você me usou de todas as formas, Boneco. Me jogou na parede, me tratou como se eu não valesse nada... e o pior é que eu quero de novo. Milena, você criou um monstro.
— Eu não criei nada, loirinha. Eu só tirei o disfarce — Milena deu um tapa estalado na bunda de Ana Paula, fazendo-a dar um pulinho. — Agora, vamos. Bebe um pouco de água, recupera esse fôlego e tenta não olhar pro pau do Boneco pelos próximos dez minutos, senão o Brasil inteiro vai perceber que você tá pronta pra outra rodada.
— Vai ser difícil — confessou Ana Paula, lançando um último olhar para o volume na calça de Boneco antes de se sentar à mesa novamente para disfarçar. — A gente precisa comer alguma coisa de verdade agora, ou vão achar estranho que o Anjo nem tocou na comida.
— É verdade — Boneco sentou-se, pegando um garfo e começando a remexer no prato de risoto já frio. — Imagina a produção... eles viram tudo. Devem estar em choque lá na central.
— Que fiquem — Milena deu de ombros, servindo-se de um pouco de vinho. — O que eles podem fazer? Expulsar por excesso de gostosura? A regra diz que não pode agressão. E o que a gente fez aqui foi tudo, menos agressão. Foi caridade. A Ana tava morrendo, Boneco. Você salvou uma vida hoje.
— Uma vida e a minha sanidade — Ana Paula completou, levando um pedaço de carne à boca, mas os olhos ainda fixos em Boneco. — Mas e agora, Milena? Você vai ficar só de plateia ou vai querer participar da próxima vez? Porque eu vi o jeito que você se tocava enquanto ele me fodia.
Milena deu um sorriso enigmático, o tipo de sorriso que fazia qualquer um na casa tremer.
— Eu gosto de controlar, Ana. Gosto de ver o circo pegar fogo. Mas quem sabe? Se você se comportar e continuar sendo nossa putinha particular, eu posso deixar você provar um pouco de mim também. Mas só se o Boneco deixar.
— Eu deixo tudo — Boneco declarou, a voz profunda ecoando na sala pequena. — Se for pra ver vocês duas juntas enquanto eu comando o ritmo, eu assino embaixo agora mesmo.
— Estão vendo? — Ana Paula olhou para o teto, como se falasse com as câmeras. — É por isso que o público ama esse programa. É o caos. É o desejo. É a gente fazendo o que todo mundo quer fazer, mas não tem coragem.
— Chega de papo — Milena cortou, limpando os lábios com elegância. — O cronômetro tá zerando. Boneco, faz aquela cara de quem tá emocionado com o vídeo da família. Ana, desfaz essa cara de safada e coloca sua máscara de deboche de volta. Vamos sair daqui como se nada tivesse acontecido.
— Como se nada tivesse acontecido? — Boneco levantou-se, esticando os braços. — Eu tô com a marca das unhas dela no meu peito, Milena.
— Sorte a sua que você usa essas camisas fechadas, baiano — Milena riu, caminhando até a porta. — Prontas, meninas?
Ana Paula respirou fundo, ajeitou o cabelo loiro, passou a língua pelos lábios e soltou aquela risadinha característica que irritava metade da casa e encantava a outra metade.
— Prontíssima. Vamos lá fora mostrar pra eles quem são os donos desse jogo.
— E da cama — sussurrou Boneco, seguindo as duas loiras para fora da sala, enquanto a porta se fechava atrás deles, selando o segredo do almoço mais quente que o Projac já tinha testemunhado.
Ao cruzarem a porta e voltarem para o jardim, o sol da tarde carioca os atingiu com força. O restante dos participantes estava espalhado pela piscina, alguns dormindo nas espreguiçadeiras, outros conversando baixo.
— E aí, como foi? — perguntou um dos participantes, levantando a cabeça ao ver o trio retornar. — A comida tava boa? O vídeo foi emocionante?
Ana Paula olhou para Boneco e depois para Milena, um sorriso cúmplice dançando em seu rosto.
— Foi maravilhoso — disse ela, a voz carregada de um duplo sentido que só os três entendiam. — O Boneco recebeu exatamente o que precisava. E a gente... bom, a gente aproveitou cada segundo desse presente do Anjo.
— O vídeo da esposa dele foi o ponto alto — acrescentou Milena, piscando para Boneco. — Ela deu um conselho pra ele que mudou todo o clima do almoço.
Boneco apenas assentiu, sentindo o peso do segredo e a eletricidade que ainda pairava entre eles. Ele sabia que, a partir daquele dia, a dinâmica da casa nunca mais seria a mesma. O Anjo tinha dado a ele o poder, mas o desejo tinha dado a ele o controle absoluto sobre as duas mulheres mais desejadas da edição.
— Vou dar um mergulho — anunciou Boneco, precisando da água fria para baixar o resto da adrenalina. — Preciso esfriar o corpo.
— Eu vou com você — disse Ana Paula, sem hesitar. — Também tô sentindo um calor... inexplicável.
Milena observou os dois caminharem em direção à piscina, um sorriso de satisfação no rosto. Ela sabia que o jogo estava ganho. Não pelas estalecas, não pelas provas, mas pelo domínio total que agora exerciam um sobre o outro.
— Isso vai ser divertido — murmurou ela para si mesma, antes de se juntar aos outros, mantendo a pose de quem não tinha acabado de orquestrar a cena mais escandalosa da história do reality.