Diáro de uma princes
Sussurros de Veludo e Desejo
A semana que se seguiu ao incidente na pista de atletismo foi marcada por trocas de mensagens constantes e olhares cúmplices nos corredores do colégio Santa Cecília. Para Isabel, o mundo parecia ter ganhado cores mais vibrantes. Para Augusto, o futebol ainda era importante, mas a urgência de terminar o treino para encontrar a garota dos livros tornou-se sua nova rotina. O tornozelo dela já estava recuperado, mas o cuidado dele permanecia, como se ele precisasse de um pretexto constante para estar por perto.
Era uma tarde de sábado quando Augusto a convidou para sua casa. Seus pais haviam viajado para um torneio regional e a casa, uma construção moderna com grandes janelas de vidro e um jardim impecável, estava silenciosa. Isabel chegou sentindo aquele frio na barriga que só o primeiro encontro real proporciona. Ela usava um vestido leve de flores miúdas e trazia consigo o exemplar de "Orgulho e Preconceito" que Augusto tanto demonstrara interesse.
— Você veio — disse ele, abrindo a porta com um sorriso que fez os joelhos de Isabel fraquejarem mais do que o tombo na pista. Ele vestia uma camiseta branca simples e bermuda, parecendo relaxado e incrivelmente atraente fora do contexto escolar.
— Eu prometi que contaria o final da história, não prometi? — Isabel respondeu, erguendo o livro como um troféu.
— Entre, por favor. A casa é sua.
Augusto a conduziu até a sala de estar, onde um sofá de couro macio e uma luz suave criavam uma atmosfera acolhedora. Eles se sentaram próximos, a distância entre seus corpos diminuindo naturalmente com o passar dos minutos. Isabel começou a falar sobre Elizabeth Bennet e Mr. Darcy, mas sua voz foi ficando cada vez mais baixa à medida que percebia que os olhos de Augusto não estavam voltados para o livro, mas sim para os lábios dela.
— Isabel... — ele a interrompeu, a voz soando como um sussurro rouco que arrepiou cada centímetro da pele dela. — Eu tentei prestar atenção na história, juro que tentei. Mas é difícil focar em clássicos ingleses quando você está bem aqui na minha frente.
Isabel sentiu o rosto esquentar, mas não desviou o olhar.
— E no que você está focando, então? — perguntou ela, a coragem surgindo de um lugar que ela desconhecia.
Augusto não respondeu com palavras. Ele se inclinou lentamente, dando a ela todo o tempo do mundo para recuar, mas Isabel apenas fechou os olhos e esperou. Quando os lábios dele finalmente tocaram os dela, foi como se uma peça de quebra-cabeça finalmente encontrasse seu lugar. O beijo começou calmo, quase exploratório, um toque suave de lábios que carregava a doçura do carinho que vinham cultivando. Mas, em questão de segundos, a faísca transformou-se em incêndio.
A mão de Augusto subiu para a nuca de Isabel, os dedos se perdendo em seus cabelos castanhos, enquanto a outra mão repousava com firmeza em sua cintura, puxando-a para mais perto. Isabel soltou um suspiro abafado contra a boca dele, suas mãos subindo pelo peito largo do capitão, sentindo o ritmo frenético do coração dele sob o tecido da camiseta.
— Você não faz ideia de quanto tempo eu esperei por isso — murmurou ele entre os beijos, a respiração curta contra a pele do pescoço dela.
— Eu também — confessou Isabel, a voz trêmula. — Achei que você nunca fosse notar a garota da biblioteca.
Augusto soltou uma risada baixa, um som vibrante que ecoou no peito dela, e voltou a beijá-la com mais intensidade. O beijo agora era profundo, urgente, uma conversa silenciosa feita de desejo e descoberta. Ele a puxou para o seu colo, e Isabel se acomodou ali com uma naturalidade surpreendente, as pernas envolvendo a cintura dele enquanto suas mãos exploravam os ombros fortes que ela tanto admirara de longe.
O calor entre eles crescia a cada segundo. Augusto começou a trilhar um caminho de beijos pelo maxilar de Isabel até chegar à curva sensível de sua orelha, onde depositou um beijo demorado que a fez arquear as costas e soltar um gemido baixo.
— Augusto... — ela sussurrou, o nome dele soando como uma prece.
Ele parou por um instante, olhando-a nos olhos com uma intensidade que parecia ler sua alma. Havia dedicação ali, a mesma que ele usava no campo, mas temperada com uma ternura que era exclusivamente dela.
— Estamos indo rápido demais? — perguntou ele, a preocupação genuína nublando por um momento o desejo em seus olhos castanhos.
Isabel sorriu, uma expressão de pura entrega e carinho. Ela levou a mão ao rosto dele, acariciando a bochecha levemente áspera.
— Não — disse ela com firmeza. — É exatamente onde eu quero estar.
Com essa permissão silenciosa, Augusto a levantou em seus braços, exatamente como fizera no dia do acidente, mas desta vez o destino não era a enfermaria. Ele a carregou escada acima até o seu quarto, um refúgio que cheirava a ele — uma mistura de madeira e frescor. Ele a colocou na cama com uma delicadeza extrema, ajoelhando-se entre suas pernas enquanto suas mãos voltavam a se encontrar.
O que se seguiu foi uma dança de descobertas. As roupas foram deixadas de lado com uma urgência que não atropelava o respeito. Augusto tratava o corpo de Isabel como se ela fosse a obra de arte mais preciosa que já tivera a chance de tocar. Cada carícia, cada toque de suas mãos grandes contra a pele macia dela, era carregado de uma adoração que fazia Isabel se sentir a mulher mais bonita do mundo.
— Você é perfeita, Isabel — ele sussurrou contra a pele do ombro dela, antes de deixar uma marca suave ali.
— E você é muito mais do que o capitão do time — respondeu ela, puxando-o para mais perto, sentindo o contato pele com pele que a fazia queimar.
Eles se perderam um no outro, em um emaranhado de braços e pernas, de beijos roucos e promessas sussurradas. Não havia mais o barulho da escola, nem a pressão dos treinos ou a solidão dos livros. Havia apenas o aqui e o agora. Augusto era dedicado em cada movimento, garantindo que Isabel estivesse confortável, que estivesse sentindo o mesmo prazer que ele. Ele a guiava com a confiança de um líder, mas a servia com a humildade de quem estava apaixonado.
As mãos de Isabel exploravam as costas musculosas de Augusto, sentindo a força latente em cada fibra, enquanto ele se perdia na doçura dos lábios dela. O ritmo entre eles era uma sinfonia crescente, um crescendo de sensações que os levava para além de qualquer coisa que tivessem experimentado antes.
Quando o ápice finalmente os alcançou, foi como uma explosão de estrelas no silêncio do quarto. Eles se mantiveram abraçados, as respirações tentando voltar ao normal, o suor fazendo suas peles grudarem uma na outra de uma forma que nenhum dos dois queria desfazer.
Augusto puxou o lençol sobre eles e trouxe Isabel para o seu peito, deixando que ela apoiasse a cabeça em seu ombro. Ele beijou o topo da cabeça dela, inalando o cheiro de flores que ainda emanava de seus cabelos.
— Sabe — disse ele, a voz agora calma e profunda —, eu acho que o Mr. Darcy não teve metade da sorte que eu tive hoje.
Isabel soltou uma risadinha cansada, mas imensamente feliz, desenhando círculos invisíveis no peito dele.
— O Mr. Darcy teve que esperar centenas de páginas para ter o que queria — disse ela. — Nós fomos um pouco mais eficientes.
— Eu sempre fui bom em marcar gols no último minuto — brincou ele, apertando-a um pouco mais forte contra si. — Mas esse foi, sem dúvida, o melhor momento da minha vida.
— Não me diga que o capitão está ficando romântico — provocou ela, levantando o olhar para encontrar o dele.
— Com você? — Augusto sorriu, e desta vez o sorriso era carregado de uma promessa que ia muito além daquela tarde. — Eu posso ser o que você quiser, Isabel. Desde que você continue me deixando cuidar de você.
Eles ficaram ali por um longo tempo, trocando carícias lentas e conversas sussurradas, enquanto a luz do sol começava a baixar, pintando o quarto com os mesmos tons de laranja e violeta que haviam testemunhado o primeiro encontro deles na pista. Isabel percebeu que, embora amasse seus livros, a realidade que estava vivendo com Augusto era muito mais emocionante do que qualquer ficção.
— Você ainda vai me contar o final do livro? — perguntou ele, fechando os olhos enquanto sentia o carinho dela em seu rosto.
— Talvez — respondeu Isabel com um sorriso travesso. — Mas acho que prefiro que a gente continue escrevendo a nossa própria história primeiro.
Augusto concordou com um beijo suave em sua testa. O capitão e a garota dos livros haviam encontrado um campo onde ambos eram vencedores, e o prêmio era algo que nenhum troféu ou biblioteca poderia substituir. Naquele silêncio compartilhado, eles sabiam que aquele era apenas o começo de muitos outros capítulos que viriam, cheios de cuidado, paixão e uma conexão que havia começado com um tropeço, mas que agora os mantinha mais firmes do que nunca.