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Diddy Kong e K.rool

O Herdeiro das Escamas e da Barriga Real

A noite caiu sobre a Ilha Donkey Kong com um manto de veludo estrelado, mas a escuridão não parecia assustadora para Diddy Kong. Pela primeira vez em sua vida, ele não sentia medo das sombras que dançavam entre as árvores. O motivo era simples: ele estava protegido por uma muralha de escamas verdes e uma barriga que parecia não ter fim.

K. Rool não havia soltado o pequeno macaco nem por um segundo. Mesmo quando se acomodou em uma clareira escondida, cercada por samambaias gigantes que brilhavam com uma luz fosforescente, o Rei dos Kremlings manteve Diddy firmemente encaixado sob sua axila direita. O braço musculoso do crocodilo era como uma trava de segurança, e o contato constante com a lateral da barriga imensa de K. Rool trazia um calor que Diddy nunca esperaria sentir vindo de um réptil.

— Você está muito quieto, macaquinho — comentou K. Rool, sua voz vibrando profundamente contra as costelas de Diddy. — Onde foi parar aquela língua afiada que estava zombando da minha majestosa silhueta agora pouco?

Diddy, que estava com o rosto quase enterrado na dobra da axila do rei, sentindo o cheiro pungente de almíscar e pântano, soltou um risinho abafado.

— Eu só estava pensando, K. Rool... — Diddy se mexeu, tentando olhar para cima, mas o aperto do rei se intensificou levemente, impedindo-o de se afastar. — Você é muito mais macio do que parece. Todo mundo acha que você é só casca grossa e espinhos, mas essa barriga sua é como um travesseiro gigante.

K. Rool soltou uma gargalhada que sacudiu toda a clareira. A placa dourada em seu peito tilintou contra as escamas.

— Macio? Eu? — O rei deu um tapão sonoro no próprio ventre com a mão esquerda, fazendo a massa de gordura e músculo balançar ritmicamente. — Isso é nutrição de elite, Diddy! Anos devorando as melhores iguarias que meus súditos conseguem roubar. Mas fico feliz que você aprecie a qualidade do meu... estofamento.

— É sério! — insistiu Diddy, agora se sentindo mais corajoso. — O Donkey Kong é todo duro de músculos, parece que estou encostado em uma rocha. Mas você... você é confortável. Se não fosse pelo cheiro de peixe velho, eu até poderia tirar uma soneca aqui.

K. Rool bufou, mas não parecia ofendido. Ele inclinou a cabeça, observando o macaquinho com seu olho grande e injetado. Havia uma estranha satisfação em ver que Diddy não estava tentando morder seu braço ou usar seu amuleto de amendoim para atacá-lo.

— O cheiro é o perfume da vitória, pequeno primata — disse K. Rool, voltando a caminhar pela clareira, carregando Diddy como se ele fosse um acessório indispensável. — Mas diga-me, o que aquele gorila de gravata ensinou a você hoje? Além de como ser um estorvo para os meus planos?

— Ele me ensinou a patrulhar o perímetro — respondeu Diddy, suspirando enquanto sentia o balanço da caminhada de K. Rool. — Mas é tão chato. Ele sempre diz "Diddy, não faça isso", "Diddy, não vá ali". Às vezes parece que ele não quer que eu me divirta.

K. Rool parou e olhou para o horizonte, onde a lua refletia nas águas distantes. Ele apertou Diddy um pouco mais contra seu flanco, uma proteção possessiva.

— Pais e mentores são todos iguais — rosnou o crocodilo, embora o tom fosse mais melancólico do que agressivo. — Eles querem que você seja uma cópia deles. Mas eu... eu vejo potencial em você, macaquinho. Você tem fogo. Tem audácia. Se você fosse um Kremling, eu já teria te nomeado meu general de barriga.

Diddy riu alto, a ideia de ser um general crocodilo parecia absurda e hilária.

— General de barriga? Isso existe?

— Agora existe — declarou K. Rool, sentando-se novamente, desta vez em cima de um tronco caído que gemeu sob seu peso colossal. Ele ajeitou Diddy de modo que o macaco ficasse sentado em sua coxa, mas ainda prensado contra sua barriga e sob a proteção de sua axila. — Você será meu pequeno herdeiro das sombras. Enquanto o Donkey dorme e sonha com bananas, você estará aqui, aprendendo as artes da... convivência real.

Diddy encostou a cabeça na barriga do rei. O cheiro forte do crocodilo, que antes o incomodava, agora agia como um sedativo. Era um odor de terra molhada, de poder primordial e de algo que Diddy só conseguia descrever como "família".

— K. Rool? — chamou Diddy em voz baixa.

— Hum? — resmungou o rei, fechando os olhos e aproveitando a brisa noturna.

— Por que você não me solta? Você já me levou para longe, já me mostrou a floresta... Por que ainda está me segurando assim?

K. Rool abriu um dos olhos, a pupila vertical focando no boné vermelho de Diddy. Ele hesitou por um momento, sua barriga subindo e descendo em uma respiração pesada.

— Porque, pela primeira vez em muito tempo, ninguém está tentando me derrubar de um navio ou me atirar barris explosivos — admitiu o rei, sua voz caindo para um sussurro áspero. — E porque você é pequeno, quente e não me julga por ter uma barriga que ocupa metade do caminho. Você é... um bom peso para carregar, Diddy Kong.

Diddy sentiu um aperto no peito, uma empatia que nunca imaginou ter pelo seu maior inimigo. Ele esticou a mão pequena e deu um tapinha na barriga dourada de K. Rool.

— Tudo bem, "Papai Croco". Eu não vou a lugar nenhum. Pelo menos não até o sol nascer.

K. Rool soltou um som que era uma mistura de rosnado e ronronar. Ele envolveu Diddy com seu braço de forma mais completa, cobrindo o macaquinho quase totalmente contra seu corpo maciço.

— Ótimo. Porque se você tentar fugir, eu vou te sentar na minha barriga e te usar como um tambor — brincou o rei, embora houvesse um carinho genuíno no modo como ele balançava o corpo para ninar o pequeno macaco.

A noite avançou e o silêncio da floresta foi preenchido apenas pelo som da respiração ruidosa de K. Rool e pelos ocasionais estalidos da madeira. Diddy acabou pegando no sono, embalado pelo calor e pelo cheiro inebriante do grande rei. K. Rool, por sua vez, permaneceu acordado por muito tempo, vigiando a mata com um olhar protetor, sentindo-se, pela primeira vez, não como um vilão exilado, mas como um soberano que finalmente havia encontrado algo que valia a pena manter por perto.

Ele balançou a barriga devagar, sentindo o macaquinho se ajustar ao movimento no sono, e sorriu. A Ilha Donkey Kong podia ser vasta, mas naquela noite, o mundo inteiro de K. Rool cabia exatamente ali, debaixo de sua axila e encostado em sua barriga.

— Durma bem, macaquinho travesso — sussurrou o rei, fechando os olhos e permitindo-se, também, o luxo de sonhar. — Amanhã, a gente decide quem vai mandar em quem. Mas hoje... hoje você é meu.

E na quietude da selva, o Rei dos Kremlings e o pequeno Kong tornaram-se uma imagem improvável de paz, unidos por um abraço apertado e uma barriga que servia de escudo contra o resto do mundo.

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