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Elijah x Lily

Marcas de um Nobre Pecado

A luz do sol de New Orleans filtrava-se pelas pesadas cortinas de veludo, atingindo o rosto de Lily com uma insistência quase agressiva. Ela gemeu, tentando se virar na cama, mas um protesto imediato de seus músculos a fez travar no lugar. Cada centímetro de seu corpo parecia ter sido atropelado por um caminhão de luxo — e ela sabia exatamente o nome do motorista: Elijah Mikaelson.

Com um esforço hercúleo, ela se sentou, sentindo a pele das costas repuxar. O lençol de seda escorregou, revelando as marcas roxas em seus pulsos e as manchas avermelhadas que decoravam seus ombros. Ela soltou um riso baixo, uma mistura de dor e triunfo. Ontem à noite, ela queria o monstro por trás do terno, e ela certamente o encontrou.

Lily caminhou com passos curtos e um tanto vacilantes até o banheiro, onde tentou observar o próprio reflexo no espelho. Quando se virou de costas, soltou um suspiro audível. Sua bunda estava marcada, um tom vívido de vermelho e roxo que denunciava a força das estocadas de Elijah e a maneira como ele a havia segurado.

— Meu Deus, Elijah... — sussurrou ela para si mesma, passando os dedos levemente sobre a pele sensível. — Você realmente não sabe brincar.

Depois de um banho quente que alternava entre o alívio e o ardor, Lily vestiu um vestido de seda leve, sem sutiã, pois qualquer pressão sobre sua pele era um suplício. Ela desceu as escadas da mansão com cuidado, segurando-se no corrimão como se sua vida dependesse disso. No pátio interno, Rebekah estava sentada à mesa, bebendo o que parecia ser um suco de laranja com uma dose generosa de vodka, folheando uma revista de moda.

Ao ouvir os passos incertos de Lily, Rebekah levantou o olhar. Um sorriso malicioso e conhecedor curvou seus lábios perfeitos.

— Ora, ora... Parece que alguém sobreviveu à fúria do "Nobre Elijah" — comentou Rebekah, gesticulando para a cadeira à sua frente. — Sente-se, Lily. Se conseguir, é claro.

Lily soltou um gemido dramático ao se acomodar na cadeira, soltando o ar devagar enquanto tentava encontrar uma posição que não fizesse sua bunda latejar contra a madeira.

— Eu acho que ele quebrou alguma coisa em mim, Bekah — disse Lily, a voz ainda levemente rouca. — Minhas costas estão me matando e eu sinto como se tivesse sido usada como saco de pancadas por um lutador de boxe.

Rebekah soltou uma gargalhada cristalina, deixando a revista de lado e inclinando-se para a frente, os olhos brilhando de curiosidade.

— Eu vi o estado do quarto dele hoje cedo quando passei pelo corredor. Móveis deslocados, lençóis rasgados... Elijah sempre foi o mais contido de nós, mas quando ele perde o controle, é quase assustador. Conte-me tudo. Eu quero os detalhes sórdidos.

Lily aceitou uma xícara de café que uma das criadas colocou à sua frente e tomou um gole longo antes de começar.

— Você sabe como ele ficou quando nos viu no salão. Eu nunca vi os olhos dele tão escuros. Quando ele me arrastou para cima, eu achei que ele fosse apenas gritar, mas ele estava além das palavras. Ele me jogou naquela cama com uma força que me fez perder o fôlego.

— Ele usou o cinto? — Rebekah perguntou, arqueando uma sobrancelha, um sorriso travesso no rosto.

— Usou — Lily confirmou, sentindo o rosto esquentar, mas não de vergonha, e sim pela lembrança. — Ele amarrou meus pulsos tão forte que eu ainda tenho as marcas. Ele não foi o cavalheiro que todo mundo conhece, Bekah. Ele foi bruto. Ele rasgou a minha fantasia de coelhinha como se fosse papel. E então, ele me mandou ficar de quatro.

Rebekah assobiou, impressionada.

— O bom e velho Elijah. Ele sempre teve essa veia autoritária escondida sob aqueles ternos italianos de mil dólares.

— Ele não parava — Lily continuou, baixando a voz enquanto as memórias da noite anterior inundavam sua mente. — Ele me segurava pelo cabelo, puxando minha cabeça para trás para que eu olhasse para ele através do espelho. Cada vez que ele me atingia, era como se ele estivesse tentando marcar a alma dele na minha pele. Minha bunda está literalmente latejando agora porque ele não teve misericórdia com o impacto. Ele queria que eu sentisse cada grama do ciúme que eu provoquei.

— E você gostou, não gostou? — Rebekah perguntou, embora já soubesse a resposta.

Lily soltou um suspiro longo, encostando a cabeça no encosto da cadeira, ignorando a dor por um momento.

— Eu adorei. Foi a coisa mais intensa que já senti. Ver o Elijah perder aquela máscara de perfeição, ver o vampiro possessivo e faminto que ele tenta esconder... foi viciante. Ele me fez dizer que era dele, Bekah. Ele me fez implorar enquanto me possuía com uma violência que eu nunca imaginei que ele tivesse.

Rebekah deu um gole em sua bebida, balançando a cabeça.

— Meu irmão é um hipócrita. Ele prega a redenção e a etiqueta, mas no fundo, ele é tão selvagem quanto o Niklaus, talvez até mais, porque ele guarda tudo dentro de si até explodir. E você, Lily, parece ser o detonador perfeito.

— Ele disse que se eu beijasse outra pessoa de novo, as consequências seriam permanentes — Lily riu, sentindo uma fisgada nas costas. — Eu acho que ganhei o que queria. Eu queria o Elijah de volta, e eu consegui a versão mais crua dele. Mas, honestamente? Eu vou precisar de uma semana de massagens e banhos de ervas para conseguir andar normalmente de novo.

— Valeu a pena a dor? — Rebekah perguntou, desafiadora.

Lily olhou para as próprias mãos, vendo as pequenas escoriações nos pulsos, e então olhou para cima, em direção à varanda onde Elijah costumava ficar. Ela podia sentir o cheiro dele ainda impregnado em sua pele, uma mistura de sândalo e algo metálico, puramente masculino.

— Cada segundo — respondeu Lily com convicção. — Eu prefiro estar quebrada nos braços dele do que inteira em qualquer outro lugar. Mas da próxima vez, vou pedir para ele ser pelo menos dez por cento menos "vampiro original" com a minha coluna.

Rebekah riu alto, atraindo a atenção de alguns híbridos que passavam pelo pátio.

— Não conte com isso, querida. Uma vez que você solta a fera, é difícil colocá-la de volta na gaiola. E, entre nós, você está radiante, apesar de estar andando como uma senhora de oitenta anos.

— É o brilho do pecado, Bekah — Lily brincou, levantando-se com dificuldade para tentar caminhar um pouco e soltar os músculos. — Agora, se me der licença, vou tentar encontrar uma almofada bem macia antes que eu desmaie de dor.

— Vá lá — disse Rebekah, voltando para sua revista com um olhar divertido. — E Lily? Tente não provocar o Niklaus hoje. Eu não acho que seu corpo aguente outra rodada de castigos Mikaelson tão cedo.

Lily apenas acenou com a mão, um sorriso vitorioso no rosto. Ela estava dolorida, marcada e exausta, mas pela primeira vez em meses, ela se sentia exatamente onde pertencia: sob o domínio perigoso e irresistível de Elijah Mikaelson.

Enquanto caminhava pelo corredor, ela viu a porta do escritório de Elijah entreaberta. Ela parou por um momento, observando-o de longe. Ele estava impecável, como sempre, usando um terno cinza perfeitamente cortado, escrevendo algo em sua mesa. Ele nem sequer levantou os olhos, mas Lily viu o canto de sua boca se curvar em um sorriso quase imperceptível.

— Dormiu bem, Lily? — a voz dele ecoou, rica e aveludada, preenchendo o espaço entre eles.

— Você sabe que não — ela respondeu, encostando-se no batente da porta, sentindo o protesto imediato de suas costas. — Você foi um monstro, Elijah.

Desta vez, ele levantou o olhar. Seus olhos não eram mais os poços escuros de fúria da noite anterior, mas havia um brilho de satisfação neles que fez o estômago de Lily dar voltas.

— Eu avisei que haveria consequências — disse ele, voltando sua atenção para os papéis. — Mas fico feliz em ver que você ainda consegue caminhar. Mesmo que com dificuldade.

Lily revirou os olhos, mas não conseguiu conter o sorriso. Ela se afastou, seguindo para o seu quarto, sabendo que, embora as marcas em seu corpo fossem desaparecer em alguns dias, a memória daquela noite — e a promessa de outras como ela — ficaria gravada para sempre. Ela tinha jogado com fogo, e sim, ela tinha se queimado. Mas o calor era exatamente o que ela precisava para se sentir viva novamente.