Engel
O Silêncio Forçado e a Pena de Algodão
O dormitório da Paper School costumava ser o único refúgio de Engel, um lugar onde o caos das salas de aula e as perseguições implacáveis dos valentões não podiam alcançá-lo. O sol da tarde filtrava-se fracamente pelas janelas, criando sombras longas que dançavam sobre os móveis de papel e papelão. Engel estava deitado, entregue a um sono leve e restaurador, com suas penas azuis e vermelhas levemente bagunçadas sobre o travesseiro. Ele finalmente sentia um pingo de paz.
Pelo menos, era o que ele achava.
Um rangido suave na porta não foi suficiente para despertá-lo, mas uma risada abafada, carregada de malícia e diversão, cortou o silêncio como uma lâmina.
— Hihi... Olha só que coisinha mais adorável quando está vulnerável.
Engel sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Seus olhos se abriram bruscamente, a visão ainda turva pelo sono. A primeira coisa que viu foi a silhueta alta e esguia de Oliver, com seus longos cabelos brancos caindo como uma cascata até os tornozelos e aquele sorriso irritante que sempre precedia o desastre. A marca de "A+" em seu cabelo parecia brilhar com uma luz sinistra sob a penumbra do quarto.
— Oliver? — Engel tentou se levantar, mas o corpo ainda estava pesado. — O que você está fazendo aqui? Sai do meu quarto!
— Ah, Engel, você é tão ingênuo — Oliver debochou, dando um passo à frente enquanto brincava com uma das pontas de seu laço preto. — Você realmente achou que eu ia deixar passar a oportunidade de te ver assim, tão... indefeso?
Antes que Engel pudesse reagir ou saltar da cama, Oliver foi mais rápido. Em um movimento ágil e inesperado, o valentão avançou. Engel tentou lutar, suas mãos com dedos pontiagudos arranhando o ar, mas Oliver parecia ter planejado cada movimento. Em poucos minutos, a situação virou um pesadelo de papel.
Agora, Engel se encontrava em uma posição humilhante. Ele estava deitado de costas, com os pulsos e tornozelos firmemente amarrados por tiras de couro que Oliver tirara de algum lugar. O aperto era firme o suficiente para imobilizá-lo, mas o que realmente selava seu desespero era a pressão em seu rosto.
Uma mordaça de bola vermelha brilhante estava presa em sua boca, as tiras de couro apertadas atrás de sua nuca, forçando sua mandíbula a permanecer aberta e impedindo qualquer palavra articulada.
— Mmmph! Mmm-nnnph! — Engel se debateu, o rosto queimando em um tom de carmesim que rivalizava com a cor da mordaça. Seus olhos estavam arregalados, transbordando medo e uma indignação impotente.
Oliver circulou a cama como um predador observando uma presa curiosa. Ele parecia estar se divertindo mais do que o normal, até mesmo para os seus padrões sádicos.
— Ficou bem em você, sabia? — Oliver comentou, inclinando a cabeça para o lado. — Finalmente um pouco de silêncio. Você está sempre tentando ser o herói, protegendo todo mundo... mas quem vai te proteger agora, passarinho?
Engel tentou se contorcer, as penas em sua cabeça vibrando violentamente. Ele queria gritar, queria dizer a Oliver o quanto ele era desprezível, mas tudo o que saía eram sons abafados e desesperados. A humilhação de estar amarrado daquela forma, sob o olhar zombeteiro do garoto que comia sabonete como se fosse doce, era quase insuportável.
Oliver aproximou-se lentamente e, com um dedo longo, tocou a superfície lisa da bola vermelha na boca de Engel.
— Sabe, Engel — Oliver disse, sua voz caindo para um sussurro provocador enquanto sentia a vibração dos protestos abafados do outro —, eu sempre me perguntei o quanto você aguentaria antes de perder essa pose de bonzinho.
O toque na mordaça fez Engel estremecer. Ele fechou os olhos com força, sentindo as lágrimas de frustração arderem. O contraste entre a frieza do couro e o calor de seu próprio rosto era desconcertante. Oliver riu novamente, um som agudo e travesso.
— Mas ainda falta algo — Oliver murmurou, seus olhos descendo para os pés de Engel.
O garoto gentil usava seus sapatos pretos de salto baixo habituais, mas Oliver parecia ter outros planos. Com uma calma deliberada, ele se ajoelhou aos pés da cama.
— Mmmph!! — Engel intensificou seus movimentos, prevendo o que viria a seguir. Suas pernas chutaram o ar inutilmente, presas pelas amarras.
— Calma, Engel. Eu só quero ver uma coisa — Oliver disse, desamarrando os cadarços com uma agilidade irritante.
Um por um, os sapatos de Engel foram removidos e jogados displicentemente no chão do dormitório. Em seguida, Oliver deslizou as polainas listradas em azul e vermelho para baixo, expondo os pés de Engel.
O ar fresco do quarto atingiu a pele exposta, e Engel sentiu uma vulnerabilidade nova e aterrorizante. Ele era sensível, e Oliver sabia disso. O valentão deu um sorriso largo, mostrando que tinha encontrado exatamente o que queria para continuar sua "brincadeira".
— Você tem pés tão... sensíveis, não é? — Oliver provocou, passando a ponta dos dedos levemente pelo arco do pé direito de Engel.
O corpo de Engel deu um solavanco violento. Um som agudo e abafado escapou pela mordaça, uma mistura de soluço e risada involuntária que ele tentou desesperadamente suprimir.
— Mmm-ha-ha-mmph! — Engel balançou a cabeça de um lado para o outro, os cabelos brancos se espalhando desordenadamente pelo lençol.
— Oh, então temos um ponto fraco aqui? — Oliver arqueou as sobrancelhas, fingindo surpresa. — Que interessante. Vamos ver quanto tempo você aguenta sem implorar... ah, esqueci, você não pode implorar.
Oliver começou a mover os dedos em movimentos circulares e rápidos pelas solas dos pés de Engel. O efeito foi imediato. O garoto amarrado começou a se contorcer freneticamente, suas costas arqueando-se contra a cama enquanto ele lutava contra a sensação avassaladora de cócegas.
— Mmmph! Mmmph-nnn-ha-ha! — Os olhos de Engel lacrimejavam, e seu rosto estava agora de um vermelho profundo. A mistura de raiva, vergonha e a tortura física das cócegas criava um turbilhão de emoções que ele não conseguia controlar.
Oliver não parou. Ele usou as unhas levemente para riscar a pele sensível perto dos dedos dos pés de Engel, concentrando-se nos pontos onde a reação era mais intensa.
— O que foi, Engel? — Oliver perguntou, rindo da desgraça alheia. — Cadê aquele garoto sério e protetor agora? Você parece apenas um brinquedo barulhento para mim.
Engel tentou chutar, mas Oliver segurou seus tornozelos com firmeza, mantendo os pés na posição perfeita para continuar o ataque. A mordaça de bola impedia que qualquer som de risada real saísse, transformando tudo em ruídos rítmicos e desesperados que ecoavam pelo quarto pequeno.
— Sabe, Edward e Zip adorariam ver isso — Oliver comentou casualmente, enquanto trocava o foco para o outro pé, fazendo Engel ter um novo espasmo. — Mas eu decidi que essa diversão seria só minha hoje. Você é muito mais divertido quando não tem ninguém para te salvar.
O desespero de Engel atingiu o ápice. Ele se sentia completamente exposto, não apenas fisicamente, mas em sua dignidade. Ele olhou para Oliver, tentando transmitir todo o seu ódio através do olhar, mas Oliver apenas retribuiu com um olhar brincalhão e superior.
— Mmmph... mmm... — Engel começou a cansar, seus movimentos tornando-se mais lentos devido à exaustão, embora as cócegas continuassem a causar reflexos involuntários.
Oliver parou por um momento, deixando seus dedos descansarem sobre a pele quente dos pés de Engel. Ele subiu o olhar, observando a respiração ofegante do garoto e como a mordaça brilhava sob a luz da tarde.
— Você está bravo, Engel? — Oliver perguntou com uma doçura fingida, inclinando-se para mais perto do rosto dele.
Engel respondeu com um olhar furioso, as penas em sua cabeça eriçadas.
— Mmmph!! — Ele tentou falar, a voz morrendo na barreira de plástico vermelho.
Oliver estendeu a mão e tocou novamente a mordaça, girando-a levemente com o polegar, sentindo a resistência dos lábios de Engel contra o objeto.
— Você fica tão melhor assim, calado e sob o meu controle — Oliver sussurrou, a malícia brilhando em seus olhos escuros. — Talvez eu deva te deixar assim por mais um tempo. A Paper School é muito mais interessante quando eu dito as regras.
Engel fechou os olhos, sentindo uma onda de calor subir por seu pescoço. A provocação de Oliver doía tanto quanto a restrição física. Ele odiava como Oliver conseguia transformar qualquer situação em um jogo onde ele era sempre o vencedor.
— O que foi? — Oliver riu, percebendo o desconforto crescente. — Não gosta que eu toque no seu "brinquedinho"?
Ele deu um tapinha leve na bochecha de Engel antes de voltar sua atenção para os pés descalços do garoto.
— Vamos lá, ainda não terminamos. Eu ainda sinto que você tem muita energia para gastar.
Desta vez, Oliver usou as duas mãos, atacando ambos os pés simultaneamente com uma técnica impiedosa. Engel explodiu em um novo acesso de contorções, o som abafado de seus protestos preenchendo o quarto enquanto Oliver ria alto, deleitando-se com a visão do herói da escola reduzido a uma massa trêmula de penas e risadas forçadas.
— Mmmph-ha-ha-ha! Nnn-mmmph! — Engel implorava com os olhos, mas no mundo de Oliver, a piedade era uma moeda que não tinha valor.
A tarde continuou, e dentro daquele quarto, o silêncio da escola era quebrado apenas pelo som do couro rangendo, o ruído rítmico da mordaça e a risada triunfante de um valentão que adorava brincar com fogo — ou, neste caso, com papel e penas.