Entre cláusulas e contratos.
Labirintos de Seda e Estratégias do Coração
O salão de festas do hotel The Pierre, em frente ao Central Park, exalava uma opulência que apenas o dinheiro antigo de Nova York e o brilho moderno do K-pop poderiam criar juntos. Lustres de cristal suspensos no teto alto lançavam prismas de luz sobre as taças de champanhe de cristal, enquanto o murmúrio de vozes influentes criava uma sinfonia de poder e prestígio.
S/N ajustou a fenda de seu vestido de seda preta, uma peça exclusiva que abraçava suas curvas com uma elegância austera. Ela estava no topo do mundo, literalmente e figurativamente. O contrato com a HYBE estava assinado, descansando em uma pasta de couro em seu escritório, garantindo uma colaboração que mudaria o rumo da SN Global Enterprises. No entanto, sua mente não estava nas planilhas de lucro. Estava no homem que, a poucos metros de distância, cercado por fotógrafos e dignitários, mantinha uma postura impecável de ídolo global.
— Se você apertar essa taça com mais força, vamos ter um incidente com vidro quebrado e sangue no tapete persa — a voz de Minjin surgiu ao seu lado, carregada de ironia.
Minjin estava deslumbrante em um conjunto de alfaiataria rosa choque, segurando um canapé como se fosse um cetro.
— Ele não parou de olhar para cá desde que chegou — continuou Minjin, inclinando a cabeça levemente em direção ao grupo. — E você, minha cara CEO, está com aquela expressão de quem está tentando calcular a velocidade do som para ver quanto tempo leva para um sussurro chegar até ele.
— Eu sou uma profissional, Minjin — respondeu S/N, forçando um gole no champanhe. — Estamos celebrando uma vitória comercial.
— Claro, e eu sou a Rainha da Inglaterra — Minjin riu, atraindo olhares curiosos de alguns investidores próximos. — Escuta, a parte chata já acabou. Os discursos foram feitos, as fotos foram tiradas. Agora é a hora da "diversificação da carteira" que você mencionou. Vá até lá. Ou melhor, deixe que ele venha até você. O garoto está claramente sofrendo de abstinência da sua atenção.
S/N suspirou, mas não conseguiu evitar o sorriso. Minjin tinha um talento especial para desarmar suas defesas.
— Ele tem obrigações, Minjin. Ele é o centro das atenções.
— Ele é o Jeon Jungkook. Ele faz o que quiser — Minjin deu um tapinha no ombro da amiga. — E o que ele quer agora é sair desse aquário de gente rica e ficar sozinho com a mulher que o tratou como um estranho qualquer em uma boate esfumaçada. Vá para a varanda. O ar aqui dentro está ficando pesado de tanto ego.
S/N seguiu o conselho. Ela se esquivou educadamente de dois diretores de bancos de investimento e deslizou pelas portas de vidro que levavam ao terraço privativo. O ar frio da noite de Nova York atingiu seu rosto como um bálsamo. O barulho da festa tornou-se um eco abafado, substituído pelo som distante do tráfego da Quinta Avenida.
Ela não precisou esperar muito. Menos de três minutos depois, o som rítmico de sapatos sociais contra o mármore anunciou uma presença.
— Achei que você tivesse fugido — disse a voz aveludada, agora sem a barreira do microfone ou da formalidade excessiva.
S/N se virou. Jungkook tinha tirado o paletó do terno cinza, ficando apenas com a camisa social branca, os primeiros botões abertos e as mangas levemente dobradas. Ele parecia menos um ícone e mais o homem que a beijara com urgência na penumbra da Obsidian.
— Fugir não faz parte do meu modelo de negócios, Jungkook — disse ela, encostando-se na balaustrada de pedra. — Eu apenas precisava de um momento de silêncio. A assinatura foi um sucesso.
— Foi — ele concordou, parando ao lado dela, a uma distância que fazia os pelos do braço de S/N se arrepiarem. — Mas eu não vim aqui para falar sobre cláusulas de rescisão ou direitos de imagem.
— Não? — ela arqueou uma sobrancelha, o desafio brilhando em seus olhos. — E sobre o que o "Golden Maknae" quer falar?
Jungkook soltou uma risada curta e baixa, um som que vibrou no peito de S/N.
— Quero falar sobre como você fica incrível sob a luz da lua. E sobre como foi difícil passar as últimas cinco horas fingindo que eu não queria te puxar para um canto e perguntar se o bilhete que deixei no hotel foi lido.
— Eu li — confessou ela, a voz suavizando. — E guardei.
— Guardou? — ele se inclinou um pouco mais, o perfume de sândalo agora envolvendo-os completamente. — Isso soa como um investimento emocional, S/N. E você me disse que o retorno era baixo.
— As condições do mercado mudaram — respondeu ela, sentindo a eletricidade entre eles crescer até se tornar quase palpável. — Às vezes, um ativo inesperado aparece e altera todas as projeções.
Jungkook estendeu a mão, mas hesitou por um segundo antes de tocar a ponta dos dedos no ombro nu de S/N. A pele dela queimou sob o toque dele.
— Eu não sou um ativo, S/N. E você não é apenas uma CEO para mim. Desde aquela noite... as coisas parecem diferentes. Eu já conheci muitas pessoas, já estive em mil festas como essa, mas nunca me senti tão "eu mesmo" quanto quando estava falando com você sobre nada em especial.
— É perigoso, Jungkook — sussurrou ela, embora não fizesse menção de se afastar. — A mídia, os fãs, o conselho da minha empresa... se descobrirem que a parceria começou com um encontro casual, vão tentar transformar isso em algo sujo ou planejado.
— Então não vamos deixar que descubram — ele disse, a voz cheia de uma determinação calma. — Vamos construir algo que seja só nosso. Longe das câmeras, longe dos relatórios. O jantar que eu prometi... ainda está de pé?
S/N olhou para o horizonte, onde os prédios pareciam sentinelas de vidro. Ela sempre fora a mestre da cautela, a rainha do controle. Mas, olhando para Jungkook, ela viu algo que não podia ser quantificado em um gráfico de lucros: uma chance de ser feliz fora do escritório.
— Onde você levaria uma CEO que já viu de tudo nesta cidade? — perguntou ela, cedendo.
Jungkook sorriu, e desta vez foi o sorriso travesso que ela reconhecera da primeira noite.
— Eu conheço um lugar no Brooklyn que serve a melhor pizza de Nova York às duas da manhã. Sem toalhas de mesa de linho, sem garçons de luvas brancas. Só nós, papelão e refrigerante em lata.
S/N riu, uma risada clara e genuína que ecoou pela varanda.
— Você está me convidando para comer pizza no Brooklyn usando um vestido de cinco mil dólares?
— Estou convidando a S/N. O vestido é apenas um detalhe — ele pegou a mão dela e a levou aos lábios, beijando os nós de seus dedos com uma delicadeza que a fez estremecer. — Vamos?
— Agora? — ela perguntou, surpresa. — A festa ainda não acabou.
— Para mim, acabou no momento em que você assinou aquele papel e eu percebi que não precisava mais ser apenas o seu parceiro de negócios — ele piscou.
Eles voltaram para o salão discretamente. S/N avistou Minjin de longe, que ao ver o par caminhando em direção à saída, levantou sua taça em um brinde silencioso, um sorriso vitorioso estampado no rosto. Minjin sabia que, a partir daquele momento, a vida de sua amiga nunca mais seria a mesma.
A saída pelos fundos do hotel foi uma operação de espionagem coordenada por Jungkook e seu segurança pessoal, que já estava acostumado com as escapadas ocasionais do cantor. Em poucos minutos, eles estavam dentro de um SUV preto de vidros escurecidos, deixando para trás o brilho estéril da gala.
Dentro do carro, o silêncio era confortável. Jungkook não soltou a mão de S/N.
— Você está muito quieta — observou ele, observando as luzes da ponte de Manhattan passarem por eles.
— Estou apenas tentando processar a rapidez com que as coisas mudam — disse ela, virando-se para ele. — Ontem eu estava preocupada com o futuro da minha empresa. Hoje, estou fugindo de uma festa com um dos homens mais famosos do planeta para comer pizza.
— A vida é curta demais para ser vivida apenas em reuniões de diretoria, S/N — ele disse suavemente. — Você passou anos construindo seu império. Não acha que merece alguém para dividir o trono? Ou pelo menos alguém para te fazer esquecer que o trono existe por algumas horas?
S/N sentiu uma pontada de vulnerabilidade.
— Eu sempre achei que o amor fosse uma distração. Algo que me tornaria fraca ou dependente.
— O tipo certo de amor não te torna fraca — Jungkook se aproximou, sua mão subindo para acariciar o rosto dela. — Ele te dá um lugar para descansar quando o mundo lá fora está barulhento demais. Eu entendo a pressão, S/N. Eu vivo nela todos os dias. Talvez seja por isso que eu senti que você era diferente. Você entende o peso da coroa, mas não deixa que ela te esmague.
Ele se inclinou e a beijou. Desta vez, não havia a urgência desesperada da boate, mas sim uma promessa profunda e terna. S/N sentiu as barreiras que construíra ao redor de seu coração começarem a ruir, tijolo por tijolo.
A pizzaria no Brooklyn era exatamente como ele descrevera: pequena, iluminada por luzes fluorescentes e com um cheiro celestial de manjericão e queijo derretido. O dono, um senhor italiano idoso que parecia não ter ideia de quem era o jovem de boné à sua frente, serviu-lhes duas fatias gigantes em pratos de papel.
Eles se sentaram em um banco alto de metal, de frente para a janela que dava para uma rua vazia.
— Isso é... estranhamente perfeito — disse S/N, limpando uma gota de molho do canto da boca.
— Eu te disse — Jungkook sorriu, mastigando sua pizza com gosto. — Às vezes, as melhores coisas da vida são as mais simples. Como isso. Ou como o jeito que você franze a testa quando está pensando em algo sério.
— Eu faço isso? — ela riu, sentindo-se mais leve do que em anos.
— O tempo todo. Na reunião de hoje, você fez isso três vezes enquanto discutíamos a logística de distribuição. Eu quase interrompi a apresentação de Namjoon para dizer que você fica fofa quando está brava com números.
— Graças a Deus você não fez isso! — S/N escondeu o rosto nas mãos, rindo. — Minha reputação teria ido por água abaixo.
— Sua reputação está segura comigo — ele disse, o tom de voz tornando-se sério novamente. Ele estendeu a mão e afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. — S/N, eu sei que o que temos é complicado. Eu vou viajar em turnê em breve, e você tem um império para gerir. Mas eu quero tentar. Não quero que aquela noite na Obsidian seja apenas uma história que contamos para nós mesmos daqui a dez anos.
S/N olhou para ele, vendo a sinceridade em seus olhos escuros. Ela sabia que os riscos eram imensos. Haveria fofocas, pressão de ambos os lados, fusos horários conflitantes e a constante vigilância do público. Mas, pela primeira vez em sua vida profissional, ela decidiu que o risco valia a pena.
— Eu nunca fui de apostar em causas perdidas, Jungkook — disse ela, segurando a mão dele sobre o balcão de fórmica. — Mas eu tenho um bom pressentimento sobre isso.
— Isso soa como um "sim"? — ele perguntou, um brilho de esperança iluminando seu rosto.
— Isso soa como um acordo — ela sorriu. — Mas com uma condição.
— Qual?
— Da próxima vez, eu escolho o lugar. E vai envolver algo muito menos calórico que pizza às duas da manhã.
Jungkook soltou uma gargalhada alta, atraindo a atenção do dono da pizzaria.
— Fechado, CEO.
Eles terminaram de comer e caminharam um pouco pela calçada fria do Brooklyn. O mundo parecia vasto e cheio de possibilidades. S/N olhou para as luzes de Manhattan do outro lado do rio e percebeu que, embora ainda fosse a dona de sua empresa, ela não precisava mais carregar o peso do mundo sozinha.
Ao voltarem para o carro, Jungkook a puxou para perto, sussurrando em seu ouvido:
— Sabe, Minjin me disse algo quando estávamos saindo.
— Oh, não — S/N gemeu. — O que ela disse?
— Ela disse que, se eu te fizesse chorar, ela usaria os recursos de marketing da sua empresa para arruinar minha imagem global em menos de vinte e quatro horas.
S/N riu, balançando a cabeça.
— É, isso soa exatamente como algo que ela diria.
— Ela é uma boa amiga — disse Jungkook, beijando o topo da cabeça de S/N. — E ela tem razão em ser protetora. Você é preciosa demais para ser tratada de qualquer outra forma.
Naquela noite, S/N não voltou para sua cobertura luxuosa se sentindo apenas como a CEO de sucesso. Ela voltou se sentindo como uma mulher que encontrara algo que nenhum contrato bilionário poderia comprar: uma conexão real em um mundo de aparências.
O sol começou a despontar no horizonte quando o carro finalmente a deixou em casa. Jungkook prometeu ligar assim que acordasse, e S/N subiu para seu apartamento com um passo leve.
Ao entrar, ela viu a pasta do contrato sobre a mesa de centro. Ela a abriu, olhando para as assinaturas. A parceria entre a SN Global e o BTS estava selada. Mas, para S/N, o verdadeiro sucesso daquela negociação não estava no papel. Estava na lembrança do sabor de pizza barata, do frio do Brooklyn e do calor da mão de Jungkook na sua.
Ela caminhou até a janela e olhou para a cidade que nunca dorme. Pela primeira vez, o amanhã não parecia um desafio a ser vencido, mas um presente a ser vivido. O amor, ao que parecia, era de fato um investimento de alto risco. Mas, como qualquer boa CEO sabia, os maiores riscos sempre traziam as maiores recompensas.
E S/N estava pronta para colher cada uma delas.