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Entre Sombras & Chamas

Entre Sombras e Relâmpagos: O Reencontro

Três anos. Mil e noventa e cinco dias de silêncio absoluto, preenchidos apenas pelo som metálico de kunais atingindo alvos e pelo estalar da eletricidade em seus dedos. Para Hajime, o tempo não havia passado de forma linear; ele havia se tornado uma sucessão de sombras. Sob a tutela rigorosa de Kakashi e a recomendação direta para as divisões de elite, o garoto tímido que se escondia atrás da gola alta dera lugar a uma figura espectral, um dos prodígios mais letais da ANBU de Konoha.

Sua aparência mudara. Aos quinze anos, Hajime era mais alto, seus ombros eram mais largos e seus movimentos possuíam uma fluidez predatória. O manto escuro da ANBU e a máscara de porcelana que ele carregava na lateral da cintura eram símbolos de sua nova realidade. Mas, por baixo do uniforme, o coração ainda guardava o calor de um segredo que nem o tempo, nem a deserção, conseguiram apagar.

— Hajime, mantenha o foco — a voz de Yamato ecoou, tirando-o de seus pensamentos. — Estamos nos aproximando do epicentro do chakra.

O Time 7 — agora composto por Naruto, Sakura, o enigmático Sai e liderado por Yamato — avançava pelas galerias úmidas e sombrias do esconderijo de Orochimaru. Hajime não precisava de ordens. Ele se moveu, ativando seu *Passo Fantasma* em um nível que Kakashi chamava de "lendário". Ele não apenas se escondia na escuridão; ele deslizava entre as sombras das próprias paredes, tornando-se uma mancha indetectável que precedia o grupo.

— Ele está aqui — sussurrou Hajime, sua voz saindo abafada pela gola alta que ele ainda insistia em usar sob o traje ninja. — Eu sinto o cheiro... madeira e chuva.

Naruto respirou fundo, os dentes cerrados. Sakura apertou as luvas, a determinação brilhando em seus olhos verdes. Eles emergiram em uma vasta área aberta, uma cratera sob o teto desabado que revelava o céu pálido acima.

E lá estava ele.

No topo de uma saliência rochosa, a figura que assombrava os sonhos de Konoha permanecia imóvel. Sasuke Uchiha não era mais o menino de azul que Hajime protegia nos treinos. Ele vestia um quimono branco aberto, revelando a maturidade de seu corpo, com uma corda roxa amarrada na cintura e a lâmina Kusanagi embainhada nas costas. Seus olhos eram poços de indiferença glacial.

— Naruto... Sakura... — a voz de Sasuke desceu como uma lâmina de gelo, carregada de uma superioridade que beirava o desdém. — Vocês ainda perdem tempo me seguindo? Eu já disse que seus laços não passam de um estorvo para o meu objetivo.

Naruto gritou algo sobre amizade e promessas, mas Sasuke mal parecia ouvir. No entanto, quando o olhar do Uchiha varreu o grupo, ele parou. Seus olhos negros encontraram a figura de manto escuro posicionada ligeiramente à esquerda de Yamato.

Hajime não desviou o olhar. Ele não era mais o bicho acuado de três anos atrás. Ele sustentou o contato visual, e por um milésimo de segundo — um piscar de olhos que apenas alguém que o conhecesse intimamente notaria — a fachada de arrogância de Sasuke vacilou. Suas pupilas dilataram levemente e o canto de sua boca estremeceu antes de voltar à rigidez habitual.

— Então você também se tornou um cão de guarda, Hajime — disse Sasuke, sua voz perdendo um pouco daquela frieza cortante, embora ainda mantivesse o tom de provocação.

— Eu me tornei o que era necessário para te encontrar — respondeu Hajime, sua voz firme, sem gaguejar, ecoando pelo vale rochoso.

Sasuke não esperou por mais palavras. Em um borrão de velocidade que desafiava a visão comum, ele saltou da saliência, desembainhando a Kusanagi em pleno ar. O alvo era Naruto, mas antes que o aço pudesse tocar o loiro, uma explosão de estática branca e silenciosa preencheu o espaço.

Hajime se moveu. Ele não correu; ele simplesmente "apareceu" entre Sasuke e Naruto, emergindo da sombra projetada pelo próprio Uchiha no chão.

*Clang!*

O som do metal colidindo ecoou. Hajime bloqueou a lendária Kusanagi com uma simples kunai, mas a lâmina pequena estava envolta em uma camada tão densa de *Faca de Plasma* que o ar ao redor deles vibrava com o calor da eletricidade estática.

Rosto com rosto, a poucos centímetros de distância, os dois se encararam. O Sharingan de Sasuke estava ativado, os três tomoes girando furiosamente enquanto ele tentava ler o fluxo de chakra de Hajime.

— Você ficou rápido — sussurrou Sasuke, a pressão de sua espada aumentando. — Mas esse truque de sombras não vai te salvar de mim.

— E você continua falando demais para esconder o quanto sentiu minha falta, Sasuke — provocou Hajime, um lampejo de audácia cruzando seus olhos escuros.

Sasuke estreitou os olhos. Ele canalizou o *Chidori Nagashi* através da lâmina, esperando eletrocutar o oponente e forçar um recuo. No entanto, Hajime simplesmente fluiu. Ele não bloqueou a energia; ele permitiu que seu próprio Raiton absorvesse e dispersasse a carga, girando o corpo como uma sombra ao vento e desferindo um chute que Sasuke bloqueou com o antebraço.

Eles se separaram e voltaram a se chocar em uma sucessão de golpes tão rápidos que Sakura e Naruto mal conseguiam intervir sem o risco de atingir Hajime. Era uma dança mortal e familiar. Cada finta de Sasuke era antecipada por Hajime; cada tentativa de ocultação de Hajime era rastreada pelo Sharingan de Sasuke.

— Por que você não usa o selo amaldiçoado? — perguntou Hajime, enquanto suas mãos se moviam em selos de alta velocidade. — Ou eu não sou uma ameaça digna o suficiente?

— Você é irritante — rebateu Sasuke, avançando com uma estocada precisa. — Sempre foi.

Sasuke desferiu um golpe que deveria ter atravessado o ombro de Hajime, mas, no último instante, ele desviou a trajetória da Kusanagi, cortando apenas o tecido do manto da ANBU. Hajime percebeu. Ele sabia que, para qualquer outro inimigo, Sasuke já teria buscado um ponto vital.

Em resposta, Hajime avançou, suas mãos envoltas em garras de plasma silencioso. Ele teve a chance de atingir o peito exposto de Sasuke enquanto o Uchiha recuperava o equilíbrio de um salto, mas, em vez de perfurar, Hajime apenas usou a palma da mão para empurrar Sasuke para trás, espalhando uma onda de choque que não causava danos internos, apenas o afastava do grupo.

Sasuke aterrissou agachado, a respiração levemente alterada. Ele olhou para Hajime, e por um momento, o ódio que ele cultivava contra o mundo pareceu nublado por uma memória: o silêncio sob a árvore em Konoha, o calor das mãos entrelaçadas.

— Você ainda é fraco, Hajime — disse Sasuke, embora seus atos dissessem o contrário. — Sua hesitação vai te matar.

— Minha hesitação é a prova de que eu ainda sou humano, Sasuke — Hajime deu um passo à frente, as sombras ao seu redor parecendo ganhar vida própria, alongando-se em direção ao Uchiha. — E você também é. Você teve três chances de me finalizar e não o fez. O laço ainda está aí, por mais que você tente cortá-lo com essa espada.

Sasuke soltou um rosnado baixo, uma mistura de frustração e algo que ele se recusava a admitir como afeto. Ele guardou a Kusanagi com um movimento seco.

— Naruto! — gritou Sasuke, voltando sua atenção para o loiro, mas seus olhos ainda buscavam Hajime perifericamente. — Na próxima vez que nos encontrarmos, não haverá misericórdia. Nem para você, nem para a sua sombra.

Uma explosão de chamas e fumaça, cortesia de uma técnica de Orochimaru que surgira para cobrir a retirada, preencheu o local. Quando a poeira baixou, Sasuke havia desaparecido.

Naruto caiu de joelhos, socando o chão de frustração. Sakura chorava silenciosamente. Yamato e Sai começaram a avaliar os danos e planejar o próximo passo.

Hajime permaneceu de pé, olhando para o lugar onde Sasuke estivera. Ele tocou o rasgo em seu manto, bem acima do coração. Ele sentia a eletricidade residual de Sasuke ainda formigando em sua pele.

— Ele não mudou tanto assim — sussurrou Hajime para si mesmo, um pequeno e triste sorriso surgindo por baixo da gola alta.

— Hajime? — Sakura se aproximou, limpando as lágrimas. — Você está bem? Ele te machucou?

Hajime olhou para a companheira de equipe, seus olhos expressando aquela melancolia profunda que o acompanhava desde a infância, mas agora temperada com uma nova esperança.

— Não — disse ele, voltando a ajustar sua máscara ANBU na lateral do rosto. — Ele não me machucou. Ele só me lembrou que ainda tenho um motivo para continuar treinando.

Ele sabia que a jornada seria longa e que a escuridão de Sasuke era profunda, mas Hajime era o mestre das sombras. Ele não tinha medo do escuro; ele pertencia a ele. E enquanto houvesse uma sombra para ele se mover, ele estaria lá, seguindo os passos de Sasuke, esperando o momento em que o relâmpago e a sombra pudessem finalmente encontrar a paz novamente, longe da guerra e do ódio.

— Vamos — disse Hajime para o restante do time, assumindo a liderança da formação de rastreamento. — Ele ainda não foi longe demais. E eu nunca perco o rastro de quem eu amo.

O Time 7 seguiu em frente, mergulhando novamente nos túneis, mas agora com a certeza de que o laço que unia o relâmpago e a sombra era mais forte do que qualquer técnica proibida ou desejo de vingança. O romance secreto, outrora vivido em sussurros sob as árvores de Konoha, tornara-se agora uma promessa silenciosa de resgate, escrita no aço e na eletricidade de um reencontro que estava apenas começando.