Estrelas em Ascensão
Noites de Neon e Pecados de Cetim
O céu de Los Angeles estava tingido de um roxo profundo, cortado pelos feixes brancos dos holofotes que anunciavam mais uma noite de excessos. Era 1987, o auge da era *Bad*, e o mundo pertencia a Michael Jackson. Mas, entre as paredes de mármore negro de sua suíte presidencial, o Rei não queria o mundo; ele queria o perigo silencioso que emanava da mulher sentada no parapeito da janela.
Maryna parecia uma miragem saída de um videoclipe proibido. Ela usava um conjunto de lingerie de renda branca sob um robe de seda transparente, mas eram as botas de cano alto e o batom vermelho sangue que quebravam qualquer ilusão de inocência. Ela balançava um copo de cristal com um líquido âmbar, observando a cidade com um tédio elegante que desafiava a magnitude de Michael.
— Eles estão gritando seu nome lá embaixo, Michael — disse ela, sem desviar o olhar das luzes. — Como é a sensação de ser um deus e, ainda assim, ter que se esconder no escuro comigo?
Michael, vestindo apenas uma calça de couro preta justa e uma camisa de seda entreaberta, caminhou até ela. O som de suas fivelas tilintando era o único ritmo no quarto. Ele não era o garoto tímido de Neverland naquela noite; havia uma fome em seu olhar, uma intensidade que só Maryna conseguia despertar. A turnê mundial estava drenando suas energias, mas ela era o seu carregador de adrenalina.
— Os deuses são solitários, Maryna — respondeu ele, parando a centímetros dela. — Mas eu não estou me escondendo. Estou apenas escolhendo quem merece ver o que há por trás da fumaça.
Ele estendeu a mão e tocou a coxa dela, onde a liga de renda apertava levemente a pele pálida. Maryna soltou um riso baixo, uma nota de puro veludo. Ela se levantou, deixando o robe escorregar pelos ombros, revelando o corpo esculpido e os laços de cetim que adornavam seu busto — uma estética que misturava a doçura de uma boneca com a agressividade de uma femme fatale.
— Você está viciado no perigo, não está? — sussurrou ela, passando as unhas pintadas de cereja pelo maxilar definido dele. — Não apenas no palco, mas aqui. No que fazemos quando as câmeras desligam.
— Você é o meu maior vício — admitiu ele, a voz rouca, prensando-a contra o vidro frio da janela. — No palco, eu controlo o caos. Aqui, eu quero que você me mostre o que é perder o controle.
O beijo que se seguiu não teve nada de romântico ou angelical. Foi uma colisão de dentes e línguas, um gosto de uísque e desejo cru. Michael a segurou pela cintura com uma força que demonstrava sua urgência, enquanto as mãos de Maryna se perdiam nos cachos úmidos de sua nuca. Ele a conhecera meses atrás, nos bastidores de um show em Tóquio, e desde então, a dinâmica entre eles era um jogo constante de poder e sedução.
— Me leve para o show de amanhã — pediu ela entre beijos, a respiração ofegante contra o pescoço dele. — Quero ver você dominar aquela multidão usando o que eu preparei para você.
— Você quer assistir da lateral do palco? — perguntou ele, descendo os beijos para a curva do ombro dela.
— Não — disse ela, afastando-o apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos. — Quero estar no fosso. Quero sentir o suor, a eletricidade. Quero que você cante *Dirty Diana* olhando diretamente para mim, sabendo que, quando as luzes se apagarem, eu serei a única que restará.
Michael sorriu, um sorriso predatório que raramente chegava às capas de revista. Na noite seguinte, no estádio lotado, ele fez exatamente isso.
O calor era opressor, misturado ao cheiro de pólvora dos fogos de artifício e ao couro das roupas de Michael. Maryna estava na área VIP, bem em frente à passarela, usando um look inspirado na nova era pop: um minishort de cetim rosa ultracurto, cravejado de cristais, e um top corset que realçava cada curva, finalizado com laços gigantes nos ombros. Ela era o contraste perfeito para a estética agressiva e metálica do show.
Quando os primeiros acordes de *Dirty Diana* ecoaram, o estádio estremeceu. Michael surgiu sob um canhão de luz azul, a jaqueta de couro cheia de zíperes aberta, revelando o peito brilhando de suor. Ele se movia com uma precisão sobrenatural, mas seus olhos, semicerrados e famintos, buscavam apenas um ponto na multidão de 80 mil pessoas.
Ele se ajoelhou na beira do palco, a poucos metros de Maryna. O microfone em sua mão parecia uma extensão de seu corpo.
— *You'll never make me stay, so take your weight off of me!* — ele rugiu, e por um segundo, o tempo parou.
Ele fixou o olhar nela. Maryna não desviou. Ela levou um dedo aos lábios, um gesto de desafio silencioso, sentindo a vibração do baixo em seu peito. Michael deu um salto para trás, girando com uma velocidade que fez a plateia entrar em transe, mas o recado estava dado. Aquela performance não era para o mundo; era um prelúdio para o que aconteceria depois.
De volta ao hotel, o clima era de guerra e luxúria. Mal entraram na suíte, Michael chutou a porta e a jogou contra a parede, as mãos subindo para os laços do corset dela.
— Você me provocou a noite inteira — disse ele, a respiração pesada, o cheiro de adrenalina emanando de sua pele. — Você sabe o que faz comigo quando me olha daquele jeito no meio de uma música.
— Eu só estava apreciando o meu artista favorito — provocou ela, desfazendo o cinto de fivelas dele com uma agilidade pecaminosa. — Mas agora, eu quero o homem. O homem que não precisa de coreografia para me fazer gritar.
Michael a pegou no colo, as pernas dela enlaçando sua cintura com força. Ele a levou até a cama circular coberta de lençóis de seda preta. Ali, sob a luz dos letreiros de neon que piscavam do lado de fora, a sofisticação deu lugar ao instinto.
Não havia espaço para a doçura vintage de Maryna ou para a timidez de Michael. Era uma troca de prazer intensa, marcada pelo som do couro contra a pele e pelos gemidos abafados pelos travesseiros de pluma. Michael explorava cada centímetro do corpo dela com uma curiosidade quase científica, descobrindo novos pontos de prazer enquanto Maryna o guiava com uma autoridade que o deixava fascinado.
— Você é perigosa, Maryna — murmurou ele, as mãos grandes espalmadas nas costas dela enquanto se moviam em um ritmo frenético e sincronizado. — Você vai acabar me destruindo.
— Então morra nos meus braços, Michael — respondeu ela, puxando-o para um beijo profundo enquanto atingiam o clímax juntos, uma explosão que superava qualquer pirotecnia de palco.
Horas depois, o quarto estava mergulhado em um silêncio denso, quebrado apenas pelo som distante do trânsito de Los Angeles. Michael estava deitado, o peito subindo e descendo devagar, enquanto Maryna fumava um cigarro de cravo, a fumaça azulada dançando sob a luz da lua.
— A turnê vai para a Europa na semana que vem — disse ele, sem abrir os olhos. — Quero você em Londres. Quero você em Paris.
Maryna soltou a fumaça, observando a marca de batom no filtro do cigarro.
— O mundo vai falar, Michael. Eles vão dizer que eu sou a garota má que corrompeu o Rei.
Michael se inclinou, pegando o cigarro da mão dela e dando uma tragada longa antes de devolvê-lo.
— Deixe que falem. Enquanto eles escrevem mentiras nos jornais, nós estaremos escrevendo a verdade entre esses lençóis.
Ela sorriu, apagando o cigarro no cinzeiro de cristal e deitando-se sobre o peito dele, sentindo o batimento constante do coração que movia multidões, mas que ali, pertencia apenas a ela.
— Londres parece um ótimo lugar para mais alguns pecados, não acha? — perguntou ela, traçando círculos no abdômen dele.
Michael a puxou para baixo da manta de seda novamente, um brilho travesso e sombrio nos olhos.
— Londres não está preparada para nós dois, Maryna. Ninguém está.
Naquela noite, entre o brilho dourado dos discos de ouro na parede e o cheiro de sexo e perfume caro, Maryna entendeu que o seu "Ultraviolence" não era apenas uma estética de laços e rosas. Era a intensidade de possuir o homem mais desejado do planeta e descobrir que, por trás do brilho, ele era um fogo que ela não tinha a menor intenção de apagar. O glamour dos anos 80 era o cenário, mas a paixão deles era o roteiro de um filme que nunca teria um fim comportado.