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Família,amor,ciúmes e união

Silêncio, Ressaca e Reencontros

A mudança de Gabriella para a mansão das Bergmova não foi exatamente uma surpresa, mas sim uma evolução natural do caos. Gabi não era apenas uma amiga; ela era a força da natureza que mantinha Julia e Kate alertas. No entanto, a dinâmica da casa ganhou um novo componente: o sobrinho de Gabi, um adolescente de dezesseis anos chamado Thiago, que viera passar as férias e, por coincidência do destino (ou má sorte de Kate), tinha a mesma idade de Nicolas.

A noite estava abafada, típica de um verão que não dava trégua. Léo finalmente havia cedido ao sono após uma batalha épica contra o berço, deixando Julia exausta, mas com aquela sensação de dever cumprido. Ela desceu as escadas em silêncio, encontrando a varanda do primeiro andar banhada pela luz do luar.

Kate estava lá, estirada na rede de fios tramados, uma perna balançando para fora. A expressão da russa não era das melhores. Mesmo no escuro, Julia conseguia ver o vinco profundo entre as sobrancelhas loiras de sua esposa. Era a "cara de jogo" de Kate, aquela que ela usava quando estava prestes a dar um bloqueio devastador ou quando estava genuinamente furiosa.

Julia aproximou-se devagar, o som de seus passos abafado pelo tapete externo. Ela se acomodou na rede, forçando Kate a abrir espaço. O corpo da ruiva se moldou ao da loira, o calor da pele de Kate emanando através da regata fina.

— Que cara é essa, Antropova? — sussurrou Julia, apoiando o queixo no ombro da esposa. — Se o Léo acordar com essa sua energia negativa, eu juro que coloco ele para dormir no seu peito.

— Nicolas e Thiago — Kate respondeu, a voz rouca e carregada de irritação. — Já passa da meia-noite, Julia. Eles não atendem o celular. Nicolas sabe as regras desta casa.

Julia sorriu de canto, começando a distribuir beijos lentos e úmidos pelo pescoço de Kate. Ela sabia exatamente como desarmar aquela bomba russa.

— Eles têm dezesseis anos, amor. Devem estar em algum lugar comendo hambúrguer e tentando parecer descolados. Relaxa um pouco.

— Eu não gosto de desobediência — murmurou Kate, mas sua cabeça pendeu para o lado, dando a Julia mais acesso à sua pele.

Julia não parou. Suas mãos subiram pela cintura de Kate, encontrando o caminho por baixo da blusa, os dedos longos traçando o abdômen definido da atleta. Ela deu uma mordida leve no lóbulo da orelha de Kate, sentindo a russa estremecer. O beijo que se seguiu foi profundo, uma exploração lenta de línguas que fez a raiva de Kate começar a se dissipar, substituída por um desejo urgente.

— Você é muito manipuladora, Bergmann — Kate disse entre um beijo e outro, as mãos agora firmes nos cabelos ruivos de Julia.

— Eu chamo de diplomacia — rebateu Julia, aprofundando a carícia, a mão descendo perigosamente para o cós do short de Kate.

— Alguém viu o embuste do meu sobrinho?

A voz de Gabi cortou o clima como uma lâmina de gelo. Julia e Kate se afastaram bruscamente, a rede balançando com o movimento súbito. Gabi estava parada na porta da varanda, de pijama de seda e descabelada, com um pote de sorvete na mão.

— Gabriella! — Julia exclamou, ajeitando a blusa com o rosto mais vermelho que o cabelo.

— Ah, por favor, eu já vi vocês se pegando em vestiários ao redor do mundo, não se façam de santas — Gabi revirou os olhos, enfiando uma colher de sorvete na boca. — Sério, o Thiago não voltou. O Nicolas está com ele, né?

Kate suspirou, sentando-se na rede e tentando recuperar a compostura, embora seus olhos ainda estivessem nublados pelo desejo interrompido.

— Estão juntos. E nenhum dos dois atende o telefone — Kate respondeu, sua voz agora menos brava, mas ainda firme. — Se eles não chegarem em uma hora, eu vou atrás deles com a polícia ou com um bastão de beisebol. O que vier primeiro.

— Relaxa, Kate. O Thiago é meio tonto, mas o Nicolas tem juízo por dois... ou não, pensando bem, eles estão fritos — Gabi deu de ombros. — Vou tentar dormir. Se eles chegarem, avisem para o Thiago que o enterro dele será amanhã às oito.

Gabi saiu da varanda tão rápido quanto entrou. O silêncio voltou, mas o clima anterior havia evaporado. Julia tentou puxar Kate de volta para o beijo, mas a loira estava agora em modo de vigilância total.

— Vamos para o quarto — Kate decidiu, levantando-se da rede. — Não consigo relaxar aqui fora esperando aqueles dois idiotas.

As horas passaram devagar. Julia acabou pegando no sono leve ao lado de Kate, que permanecia sentada na cama, olhando para o relógio digital na cabeceira. Quando os ponteiros marcaram duas da manhã, o som do portão eletrônico ecoou pelo silêncio da mansão.

Kate saltou da cama como se tivesse ouvido o apito inicial de uma final olímpica. Julia despertou assustada, ouvindo os passos pesados de Kate em direção ao corredor.

— Nicolas! — o grito de Kate lá embaixo fez Julia estremecer.

Julia desceu as escadas a tempo de ver a cena. Nicolas e Thiago estavam parados na entrada, parecendo dois cachorrinhos acuados. Nicolas tinha o cabelo bagunçado e uma mancha de gordura na camiseta. Thiago tentava se esconder atrás do amigo.

— Kate, a gente pode explicar... — Nicolas começou, a voz falhando.

— Explicar o quê? Que vocês são irresponsáveis? — Kate estava a poucos centímetros do irmão, a altura dela tornando a bronca ainda mais intimidadora. — Eu liguei dez vezes! Julia e eu ficamos acordadas esperando! Você tem ideia do que poderia ter acontecido?

— O celular descarregou, a gente perdeu a noção do tempo no shopping... — Thiago tentou intervir.

— Cala a boca, Thiago! — Gabi apareceu no topo da escada, a voz gélida. — Para o seu quarto. Agora. Amanhã a gente conversa sobre a sua passagem de volta.

Thiago subiu as escadas correndo, sem olhar para trás. Nicolas, no entanto, teve que encarar a fúria russa de frente.

— Você não é mais uma criança, Nicolas. Mas enquanto morar sob o meu teto e as minhas regras, você vai respeitar os horários! — Kate apontou para a escada. — Suma da minha frente antes que eu esqueça que somos do mesmo sangue.

Nicolas subiu em silêncio, o rosto baixo. Kate ficou parada na sala por um longo tempo, os ombros subindo e descendo com a respiração pesada. Julia se aproximou com cautela, envolvendo a cintura da esposa por trás.

— Kate... vamos subir. Já passou.

— Ele me desrespeitou, Julia — Kate murmurou, a voz trêmula de raiva reprimida. — Na frente da sua família, na nossa casa.

— Eu sei. Mas agora você precisa se acalmar. Vem.

Ao entrarem no quarto e fecharem a porta, a tensão que Kate carregava parecia precisar de uma válvula de escape. Ela se virou para Julia, os olhos azuis faiscando de uma forma que Julia conhecia bem. Não era apenas raiva; era uma adrenalina bruta que precisava ser canalizada.

Kate empurrou Julia contra a porta fechada, selando seus lábios em um beijo faminto e agressivo. Julia soltou um gemido baixo, suas mãos encontrando os ombros de Kate, puxando-a para mais perto. O clima no quarto mudou instantaneamente de conflito familiar para uma urgência palpável.

— Kate... devagar — Julia tentou dizer, mas foi silenciada por uma mordida firme em seu lábio inferior.

— Não me peça para ir devagar hoje — Kate rosnou contra a sua pele.

A loira desceu os beijos para o pescoço de Julia, as mãos grandes apertando a cintura da ruiva com força. Julia sentiu o corpo amolecer quando Kate pressionou o joelho entre suas pernas, criando uma fricção que a fez arquear as costas.

Em um movimento ágil, Kate levantou Julia, que entrelaçou as pernas ao redor da cintura da russa. Elas caíram na cama em um emaranhado de membros e respirações curtas. Kate assumiu o controle, suas mãos explorando cada centímetro do corpo de Julia com uma possessividade que deixava a ruiva sem fôlego.

— Kate... — Julia arquejou quando sentiu os dedos da esposa traçarem o caminho interno de suas coxas.

A loira não respondeu com palavras. Ela se posicionou, os olhos fixos nos de Julia enquanto descia o corpo. Quando Kate se entregou ao prazer de Julia, a ruiva sentiu o mundo girar. Os gemidos de Julia eram abafados pelo travesseiro, enquanto Kate era implacável, usando a língua e os dedos com uma precisão cirúrgica, arrancando espasmos da esposa.

Momentos depois, foi a vez de Julia. Ela inverteu as posições, sentando-se sobre o rosto de Kate, buscando o alívio que só a esposa sabia proporcionar. Julia segurava a cabeceira da cama, os nós dos dedos brancos pela força, enquanto Kate a devorava com uma intensidade que beirava o selvagem.

— Mais... — Julia implorou, a voz sumindo.

Kate subiu novamente, prendendo as mãos de Julia acima da cabeça. A russa olhou profundamente nos olhos verdes de Julia e, em um gesto de domínio que sempre fazia o coração de Julia disparar, envolveu o pescoço da ruiva com uma das mãos, apertando levemente, apenas o suficiente para aumentar a pulsação.

— Você é minha, Bergmann — Kate sussurrou, a voz carregada de uma autoridade sombria.

— Sempre — Julia respondeu, a voz falha, entregando-se completamente ao toque, às mordidas e ao ritmo frenético que as levou ao ápice juntas, em um clímax que as deixou exaustas e suadas sob os lençóis bagunçados.

O relógio marcava quatro da manhã quando o silêncio finalmente se instalou. Elas ficaram abraçadas, a respiração voltando ao normal, mas o peso dos acontecimentos da noite ainda pairava no ar.

Na manhã seguinte, o sol entrou pelas frestas da cortina com uma crueldade desnecessária. Julia foi a primeira a acordar, sentindo o corpo dolorido e a mente pesada. Ao descer para a cozinha, encontrou um cenário desolador.

Gabi estava sentada à mesa, encarando uma xícara de café como se fosse seu pior inimigo. Thiago e Nicolas estavam sentados em extremidades opostas da bancada, em silêncio absoluto, mexendo em seus cereais sem coragem de levantar os olhos.

Kate entrou na cozinha logo em seguida. Ela estava impecável, com o uniforme de treino, mas sua expressão era de puro gelo. Ela não disse "bom dia". Ela apenas caminhou até a cafeteira, serviu-se e ficou de pé, olhando para o horizonte através da janela da cozinha.

— O clima está ótimo, hein? — Gabi comentou com sarcasmo, tentando quebrar o gelo que parecia ter dez metros de espessura. — Parece que alguém morreu.

— Ninguém morreu — Kate disse, a voz fria como o inverno siberiano. — Mas a confiança de alguns aqui está em suporte básico de vida.

Nicolas baixou a cabeça ainda mais. Julia suspirou, aproximando-se de Kate e colocando a mão em seu ombro. Kate não se afastou, mas também não relaxou.

— Léo acordou? — Julia perguntou, tentando normalizar as coisas.

— Está com a babá. Eu já o vi — Kate respondeu curta.

O café da manhã seguiu em um silêncio desconfortável, interrompido apenas pelo som das colheres batendo nas tigelas. Julia olhou para Kate, depois para os meninos, e percebeu que a "Noite das Pizzas" e o churrasco pareciam memórias de uma vida passada. Naquela casa de atletas, a disciplina era a regra, e a quebra dela havia deixado cicatrizes que nem mesmo a melhor das noites de amor poderia apagar tão cedo.

— Nicolas — Kate chamou, sem olhar para ele. — Depois do treino, você e eu vamos ter uma conversa séria sobre suas responsabilidades. E Thiago, Gabi vai decidir o que fazer com você.

A russa terminou seu café, deu um beijo rápido e sem emoção na bochecha de Julia e saiu em direção à garagem.

— Bem-vindo à família, Thiago — Gabi murmurou, levantando sua caneca. — Espero que você goste de silêncio, porque acho que é só isso que vamos ter por um bom tempo.

Julia sentou-se, sentindo o peso daquela manhã. O caos de antes era alegre; o de agora era denso. E ela sabia que, para trazer o sorriso de Kate de volta, seria necessário muito mais do que apenas diplomacia.

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