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O Brilho da Aliança Escarlate
O caos que se seguiu à revelação do casamento não foi nada menos do que o esperado para uma reunião dos seres mais poderosos do mundo. Milim agora tentava convencer Dagruel a segurá-la no alto para que ela pudesse proclamar o "Dia dos Recém-Casados" em todas as nações, enquanto Ramiris já desenhava planos mirabolantes para uma festa de bodas que envolveria labirintos de cristal e fogos de artifício interdimensionais.
No centro da tempestade, Rimuru apenas suspirou, sentindo o peso reconfortante do braço de Guy ao redor de sua cintura. A postura dele era de triunfo absoluto, como se tivesse acabado de subjugar um exército de deuses com uma única mão.
— Você realmente não consegue ser discreto, não é? — murmurou Rimuru, ajustando-se contra o peito dele.
— Discreção é para quem tem algo a esconder, querida — Guy respondeu, a voz vibrando suavemente contra as costas dela. — E eu passei séculos sendo temido. Acho que mereço ser invejado por um tempo.
Leon Cromwell, que ainda parecia processar a informação de que seu "rival" e o "slime que ele respeitava" eram agora uma unidade política e emocional, pigarreou alto, tentando restaurar um pingo de ordem.
— Se o espetáculo de afeição pública terminou — disse Leon, com sua habitual frieza cortante —, talvez possamos discutir as implicações disso. Guy, você percebe que a união entre o Império do Demônio e a Federação Jura Tempest altera completamente o equilíbrio de poder do Octagrama?
Guy nem se deu ao trabalho de mudar sua expressão relaxada.
— O equilíbrio de poder nunca existiu, Leon. Eu sempre fui o topo. A única diferença é que agora o topo tem uma rainha que eu prefiro obedecer.
Luminas Valentine soltou uma risada seca, cruzando as pernas e observando o anel no dedo de Rimuru com um olhar analítico.
— "Obedecer" é uma palavra forte vindo de você, Guy. Mas admito, a joia é de um bom gosto impressionante. É artesanato de Tempest ou algo que você roubou de algum tesouro antigo?
Rimuru levantou a mão, admirando o brilho da pedra carmesim incrustada em ouro branco.
— Na verdade, foi um projeto conjunto — explicou ela. — Eu forneci a base mágica e o design, e o Guy infundiu uma parte de sua própria essência primordial nela. Se eu estiver em perigo, ele sabe instantaneamente. E se ele tentar fazer alguma bobagem... bem, eu posso enviar um choque de mana diretamente para o coração dele.
— Uma coleira de luxo — comentou Dagruel, soltando uma gargalhada profunda que fez as taças de vinho tremerem. — Adequado para o Rei das Trevas.
Guy sorriu, um brilho perigoso, mas divertido, nos olhos.
— Ela chama de "segurança mútua". Eu chamo de "prova de devoção". De qualquer forma, o resultado é o mesmo. Rimuru é intocável.
— E você também, pelo que parece — retrucou Luminas. — Duvido que alguém em sã consciência tentaria atacar o Lorde Demônio Vermelho sabendo que teria que enfrentar a fúria da Tempestade logo em seguida.
A conversa foi interrompida quando Milim finalmente conseguiu se desvencilhar de Dagruel e saltou sobre a mesa, parando bem na frente do casal. Seus olhos brilhavam com uma intensidade quase assustadora.
— Rimuru! — gritou ela, apontando um dedo acusador. — Se vocês são casados, isso significa que eu sou oficialmente da família agora? Eu sou a irmã? A tia? O que eu sou?
Rimuru sorriu, sentindo uma onda de carinho pela dragoa.
— Você é nossa melhor amiga, Milim. Mas se quiser ser a "irmã caçula barulhenta", acho que o cargo está vago.
Milim deu um soco no ar, comemorando a vitória.
— Viu, Guy?! Você tem que me dar mais pudim agora! É lei de família!
Guy revirou os olhos, mas não parecia realmente irritado.
— Vou pensar no seu caso, pirralha. Mas só se você parar de tentar anotar quantas vezes eu a faço corar. Isso é invasão de privacidade.
— Nunca! — exclamou Ramiris, pairando sobre o ombro de Guy. — O mundo precisa saber que o grande demônio assustador é, na verdade, um bobão apaixonado que gosta de cafuné.
A fada abriu o caderno novamente, preparando a caneta.
— A propósito, Guy — disse Ramiris, com um sorriso travesso —, você disse que o peito da Rimuru é o melhor travesseiro. Você quer elaborar sobre isso para o registro oficial?
Rimuru sentiu o rosto esquentar novamente. Ela tentou se soltar do abraço de Guy, mas ele a segurou com firmeza, rindo baixo.
— Ora, Ramiris, você sabe que detalhes íntimos custam caro — disse Guy, inclinando-se para frente. — Mas posso dizer que a textura é... única. É como deitar sobre uma nuvem que tem cheiro de flores de cerejeira e o calor de um sol de verão. É o único lugar onde o Rei das Trevas consegue realmente fechar os olhos e não se preocupar com o resto do universo.
— TREZE! — gritou Milim, saltando de alegria.
— Treze — repetiu Ramiris, escrevendo com uma velocidade sobre-humana.
Rimuru escondeu o rosto na curva do pescoço de Guy, soltando um gemido abafado.
— Você é impossível...
— E você me ama por isso — respondeu ele, beijando o topo da cabeça dela.
A reunião, que deveria ser sobre tratados de não-agressão e a reconstrução de rotas comerciais pós-guerra, transformou-se em um interrogatório informal. Leon, embora fingisse desinteresse, acabou perguntando sobre a cerimônia, enquanto Dagruel queria saber se o vinho servido no banquete de casamento era melhor do que o de sua própria reserva.
— Não houve uma cerimônia grandiosa — explicou Rimuru, finalmente recuperando a fala. — Foi algo privado em Tempest. Apenas os meus subordinados mais próximos e alguns amigos sabiam. Queríamos que fosse algo nosso, antes de se tornar um assunto de estado.
— O que faz sentido — concordou Luminas. — Imagine o caos se os anjos ou as nações humanas soubessem que os dois pilares mais fortes do Octagrama se tornaram um só. Eles entrariam em pânico coletivo.
— Eles já estão em pânico — Guy interveio, brincando com uma mecha do cabelo azul de Rimuru. — Mas agora o pânico tem um motivo oficial. Eu não me importo com a política humana, mas se qualquer um deles ousar desrespeitar minha esposa, eu não vou apenas declarar guerra. Eu vou apagar o nome deles da história.
A intensidade na voz de Guy fez o salão silenciar por um momento. Não era uma ameaça vazia; era a promessa de um Primordial. Rimuru colocou a mão sobre a dele, acalmando a aura de destruição que começava a vazar do demônio.
— Guy, menos drama — disse ela, com um tom suave, mas firme. — Eu sei me defender. E nós concordamos que Tempest preza pela diplomacia primeiro.
Guy relaxou instantaneamente, a tensão deixando seus ombros sob o toque dela.
— Como desejar, minha rainha. Diplomacia primeiro... e depois eu.
— Exatamente — sorriu Rimuru.
Conforme a noite avançava, o vinho continuava a fluir e as histórias ficavam cada vez mais leves. Rimuru contou sobre como Guy era péssimo em cozinhar e como ele quase destruiu a cozinha real de Tempest tentando fazer um simples omelete para ela. Guy rebateu contando sobre como Rimuru falava sobre estratégias de construção de estradas enquanto dormia, o que ele achava "estranhamente adorável, mas muito nerd".
— Ela realmente falou sobre pavimentação asfáltica às três da manhã? — perguntou Leon, com um vislumbre de um sorriso nos lábios.
— Sim — riu Guy. — Ela estava gesticulando no sono. Eu tive que abraçá-la forte para ela parar de tentar "medir o terreno" nas minhas costas.
Rimuru deu um tapinha no braço dele, rindo também.
— Eu estava sob muito estresse naquela semana! O setor quatro estava com problemas de drenagem!
— Viu só? — Guy olhou para os outros. — É com isso que eu lido. Mas eu não trocaria por nada no mundo.
Quando a reunião finalmente começou a se encerrar, cada Lorde Demônio se preparava para retornar aos seus domínios. Milim abraçou Rimuru com tanta força que quase a transformou em slime líquida novamente, e Ramiris prometeu enviar uma cópia do "caderno de contagem" assim que terminasse de ilustrá-lo.
Luminas aproximou-se de Rimuru antes de partir.
— Deixando as brincadeiras de lado — disse a Rainha Vampira —, fico feliz por você. Guy é um fardo pesado para carregar, mas se alguém pode mantê-lo na linha, esse alguém é você.
— Obrigada, Luminas — respondeu Rimuru sinceramente. — Ele dá trabalho, mas vale a pena.
Leon apenas acenou com a cabeça para os dois, um gesto de respeito mudo, antes de desaparecer em seu portal.
Finalmente, restaram apenas Guy e Rimuru no grande salão. O silêncio da noite se instalou, quebrado apenas pelo estalar das chamas mágicas nas paredes. Guy se levantou, estendendo a mão para Rimuru como um cavaleiro de um livro de contos de fadas, embora sua aura fosse muito mais sombria.
— Então — disse ele, um sorriso malicioso brincando em seus lábios —, sobre aquele cafuné que você me prometeu...
Rimuru aceitou a mão dele, permitindo que ele a puxasse para um abraço final.
— Eu lembro da promessa, Guy. Mas você também prometeu me ajudar com os relatórios de Veldora. Ele causou outro "incidente" na caverna selada e eu tenho pilhas de reclamações para ler.
Guy soltou um suspiro dramático, encostando a testa na dela.
— O que eu não faço por você... Tudo bem. Eu leio os relatórios, contanto que eu possa fazer isso com a cabeça no seu colo.
Rimuru riu, passando os braços pelo pescoço dele.
— Negócio fechado.
Eles caminharam juntos em direção ao portal que os levaria de volta ao Palácio de Gelo de Guy, ou talvez para a residência privada em Tempest. Não importava realmente o destino. Onde quer que estivessem, o Rei das Trevas e a Imperatriz da Tempestade estavam em casa.
Enquanto atravessavam o limiar mágico, Guy sussurrou uma última coisa, fazendo com que Rimuru terminasse o dia com o rosto mais vermelho do que nunca.
— A propósito, Rimuru... aquele vestido azul realmente fica melhor no chão do nosso quarto.
— GUY!
A risada dele ecoou pelo salão vazio, o som de um demônio que, contra todas as probabilidades, tinha encontrado seu paraíso em uma pequena e poderosa criatura de cabelos azul-prateados. E no pequeno caderno que Ramiris esqueceu sobre a mesa, uma última anotação foi feita pela mão da fada, que voltou escondida apenas para registrar o momento:
**"Contagem final: Quatorze. E um beijo que quase derreteu o salão. Recorde em progresso."**