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Fanfic

O Fruto da Adoração

O sol de Londres, outrora pálido e hesitante, agora parecia ter uma tonalidade diferente, um brilho mais maduro e quente que se derramava pelas janelas da nova residência de S/n e Louis. O tempo, esse rio implacável, havia corrido com a suavidade de uma valsa desde aquela manhã de entrega absoluta. Seis meses haviam se passado, mas o eco daquela paixão ainda ressoava em cada canto do quarto, em cada olhar trocado e, mais visivelmente, na silhueta graciosa que S/n agora ostentava.

S/n estava sentada em uma poltrona de veludo creme, banhada pela luz da tarde. Suas mãos, delicadas e constantes, repousavam sobre a curva proeminente de seu ventre. Ela usava apenas uma camisola de seda fina, que delineava com perfeição a transformação divina de seu corpo. A barriga, agora redonda e firme, era o altar onde a vida florescia. Seus seios, que Louis sempre admirara como globos doces, haviam crescido e se tornado mais pesados, as veias azuladas transparecendo sob a pele branca como rios de leite e promessa.

Ela fechou os olhos, sentindo um movimento sutil por dentro, um chute leve que a fez sorrir com uma ternura que quase lhe roubava o fôlego.

— Você está sentindo isso também, não é? — sussurrou ela para o vazio acolhedor do quarto, embora soubesse que não estava sozinha.

A porta rangeu suavemente e Louis entrou. Ele não era mais apenas o rapaz de beleza escultural que o mundo conhecia; havia uma nova profundidade em seu semblante, uma gravidade protetora que o tornava ainda mais atraente. Ao ver S/n ali, envolta pela luz e pela aura da maternidade, ele parou por um instante, o fôlego preso na garganta.

— Às vezes eu acho que você é uma miragem — disse Louis, a voz rouca de emoção. — Uma divindade que decidiu morar na minha casa.

Ele caminhou até ela com passos lentos, ajoelhando-se aos seus pés. Seus olhos castanhos, sempre tão expressivos, percorreram o corpo da amada com uma reverência que beirava o sagrado. Ele estendeu as mãos grandes, cujos dedos longos e fortes tremiam levemente, e as colocou sobre a barriga de S/n.

— Ele está se mexendo? — perguntou ele, a voz carregada de uma curiosidade infantil.

— Sim — respondeu ela, cobrindo as mãos dele com as suas. — Acho que ele sabe que o pai chegou.

Como se respondesse ao chamado, o bebê deu um chute mais vigoroso, atingindo a palma da mão de Louis. O rapaz arregalou os olhos, um sorriso radiante iluminando seu rosto, fazendo com que a covinha característica em seu queixo surgisse como um selo de felicidade.

— É incrível — murmurou ele, encostando a testa no ventre dela. — É a nossa vida aqui dentro. O nosso amor que tomou forma.

S/n inclinou-se para frente, acariciando os cabelos castanhos de Louis.

— Você se lembra, não é? — perguntou ela em voz baixa, seus olhos brilhando com a memória. — Daquela manhã?

Louis ergueu o olhar, encontrando o dela. Não precisavam de datas ou calendários. Ambos sabiam exatamente a qual momento ela se referia. A memória daquela entrega total, do calor que pareceu fundir suas almas e do pedido desesperado de S/n para que ele a preenchesse com sua essência, estava gravada a fogo em seus corações.

— Eu nunca esqueci um segundo sequer — afirmou Louis, deslizando as mãos para os lados da barriga dela, sentindo a plenitude de sua forma. — Eu me lembro do calor, do cheiro de mel... e da certeza absoluta, no momento em que me derramei dentro de você, de que algo havia mudado para sempre.

— Eu também senti — confessou S/n, as bochechas corando levemente com a lembrança da intensidade do ato. — Foi como se o universo tivesse parado para nos observar. Eu senti quando você me deu esse presente. Eu soube, Louis. No fundo da minha alma, eu soube que este bebê foi concebido naquele exato instante de adoração.

Louis levantou-se ligeiramente, ficando ao nível do peito dela. Seus olhos demoraram-se nos seios fartos de S/n, admirando como a natureza a preparava para nutrir a vida que eles criaram. Ele inclinou-se e depositou um beijo casto e demorado entre eles, antes de subir para encontrar os lábios dela em um beijo que tinha gosto de gratidão.

— Você está tão linda, S/n — disse ele, afastando-se apenas o suficiente para olhar em seus olhos. — Eu achava que era impossível te amar mais do que no dia em que nos conhecemos, ou no dia em que nos tornamos um só... mas ver você carregando o nosso filho, ver como o seu corpo se transformou para protegê-lo... isso me faz querer cair de joelhos todos os dias.

— Você me faz sentir como uma rainha, Louis — respondeu ela, puxando-o para um abraço apertado. — Ou melhor, como uma mulher completa.

Louis sentou-se na borda da poltrona, puxando-a para o seu colo com cuidado, protegendo a barriga entre eles. Ele começou a traçar círculos lentos na pele esticada do ventre dela, sentindo o calor que emanava dali.

— Eu fico imaginando como ele será — comentou ele, o olhar perdido em um futuro próximo. — Espero que tenha os seus olhos. E a sua bondade.

— E eu espero que ele tenha o seu sorriso — retrucou ela, rindo suavemente. — E essa sua mania de cuidar de tudo com tanto respeito.

— Eu só cuido do que é precioso — disse ele, beijando o ombro dela. — E não existe nada mais precioso no mundo do que vocês dois.

O silêncio voltou a reinar, mas era um silêncio preenchido pelo som rítmico de dois corações que batiam em sintonia com um terceiro. S/n encostou a cabeça no ombro de Louis, sentindo a força dos músculos dele, a mesma força que a sustentara naquela manhã de paixão e que agora servia de pilar para a sua vida.

— Às vezes eu tenho medo — confessou ela, a voz sumindo um pouco. — De não ser boa o suficiente. De o mundo ser um lugar difícil para ele.

Louis apertou-a um pouco mais, transmitindo segurança através do contato.

— O mundo pode ser difícil, sim — concordou ele. — Mas ele terá a nós. Ele terá o amor que o criou como escudo. Pense bem, S/n... ele nasceu de um momento de luz pura. Ele é o resultado direto de uma entrega sem reservas. Isso o torna forte.

S/n suspirou, sentindo a tensão deixar seu corpo. Louis sempre sabia o que dizer. Ele a conhecia de uma forma que ninguém mais conhecia, tendo explorado não apenas o seu corpo, mas os recônditos de sua alma.

— Você tem razão — disse ela. — Ele é o nosso milagre.

— O nosso milagre de Londres — brincou ele, fazendo-a rir.

Louis então se inclinou novamente para a barriga dela, falando agora diretamente com o bebê.

— Escute bem, pequenino — começou ele, a voz doce e profunda. — Sua mãe é a mulher mais incrível que já caminhou sobre a terra. E eu vou passar o resto da minha vida garantindo que vocês dois saibam disso.

S/n sentiu as lágrimas de felicidade picarem seus olhos. Ela olhou para as mãos de Louis, ainda repousando sobre sua barriga, e comparou mentalmente com a lembrança daquelas mesmas mãos explorando sua virilha, provocando seu prazer, guiando-a ao clímax. A mesma mão que trazia o êxtase agora trazia o conforto. A mesma pele que pulsava de desejo agora irradiava proteção.

— Eu te amo tanto, Louis Partridge — sussurrou ela, selando a declaração com um beijo na testa dele.

— Eu te amo mais, minha S/n — respondeu ele. — Hoje, amanhã e em cada batida do coração desse pequeno ser que nós fizemos.

Eles permaneceram ali, enquanto a tarde se transformava em crepúsculo. O sol se punha sobre Londres, mas para o casal, a luz nunca se apagaria. Eles eram o testemunho vivo de que a paixão, quando vivida com adoração e respeito, não era apenas um momento passageiro, mas a semente de uma eternidade que agora chutava suavemente, ansiosa para conhecer o mundo e os pais que o criaram a partir do mais puro mel do desejo.