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Fanfic doida

Sombras e Estilhaços

O trajeto até a mansão dos Miller foi banhado por um silêncio sepulcral, interrompido apenas pelo ronco abafado do motor do SUV e pelo som rítmico dos dedos de Katherine batendo no volante de couro. Kimberly e Tiffany, sentadas no banco de trás, trocavam olhares desesperados pelo reflexo do vidro. Elas eram as rainhas do Colégio Saint Mary, as garotas que ditavam as regras na pirâmide humana, mas ali, naquele espaço confinado, sentiam-se como crianças pequenas sob a vigilância de uma carcereira de luxo.

Katherine mantinha o olhar fixo na estrada. Sua postura era impecável, os seios fartos pressionando o tecido da blusa branca toda vez que ela girava o volante com uma precisão cirúrgica. Ela não parecia uma adolescente de quinze anos; havia uma maturidade sombria em seus traços, uma aura de quem já tinha visto mais do que deveria nos corredores frios daquele internato europeu.

— Katherine... — Kimberly tentou quebrar o gelo, sua voz saindo mais fina do que o planejado. — Você não precisa ser tão dura. Nós sentimos sua falta.

Katherine não desviou os olhos do asfalto. Um pequeno vinco se formou entre suas sobrancelhas, a única indicação de que ela havia ouvido.

— Sentir falta é um sentimento inútil, Kim — respondeu Katherine, a voz rouca e baixa, vibrando pelo interior do carro. — O papai não me mandou de volta para trocarmos pulseiras de amizade. Ele me mandou porque vocês duas perderam o controle.

— Nós só estamos namorando! — Tiffany exclamou, a frustração vencendo o medo por um momento. — Isso é normal! Todo mundo no Saint Mary namora.

Katherine freou o carro bruscamente diante do portão eletrônico da mansão. O sol se punha, pintando o céu de um laranja sangrento que refletia em seus olhos castanhos quase negros. Ela se virou lentamente no banco, encarando as irmãs. A pele branca de Katherine parecia brilhar sob a luz crepuscular, criando um contraste hipnótico com o cabelo ébano.

— Normal para quem não tem um legado a manter — disse Katherine, cada palavra soando como um estalo de chicote. — Vocês são a vitrine desta família. E, pelo que vi hoje naquele ginásio, a vitrine está cheia de rachaduras. Aquelas garotas do outro grupo... a tal da Lara... elas olham para vocês como se fossem presas.

— A Lara é o nosso problema, não seu — resmungou Tiffany, cruzando os braços.

— Agora é meu — Katherine destravou as portas. — Saiam. O jantar será servido em vinte minutos. E tirem esse glitter do rosto. Vocês parecem palhaças de luxo.

As gêmeas saíram do carro pisando fundo, mas Katherine permaneceu sentada por alguns segundos. Ela olhou para as próprias mãos e depois para o retrovisor, onde viu a imagem de sua própria frieza. Ela não odiava as irmãs, mas o internato a ensinara que o afeto era uma fraqueza que os Miller não podiam se dar ao luxo de ter.

***

No dia seguinte, o Colégio Saint Mary estava em polvorosa. A notícia da "irmã secreta" de Kimberly e Tiffany havia se espalhado como um incêndio em uma floresta seca. Quando Katherine cruzou o pátio central, o burburinho parou. Ela usava uma minissaia plissada cinza que mal cobria o meio de suas coxas torneadas e uma blusa preta de gola alta, tão colada que deixava claro que ela não usava sutiã por baixo, o contorno de seu busto desafiando a gravidade e o decoro escolar.

Ela caminhava com os fones de ouvido, ignorando os assobios e os comentários maldosos das outras garotas. Katherine era um eclipse; onde ela passava, a luz das outras parecia diminuir.

Perto dos armários, o Grupo 2 estava reunido. Sophia, Manon, Daniela, Megan, Yoonchae e, claro, Lara e Rhea. Elas formavam um círculo de autoridade. Como G!P, elas possuíam uma confiança que beirava a predação, e a presença de Katherine era o maior desafio que já haviam enfrentado.

— Olhem só para isso — murmurou Megan, mordendo o lábio inferior enquanto observava o balançar dos quadris de Katherine. — Ela sabe exatamente o que está fazendo com aquela saia.

— Ela é um insulto ambulante — disse Sophia, embora seus olhos não conseguissem abandonar a figura da novata. — Ela age como se fosse a dona do lugar.

Lara, encostada no armário com uma perna dobrada, não dizia nada. Seus olhos seguiam Katherine com uma intensidade que fazia o sangue em suas veias esquentar. Havia algo no cheiro de Katherine — uma mistura de baunilha e algo metálico, como chuva no asfalto — que a atraía de uma forma irracional.

— Ela está indo para a aula de Literatura — observou Rhea, notando o livro pesado que Katherine carregava. — É a nossa aula, Lara.

Lara deu um sorriso de canto, empurrando-se para longe do armário.

— Ótimo. Vamos ver se a "rainha de gelo" sabe ler além das ordens do papai.

A sala de aula estava quase cheia quando Katherine entrou. Ela escolheu a última mesa, no canto mais escuro, querendo apenas desaparecer entre as sombras. Mas o destino — ou a insistência de Lara — tinha outros planos.

Lara entrou logo em seguida, acompanhada por Rhea e Sophia. Sem pedir licença, Lara puxou a cadeira ao lado de Katherine, sentando-se de forma folgada, as pernas abertas em uma postura tipicamente dominante.

— O lugar está ocupado? — perguntou Lara, embora já estivesse acomodada.

Katherine nem sequer desviou o olhar do livro.

— Agora está.

— Você é sempre tão animada ou só nas quartas-feiras? — provocou Lara, inclinando-se para mais perto. O perfume de Katherine a atingiu em cheio, fazendo seu instinto G!P reagir de imediato.

Katherine fechou o livro com um estrondo seco, o som ecoando pela sala e silenciando os outros alunos. Ela virou o rosto lentamente para Lara. A proximidade era perigosa. Lara podia ver os poros da pele perfeita de Katherine, o castanho profundo de sua íris que parecia um abismo.

— O que você quer, Lara? — a voz de Katherine era um sussurro letal. — Além de inflar seu próprio ego tentando intimidar a garota nova?

— Intimidar? — Lara riu, embora houvesse uma tensão genuína em seu peito. — Eu não quero intimidar você, Katherine. Eu quero entender você. Por que você se esconde atrás dessa máscara de gelo? Suas irmãs são tão... abertas. Você é um quebra-cabeça que eu estou morrendo de vontade de montar. Ou quebrar.

Katherine inclinou-se para a frente, diminuindo a distância até que seus lábios estivessem a centímetros do ouvido de Lara.

— Você não tem peças o suficiente para me montar — sussurrou Katherine. — E se tentar me quebrar, vai acabar cortando as mãos nos estilhaços.

Rhea, observando a cena da mesa da frente, sentiu um calafrio. Ela conhecia a irmã; Lara nunca recuava. Mas Katherine Miller não era como as outras garotas que caíam aos pés do Grupo 2. Ela era uma força da natureza.

O professor entrou, interrompendo o confronto silencioso. Durante toda a aula, a tensão entre as duas era palpável. Lara não conseguia se concentrar em uma palavra sequer sobre o Romantismo Europeu; sua mente estava focada na forma como a blusa de Katherine subia levemente quando ela escrevia, revelando uma pequena porção de pele alva na cintura.

***

No intervalo, o ginásio voltou a ser o palco das hostilidades. O Grupo 1 estava treinando uma sequência de saltos sob a supervisão rígida de Beatriz. Kimberly e Tiffany pareciam distraídas, errando passos simples.

— O que há com vocês hoje? — gritou Beatriz, batendo as mãos. — Estamos parecendo amadoras!

— É a Katherine — sussurrou Tiffany para Kimberly. — Ela está lá em cima, observando.

No topo da arquibancada, Katherine estava sentada sozinha, as pernas cruzadas, observando o treino com uma expressão de tédio absoluto. Ela parecia uma juíza em um tribunal onde todos já haviam sido condenados.

O Grupo 2 entrou na quadra logo em seguida para o seu horário de treino. Sophia e Manon lideravam o caminho, mas os olhos de todas foram para a arquibancada.

— Ela não se cansa de vigiar? — perguntou Yoonchae, ajustando o top que marcava seus músculos abdominais definidos.

Lara olhou para cima e encontrou o olhar de Katherine. Um desafio silencioso foi trocado. Lara sentiu aquela necessidade de se exibir, algo que sua natureza G!P sempre trazia à tona quando diante de alguém que a desafiava.

— Meninas, vamos mostrar para a nossa plateia de elite como se faz de verdade — anunciou Lara em voz alta, para garantir que Katherine ouvisse.

O Grupo 2 começou uma rotina explosiva. Seus movimentos eram mais agressivos, mais carregados de sexualidade e força do que os do Grupo 1. Elas não eram apenas líderes de torcida; eram guerreiras em uma quadra de madeira. Lara executou um salto mortal perfeito, aterrissando com a graça de um felino, seus olhos fixos em Katherine o tempo todo.

Ao final da rotina, as meninas do Grupo 2 estavam ofegantes, o suor brilhando em suas peles. Lara olhou para a arquibancada, esperando ver algum sinal de surpresa ou admiração no rosto de Katherine.

Katherine apenas se levantou, limpou uma poeira invisível de sua minissaia e começou a descer as escadas da arquibancada. Ela caminhou até o centro da quadra, parando entre os dois grupos. O silêncio foi imediato.

— Técnica aceitável — disse Katherine, olhando para Lara. — Mas falta alma. Vocês dançam como se estivessem tentando provar algo para o mundo. É desesperador de se assistir.

— Desesperador? — Sophia deu um passo à frente, o rosto vermelho de raiva. — Quem você pensa que é? Você nem faz parte de um grupo!

Katherine olhou para Sophia como se ela fosse um inseto incômodo.

— Eu não preciso de um grupo para ser notada, Sophia. Diferente de vocês, eu não dependo da aprovação de uma coreografia para saber meu valor.

— Então prove — desafiou Lara, aproximando-se de Katherine. — Se você é tão superior, mostre-nos o que você sabe fazer. Ou será que você é apenas conversa e roupas caras?

Katherine olhou para as irmãs, que observavam a cena aterrorizadas. Depois, olhou para Lara. Um brilho perigoso surgiu em seus olhos castanhos.

— Eu não danço para entreter — disse Katherine. — Mas vou dar um conselho a vocês, Grupo 2. Vocês têm o poder, mas não têm o controle. E o poder sem controle é apenas um acidente esperando para acontecer.

Ela se virou para sair, mas Lara segurou seu braço. O contato físico foi como um choque elétrico para ambas. A pele de Katherine era fria, mas onde Lara a tocava, parecia queimar.

— Você não vai embora assim — rosnou Lara, sua voz ficando mais grave, uma característica de quando sua natureza G!P estava sob pressão.

Katherine olhou para a mão de Lara em seu braço e depois para os olhos da garota.

— Me solte, Lara. Agora.

— E se eu não soltar?

Katherine moveu-se tão rápido que ninguém conseguiu acompanhar. Em um segundo, ela havia se desvencilhado do aperto de Lara e, no segundo seguinte, estava com o rosto a milímetros do de Lara, sua mão espalmada no peito da outra, sentindo o coração acelerado sob o uniforme.

— Se você não soltar — sussurrou Katherine, sua voz agora carregada de uma promessa sombria —, eu vou fazer você se arrepender de ter nascido com essa audácia. Eu não sou uma das suas seguidoras, Lara. Eu sou o pesadelo que você não consegue acordar.

Katherine empurrou Lara levemente, apenas o suficiente para criar espaço, e saiu do ginásio sem olhar para trás.

Lara ficou parada no meio da quadra, o peito subindo e descendo com força. Suas companheiras de grupo se aproximaram, preocupadas.

— Você está bem? — perguntou Manon. — Ela é louca!

Lara não respondeu imediatamente. Ela levou a mão ao peito, onde a palma de Katherine estivera. Seu coração ainda martelava contra as costelas.

— Ela não é louca — murmurou Lara, um sorriso predatório e genuíno surgindo em seus lábios. — Ela é exatamente o que eu estava procurando.

Enquanto isso, Kimberly e Tiffany se aproximaram de Beatriz.

— Nós precisamos fazer algo — disse Kimberly. — Se a Katherine continuar provocando o Grupo 2, elas vão acabar com a gente.

— O problema não é o Grupo 2 — disse Beatriz, observando a porta por onde Katherine saíra. — O problema é que sua irmã acabou de declarar guerra contra a hierarquia deste colégio. E eu tenho a sensação de que ela não planeja fazer prisioneiros.

No estacionamento, Katherine entrou em seu SUV e bateu a porta. Ela respirou fundo, fechando os olhos por um momento. A provocação de Lara havia mexido com algo que ela tentava manter enterrado. Ela odiava a forma como aquela garota a olhava, como se pudesse ver através de todas as camadas de gelo que Katherine construíra ao redor de si mesma.

Ela pegou o celular e viu uma mensagem de seu pai: *"Como estão as coisas? Elas estão se comportando?"*

Katherine digitou a resposta com dedos firmes: *"Tudo sob controle. Eu sou a ordem no caos."*

Ela mentiu. Pela primeira vez em anos, Katherine Miller sentia que não tinha controle sobre nada. Nem sobre as irmãs, nem sobre a rivalidade do colégio, e certamente não sobre a atração perigosa que começava a surgir entre ela e a líder do Grupo 2.

Ela ligou o motor e saiu do estacionamento cantando pneu. A guerra no Colégio Saint Mary estava apenas começando, e Katherine sabia que, no final, alguém sairia com o coração — ou a alma — em pedaços. E ela faria de tudo para garantir que não fosse o dela.

Ao passar pelo portão, ela viu Lara pelo retrovisor, parada na entrada do ginásio, observando o carro partir. Katherine apertou o volante com força. O gelo estava começando a rachar, e o que havia por baixo era um fogo que poderia consumir todos eles.