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Fogo com maresia

Entre o Sal e o Desejo

O sol da manhã seguinte entrou pelas frestas de madeira do chalé, trazendo consigo o calor tropical e o cheiro inconfundível de maresia. Para Samili, o despertar foi diferente de todos os outros. Ela sentiu o peso de um braço forte sobre sua cintura e o calor de um corpo sólido colado às suas costas. William ainda dormia profundamente, a respiração calma batendo na nuca dela, enviando arrepios que não tinham nada a ver com o frescor da manhã.

Ela se virou lentamente, tentando não acordá-lo, para admirar os traços dele à luz do dia. Sem a proteção das sombras da noite anterior, William parecia ainda mais real, mais palpável. Os cabelos negros estavam bagunçados sobre a testa, e os lábios, que ela agora conhecia tão bem, estavam levemente entreabertos. Samili sentiu o coração acelerar. O que aconteceu na lagoa não tinha sido um sonho.

— Você observa as pessoas dormindo sempre ou eu sou um caso especial? — a voz de William saiu rouca, grave pelo sono, enquanto ele abria um dos olhos e sorria de canto.

Samili sentiu o rosto esquentar, a pele parda ganhando um tom avermelhado.

— Só as que invadem minha cama e se recusam a sair — ela brincou, passando os dedos pelos cabelos dele.

William a puxou para mais perto, eliminando qualquer espaço. Suas mãos, grandes e cuidadosas, desceram pelas costas de Samili, parando na curva do quadril. O contato da pele nua de suas pernas sob os lençóis finos criou uma eletricidade imediata.

— Eu não pretendo sair daqui tão cedo — murmurou ele, aproximando o rosto do dela.

O beijo de bom dia foi lento, carregado de uma intimidade nova e faminta. A mão de William começou a subir, explorando a lateral do corpo dela, enquanto Samili soltava um suspiro baixo contra os lábios dele. A tensão sexual que eles esconderam por tanto tempo estava agora transbordando, transformando cada toque em uma promessa de algo mais profundo.

A bolha de isolamento dos dois foi rompida pelo som de passos pesados no corredor e uma risada escandalosa que só poderia pertencer a Henrique.

— Bom dia, pombinhos! O café está na mesa e, se vocês não aparecerem em dez minutos, a Nicolly vai comer todas as frutas sozinha! — gritou Henrique do outro lado da porta, seguido pelo som de um tapa e a voz de Nicolly repreendendo-o entre risos.

Samili e William se olharam, rindo da falta de discrição dos amigos.

— É melhor a gente ir — disse ela, embora não fizesse nenhum esforço para se afastar. — A Nic não brinca quando o assunto é comida.

— Deixa eles comerem — William sussurrou, distribuindo beijos pelo pescoço dela, fazendo-a arquear o corpo. — Temos coisas mais importantes para fazer.

— Will... — ela protestou fracamente, sentindo a "mão boba" dele apertar sua coxa de forma possessiva. — Eles vão desconfiar.

— Sam, eles já sabem. Todo mundo já sabia, menos a gente.

Relutantes, eles se vestiram com roupas leves de banho e foram para a área comum do chalé. A mesa estava farta: mangas suculentas, abacaxis, pães caseiros e café fresco. Nicolly estava sentada no colo de Henrique, vestindo apenas uma camisa dele que ficava entreaberta, revelando o biquíni preto por baixo. Henrique tinha uma das mãos por dentro da camisa dela, subindo e descendo pelas costas da namorada com uma naturalidade absoluta.

— Olha só quem resolveu aparecer para a civilização! — exclamou Nicolly, os olhos brilhando de malícia ao notar o jeito que William segurava a mão de Samili. — E então? A água da lagoa estava boa ontem à noite?

Samili sentou-se à mesa, tentando manter a compostura enquanto pegava uma fatia de melancia.

— Estava perfeita, Nic. Calma e... revigorante.

— Revigorante? — Henrique soltou uma gargalhada, dando um beijo sonoro no ombro de Nicolly. — O Will parece que correu uma maratona e você está com aquele brilho de quem finalmente parou de passar vontade. Já era hora, cara! Eu não aguentava mais você suspirando pelos cantos.

William serviu-se de café, fingindo ignorar a provocação, mas o sorriso em seu rosto o traía.

— A gente só precisava do momento certo, Henrique. Diferente de vocês, que parecem que vão se fundir um no outro a qualquer segundo.

— A vida é curta, meu amigo — disse Henrique, apertando Nicolly contra si. — E esse lugar foi feito para o pecado. A gente só está aproveitando a hospitalidade da natureza.

— Falando nisso — Nicolly interveio, olhando para Samili com cumplicidade —, a gente vai para a trilha das pedras depois do café. Tem uma cachoeira pequena lá. Mas se vocês quiserem ficar por aqui e "descansar", a gente entende perfeitamente.

Samili olhou para William. O desejo de ficarem sozinhos era tentador, mas a energia da manhã pedia movimento.

— Nós vamos com vocês — decidiu Samili. — Quero ver essa cachoeira.

A caminhada pela trilha foi curta, mas o calor úmido da mata tornava tudo mais intenso. Henrique e Nicolly iam na frente, e era impossível não notar a química explosiva entre os dois. A cada poucos metros, eles paravam para um beijo que parecia durar uma eternidade, as mãos de Henrique sempre explorando o corpo curvilíneo da namorada com uma urgência que não conhecia limites.

William e Samili vinham logo atrás. A mão dele nunca deixava a dela, e sempre que o caminho ficava mais íngreme, ele a segurava pela cintura, puxando-a para perto. Em um momento em que os outros dois se distanciaram um pouco mais, William parou Samili contra uma árvore de tronco largo.

— O que foi? — perguntou ela, a respiração já um pouco ofegante.

— Só queria conferir se você é real — ele respondeu, a voz carregada de desejo.

Ele a beijou com uma intensidade que a fez esquecer onde estava. As mãos de William desceram para a parte de trás das coxas dela, levantando-a levemente para que ela envolvesse a cintura dele com as pernas. O biquíni fino não oferecia proteção contra o calor do corpo dele. Samili soltou um gemido baixo, as unhas cravando-se nos ombros largos de William.

— Will, aqui não... — ela sussurrou, embora seu corpo estivesse pedindo exatamente o contrário.

— Eu sei, eu sei — ele disse, a voz abafada contra o decote do biquíni dela. — Mas está difícil me controlar perto de você.

Eles se separaram quando ouviram o som da água caindo e os gritos de alegria de Henrique e Nicolly, que já haviam pulado na pequena piscina natural.

A tarde passou entre mergulhos e risadas, mas a tensão sexual entre os quatro era quase visível, como uma névoa sobre a água. Nicolly e Henrique não escondiam nada; em um canto da cachoeira, protegidos por uma cortina de água, os movimentos ritmados e os suspiros de Nicolly deixavam claro que eles estavam em seu próprio mundo de prazer.

Samili e William ficaram em uma parte mais rasa, sentados sobre as pedras lisas. Ele estava atrás dela, com as pernas abertas, deixando que ela se encostasse em seu peito. As mãos de William estavam em constante movimento, acariciando o abdômen de Samili e subindo perigosamente para perto de seus seios.

— Eles são tão... intensos — comentou Samili, observando os vultos dos amigos sob a queda d'água.

— Eles são honestos com o que sentem — William respondeu, beijando o ombro dela. — E eu quero ser assim com você também, Sam. Sem barreiras.

Quando voltaram para o chalé ao entardecer, o clima já estava completamente transformado. O jantar foi rápido e silencioso, interrompido apenas por trocas de olhares significativos. Henrique e Nicolly foram os primeiros a se retirar.

— Não façam nada que eu não faria! — gritou Henrique enquanto subia as escadas, carregando Nicolly no colo, que ria e mordia o lábio inferior dele.

Samili e William ficaram sozinhos na sala, iluminada apenas por algumas velas e pelo luar que entrava pelas janelas abertas. A música que Samili tanto amava começou a tocar baixinho no som — uma melodia de jazz suave, sensual.

William se levantou e estendeu a mão para ela.

— Dança comigo? De novo?

Desta vez, a dança não tinha a hesitação da noite anterior. Eles se moviam como um só corpo. As mãos de William deslizaram para baixo, apertando as nádegas de Samili por cima do tecido leve do short que ela vestia. Ela respondeu puxando o rosto dele para o seu, iniciando um beijo que rapidamente perdeu qualquer traço de delicadeza.

Eles foram tropeçando em direção ao quarto de Samili. Assim que a porta se fechou, William a prensou contra a madeira, as mãos subindo para tirar a blusa dela em um movimento rápido. Samili ajudou, livrando-se da peça e logo em seguida atacando os botões da bermuda dele.

Quando as peles se encontraram sem obstáculos, o impacto foi quase doloroso de tão bom. William a levou para a cama, cobrindo o corpo dela com o seu. Ele era pesado, forte, e a sensação de ser dominada por ele fazia Samili delirar.

— Você tem certeza? — ele perguntou, parando por um segundo, os olhos negros fixos nos dela, buscando consentimento.

— Eu nunca tive tanta certeza de nada na minha vida, Will — ela respondeu, puxando-o para baixo.

As mãos de William eram exploradoras incansáveis. Ele conhecia cada centímetro da pele parda dela, descendo beijos de fogo pelo seu pescoço, seios e ventre. Samili arqueava o corpo, as mãos perdidas nos cabelos dele, emitindo sons que ela nem sabia que era capaz de produzir. A sensualidade "acidental" que ela sempre teve agora era usada com propósito, envolvendo William em um feitiço de toques e sussurros.

William desceu o beijo até a parte interna das coxas dela, fazendo Samili tremer violentamente. O prazer era tão agudo que ela sentia que poderia desmaiar a qualquer momento.

— Will... por favor — ela implorou, a voz falhando.

Ele subiu novamente, ficando entre as pernas dela. O momento era de uma entrega absoluta. Eles estavam no limite, a pele brilhando de suor, o coração batendo em uníssono. William buscou um preservativo na gaveta da cabeceira, mas no momento em que ele ia se posicionar para a união final, um estrondo vindo do quarto ao lado os fez pular.

Foi o som de algo quebrando, seguido por um grito de surpresa de Nicolly e a risada alta de Henrique.

— Henrique, seu idiota! Você quebrou o abajur! — a voz de Nicolly ecoou, claramente entre o riso e a luxúria.

— Eu compro outro, meu amor! Agora volta aqui! — Henrique respondeu, e logo o som de batidas rítmicas contra a parede de madeira recomeçou com força total.

Samili e William se olharam, a respiração ainda pesada, mas o clima de intensidade absoluta tinha sido levemente quebrado pelo caos do casal vizinho. Eles começaram a rir, uma risada baixa e cúmplice, enquanto tentavam recuperar o fôlego.

— Aqueles dois vão derrubar o chalé antes do fim da semana — disse William, deitando-se ao lado dela e puxando-a para o seu peito.

— Pelo menos eles estão se divertindo — Samili riu, passando a mão pelo peito suado de William.

Ele a abraçou forte, beijando o topo de sua cabeça.

— A gente tem todo o tempo do mundo, Sam. Não precisamos de pressa. Eu quero que cada momento com você seja perfeito.

— Já é perfeito, Will.

Eles ficaram ali, abraçados, ouvindo o som do mar lá fora e os sons abafados de prazer que vinham do outro quarto. A tensão ainda estava lá, vibrante e perigosa, mas havia também um novo sentimento de segurança. Eles haviam cruzado a linha da amizade para algo muito mais potente.

— Sabe de uma coisa? — William sussurrou no ouvido dela. — O Henrique tem razão. Esse lugar foi feito para o pecado. E eu mal posso esperar para pecar com você amanhã de manhã.

Samili sorriu, fechando os olhos e se aninhando no calor do homem que ela amava. A lagoa azul continuava lá fora, sob a lua, guardando os segredos de um quarteto que estava apenas começando a descobrir o verdadeiro significado de liberdade e desejo. A noite ainda era longa, e o paraíso estava apenas começando a mostrar suas cores mais quentes.