Voltar ao resumo

Fogo com maresia

Sussurros de Sal e Toques de Seda

A manhã na lagoa azul parecia carregar um peso diferente, uma densidade elétrica que pairava sobre o chalé rústico. Henrique e Nicolly, movidos por uma energia inesgotável e uma sede de aventura que beirava o exibicionismo, haviam decidido explorar uma fenda entre as rochas no extremo norte da ilha, onde, segundo Henrique, "o eco dos gemidos seria a única coisa a competir com as gaivotas". Com um beijo estalado e uma piscadela cúmplice de Nicolly para Samili, o casal desapareceu trilha adentro, deixando o chalé mergulhado em um silêncio que, para Samili e William, era quase ensurdecedor.

Samili estava na cozinha, debruçada sobre o balcão de madeira, observando o reflexo do sol na água através da janela aberta. Ela usava apenas um camisete de cetim perolado, cujas alças finas insistiam em escorregar pelos seus ombros morenos, e uma calcinha de renda que mal se via sob o tecido leve. Ela sentiu, antes mesmo de ouvir, a presença de William atrás dela. O calor que emanava do corpo dele era como um ímã.

— Eles realmente nos deixaram sozinhos — sussurrou William, a voz vibrando rente ao ouvido de Samili.

Ele não esperou por uma resposta. Suas mãos, grandes e levemente calejadas, pousaram na cintura de Samili, puxando-a para trás até que as costas dela colassem em seu peito nu. O contraste da pele clara de William contra a pele parda de Samili era uma imagem que ele nunca se cansava de admirar.

— Você parece estar em outro mundo, Sam — continuou ele, enquanto uma de suas mãos subia lentamente, os dedos traçando o desenho das costelas dela até pararem logo abaixo do seio, sentindo o coração dela martelar contra as costelas.

Samili inclinou a cabeça para trás, repousando-a no ombro dele, e soltou um suspiro que foi metade prazer e metade provocação.

— Eu estava pensando que a música da ilha mudou hoje — disse ela, virando-se nos braços dele, as mãos subindo para os ombros largos de William. — Ela está mais lenta... mais profunda.

— É? — William deu um sorriso de canto, aquele que sempre fazia as pernas de Samili fraquejarem. — E o que essa música está pedindo agora?

— Ela está pedindo para não haver pressa, Will — respondeu ela, deslizando as mãos pelo peito dele, sentindo os músculos firmes se contraírem sob seu toque. — Mas ela também está pedindo para não haver silêncio.

William selou os lábios nos dela em um beijo que começou como uma carícia casta e rapidamente escalou para uma exploração faminta. Ele a ergueu, sentando-a no balcão de madeira fria, o que arrancou um pequeno arquejo de surpresa dela. Suas mãos não paravam; elas eram exploradoras incansáveis. Ele acariciava a parte interna de suas coxas, subindo com uma lentidão torturante, enquanto Samili puxava o cabelo negro da nuca dele, trazendo-o para mais perto, querendo fundir sua pele à dele.

— Você gosta de me provocar, não gosta? — murmurou William entre beijos que desciam pelo pescoço dela.

— Eu gosto de ver até onde sua paciência vai — provocou ela, arqueando as costas e oferecendo mais de si mesma ao toque dele. — Ontem você foi um cavalheiro, Will. Mas hoje... hoje eu quero o homem que me olha como se quisesse me devorar.

William parou por um segundo, os olhos negros fixos nos dela, brilhando com uma chama de desejo absoluto.

— Cuidado com o que deseja, Samili. Eu passei meses apenas imaginando o gosto da sua pele. Agora que eu sei, eu não tenho certeza se consigo ser apenas "cuidadoso".

Ele a puxou para fora do balcão, mas não a levou para o quarto. Em vez disso, ele a conduziu até a varanda coberta, onde uma rede de algodão cru balançava suavemente. O sol estava alto, mas a sombra das palmeiras mantinha o ambiente fresco, temperado pela brisa marinha.

William sentou-se na rede e puxou Samili para o seu colo. Ela sentou-se de frente para ele, as pernas envolvendo sua cintura, sentindo a ereção dele pulsando contra sua intimidade, protegida apenas por tecidos finos.

— Will... — ela sussurrou, a respiração falhando enquanto ele começava a distribuir beijos pelo seu decote.

— Shhh... — ele pediu, as mãos descendo para as nádegas dela, apertando-as com uma possessividade que a fazia estremecer. — Sente como você me deixa? Sente o que você faz comigo só de respirar perto de mim?

Samili começou a rebolar levemente sobre o colo dele, um movimento instintivo e pecaminoso. Ela sentia o poder que tinha sobre ele e, pela primeira vez, não tinha medo de usá-lo. Ela levou as mãos ao rosto dele, forçando-o a olhar para ela.

— Eu sinto tudo, Will. E eu quero que você sinta também. Cada centímetro.

Ela começou a desabotoar o camisete, revelando seus seios fartos e firmes, cujos mamilos já estavam rígidos pelo desejo e pela brisa fresca. William soltou um som gutural, uma mistura de agonia e êxtase. Ele envolveu um dos seios com a mão, massageando-o com uma destreza que fazia Samili revirar os olhos, enquanto sua boca encontrava o outro, sugando-o com uma urgência que a fazia perder o chão.

— Você é uma deusa, Sam — ele disse, a voz abafada contra a pele dela. — Eu juro que se isso for um sonho, eu não quero acordar nunca.

— Não é um sonho, meu amor — ela respondeu, as mãos descendo para a bermuda dele, desfazendo o nó com dedos ágeis.

O contato da pele nua foi como uma explosão. William a deitou na rede, ficando por cima dela, o peso de seu corpo sendo suportado pelo balanço suave. Ele usava as mãos para afastar o tecido da calcinha dela, seus dedos encontrando-a já úmida e ansiosa.

— Você está tão pronta — observou ele, os dedos deslizando pela fenda sensível, fazendo Samili soltar um gemido alto que se perdeu no barulho das ondas.

— É culpa sua — ela rebateu, a voz embargada. — Suas mãos... elas não me deixam em paz.

— E nunca vão deixar — prometeu ele.

William começou a brincar com ela, usando apenas as pontas dos dedos, alternando entre carícias circulares e pressões mais firmes. Samili estava em um estado de quase delírio. Ela adorava o jeito que ele a observava enquanto a tocava, como se estivesse estudando sua reação, mapeando cada ponto de prazer em seu corpo.

— Will, por favor... — ela implorou, o quadril subindo em busca de mais.

— Ainda não — ele disse, com um sorriso travesso. — Eu quero que você implore um pouco mais. Eu quero que você grave esse momento na sua memória, Sam.

Ele desceu o corpo, os beijos percorrendo seu ventre, subindo e descendo pelas coxas, até que sua língua substituiu seus dedos. Samili gritou, as mãos agarrando as cordas da rede, o corpo arqueando-se como um arco retesado. A habilidade de William era assustadora; ele sabia exatamente onde e como tocá-la, levando-a a um clímax que parecia nunca ter fim.

Quando as ondas de prazer finalmente começaram a diminuir, Samili estava exausta, a pele brilhando de suor e os olhos nublados. William subiu novamente, beijando-lhe a testa com uma ternura infinita.

— Você está bem? — perguntou ele, a voz carregada de preocupação e desejo.

— Eu estou... flutuando — ela respondeu, puxando-o para um beijo profundo. — Mas eu ainda quero você dentro de mim, Will. Eu quero sentir o seu peso, a sua força.

William não precisou ouvir duas vezes. Ele se posicionou, entrando nela com uma lentidão que era quase uma tortura, saboreando a sensação de ser envolvido pelo calor dela. O balanço da rede adicionava um ritmo natural ao movimento deles, uma dança de idas e vindas que parecia sincronizada com a maré.

— Você é minha — ele sussurrou, as mãos entrelaçadas nas dela, prendendo-as acima da cabeça. — Minha Samili.

— E você é meu, William — ela respondeu, o ritmo aumentando, a entrega sendo total.

Eles atingiram o ápice juntos, em um grito uníssono que pareceu ecoar por toda a lagoa. Por alguns minutos, o mundo parou. Não havia passado, não havia futuro, apenas o presente vibrante entre as cordas daquela rede.

Depois, voltaram para dentro do chalé para escapar do sol que agora castigava a varanda. William preparou uma jarra de suco de abacaxi gelado, e eles se sentaram no chão da sala, sobre um tapete de palha.

— Sabe o que eu mais gosto em você? — perguntou William, passando o dedo pelo lábio inferior de Samili, que ainda estava inchado dos beijos.

— O meu gosto musical? — brincou ela, servindo-se do suco.

— Também. Mas é esse seu jeito... você é tão doce e gentil, mas quando estamos sozinhos, você se transforma. É como se houvesse um fogo escondido sob essa calma toda.

Samili sorriu, encostando a cabeça no ombro dele.

— É o efeito que você tem sobre mim, Will. Eu nunca me senti tão livre para ser quem eu sou. Sem medo de ser julgada, sem medo de sentir.

Eles ficaram ali, trocando carícias preguiçosas, as mãos de William sempre encontrando um caminho para a pele dela — um carinho na nuca, um aperto suave na coxa, um traçado lento pelas costas. Era um diálogo constante de toques.

De repente, o som de vozes e risadas vindas da trilha anunciou o retorno de Henrique e Nicolly.

— Parece que os exploradores voltaram — disse Samili, rapidamente tentando ajeitar o camisete e o cabelo.

— Deixe que venham — William deu de ombros, puxando-a para um último beijo rápido. — Eles não viram nada que nós não tenhamos feito melhor.

Henrique e Nicolly entraram no chalé como um furacão. Nicolly estava com o biquíni molhado e Henrique trazia uma rede cheia de conchas e algumas frutas silvestres.

— Vocês não acreditam no que a gente encontrou! — exclamou Henrique, jogando as coisas na mesa. — Uma gruta escondida! Tinha água doce caindo das pedras e... ué, por que vocês estão com essa cara de quem acabou de ganhar na loteria?

Nicolly olhou para Samili, notando o brilho nos olhos da amiga e a marca leve de um beijo no pescoço que o camisete não conseguia esconder totalmente. Ela deu um sorriso cúmplice.

— Acho que eles também fizeram suas próprias "descobertas", Henrique — disse Nicolly, piscando para Samili. — E pelo visto, foram descobertas muito satisfatórias.

— Ah, é? — Henrique riu, abraçando Nicolly por trás. — Bom, então estamos todos no mesmo barco. O que acham de um mergulho no final da tarde? A maré está baixando e as piscinas naturais estão se formando.

— Eu topo — disse William, levantando-se e estendendo a mão para Samili. — Mas eu não garanto que vamos ficar muito tempo na água com vocês. Eu ainda tenho algumas coisas para "discutir" com a Sam em particular.

Samili sentiu o rosto queimar, mas não desviou o olhar. Ela aceitou a mão de William, sentindo a segurança e o desejo que emanavam dele.

O final da tarde foi um festival de risos e brincadeiras na água. Henrique e Nicolly eram o centro das atenções, correndo um atrás do outro, mergulhando e trocando beijos cinematográficos sob as ondas. Já Samili e William preferiam a calmaria das piscinas naturais. Eles ficaram sentados em uma parte rasa, com a água morna batendo na cintura.

William estava atrás dela, as pernas envolvendo o corpo de Samili. Suas mãos estavam debaixo d'água, movendo-se com uma liberdade que a transparência do mar permitia.

— Você é muito ousado, sabia? — sussurrou Samili, inclinando a cabeça para trás enquanto sentia as mãos de William explorarem seu corpo sob a água.

— Eu só estou aproveitando a paisagem — respondeu ele, a voz vibrando contra as costas dela. — E a paisagem aqui é a mais bonita da ilha.

Ele encontrou o fecho do biquíni dela por baixo da água, desprendendo-o com habilidade.

— Will! — ela exclamou, rindo e tentando segurar a peça.

— Ninguém está vendo, Sam. É só entre eu, você e o mar.

Ele a puxou para um beijo submerso, um momento de suspensão onde o tempo parecia não existir. Quando emergiram, Samili estava radiante, a sensualidade acidental de que todos falavam agora totalmente assumida e direcionada ao homem que ela amava.

A noite caiu trazendo um céu estrelado que parecia uma pintura. O quarteto acendeu uma pequena fogueira na areia, assando peixe e ouvindo a playlist de Samili. A música, agora mais animada, fazia Nicolly e Henrique dançarem de forma provocante ao redor do fogo, as sombras de seus corpos projetadas na areia como gigantes em uma dança ritualística.

Samili observava os amigos, sentindo uma gratidão imensa por aquele momento. Ela sentiu a mão de William encontrar a sua, os dedos se entrelaçando com força.

— No que você está pensando? — perguntou ele.

— Que o paraíso não é esse lugar, Will — disse ela, voltando-se para ele. — O paraíso é poder ser quem somos, com quem amamos. Esse chalé, essa lagoa... eles são apenas o palco. A música somos nós que fazemos.

William sorriu, puxando-a para o seu colo, ali mesmo na areia, à luz do fogo.

— Então vamos garantir que essa sinfonia dure a noite inteira — sussurrou ele, antes de beijá-la com uma paixão que prometia que o sono seria a última coisa a habitar o chalé naquela noite.

Enquanto as chamas da fogueira diminuíam e as estrelas brilhavam com mais intensidade, o desejo continuava a governar a ilha. Entre sussurros de sal, toques de seda e o som constante do oceano, quatro jovens descobriam que a vida, assim como o mar, é feita de marés — e que eles estavam prontos para navegar em todas elas, desde que estivessem juntos. A noite era apenas uma criança, e a lagoa azul guardaria, em suas águas profundas, as memórias de um amor que havia acabado de encontrar o seu ritmo perfeito.