Gay love
Reflexos de Vidro e Vapor
O vapor quente já preenchia o banheiro da suíte de Luiz, transformando o ambiente em uma redoma de névoa esbranquiçada que embaçava o espelho e as paredes de mármore escuro. A luz amarelada do teto parecia mais suave através da umidade, criando uma atmosfera quase onírica. Lizanes estava parado diante do box, observando a água escorrer pelo vidro, quando sentiu as mãos firmes de Luiz pousarem em seus ombros.
— Você está distraído hoje, loirinho — murmurou Luiz, a voz ecoando de forma abafada no espaço fechado.
Lizanes inclinou a cabeça para trás, sentindo o peito nu de Luiz encostar em suas costas. O contraste entre a pele quente do moreno e o ar levemente mais frio do banheiro era inebriante.
— Só estou pensando que essa semana passou rápido demais — admitiu Lizanes, fechando os olhos enquanto as mãos de Luiz desciam pelos seus braços, deixando um rastro de arrepios. — Parece que a gente viveu um mês em sete dias.
Luiz não respondeu com palavras. Em vez disso, ele abriu a porta de vidro e guiou Lizanes para debaixo do chuveiro. A água caía em uma temperatura escaldante, batendo nos ombros deles e escorrendo pelos corpos que, agora, já se conheciam por instinto. Luiz pegou o sabonete líquido, espalhando a fragrância de sândalo pelas mãos antes de começar a ensaboar o corpo de Lizanes.
Os movimentos eram lentos, quase rituais. Luiz passava as mãos pelo peito de Lizanes, circulando os mamilos que se enrijeciam sob o toque e a temperatura da água. Lizanes soltou um suspiro longo, apoiando as mãos nos azulejos molhados para se equilibrar. Quando as mãos de Luiz desceram para o seu abdômen e circularam a linha da cintura, Lizanes não aguentou mais o silêncio.
— Luiz... — chamou ele, virando-se de frente para o moreno sob o fluxo constante da água.
Os olhos castanhos escuros de Luiz estavam fixos nele, brilhando com uma intensidade que o vapor não conseguia esconder. O cabelo preto de Luiz estava colado à testa, e gotas de água escorriam pelo seu nariz e lábios, tornando-o ainda mais atraente.
— Eu não consigo me cansar de olhar para você — disse Luiz, a voz rouca misturando-se ao barulho do chuveiro.
Ele puxou Lizanes pela cintura, selando seus lábios em um beijo que começou calmo, mas que rapidamente se transformou em algo faminto. O gosto era de água e desejo. As mãos de Lizanes subiram para o pescoço de Luiz, os dedos se entrelaçando nos fios pretos molhados, puxando-o para mais perto, querendo eliminar qualquer milímetro de distância.
Luiz pressionou Lizanes contra a parede fria do box, o choque térmico fazendo o loiro soltar um gemido contra sua boca. O moreno desceu os beijos para o pescoço de Lizanes, mordiscando a pele sensível logo abaixo da orelha, enquanto uma de suas mãos descia por entre as pernas do adolescente, encontrando-o já pulsante e pronto.
— Aqui não, Luiz... a gente vai escorregar — tentou protestar Lizanes, embora seu corpo estivesse traindo suas palavras, empurrando-se contra a mão de Luiz.
— Eu te seguro — garantiu Luiz, os olhos fixos nos dele. — Eu nunca vou deixar você cair.
Luiz ajoelhou-se no chão do box, ignorando a água que batia diretamente em seu rosto. Ele envolveu Lizanes com os lábios, a língua quente contrastando com a água do chuveiro. Lizanes jogou a cabeça para trás, o cabelo loiro médio grudado na parede de mármore, enquanto seus dedos se enterravam nos ombros largos de Luiz. O prazer era agudo, amplificado pelo ambiente fechado e pelo som rítmico da água.
— Porra, Luiz... assim eu não vou aguentar — ofegou Lizanes, sentindo os joelhos fraquejarem.
Luiz levantou-se, o rosto molhado e um sorriso vitorioso nos lábios. Ele virou Lizanes de costas, pressionando o corpo do loiro contra a parede novamente. Com uma das mãos, ele alcançou o lubrificante que já deixara estrategicamente no suporte do box. O toque gelado do gel foi um breve choque antes de Luiz começar a prepará-lo com dedos ágeis e precisos.
Lizanes apoiava o rosto no braço dobrado contra a parede, os olhos fechados com força enquanto sentia Luiz o abrindo, cada movimento sendo acompanhado por um beijo em suas escápulas ou um sussurro de encorajamento.
— Relaxa para mim, loirinho — pediu Luiz no seu ouvido. — Você sabe o quanto eu quero isso.
Quando Luiz finalmente se posicionou e entrou, o grito de Lizanes foi abafado pelo barulho da água. Foi uma invasão preenchedora, uma sensação de completude que fazia o mundo lá fora deixar de existir. Luiz segurou firme nos quadris de Lizanes, iniciando um ritmo constante e profundo. A cada estocada, os corpos colidiam com um som úmido que se perdia no vapor.
— Luiz... mais... — pedia Lizanes, a voz falha, o prazer subindo em ondas que o faziam tremer.
Luiz não diminuiu o ritmo. Pelo contrário, ele aumentou a intensidade, sentindo o aperto de Lizanes ao redor dele. O vapor parecia ficar ainda mais denso, o calor humano superando o da água quente. Luiz inclinou-se para frente, colando seu peito nas costas de Lizanes, as mãos subindo para apertar os mamilos do loiro enquanto continuava a possuí-lo com uma urgência quase selvagem.
— Você é meu — rosnou Luiz, a voz vibrando nas costas de Lizanes. — Só meu.
— Sim... sou seu — respondeu Lizanes entre soluços de prazer.
O ápice veio como uma avalanche. Lizanes sentiu seu corpo entrar em combustão, o prazer explodindo em cada nervo enquanto ele se derramava contra os azulejos. Segundos depois, Luiz soltou um rosnado baixo, enterrando-se profundamente uma última vez antes de atingir seu próprio limite, o corpo tremendo contra o de Lizanes.
Eles ficaram ali por longos minutos, a água do chuveiro agora esfriando levemente, lavando o suor e o excesso de prazer. Luiz não soltou Lizanes imediatamente; ele o abraçou por trás, escondendo o rosto na curva do pescoço do loiro, as respirações tentando voltar ao normal.
— A gente devia sair daqui antes que a sua pele comece a murchar — brincou Luiz, embora sua voz ainda estivesse carregada de emoção.
— Eu ficaria aqui para sempre se você estivesse comigo — respondeu Lizanes, virando-se nos braços de Luiz e dando-lhe um selinho demorado.
Eles saíram do chuveiro, enrolando-se em toalhas felpudas. No quarto, o ar condicionado criava um contraste gelado com o calor do banheiro. Luiz sentou-se na beira da cama e puxou Lizanes para o seu colo, secando o cabelo loiro dele com cuidado, um gesto tão terno que fazia o coração de Lizanes doer.
— O que foi? — perguntou Luiz, percebendo o olhar fixo do loiro.
— Nada — mentiu Lizanes, embora soubesse que seus olhos castanhos o entregavam. — Só estou pensando que amanhã é o oitavo dia. E que eu não quero que o nono, o décimo ou o centésimo sejam diferentes disso.
Luiz parou de secar o cabelo dele e segurou seu rosto com as duas mãos.
— Não vão ser, Lizanes. Eu não te trouxe aqui por uma semana só para te deixar ir agora. Isso... — ele gesticulou entre os dois — ...é só o começo da nossa biologia.
Lizanes riu, a tensão deixando seu corpo. Ele se inclinou e beijou Luiz novamente, desta vez um beijo calmo, cheio de promessas silenciosas.
— Então é melhor a gente dormir — sugeriu o loiro, deitando-se e puxando Luiz com ele para debaixo dos lençóis. — Porque eu tenho a sensação de que você vai querer revisar a matéria de novo amanhã cedo.
Luiz sorriu, aquele sorriso que fazia Lizanes sentir que era o único garoto no mundo.
— Amanhã cedo, amanhã à tarde e amanhã à noite — confirmou Luiz, apagando o abajur e puxando Lizanes para mais perto, onde o batimento cardíaco de um era a canção de ninar do outro.
A chuva lá fora havia parado, mas dentro daquele quarto, o ciclo de desejo e descoberta estava longe de terminar. Uma semana fora apenas o prefácio de uma história que nenhum dos dois estava pronto para encerrar.