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O Banquete do Caos

O som do tecido se rasgando ecoou pelo quarto como um tiro, mas foi rapidamente abafado pelo rosnado baixo que escapou da garganta de Angel. Ela não era uma donzela em perigo; era uma predadora, e o ser que habitava o corpo de Stiles era o seu oposto sombrio, uma entidade que se alimentava de dor e discórdia. Mas, naquele momento, a única fome que restava entre eles era carnal.

O Void Stiles riu contra os lábios dela, um som seco e desprovido de alegria, enquanto suas mãos — frias como o gelo de um inverno japonês — desciam pelas costas de Angel, invadindo o espaço sob sua blusa. Ele não tinha pressa, apesar da violência do beijo. Ele saboreava a luta dela, o conflito interno entre a loba que queria rasgar sua garganta e a mulher que desejava o toque daquele homem.

— Sinta isso, Angel — ele sussurrou contra a pele do pescoço dela, seus dentes roçando a jugular pulsante. — Stiles morreria de medo de tocar você assim. Ele é fraco, contido por moralidade e culpa. Eu sou tudo o que ele esconde.

Angel cravou as unhas nos ombros dele, sentindo a firmeza dos músculos sob a pele pálida. Ela o jogou de costas no colchão, assumindo o controle, sentando-se sobre o quadril dele. Seus olhos âmbar brilhavam na penumbra, refletindo a luz da lua que filtrava pelas cortinas entreabertas.

— Você fala demais para alguém que diz ser um demônio — ela sibilou, a voz carregada de uma rouquidão selvagem.

Com um movimento ágil, ela arrancou a própria blusa, revelando a pele bronzeada e as curvas que Stiles sempre admirara de longe, mas que o Void agora reivindicava. A visão fez os olhos escuros do Nogitsune dilatarem até que o castanho sumisse, restando apenas um abismo negro.

Ele não esperou. Suas mãos subiram possessivas, apertando os seios dela com uma força que beirava a dor, mas que Angel recebeu com um arquejo de prazer. Ele a puxou para baixo, colando seus corpos, e o beijo que se seguiu foi uma troca de oxigênio e veneno. A língua dele explorava a dela com uma propriedade obscena, enquanto uma de suas mãos descia para o cós da calça jeans dela, desabotoando-a com uma eficiência cruel.

— Eu posso sentir o seu coração — ele murmurou, a mão agora dentro da renda da calcinha dela, encontrando a umidade que denunciava a traição do corpo da loba. — Ele está batendo por mim, Angel. Não por ele. Por mim.

— Cale a boca — Angel gemeu, a cabeça jogada para trás enquanto os dedos longos dele a exploravam com uma precisão cirúrgica, pressionando o ponto exato que a fazia ver estrelas.

Ela não suportou a passividade. Em um movimento fluido, ela se livrou do restante de suas roupas e ajudou-o a se despir, revelando o corpo magro, porém definido, de Stiles. Havia algo de errado e magnético em vê-lo nu; as cicatrizes e as sardas eram dele, mas a postura, a tensão e a aura de poder absoluto pertenciam à raposa.

Quando ele se posicionou sobre ela, o peso do corpo dele era uma âncora no mar de caos que envolvia Beacon Hills. O Void Stiles segurou os pulsos de Angel acima da cabeça dela, prendendo-os contra o travesseiro com uma única mão. A força era desumana, refletindo a natureza sobrenatural da entidade.

— Olhe para mim — ele ordenou, a voz vibrando como um trovão baixo.

Angel obedeceu, os olhos âmbar encontrando o vazio negro dos dele. Não havia ternura ali, apenas uma possessividade absoluta. Ele se inclinou, lambendo o rastro de suor que descia pelo decote dela antes de descer para um de seus mamilos, mordiscando-o com uma agressividade que a fez arquear as costas, o quadril buscando desesperadamente o contato com o dele.

— Você quer isso, não quer? — ele provocou, roçando a ponta de sua masculinidade contra a entrada dela, provocando, adiando o inevitável. — Quer que o monstro te mostre o que o garoto nunca teve coragem de fazer.

— Eu quero que você pare de falar e me tome de uma vez! — Angel gritou, suas presas totalmente expostas agora, a loba assumindo o comando de seus sentidos.

O Nogitsune sorriu, um corte sombrio em seu rosto pálido, e em um impulso violento, ele penetrou-a profundamente.

O grito de Angel foi abafado pela boca dele. Foi uma invasão completa, um preenchimento que parecia atingir a própria alma dela. A dor inicial foi rapidamente substituída por uma onda de prazer devastador que a fez tremer da cabeça aos pés. Ele começou a se mover, um ritmo frenético e impiedoso, como se cada estocada fosse uma tentativa de marcar o território dentro dela.

— Isso... — ele arfou, o suor brilhando em sua testa — ...é o que acontece quando o caos encontra a natureza.

Angel soltou os pulsos da mão dele, não porque ele a soltara, mas porque ela simplesmente não aceitava mais ser contida. Ela envolveu as pernas ao redor da cintura dele, puxando-o para ainda mais perto, querendo sentir cada centímetro daquela possessão. Suas unhas deixaram sulcos vermelhos nas costas dele, mas o Void parecia se alimentar daquela dor, devolvendo-a em forma de prazer bruto.

O quarto parecia pequeno demais para a energia que emanava deles. O ar estava pesado, carregado com o cheiro de sexo e poder sobrenatural. Angel sentia-se em chamas. Cada movimento dele era calculado para levá-la ao limite, para quebrar sua resistência, para transformá-la em nada além de um reflexo de seus próprios desejos sombrios.

As estocadas tornaram-se mais rápidas, mais profundas. O som da pele batendo contra a pele e os gemidos guturais de Angel preenchiam o silêncio da noite. Ela estava perdida no ritmo dele, na escuridão que ele trazia. Ele a virou de costas com uma facilidade assustadora, mantendo a conexão, e a pressionou contra o colchão, segurando-a pelos quadris enquanto continuava o ataque por trás.

— Diga meu nome — ele exigiu, a voz rouca perto do ouvido dela.

— Stiles... — ela tentou, mas a palavra morreu em um suspiro quando ele atingiu seu ponto mais sensível.

— Não o dele. O meu.

— Void... — ela gemeu, a consciência se esvaindo enquanto o orgasmo começava a tomar conta de seu corpo em ondas violentas.

— Sim — ele sibilou, a voz carregada de triunfo.

Ele não parou. Ele a levou ao ápice repetidas vezes, drenando sua energia, alimentando-se do êxtase dela como se fosse o néctar mais puro. Quando ele finalmente atingiu seu próprio limite, ele se inclinou sobre ela, cravando os dentes no ombro de Angel no exato momento em que se derramava dentro dela. O grito dela foi uma mistura de dor e prazer supremo, uma nota alta que pareceu vibrar nas paredes do quarto.

O silêncio que se seguiu foi pesado. O Void Stiles desabou sobre ela por um momento, o peito subindo e descendo em uma respiração errática. Ele se afastou lentamente, sentando-se na beira da cama enquanto Angel tentava recuperar o fôlego, seu corpo ainda tremendo com os resquícios do prazer.

Ele se virou para olhá-la. O brilho negro em seus olhos havia suavizado ligeiramente, mas o sorriso de escárnio permanecia. Ele estendeu a mão e limpou uma lágrima solitária que escapava do olho de Angel, um gesto que poderia ser confundido com carinho, se não fosse pelo brilho de malícia em seu olhar.

— Ele vai se lembrar de cada segundo disso — o Void sussurrou, referindo-se ao Stiles real, preso em algum lugar dentro daquela mente. — Ele vai sentir o seu cheiro em sua pele, o gosto de você em sua boca... e ele vai saber que foi eu quem te quebrou primeiro.

Angel sentou-se, ignorando a fraqueza em suas pernas. Ela olhou para o monstro à sua frente, a loba nela rosnando baixo, mas a mulher... a mulher estava marcada.

— Você não o quebrou — ela disse, a voz firme apesar de tudo. — Você apenas nos deu algo que nenhum de nós vai esquecer. E quando ele voltar, eu vou garantir que ele apague cada traço seu de mim.

O Void riu, um som frio que ecoou pelo quarto enquanto ele começava a se vestir com uma calma irritante.

— Tente se convencer disso, loba. Mas o caos deixa cicatrizes que nem mesmo a cura sobrenatural pode apagar.

Ele caminhou até a janela, parando por um segundo para olhar para trás. A luz da lua emoldurava sua silhueta pálida.

— Até a próxima, Angel. Eu sei que você vai estar esperando.

Com um movimento rápido, ele desapareceu na escuridão da noite, deixando para trás apenas o cheiro de ozônio, o lençol bagunçado e uma loba que, pela primeira vez, não sabia se queria ser salva ou se preferia se perder na sombra.