Irmão?
Entre Laços de Sangue e Segredos de Lençol
O sol da tarde filtrava-se através das copas das árvores da Clareira dos Bestiais, lançando sombras alongadas sobre o acampamento. Para Arthur Leywin, aqueles breves momentos de quietude eram raros e, por isso, preciosos. Ele estava encostado em uma árvore antiga, longe dos olhares curiosos dos soldados, com Tessia Eralith envolta em seus braços. A mão dele acariciava a nuca da elfa, enquanto seus lábios se encontravam em um beijo profundo, carregado da urgência e do desejo que ainda queimavam de sua noite anterior.
— Arthur... — Tessia murmurou contra os lábios dele, a voz embargada — ...alguém pode nos ver.
— Deixe que vejam — ele respondeu com a voz rouca, a possessividade brilhando em seus olhos azuis antes de beijá-la novamente, ignorando completamente o mundo ao redor.
No entanto, o mundo decidiu se fazer presente.
— Mas o que... que diabos é isso?! — O grito estridente de Darvus Clarell cortou o ar como uma lâmina.
Arthur e Tessia se separaram bruscamente. A poucos metros dali, parados com expressões de puro choque, estavam Darvus, Caria e Stannard. Os ex-companheiros de equipe de Tessia pareciam ter acabado de ver um fantasma — ou, no caso, algo muito mais escandaloso.
— Tessia?! — Caria exclamou, os olhos arregalados. — Quem é esse... esse garoto? E por que você está... você sabe...
Stannard apenas limpou os óculos, piscando repetidamente como se a imagem pudesse mudar se ele focasse o suficiente.
Arthur suspirou, a frieza do General Leywin retornando instantaneamente à sua face, embora ele mantivesse um braço possessivo em volta da cintura de Tessia.
— Ele é o Arthur — Tessia disse, tentando recuperar a compostura enquanto suas bochechas ganhavam um tom carmesim adorável. — O Arthur Leywin.
— O "Artie" das suas histórias? — Darvus deu um passo à frente, avaliando Arthur de cima a baixo com um olhar cético. — Eu esperava alguém... não sei, menos "ruivo e intimidador". Você é o cara que ela não para de falar desde que voltamos das missões?
Antes que Arthur pudesse responder com um comentário sarcástico sobre o intelecto de Darvus, um vulto pequeno surgiu correndo de trás de uma das tendas próximas.
— Art! Você prometeu que ia me mostrar aquele truque com a mana de gelo! — Ellie Leywin parou de repente, vendo o círculo de pessoas. Ela franziu a testa, percebendo o tom hostil na voz de Darvus. — Por que vocês estão gritando com o meu irmão?
Ellie não esperou resposta. Ela marchou até Arthur e agarrou-se à sua perna, lançando um olhar mortal para os três aventureiros.
— Ele não fez nada! — ela declarou, protetora.
Arthur revirou os olhos, mas sua mão desceu automaticamente para bagunçar o cabelo de Ellie. A frieza em seus olhos desapareceu, substituída por aquela indulgência que apenas sua irmã conseguia extrair.
— Está tudo bem, Ellie. Eles são apenas... barulhentos — disse Arthur, seu tom suavizando. — Vá brincar com a Sylvie um pouco, eu já vou lá.
— Não! Você sempre foge para ficar com a Tess — Ellie fez um bico, cruzando os braços e grudando ainda mais no irmão. — Agora você é meu.
Os três aventureiros observavam a cena, boquiabertos. O guerreiro que emanava uma aura de poder esmagadora estava sendo completamente dominado por uma garotinha de dez anos.
— Esperem um pouco — Stannard interveio, a voz trêmula. — Esse é o General Arthur Leywin? O Lança... ou quase isso? E ele deixa essa criança mandar nele?
— Ela não é uma "criança", é a minha irmã — Arthur disse, e a temperatura ao redor pareceu cair dez graus. Seus olhos azuis brilharam com uma intensidade perigosa. — E eu sugiro que você escolha suas palavras com mais cuidado ao falar dela.
Tessia soltou uma risadinha, aproximando-se de Caria e Stannard.
— Não se preocupem, ele é apenas um idiota superprotetor. Arthur mima a Ellie tanto que é um milagre ela ainda saber andar sozinha.
— Eu não a mimo! — Arthur protestou, enquanto tirava um doce caro do bolso e entregava secretamente para Ellie, que sorriu vitoriosa.
— Viu? — Tessia apontou, rindo.
Enquanto Tessia começava a explicar para seus amigos quem Arthur realmente era — omitindo, claro, os detalhes mais picantes das noites deles —, o grupo começou a caminhar em direção ao centro do acampamento. Ao longo do caminho, o choque de Darvus e dos outros só aumentou.
Eles viram o Comandante Virion, o líder supremo das forças aliadas, aproximar-se. Darvus e Caria imediatamente se empertigaram, fazendo uma saudação formal. Arthur, por outro lado, apenas inclinou a cabeça com um sorriso presunçoso.
— Velhote, você parece mais acabado do que ontem. A guerra está pesando nos seus ossos ou é só a idade? — Arthur provocou.
Virion bufou, dando um tapa amistoso no ombro de Arthur que teria derrubado um soldado comum.
— Se eu estou acabado, é porque tenho que lidar com pirralhos insolentes como você, Arthur. Onde está a minha neta? Espero que você não esteja corrompendo a mente dela.
— Tarde demais para isso, Vovô — Tessia disse, aproximando-se e abraçando o braço de Arthur.
Darvus quase engasgou.
— Ele... ele fala assim com o Comandante? E o Comandante aceita?
— Eles são como avô e neto — explicou Tessia, ignorando o espanto deles. — Arthur não tem medo de nada, nem de ninguém com títulos superiores. Às vezes acho que ele esquece que existe hierarquia.
A tarde continuou com o grupo reunido perto de uma fogueira central. Tessia, agindo com uma naturalidade que beirava a provocação, não conseguia ficar longe de Arthur. Ela se sentou ao lado dele, puxando a mão do ruivo para que ele acariciasse seu cabelo. Em certo momento, ela simplesmente se acomodou no colo dele, ignorando os olhares chocados de Caria.
Arthur, embora fingisse estar focado no mapa que Virion discutia, mantinha uma mão firme na cintura de Tessia, e a outra ocasionalmente subia para tocar o rosto dela com uma ternura que contrastava com as cicatrizes em suas mãos.
— Você está muito carente hoje, Tess — Arthur sussurrou em seu ouvido, um sorriso de canto aparecendo.
— Você reclamou ontem à noite? — ela retrucou baixinho, fazendo-o arquear uma sobrancelha. — Acho que não. Na verdade, você parecia querer mais.
Arthur sentiu o calor subir pelo pescoço. Ele se lembrou da intensidade das três rodadas seguidas na tenda, da forma como Tessia o havia provocado com aquelas roupas que ele acabou rasgando em um acesso de luxúria selvagem. Ele pigarreou, tentando manter o foco no mapa.
Ellie, sentada do outro lado de Arthur, observava os dois com um olhar analítico.
— Tess, você vai ser minha cunhada logo, né? — a menina perguntou, pegando uma maçã. — Porque a mamãe disse que, do jeito que o Art te olha, ou ele casa ou ele explode.
Tessia riu alto, puxando Ellie para um abraço lateral.
— Eu adoraria, Ellie. O que você acha, Arthur? Vai casar comigo ou vai explodir?
Arthur olhou para as duas — a mulher que ele amava e a irmã que ele morreria para proteger. Elas pareciam uma família perfeita. Tessia tratava Ellie com um carinho maternal, ensinando-lhe feitiços e ouvindo suas reclamações sobre "como o Art é chato", enquanto Arthur observava tudo com um orgulho silencioso.
— Eu acho que vocês duas estão conspirando contra mim — ele murmurou, mas seu olhar para Tessia era de adoração pura.
Mais tarde, após o jantar, o grupo se dispersou. Darvus e os outros ainda estavam tentando processar o fato de que o maior prodígio de Dicathen era um homem que deixava a namorada sentar em seu colo durante reuniões de guerra e que era aterrorizado por uma irmãzinha de dez anos.
Quando finalmente ficaram sozinhos atrás de uma das tendas de suprimentos, a fachada de "casal de acampamento" caiu.
— Eles finalmente foram embora — Arthur disse, puxando Tessia para um canto escuro.
— Você foi um bom menino hoje — Tessia sorriu, passando as mãos pelo peito musculoso dele, por cima da armadura preta. — Mesmo com o Darvus tentando te provocar.
— Eu quase quebrei os dedos dele quando ele tentou tocar no seu ombro — Arthur admitiu, a possessividade voltando à tona. — Ninguém toca no que é meu.
Tessia sentiu um arrepio de prazer com a declaração. Ela se inclinou, sussurrando no ouvido dele:
— Então prove que eu sou sua. Agora.
Arthur não precisou de um segundo convite. Ele a conduziu rapidamente para a tenda privada dele, selando a entrada com mana de som antes mesmo de a cortina cair.
Lá dentro, a atmosfera mudou instantaneamente. Não havia mais espaço para o irmão carinhoso ou o general estratégico. Havia apenas o homem. Tessia caminhou até um baú no canto da tenda, tirando de lá um conjunto de lingerie de seda negra, incrivelmente provocante, que ela havia conseguido em uma das cidades vizinhas.
— O que você acha desta? — ela perguntou, deixando a túnica cair e revelando a peça que mal cobria o essencial.
Os olhos azuis de Arthur escureceram, o brilho da mana Realmheart ameaçando surgir apenas pela excitação. Ele caminhou até ela como um predador.
— Eu acho... que vou ter que comprar roupas novas para você amanhã — ele rosnou, agarrando a seda e rasgando-a com uma força bruta que fez Tessia soltar um gemido de antecipação.
O que se seguiu foi uma noite de paixão absoluta. Arthur a possuiu com uma selvageria que a deixava sem fôlego, marcando sua pele, reivindicando cada centímetro dela. Foram horas de prazer explícito, onde o som da carne colidindo e os gritos de êxtase de Tessia eram abafados apenas pela barreira mágica.
No intervalo entre a segunda e a terceira rodada, enquanto recuperavam o fôlego, Tessia sentou-se sobre ele, seus seios subindo e descendo com a respiração pesada.
— Arthur... — ela começou, a voz falhando — ...eu ainda estou me sentindo... diferente. Aquele enjoo hoje de manhã, quando senti o cheiro do guisado...
Arthur parou, suas mãos parando na cintura dela. Ele olhou para o ventre liso de Tessia, uma mistura de medo e esperança inundando seu peito. A possibilidade de que a vida que eles criaram ali, naquelas noites intensas, estivesse florescendo era algo que ele ainda não conseguia processar totalmente.
— Se houver um bebê, Tess... — ele começou, puxando-a para um beijo terno nos seios, sugando a pele macia com uma fome que era tanto física quanto emocional. — Eu vou ser o pai que ele merece. E ninguém, nem os Vritra, nem as divindades deste mundo, chegarão perto de vocês.
Tessia sorriu, sentindo as lágrimas arderem. Ela se inclinou para baixo, oferecendo-se a ele novamente, querendo esquecer as incertezas da guerra no calor do corpo dele.
Antes de finalmente dormirem, o ritual se repetiu. Tessia, exausta mas satisfeita, cuidou dele com a boca, um gesto de devoção que Arthur retribuiu perdendo-se no aroma dela, com o rosto enterrado em seu peito, ouvindo as batidas do coração da mulher que era seu mundo.
Na manhã seguinte, Arthur saiu da tenda com a mesma expressão imperturbável de sempre. Ele encontrou Ellie treinando com Sylvie perto do riacho.
— Bom dia, Art! — Ellie gritou, correndo até ele. — Você está com olheiras. A Tess te fez ficar acordado estudando táticas de novo?
Arthur deu um sorriso de lado, pegando a irmã no colo e girando-a, ignorando os protestos dela.
— Algo assim, tampinha. Algo assim.
Tessia saiu da tenda logo depois, ajustando o cinto da espada. Ela trocou um olhar cúmplice com Arthur — um olhar que carregava o segredo das roupas rasgadas, dos gemidos abafados e da pequena vida que talvez estivesse começando a existir.
Para o resto do acampamento, eles eram apenas o General e a Princesa. Mas ali, sob a luz da manhã, eles eram apenas uma família, lutando por um futuro onde não precisariam mais de barreiras de som para serem livres.